FAZER LOGINEmma.
~~•••~~ A brisa fria da manhã toca minha pele, como uma breve saudação matinal. Estico-me ainda na cama, alongando meus braços e coluna, tentando evitar problemas na coluna aos vinte e poucos anos. Dirijo-me à grande janela que se abre para a rua, abrindo as cortinas grossas e deixando o ar fresco entrar livremente no quarto. Concluo o d******d que traz minha alma de volta ao meu corpo e vou para o banheiro, seguindo minha rotina matinal que consiste em me preparar para o trabalho tão rápido quanto o personagem Flecha de Zootopia. Depois de terminar, volto para o quarto e me visto com algo formal, porém confortável, adequado para o meu primeiro dia de trabalho como a nova secretária do CEO de uma das maiores multinacionais do país. Pego minha bolsa e celular, saio do quarto, tranco a porta e guardo a chave na bolsa. Descendo as escadas, percebo que estou sozinha em casa. Sirvo-me de suco e alguns sanduíches, sentando-me no pequeno banco próximo à ilha da cozinha para saborear meu café da manhã. Deveria estar preocupada por não ter falado com Pietro desde sua encenação na casa dos pais dele, ou pela forma como o mandei embora dois dias atrás, ou talvez pelas 250 mensagens e 75 ligações perdidas. Bem, talvez devesse, mas para ser sincera, não faz muita diferença para mim. Pietro e eu estamos nesse jogo de vai e volta há três anos e pouco. E recentemente sua mãe começou a pressioná-lo sobre casamento, jurando que se ele se casar, se tornará mais responsável. E no fim, toda essa pressão cai sobre mim. Ainda não encontrei uma forma de dizer à mãe dele que não sou a Madre Teresa dos relacionamentos para realizar milagres. Enfim, termino meu café, lavo a louça, pego minhas coisas e saio de casa em direção ao táxi que já me esperava na porta. ~¤~ Caminho em direção à recepcionista, que abre um grande sorriso ao me ver. Ela me cumprimenta brevemente, trocamos uma ou duas palavras e então sigo em direção ao elevador, tentando controlar a respiração, mas prestes a ter um ataque cardíaco. Respiro fundo novamente antes de sair do elevador, caminho com confiança pelo enorme corredor em direção à sala do Senhor Mitchell. Ao chegar à mesa em frente à sua sala (que agora será minha), sou recebida pela voz alegre de Margot, que ecoa ao meu redor, contagiando meu dia. Encontrei Margo sentada em sua mesa e, ao me ver chegar, ela levantou-se e veio ao meu encontro. - Bom dia Emma, como vai ? - me saudou Margot com um sorriso estampando sua face. - Animada para começar o dia? - Eu estaria mentindo se lhe dissesse que não estou ansiosa. - Digo sorrindo e me acomodando no que agora seria minha mesa. - Céus, acho que posso surtar a qualquer momento de tão eufórica que estou. - Não se preocupe, você parece ser esperta, se sairá bem. - ela diz sorrindo. - Se serve como concelho, evite as investidas do Senhor Mitchell. Ele tem a fama de mulherengo aqui dentro e bem costuma da em cima de todas as funcionárias que chegam aqui. Arquei as sobrancelhas, prestes a responder algo. Achando estranho suas palavras, porém optei por guardá-las para mim e tirar minhas próprias conclusões eu mesma. Margot me explicou minuciosamente minhas funções e responsabilidades. Eram bem mais coisas que uma secretária normal faria e admito que isso me deu um pouco de medo, pois nunca lidei diretamente com investidores desse jeito. - Isso é bem mais do que eu pensava. Nunca lidei com investidores assim tão de perto. Na verdade, nem em reuniões minha antiga chefe me permitia participar. - confessei um pouco sem jeito. - Não se preocupe tanto, logo você pega o jeito. Aqui estão as senhas dos nossos computadores e quando uma de nós falta, a outra cobre. Então, você aprende o seu e o meu - explicou ela, passando-me as informações. - O trabalho é tranquilo, exceto nos dias em que o senhor Mitchell parece ter incorporado o coisa ruim, mas logo passa. Fiz o sinal da cruz, mesmo que ela não percebesse, ao ouvi-la mencionar isso. O som de passos no corredor indicou sua chegada, e Margo fez uma careta, avisando-me. Sentei-me e examinei os documentos que ela me passara. Quando ele entrou na sala, observei-o, notando como seu terno preto parecia feito sob medida. - Bom dia, Senhor Mitchell - cumprimentamos em uníssono. - Senhoritas - ele respondeu cordialmente, muito diferente do homem que havia me entrevistado. Olhei para Margo confusa, e ela arqueou as sobrancelhas. - Aí tem coisa - murmurou ela baixinho, pegando o tablet para anotar a agenda. - Vamos, se não estivermos na sala dele em cinco minutos, ele nos devora. - dei um sorriso ao ouvir isso, e ela riu também. - Não assim, Emma. Peguei o tablet e segui Margo até a sala do Senhor Mitchell, que parecia ainda mais sombria do que na entrevista. Ele estava de costas quando entramos. - Margôt, ligue para alguns investidores e marque uma reunião para esta tarde. Cancela a reunião com o pessoal do marketing. Preciso dos documentos revisados até as 14h e telefone para minha irmã, peça para que entre em contato comigo rapidamente. Por enquanto é só - ditou ele, virando-se para nos observar. - Senhorita Collins, busque meu café. Não começo o dia sem ele, e hoje não será diferente. Suas palavras simpáticas me surpreenderam. - Claro, senhor Mitchell. - Ótimo. Vá até a East 43rd street buscar meu café. Café com leite, dois cubos de açúcar, e antes da próxima reunião, que é daqui a uma hora. Sugiro que seja rápida se quiser manter seu emprego. Ele sorriu brevemente antes de voltar a se sentar. Margoth me puxou pelo braço, trazendo-me de volta à realidade, e saímos da sala. - É só um teste - explicou ela. - Ele está te avaliando. Os primeiros dias serão difíceis, mas depois você se acostuma. - Volto em quarenta minutos - disse, pegando minha bolsa e saindo. Se o Senhor Mitchell queria seu café, ele o teria, não importa onde eu tivesse que ir buscá-lo. ~~▪︎~~ Durante todo o dia, senti-me como a "moça do café". Mal pus os pés na empresa e já estava a caminho da cafeteria. Nem faço ideia do estado da minha mesa, tomada por documentos que não sei nem por onde começar. Quando voltei da Sip & Savor com o café do Senhor Mitchell, o relógio marcava vinte minutos para a sua reunião. Entreguei-lhe o café e vi um breve sorriso surgir em seus lábios. - Esteja na sala de reuniões em cinco minutos, Senhorita Collins. Vou precisar da sua ajuda - ele disse, dando um gole em seu café. Só tive tempo de ir ao banheiro antes de seguir para a sala de reuniões, onde já havia algumas pessoas. Talvez investidores e sócios. Assim que entrei, uma mulher bem vestida se aproximou com um papel nas mãos. - Olá, você deve ser Emma. Me chamo Amber, do setor jurídico. - ela se apresentou com um sorriso e apertou minha mão rapidamente. - Thomas avisou que você viria. Preciso que pegue essa lista com os tipos de café que cada um dos homens presentes gosta, e como gostam. Alguns você encontrará facilmente na cantina, outros terá que ir até as cafeterias listadas aqui. Volte antes do fim da reunião, que deve durar cerca de três horas. Sinto muito, Thomas insistiu que você fosse. Observo a lista em minhas mãos, com mais de vinte nomes e diferentes tipos de café, alguns marcados em vermelho com nomes de cafeterias espalhadas pela cidade. Respiro fundo e digo algumas palavras a Amber antes de sair e voltar para minha mesa, onde pego minha bolsa. Margot me olha com as sobrancelhas arqueadas, sem entender. - Acabei de ser promovida a "garota do café" - digo com ironia, dirigindo-me ao elevador. ~~¤~~ Estou pensando seriamente em fazer uma visita ao hospital psiquiátrico localizado na 1500 S. Fairfield Ave. depois de passar horas com Thomas. Margot teve que sair mais cedo para resolver algumas coisas a pedido dele, e então eu o aturei sozinha a tarde inteira, entre pilhas de documentos para passar para o sistema, analisar os documentos de Margot e buscar seu "lanche da tarde" em uma lanchonete próxima à empresa. Após essa tarde tranquila, minha sanidade mental definitivamente fez as malas e partiu, dizendo que não estava sendo paga o suficiente para aguentar aquilo. Guardo minhas coisas e arrumo minha bolsa, então me levanto da cadeira e pego as pastas que estavam em minha mesa, dirigindo-me à sala do Senhor Mitchell. Abro a porta com cuidado e entro sem bater, notando que ele estava concentrado em seu computador. - Educação é uma virtude rara hoje em dia - ele diz, sem tirar os olhos da tela. - Concordo, é uma pena que não seja mais valorizada como deveria - respondo, colocando as pastas sobre a mesa. - Aqui estão os documentos que você pediu. Algum outro serviço que precise? - Sua mãe não te ensinou a ter educação, garota? - ele solta, em um tom sarcástico que me faz cerrar os punhos. - Deve ter faltado aulas de boas maneiras. Engulo em seco, lutando para manter a calma. Não posso deixar que ele me provoque. Sem proferir uma palavra, viro-me para sair quando ouço a voz de Thomas novamente preencher o ambiente. - Nunca me dê as costas quando eu estiver falando, Senhorita Collins - ele diz, com sua voz estridente ecoando pelo escritório. Respiro fundo e lanço um olhar para o relógio na parede. 19:30. O andar onde estamos já está vazio, somos os únicos ali. - O silêncio muitas vezes é a melhor resposta - respondo, mantendo a calma. Por um momento, reina um silêncio desconfortável até que ele se pronuncia novamente. - Está dispensada, Senhorita Collins - ele diz, num tom mais sereno do que antes, o que me deixa intrigada. Sem hesitar, saio da sala e retorno à minha mesa. Ninguém, absolutamente ninguém, tem o direito de falar sobre minha mãe daquela maneira. Quem ele pensa que é, só porque é o dono da empresa? Não vou deixar que ele me intimide.Pego meu celular, que estava dentro da bolsa, e vejo o nome de Pietro na tela. - Emma falando. - Finalmente, Emma! Tentei te ligar o dia todo ontem. Não atendeu minhas chamadas nem respondeu minhas mensagens - uma torrente de palavras desesperadas de Pietro ecoa em meus ouvidos. - Desculpe, Pietro. Cheguei em casa exausta ontem, depois de um dia longo. Mas, enfim, o que quer? - Quero te levar para sair, amor. Precisamos conversar e acertar os detalhes do casamento. - Pietro, não haverá casamento. Você não percebeu que aceitei seu pedido apenas para te poupar de passar vergonha na frente de sua família? - Não, Emma, você está brincando, querida. Sempre teve um ótimo senso de humor. Estou indo para sua casa agora, vamos conversar. - Hoje não, Pietro. Foi meu primeiro dia de trabalho e estou esgotada. Acabei de sair, então podemos falar outro dia. Te amo, cuide-se. Desligo o telefone antes que ele possa insistir em seus planos. - Parece que não sou só eu que você trata com delicadeza, Senhorita Collins - ouço a voz de Thomas, sua voz carregada por puro sarcasmo. - Para alguém que presa tanto por educação Senhor Mitchell, você deveria saber que é falta dela ouvir a conversa alheia. - respondo, pegando minha bolsa e saindo apressadamente em direção ao elevador, sem dar tempo para que ele revidasse. Ele me segue até o elevador, e o silêncio paira entre nós enquanto descemos. Quando as portas se abrem, saio rapidamente, cumprimento a recepcionista e me dirijo para fora da empresa, onde consigo um táxi. Entro no carro e cumprimento o motorista, indicando o endereço para onde quero ir. O táxi parte, levando-me rumo ao meu destinoDois anos depois.Emma narrando.Esses últimos dois anos foram uma verdadeira montanha-russa. Momentos bons, ruins e aqueles que simplesmente nos deixam sem chão. Giulia passou por uma gravidez complicada — o estresse com a empresa não deu trégua. Mas, no fim, tudo correu bem.Hoje, Theo está com um ano e cinco meses. Nosso pequeno milagre. Ele virou o xodó da família inteira, especialmente das gêmeas, que mimam o primo de todas as formas possíveis. Um garotinho forte, encantador e com um sorriso que desarma qualquer um. Puxou muito da Giulia, mas herdou os olhos — aqueles olhos verdes marcantes — do pai.Thomas, como era de se esperar, também se derrete inteiro pelo sobrinho. Mima o menino como se fosse filho dele, e Giulia adora cada segundo disso. Por outro lado, ela também retribui o mimo com as meninas — roupas novas, brinquedos e um estoque interminável de maquiagens coloridas. Às vezes, parece que estamos criando duas pequenas estrelas de reality show.Thomas tem dias que quase
Narradora on A noite estava fria, com as luzes da cidade borradas pela garoa fina que caía sem pressa. Dentro da viatura estacionada no acostamento de uma das avenidas principais, Luke encarava o vazio. Os olhos vermelhos, a respiração lenta e descompassada. O policial à sua frente terminava o preenchimento dos documentos com uma expressão de puro desprezo. — Senhor, o senhor está sendo detido por dirigir sob influência de álcool. Vai precisar nos acompanhar até a delegacia — disse o policial de maneira seca, já acostumado com aquele tipo de situação. Luke não reagiu. Apenas assentiu com um leve movimento de cabeça, aceitando o que quer que viesse. A mente dele já estava tão embriagada de sentimentos quanto o corpo estava de álcool. O chão parecia se mover, mas não era o efeito do uísque barato que havia tomado... era a culpa corroendo cada pedaço do que restava de sua consciência. Horas depois, após pagar a fiança com a ajuda de seu advogado, ele saiu da delegacia com os olhos fu
Narradora on Três dias depois O sol brilhava com intensidade no céu claro daquela tarde de verão. A brisa suave balançava levemente as folhas das árvores e carregava consigo o perfume das flores espalhadas pelo jardim da propriedade, onde em poucos instantes aconteceria o casamento. O clima era leve, acolhedor, quase mágico. Os convidados, cerca de vinte e poucas pessoas entre familiares e amigos próximos, conversavam animadamente. Risos ecoavam entre as árvores decoradas, taças tilintavam, e todos compartilhavam da mesma ansiedade suave pela chegada da noiva. Sorrisos eram trocados com cumplicidade, como se todos ali soubessem que aquele momento representava muito mais do que um simples casamento. O local escolhido era deslumbrante. Um jardim amplo e bem cuidado, com flores em tons suaves por todos os cantos. Os detalhes da decoração mesclavam branco e dourado, criando uma atmosfera elegante e sofisticada, sem perder o toque intimista. Um arco florido se erguia imponente no altar
Emma Dois meses depois...Hoje faz exatamente dois meses desde minha última discussão com Luke. Nos primeiros dias, ele tentou me procurar com frequência absurda — ligações, mensagens, apareceu até no prédio da empresa. Mas eu o rejeitei de todas as formas possíveis, até mesmo as mais duras.Não vou mentir, doeu. Doeu porque, entre todas as pessoas do mundo, eu jamais imaginei que seria ele a me decepcionar. Foi como se a pior traição que eu pudesse sofrer viesse justamente de quem eu menos esperava. E apesar da mágoa, sim, eu sinto falta dele. Admito. Mas não dá para voltar no tempo, e também não há como consertar certas coisas depois que se quebram.E tudo ficou ainda mais confuso quando Ava me contou que ele havia anunciado seu noivado. Um mês depois da nossa briga. Isso mesmo. Um mês. Descobri que ele reencontrou a ex-cunhada, a irmã gêmea da falecida esposa dele — alguém que ele não via há anos — e aparentemente viu nela uma chance de reviver tudo que perdeu.Não o julgo, de ver
Emma. Respiro fundo mais uma vez, tentando segurar as lágrimas que insistem em cair. Eu não vou chorar. Por mais que doa, não aceito chorar. Não agora. Não depois de tudo.Saio do elevador e retorno ao escritório de Thomas. Os outros ainda estavam lá. Assim que entro, todos os olhares se voltam para mim.— Emma, está tudo bem? — Giulia pergunta ao me ver. — Você está pálida. Aconteceu alguma coisa?Todos me encaram com preocupação. Inclusive Thomas, que vem até mim.— Acho que o almoço não me caiu bem, apenas isso. Se não se importam, gostaria de me retirar mais cedo — digo, seguindo até minha mesa e começando a arrumar minhas coisas.— Claro, querida. Vá para casa e descanse. O expediente está quase no fim e, convenhamos, o dia foi agitado para todos — diz Marrie, vindo em minha direção e me abraçando. — Conte comigo se precisar de um ombro amigo, menina.Ela sussurra isso ao meu ouvido no meio do abraço. Precisei reunir toda minha força para não desabar ali mesmo.Agradeço e me des
Narradora. : O escritório de Thomas nunca estivera tão cheio. Por um breve instante, poderia até parecer uma simples reunião de família… mas todos ali sabiam que não era bem isso. O clima era tenso, quase sufocante. — Quando vai começar a me explicar que palhaçada foi aquela, Giulia? Pretendia me apunhalar pelas costas?! — Thomas vociferava, andando de um lado a outro como um leão enjaulado. Giulia, por sua vez, mantinha uma serenidade quase desconcertante. Ela sabia que havia feito a coisa certa — mesmo que isso significasse ser temporariamente odiada por seu próprio irmão. Ao seu lado, Victorio permanecia firme, como sempre. O ruivo jamais a deixaria enfrentar aquilo sozinha. Emma se mantinha sentada ao lado de Marrie, observando tudo com atenção. A tensão era palpável, mas todos, curiosamente, mantinham a calma… ao contrário de Thomas, que parecia prestes a explodir a qualquer momento. — Eu jamais trairia sua confiança — começou Giulia com firmeza, os olhos fixos em Thomas







