MasukPOV de Marina Vasques
- Por quem? – pergunto-lhe com ironia – Por alguém que me protege ou por alguém que nunca me quis? – pergunto-lhe e forma direta e seu que o atingi de forma certeira - Isso é um absurdo – diz-me o meu pai a olhar para mim incrédulo com a minha postura - É? – pergunto-lhe de forma direta e segura das minhas palavras Eu levanto-me e vou em direção ao meu pai. - Diz-me uma coisa Mário, pai – digo a palavra pai de forma fria, distante, o que não era habitual – Quando é que estiveste do bem lado? – pergunto-lhe encarando-o – Ou melhor, quando é que estiveste do meu lado? – corrijo-me e sorrio para ele. Ele não me respondeu, ele ficou em silêncio. E isso foi o suficiente para mim. Ao final do dia eu regresso ao hotel. Eu tenho que ir ter com Kostas, eu preciso de respostas. Ele estava de costas no terraço do hotel quando eu cheguei, como que se já estivesse à minha espera. Ele parecia estar sempre um passo à frente de todos. - Vi as notícias – diz-me assim que me vê a aproximar - Já imaginava isso, a minha cara está em todo o lado – digo-lhe e encosto-me à parede - Marina, precisamos de falar – diz-me ele a olhar para mim - Finalmente – respondo-lhe, pois, ele tinha que me explicar muita coisa e cruzo os braços em cima do peito e ele aproxima-se e trás com ele vários jornais – Isto não é real – digo apontando para uma notícia que falava no nosso casamento - Discordo – diz-me ele – É bastante real – sussurra ao meu ouvido e sorri - Sabes bem o que eu quero dizer – digo-lhe e ele sorri para mim – Um casamento é sempre um acordo – responde-me ele a sorrir – E nós temos que definir o nosso – diz-me ele e eu fico a encará-lo, em silêncio esperando que ele continuasse, mas ele não diz mais nada. - Estou a ouvir – respondo-lhe a encará-lo - Protegemo-nos mutuamente – começa ele por dizer - Já estamos a fazer isso – digo-lhe, pois eu também o defenderia como ele me defende a mim – Se interferir na vida pessoal um do outro – continuo eu a falar e ele olha para mim e fica em silêncio, pois ele ficou pensativo com as minhas palavras - Isso tem de ser negociado – diz-me ele e eu ignoro após engolir em seco - Sem mentiras – digo-lhe e ele sorri - Isso não é realista, pelo menos para já – responde-me e ele com sinceridade e de forma firme - Então pelos menos, com menos mentiras – digo-lhe e ele volta a sorrir e dá um passo na minha direção ficando muito próximo de mim - O que eu ganho? – pergunta-me ele - O que queres ganhar? – respondo-lhe com uma pergunta e ele sorri para mim - Acesso – diz-me ele e eu franzo o sobrolho e ele percebe a minha confusão – À empresa, à influência, ao nome – responde-me ele e eu encaro-o e ele observa-me - Terás esse acesso – respondo-lhe e ele sorri - E tu? – pergunta-me – O que queres ganhar? – pergunta-me ele e eu respiro fundo - Liberdade – respondo-lhe de forma direta Ele fica em silêncio, com uma expressão indecifrável para mim. - Acordo aceite – diz ele ao fim de uns minutos em silêncio Ele foi fácil de convencer, simples, e eu não esperava isso e fico surpreendida. - Aceitas assim fácil? – pergunto-lhe não controlando a minha curiosidade e espanto - Não sou um homem complicado – responde-me ele com um tom de ironia e um leve sorriso nos lábios Eu arqueei as sobrancelhas e sorrio. - Discordo – respondo-lhe, pois, eu não acho que ele não seja complicado, para mim ele é bem complicado e muito complexo Ele aproxima-se de mim. Ficando muito próximo. - É porque ainda não me conheces – responde-me com um tom calmo, sereno, decidido E o tom de voz dele fez algo dentro de mim estremecer, ele mexeu comigo e eu não consigo perceber o porquê. - Como foi o seu dia? – pergunta-me ele depois de estarmos em silêncio a encararmo-nos - Normal, apenas com mais perguntas – digo-lhe e ele consente com a cabeça - O seu pai, falou consigo? – pergunta-me ele e eu olho para ele - Sim, queria que eu anulasse o nosso casamento – respondo de forma frontal, sem rodeios e para ver a reação dele – Segundo ele o meu marido é um homem perigoso e que me manipula – digo-lhe e ele sorri Ficamos em silêncio novamente. Ambos nos encaramos, sem dizer uma única palavra. - Curioso, vindo dele – responde-me ele – O mestre da manipulação – diz-me ele e eu sinto um cero rancor na voz dele - Conheces o meu pai? – pergunto-lhe e ele sorri - Infelizmente – responde-me ele sem rodeios e encarando-me - Posso saber de onde? – pergunto-lhe, eu tenho que ter calma com as minhas perguntas, eu já percebi que Kostas é misterioso e ele não me vai contar tudo o que eu quero, mas eu quero saber o mais possível - Deste mundo – responde-me ele a suspirar – Negócios – responde-me ele e olha para mim – Mas ainda é cedo saberes mais coisas, um dia saberás de tudo – responde-me ele sem rodeios - És amigo dele – pergunto-lhe e ele gargalha, era uma gargalhada irónica - Não… posso dizer que somos inimigos – responde-me ele e eu assinto com a cabeça, para mim isso é bom, pois, é sinal que estamos os dois do mesmo lado – Se eu fosse amigo dele não estava aqui contigo – responde-me e eu assinto com a cabeça O silêncio volta. Naquele fim de dia eu e ele não voltamos a falar mais. Eu regresso ao meu quarto, ele fica no dele. Eu estou pensativa. Eu não sei quem é ele, mas ele transmite-me segurança, e isso não é normal, eu não confio em quem não conheço, ou pelo menos, não confiava. - Quem és tu Kostas Ioannidis? – pergunto-me a mim mesma e começo a procurar por informações dele na internet, mas poucas informações existem. Apenas um é relevante. A família dele sofre um enorme golpe. Alguém o roubou. Isso é estranho, e chama a minha atenção.- E? – perguntou Marina depois de ver que ele fazia mais uma pausaMarina olhou para Álvaro de mais perto e pela primeira vez ele parecia mais velho, muito mais velho.Álvaro fechou os olhos e respirou fundo.- Ela ameaçou expor toda a organização – diz ele com um tom muito sério- E tu mandaste matá-la – insiste Marina, mas ele volta a negar- Eu já disse que não – diz ele e fica num silêncio pesado e muito profundo – Foi o Mário quem a matou – diz Álvaro e o mundo explodiu dentro de Marina.- Não – diz Marina- Sim – diz Álvaro com um tom seguro, mas com uma voz baixa, crua – O teu pai descobriu a verdade naquela noite – diz Álvaro e as pernas dela ficaram sem forças e quase que falharam- Não – diz novamente e Álvaro continuou- Ele descobriu que Camila sabia de tudo e que ela me ia denunciar – diz ele e faz uma pausa – E entrou em pânico – diz eleAs lágrimas começaram a surgir nos olhos de Marina, porque aquela hipótese nunca lhe ocorrera, nunca.- Estás a tentar proteger-te – di
A noite estava calma, até chegar uma mensagem, sem número, sem identificação, mas Marina sabia exatamente de quem era a mensagem.“Chega de intermediários” dizia a mensagem e Marina ficou a encarar a mensagem em silêncio, mas veio outra, segundos depois. “Tu e eu”, dizia na mensagem e o coração dele acelerou, como nunca, pois Álvaro a queria confrontar, finalmente. “Amanhã” era o que vinha na terceira mensagem dele.Não havia localização. Não havia uma explicação como nas anteriores, mas minutos depois chegou uma fotografia. Era o cais onde Álvaro e José tinham crescido. O local onde tudo começou.Marina observou a imagem durante vários segundos, e depois pousou o telemóvel.Kostas já a esta estava a observar e percebeu que ela lia mensagens e ele sabia que eram de Álvaro, primeiro pela expressão dela e depois porque ele era o único que lhe mandava mensagens.- Não, nem penses Marina – diz ele ao olhar para o conteúdo da mensagem e ela levantou os olhos para o encarar- Sim – diz Mari
Mário aceitou encontrar-se com Marina, talvez por orgulho, talvez por medo por tudo o que já aconteceu entre eles, talvez porque finalmente ele percebeu que já não controlava nada.O encontro aconteceu na casa antiga de Camila, o lugar onde ele viveu com ela, o lugar que ele evitara durante os anos após a morte dela.Quando ele entrou, ele parecia mais velho, muito mais velho, ele parece ter envelhecido anos nas últimas semanas, até os cabelos dele estavam mais grisalhos, o olhar dele estava cansado, muito cansado.O homem poderoso que aterrorizou Marina durante a infância parecia te desaparecido.Ela observou-o em silêncio, sem saber exatamente o que sentia.Raiva? Sim, mas já não era apenas isso.Ela estava triste, desiludida.- Então já descobriste tudo? – perguntou ele com uma voz baixa- Quase tudo – respondeu Marina, mas não de imediato, pois ela ficou uns minutos em silêncioMário soltou uma pequena gargalhada amarga.- Ninguém descobre tudo nesta família – diz ele e fica em si
Ninguém falou durante vários segundos, porque a possibilidade era monstruosa, mas que fazia todo o sentido, demasiado sentido.Pedro foi o primeiro a recuperar do choque.- Existe uma forma de saber se ele é ou não pai de Rebeca – diz Pedro e Marina levantou os olhos imediatamente e o encarou – ADN – diz ele e fica em silêncio- Precisamos de uma amostra da Rebeca – diz Marina e Kostas assentiu com a cabeça – E outra de Álvaro – diz ela e ali o problema tornou-se imediatamente óbvio.Álvaro era praticamente inacessível, ele era e estava sempre protegido, sempre controlado, sempre rodeado de segurança, mas então Marina lembrou-se de algo. Algo pequeno, algo que até poderia ser insignificante, mas durante uma das reuniões que ele tinha feito com ela, ele tinha bebido vinho, num copo, que ela acabou por guardar porque na altura ela desconfiava dele e porque ela tinha o medo real de ele colocar algo na bebida dela e ele bebeu do copo dela por perceber que ela estava com esse receio.Ela t
O regresso a casa tornou-se insuportável. Ninguém falava, pois, ninguém conseguia falar. Porque o nome continuava a ecoar dentro da cabeça de Marina. Lúcia.A mulher que conseguiu destruir a infância dela. A mulher que passou anos ao lado do seu pai. A mulher que alimentou a inveja de Rebeca sobre ela. A mulher que sempre aparecia. A mulher que sempre a humilhou, que sempre a maltratou. Sempre ela.Ela estava em todas as histórias, em todos os segredos, como se ela fosse uma sombra. E por mais aterrorizador que parecesse, agora fazia todo o sentido.Quando chegaram à propriedade antiga de Josué, Marina foi diretamente para o escritório. Ela não disse uma única palavra que fosse. Ela não esperar por ninguém. Ela espalhou novamente os documentos sobre a mesa, desde fotografias, datas, cartas, tudo.Ela precisava de perceber, ela precisava de encontrar a ligação, Pedro entrou poucos minutos depois.- Marina – diz Pedro e ela nem levantou os olhos- Há quanto tempo conheces a Lúcia? – per
Eles revistaram o apartamento durante horas. Eles abriram as gavetas, caixas, armários. E eles não encontraram nada. Até que Célia encontrou algo.- Aqui – diz Célia e todos se aproximaram dela imediatamente.Era uma tábua solta no chão, escondida debaixo de um armário antigo. E dentro, um envelope. Amarelado pelo tempo, ainda fechado, completamente selado, nunca enviado apesar de o selo indicar que aquilo deveria ter seguido pelo correio anos antes, muitos anos antes.Marina abriu-o com cuidado, muito cuidado.A mãos dela tremiam.A letra era elegante e claramente feminina.E o nome do destinatário fez o sangue dela gelar de imediato.Álvaro.O silencio foi absoluto e Marina respirou fundo antes de começar a ler a carta.“Álvaro, Se estás a ler esta carta, significa que eu finalmente desisti de esperar que mudesPassei anos a acreditar que ainda existia bondade em ti, Que existia algo humano em ti.Mas agora compreendo que amas o controlo mais do que amas as pessoas.Um dia vais de







