Mag-log inHelena Encostei a cabeça em seu peito. O coração dele batia calmamente. — Você ainda tem medo? — Tenho. — De quê? — De perder você. Levantei a cabeça. — E o que você faz com esse medo? — Lembro que você está comigo porque quer. Sorri. — Essa é a resposta certa. Na manhã seguinte, acordamos com Luna pulando na cama. — Pai! Noah abriu os olhos. — O que foi? — Eu tive uma ideia. — Isso é perigoso. Ela riu. — Vamos fazer café da manhã juntos! Noah olhou para mim. — Você ouviu? — Ouvi. — Parece uma armadilha. Luna puxou o braço dele. — Vamos! Fomos para a cozinha. Luna tentou quebrar ovos. Um caiu no chão. Noah tentou salvar. Derrubou farinha. Eu comecei a rir. Em poucos minutos, a cozinha parecia um desastre. Mas ninguém se importou. Luna colocou farinha no nariz de Noah. Ele revidou. Ela gritou. Eu tentei separar os dois. Acabei com farinha no cabelo. E rimos. Muito. Quando finalmente terminamos, a mesa e
Helena No caminho, Luna cantava. Noah dirigia. Eu estava no banco ao lado. A música tocava baixo. E ninguém falava sobre problemas. Ninguém falava sobre Rafael. Ninguém falava sobre Eduardo Moretti. Ninguém falava sobre empresas. Naquela manhã, não precisávamos. Quando chegamos, Luna saiu correndo. — Pai! — Estou indo! Ele correu atrás dela. Eu fiquei observando. Um sorriso apareceu involuntariamente. Noah voltou alguns minutos depois. — Ela tem energia demais. — Você está ficando velho. Ele levou a mão ao peito. — Isso foi cruel. — Verdade. Ele riu. Sentamo-nos em um banco. Luna brincava alguns metros à frente. — Quando foi a última vez que fizemos isso? — perguntei. — O quê? — Nada. Ele pensou. — Talvez nunca. — Exatamente. Eu olhei para o parque. Famílias caminhavam. Crianças brincavam. Casais conversavam. Pessoas passeavam com cachorros. Tudo era comum. E, justamente por isso, parecia extraordinário. —
Helena Naquela noite, ele guardou o desenho que Luna havia feito. Era uma imagem simples. Três pessoas de mãos dadas. Helena. Luna. Noah. Embaixo, escrito com letras infantis: Minha família. Ele ficou olhando para o desenho durante muito tempo. — Posso colocar no meu escritório? Luna assentiu. — Pode. — Vou colocar na parede. — Para todo mundo ver? — Para todo mundo ver. Quando finalmente fomos dormir, Noah colocou o desenho na mesa de cabeceira. — Você sabe que não precisa guardar tudo que ela faz, não é? — Preciso. — Por quê? — Porque um dia ela vai crescer. Ele olhou para o desenho. — E eu quero lembrar de quando ela me chamou de pai pela primeira vez. Sorri. — Você nunca vai esquecer. — Nunca. Ele se deitou. Segurei sua mão. — Noah? — Sim? — Ela escolheu você. Ele me olhou. — Eu sei. — Não porque você é perfeito. — Ainda bem. — Mas porque você esteve presente. Ele beijou minha mão. — E vou continuar. Na
Helena Naquela tarde, Luna decidiu que precisava contar para todo mundo. Primeiro, ligou para uma amiga. Depois, contou à professora por mensagem. Depois, falou para a vizinha. E finalmente anunciou durante o jantar: — Agora eu tenho um pai. Noah quase engasgou. Eu ri. — Você está bem? — Estou. Luna olhou para ele. — Você não gostou? — Gostei. — Então por que está vermelho? — Porque seu pai é tímido. Ela riu. Depois do jantar, Luna foi para o quarto. Eu fiquei na cozinha com Noah. Ele estava olhando para a mesa. — O que você está pensando? — Que eu não mereço isso. Franzi a testa. — Isso o quê? — Ser chamado de pai. Aproximei-me. — Por quê? — Porque não fui eu quem esteve com ela desde o começo. — Mas você está agora. — Isso não apaga o que você fez por ela. — Eu não preciso que apague. Ele olhou para mim. — Helena... — Noah, ser pai não é uma competição. Ele permaneceu em silêncio. — Você não precisa apagar ning
Helena Existem palavras que parecem pequenas. Palavras que cabem em uma única frase. Mas algumas carregam o peso de uma vida inteira. Naquela manhã, eu ainda não sabia que uma dessas palavras mudaria Noah para sempre. Pai.**** O domingo amanheceu tranquilo. Depois de meses de tensão, escândalos, ameaças e descobertas, nossa casa finalmente parecia respirar. Luna estava no jardim. Noah preparava o café da manhã. Eu observava os dois pela janela da cozinha. Ele estava tentando fazer panquecas. Tentando. Porque algumas estavam queimadas. Outras tinham formatos que não deveriam existir. E Luna parecia estar se divertindo mais com os erros dele do que com o café. — Essa parece um dinossauro — ela disse. Noah olhou para o prato. — Isso era para ser uma estrela. — Não parece. — Você poderia fingir. — Não. Ele começou a rir. — Você é muito honesta. — A mamãe diz que eu tenho que falar a verdade. Olhei para eles. — E ela está certa. Noah apontou para mim. — Está ve
Helena Algumas semanas depois, tivemos nossa primeira grande discussão desde o início da reconstrução. Foi por causa da investigação. Noah queria contratar uma equipe de segurança adicional. Eu não queria. — Não preciso de mais pessoas me seguindo. — Não é sobre seguir você. — Parece. — Helena, você está sendo investigada por pessoas que não conhecemos. — E você quer controlar cada movimento meu novamente? Ele ficou em silêncio. Aquela frase doeu. Eu sabia. Mas precisava dizê-la. Ele respirou fundo. — Não. — Então? — Eu estou com medo. A sinceridade me desarmou. — Eu também. Ele se aproximou. — Mas não quero transformar meu medo em uma prisão para você. Fiquei em silêncio. — Podemos encontrar um meio-termo. Ele assentiu. — Podemos. E encontramos. Segurança discreta. Nada de vigilância constante. Nada de decisões sem meu consentimento. Foi uma pequena vitória. Mas foi nossa. Certa manhã, encontrei uma carta sobre minha mes







