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👑 CAPÍTULO 3: O Palco da Vingança

Autor: Val veiga
last update Data de publicação: 2026-03-22 07:23:59

Ponto de Vista: VALENTINA

O sol do sĂĄbado espreitava pela cortina gasta do meu quarto, mas meu corpo pesava. Cada mĂșsculo do meu core protestava, resultado de noites dançando sob os holofotes. Esperei que aquele homem, Damian Valmont, o arrogante de terno caro, estivesse longe da cidade. Minha Ășnica consolação era que, sendo sĂĄbado, o Stardust estaria aberto, garantindo o dinheiro extra essencial para o mĂȘs.

Hoje, porém, o foco era a família. Dona Cecília e Lucas

Fiz minha higiene pessoal e desci. O aroma de café fresco e pão na chapa pairava na cozinha, um raro conforto.

CecĂ­lia: Bom dia, meu amor. Achei que vocĂȘ dormiria atĂ© mais tarde, aproveitando o dia de folga do sol!

Valentina: Bom dia, mĂŁezinha. Hoje decidi ser toda de vocĂȘs. Onde estĂĄ o Lucas, o preguiçoso?

CecĂ­lia: Ele ainda estĂĄ dormindo. — Minha mĂŁe sorriu, mas o brilho nos olhos nĂŁo alcançou o sorriso. — Valentina, vocĂȘ nĂŁo estĂĄ pensando em procurar outro tipo de trabalho? Eu me preocupo. VocĂȘ Ă© linda, filha. Se descobrirem a beleza que estĂĄ oculta sob a mĂĄscara, os homens poderĂŁo te olhar de outra forma...

Valentina: — Interrompi, suavizando a voz. — VocĂȘ jĂĄ me ajuda cuidando de mim e do Joaquim Lucas. MĂŁe, estou percebendo que vocĂȘ estĂĄ muito pĂĄlida. Tem certeza de que nĂŁo precisamos ir ao mĂ©dico para verificar se o remĂ©dio ainda estĂĄ com a potĂȘncia ideal?

CecĂ­lia: NĂŁo se preocupe com isso, filha. Estou bem, de verdade. E, por favor, nĂŁo gaste mais. Seu dinheiro mal cobre as despesas, meus medicamentos e a escola de Lucas. Se gastarmos mais, vocĂȘ terĂĄ que se esforçar ainda mais, e eu nĂŁo quero isso.

A insistĂȘncia dela me fez apertar o lĂĄbio. A sensação estranha do dia anterior se confirmava: Dona CecĂ­lia estava escondendo algo sobre o avanço de seu cĂąncer de mama. Mas ela me olhou nos olhos e garantiu, firme: "O mĂ©dico disse que os exames estĂŁo normais. SĂŁo sĂł os medicamentos." A mentira, no entanto, parecia dançar por trĂĄs daquela firmeza.

Deixei o assunto de lado. Tivemos um dia simples, mas perfeito: o riso solto de Lucas ao jogar bola na praça e o silĂȘncio confortĂĄvel de CecĂ­lia ao meu lado eram meu combustĂ­vel.

Ao anoitecer, preparei-me para a boate.

Lucas: Daqui a alguns anos, estarei trabalhando. VocĂȘ nĂŁo precisarĂĄ mais se dedicar todas as noites Ă quele emprego, maninha.

Senti um nó na garganta. Era por aquele menino que eu dançava.

Valentina: Nesse dia, eu me sentirei uma mulher realizada, Lucas.

Cecília: Jå estå saindo, filha? Cuide-se, e não se esqueça da måscara. Vå com Deus, meu amor.

SaĂ­ para a noite fria. No tĂĄxi, a mĂĄscara de vinil subiu, cobrindo o rosto que ninguĂ©m no Stardust deveria reconhecer. Era o meu Ășltimo pedaço de privacidade.

Ao entrar no camarim, Isabela e Diana jĂĄ estavam lĂĄ, vestidas com seus trajes de cena. A tensĂŁo era palpĂĄvel.

Isabela: Que bom que vocĂȘ chegou, Valentina. VocĂȘ nĂŁo foi avisada?

Valentina: Avisada de quĂȘ?

Diana: O Murilo acabou de nos dispensar. A boate estĂĄ fechada.

Valentina: Fechada? Em um sĂĄbado? Se for assim, Ăłtimo! Quero minha cama mais cedo.

Isabela: Não para todas. Parece que o Stardust vai receber alguém muito importante, e só uma dançarina foi requisitada. O Murilo jå estå vindo para anunciar quem é a "sortuda".

Valentina: Que mistério é esse? E quem é o novo cliente VIP que pode fechar a boate inteira? Pensei que o Murilo fosse o dono.

Isabela: Pelo visto, ele tem um chefe. O verdadeiro proprietĂĄrio nĂŁo gosta de aparecer, mas a ordem veio dele.

Nossa conversa foi interrompida por Murilo Ă  porta. Ele parecia pĂĄlido e desconfortĂĄvel.

Murilo: Meninas, peço desculpas por fazĂȘ-las vir. Mas o dono do Stardust farĂĄ uma reuniĂŁo e pediu que a Pantera seja a Ășnica presente.

Meu estĂŽmago gelou.

Valentina: Por que eu, Murilo? Ele me conhece?

Murilo: — Ignorou a pergunta, dirigindo-se Ă s outras. — Meninas, podem ir. Eu cubro o pagamento de vocĂȘs.

Assim que Isabela e Diana saĂ­ram, ele fechou a porta e sentou-se na poltrona.

Murilo: Me perdoe, Valentina, por ter mentido sobre a boate ser minha. O verdadeiro proprietĂĄrio nĂŁo gosta de ser exposto. E, sinceramente, eu estou apavorado com o que estĂĄ acontecendo. Ele ordenou que a boate estivesse vazia, sĂł vocĂȘ. E assim que ele e os convidados chegarem, eu tenho que sair. Sinto muito, mas nĂŁo posso contrariĂĄ-lo.

O desespero me atingiu. Ele me deixaria sozinha, exposta a um estranho poderoso. SerĂĄ que meus princĂ­pios valiam o emprego que sustentava minha mĂŁe doente? Murilo se levantou, me deixando paralisada.

Minutos depois, ele voltou, o suor na testa.

Murilo: Eles estão chegando. Ele estå ansioso pela sua apresentação. Vå com Deus.

Ele saiu, me abandonando ao meu destino. Coloquei o top e o shortinho que expunham minhas curvas e, mais uma vez, a mĂĄscara. Eu tremia, mas subi no palco.

Estava escuro. A mĂșsica começou, e eu iniciei minha dança, tentando canalizar o medo em sensualidade. Girei na barra, mas a cada movimento eu esperava o pior.

De repente, as luzes de LED acenderam com um brilho ofuscante, e uma voz seca, amplificada pelos alto-falantes, ecoou:

— Damas e senhores, bem-vindos ao dono do Stardust: DAMIAN VALMONT!

Meu corpo parou no ar. O choque me atingiu como um raio. O CEO, o arrogante que levei a tapa... ele era o proprietårio. Ele organizou isso. Era uma armadilha, uma demonstração de poder para provar que ele estava no controle.

Ele estava ali, Ă  frente, os olhos negros fixos em mim, um sorriso de predador se abrindo lentamente em seus lĂĄbios. Eu estava totalmente perdida.

Ele subiu ao palco com a confiança de um rei e parou bem atrås de mim, seu hålito quente em meu pescoço.

Damian: Como devo agir em relação ao tapa que vocĂȘ deu em mim, a mim, o proprietĂĄrio do seu ganha-pĂŁo? Eu te avisei que isso teria consequĂȘncias. Agora, Pantera, mostre seu talento no show que foi pago particularmente para vocĂȘ dançar para o dono da boate e para os meus colegas que acabaram de chegar.

Ele roçou os låbios em meu pescoço, o beijo frio e cruel.

Olhei para a frente. Quatro homens de terno escuro estavam sentados na mesa VIP, observando-me com olhares gélidos. Aqueles eram os "amigos" de Damian, os envolvidos no tråfico. O medo me paralisou. Ficar significava me humilhar e me expor a homens perigosos. Fugir significava perder o emprego e deixar minha mãe sem tratamento.

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