LOGINEmir serviu uma xícara de chá e a colocou diante de Youssef. Depois, acomodou-se novamente na poltrona, observando o rapaz, que continuava com a expressão fechada.— Imagino que tenha muitas perguntas, Youssef. Por isso pedi que viesse. Quero conversar com você sobre sua mãe.Youssef pegou a xícara, mas não respondeu. Ainda tentava compreender o que havia presenciado naquela manhã. Conhecia Maya melhor do que ninguém, ou pelo menos sempre acreditara nisso. Agora, diante daquele homem, começava a se perguntar o quanto realmente sabia sobre os sentimentos dela.— Sim, tenho interesse em Maya, e isso não é recente — continuou Emir. — Quero deixar claro que nunca aconteceu nada entre nós. Jamais fui desrespeitoso com ela e não pretendo ser. Com o tempo, descobri que a amo. Apaixonei-me por sua mãe, Youssef, e quero me casar com ela.Youssef ergueu os olhos da xícara. A naturalidade com que Emir falava de sua mãe o incomodava profundamente. Casamento não era algo simples, muito menos quand
Maya sentiu o chão sumir sob seus pés.— Onde está ele? Onde está Emir? — perguntava à enfermeira, que tentava conter seus braços agitados e nervosos.— Estou aqui.Emir vinha sendo trazido em uma cadeira de rodas. Ele acordara no meio da noite e, pela manhã, haviam retirado os aparelhos. Agora, estava voltando de alguns exames de imagem.Maya olhou para ele, com os olhos anuviados pelas lágrimas. Correu em sua direção, sorrindo. Nem se lembrou de onde estava ou de quem se tratava. Abaixou-se para olhá-lo nos olhos e tocou seu rosto.— Você... Você está bem! Por Alá, eu tive tanto medo! Eu orei tanto...Ela sorria, e as lágrimas ainda escorriam por seu rosto.A poucos metros dali, Samir assistia à cena, parado, com um sorriso no rosto que nem ele mesmo sabia explicar. Ao seu lado, Youssef estava de boca aberta e sobrancelhas erguidas.Quando Samir voltou a si, olhou para o lado. O amigo ainda parecia em choque.— Bem, acho que você não tem muito mais o que fazer agora. É só questão de
Ali olhou para a tela.— Ao acervo pessoal dele?— Sim. Eu já vi essas joias. Não tenho dúvidas.Samir voltou à primeira fotografia, aquela que haviam recebido após a prisão do homem disfarçado.— E esta também. Eu não tinha certeza antes, mas agora tenho. Faz parte do mesmo acervo.Ali se aproximou da mesa.— Então alguém teve acesso às joias do Emir.— Ou recebeu essas peças de alguém que teve.Samir permaneceu olhando para as fotografias por alguns segundos. Conhecia parte do acervo do pai, embora não acompanhasse pessoalmente cada peça. Algumas joias eram antigas, outras haviam sido adquiridas ao longo dos anos, e havia também aquelas destinadas a presentes.Mas não era comum que peças daquela coleção aparecessem nas mãos de pessoas envolvidas num atentado contra Emir.— Quero um levantamento de tudo o que saiu do acervo nos últimos meses — ordenou. — Presentes, transferências, peças retiradas para manutenção. Tudo.— Vou providenciar.— E quero saber exatamente como essas joias c
Maya entrou e fechou a porta cuidadosamente atrás de si.Por alguns instantes, permaneceu parada, olhando para Emir.Ele estava deitado, imóvel, com os olhos fechados. O abdômen estava coberto por um curativo largo, e vários fios saíam dos sensores presos ao peito, ligando-o aos aparelhos ao lado da cama. Um monitor emitia sons regulares, enquanto o soro descia lentamente por um dos acessos em seu braço.Maya levou a mão à boca.Não estava preparada para vê-lo daquela maneira.Emir sempre lhe parecera um homem tão seguro de si, tão acostumado a dar ordens e a decidir tudo ao seu redor. Agora estava ali, completamente imóvel, dependendo dos cuidados de outras pessoas.Seus olhos percorreram o rosto dele, depois desceram involuntariamente até o peito descoberto. Maya sentiu as bochechas esquentarem e desviou o olhar, constrangida.Por Alá! Até naquela situação aquele homem conseguia deixá-la sem jeito.Olhou novamente para a porta, certificando-se de que ninguém estava chegando, e final
No hospital, Samir permaneceu diante do vidro da UTI.Emir continuava sedado. Os aparelhos marcavam um ritmo constante ao redor da cama, enquanto uma enfermeira verificava os acessos e anotava informações.Samir ficou observando o pai por alguns minutos. Ali se aproximou, mas não interrompeu.— Alguma novidade de Londres? — perguntou Samir, sem tirar os olhos de Emir.— Ainda estão procurando os outros dois.Samir assentiu.— E a joia?— Estão verificando.Samir finalmente se afastou do vidro.— Quero saber de onde ela saiu.— Vamos descobrir.O dia já estava terminando quando o telefone de Ali tocou. Ele atendeu, ouviu durante alguns segundos e olhou imediatamente para Samir.— Encontraram outra pessoa.Samir se virou. Ali colocou a ligação no viva-voz.— Quem?— Uma mulher. Confirmamos que ela é uma das três pessoas que aparecem nas imagens.— Está presa?— Sim.— Encontraram alguma coisa com ela?— Dinheiro.O homem hesitou por um instante.— E joias.Samir ficou imóvel.— Joias?—
O café da manhã transcorreu de maneira estranhamente normal para as crianças. Amine sabia que algo havia acontecido, mas Youssef não dissera nada. Ela estava esperando que ele contasse.Yasmim e Amim conversavam à mesa, Maya insistia para que todos comessem, e Amine participava da conversa como se aquela fosse apenas mais uma manhã em família. Youssef, no entanto, mal prestava atenção. Algumas vezes, Maya olhou para ele, provavelmente percebendo que havia algo errado, mas não perguntou nada diante das crianças.Quando terminaram, as crianças pegaram as mochilas. O motorista já as aguardava para levá-las à escola.Maya as acompanhou até a porta.— Prestem atenção nas aulas.— Sim — respondeu Yassi.Amim já caminhava na direção do carro quando Maya o chamou.— Amim.Ele voltou o rosto.— Sim?— Boa aula.Ele sorriu e assentiu.Sua mãe nunca se despedira dele antes de ir para a escola. Quando dizia alguma coisa, geralmente era algo como: “Não se misture. Eles não estão à nossa altura.”Y







