Compartir

capítulo 4

Autor: Anny Lago
last update Fecha de publicación: 2024-04-19 12:17:18

Emma

~~••~~

O barulho irritante do despertador me tira de um maravilhoso sonho no qual eu estava de férias nas Maldivas ao lado de um milionário gostosão, só para me lembrar de que a realidade me chama.

Abro os olhos com certa dificuldade, pois a claridade já tomava conta do quarto. Busco pelo celular e logo o encontro, desligando o som insuportável do alarme.

Levanto-me, calço minhas pantufas e sigo para o banheiro. Faço todo o meu ritual matinal — aquele que vai me manter cheirosa, hidratada e em paz durante o dia... ou ao menos por uma boa parte dele.

Depois de finalizá-lo, me visto com algo prático, confortável, mas ainda assim bem apresentável. Pego meu celular, minha bolsa e as chaves de casa, saio do quarto e desço as escadas em direção à cozinha.

Por sorte minha, não havia ninguém ali. E, bem, isso ajuda a manter meu bom humor. Digamos que prefiro estar sozinha pela manhã do que encontrar o Pietro e acabar tendo uma pequena discussão matinal por não ter atendido suas chamadas ou respondido suas mensagens no dia anterior.

Alguns até podem me julgar por isso. Afinal, ele foi super fofo ao me pedir em casamento e tudo mais. Acontece que nada do que Pietro faz é por acaso — e esse pedido de casamento também não foi. Ele quer a presidência da empresa dos pais.

Porém, minha querida sogra só o colocaria à frente da empresa quando ele estivesse com a responsabilidade de uma família nas mãos. Talvez ela imagine que isso possa ajudá-lo a amadurecer. Pietro já tem 29 anos, e mesmo assim continua se comportando como um adolescente.

••••~~~~••••~~~~•••••

Algum tempo se passa até que o taxista estaciona em frente ao enorme prédio onde agora é meu novo emprego. Pago a corrida, pego minha bolsa e saio do carro, caminhando até a entrada daquele arranha-céu imponente. Sigo até a recepção, onde Violet se encontra. Ao me ver, ela abre um enorme sorriso.

— Bom dia, Emma — cumprimenta com o mesmo sorriso caloroso de sempre.

Violet é a recepcionista do local. Desde a entrevista até agora, ela parece ser aquele tipo de pessoa good vibes, que sempre vê o lado bom das coisas, sabe?

— Bom dia, Violet — retribuo com um sorriso. — Pronta para mais um dia?

— Sempre pronta — responde, sorrindo. — A propósito, boa sorte com o senhor Mitchell. Ele cruzou o hall há pouco tempo e não parece estar nos seus melhores dias.

— Céus, não me diga isso — faço uma careta. — Ele me fez fazer um tour pela cidade ontem em busca de café... Mal posso esperar para ver qual será minha função hoje.

Observo quando Violet faz uma careta como quem diz que acabei de assinar minha sentença de morte.

— Pois bem, senhorita Collins, se está tão ansiosa para saber o que tenho para você esta manhã, pode começar indo buscar meu café na Sip&Savor. — A voz rouca e grossa ecoa atrás de mim, junto com um perfume amadeirado masculino. Aquilo foi como um sinal claro de quão ferrada eu estava. — Quero meu café em uma hora, ou não precisa retornar ao prédio.

Dito isso, seus passos seguem em direção ao elevador. Me viro para Violet, que me olha com uma expressão um tanto... preocupada.

— Eu e minha boca grande... — murmuro, bufando antes de dar as costas e sair da empresa.

E lá vamos nós para mais um dia.

~~~••••~~~~••••~~~~••••

Cruzo as portas do elevador no vigésimo andar, carregando aquele maldito café pelo qual precisei atravessar a cidade inteira. Sinceramente... eu preciso aprender a manter a boca fechada. Respiro fundo e sigo até minha mesa, largando minhas coisas por lá.

— Bom dia, Emma. Você está bem? — a voz de Margot me puxa de volta do transe, e eu a encaro por um breve instante.

— Bom dia, Margot — respondo, respirando fundo e forçando um sorriso. — Estou bem... só um pouco...

Não consigo terminar a frase. O som da porta do escritório do meu querido chefe se abrindo me faz virar automaticamente para encará-lo. Ainda estou de pé, segurando seu café. Ele me olha com aquele ar de sarcasmo costumeiro antes de se aproximar e praticamente arrancar o copo da minha mão para dar um gole, sem cerimônia alguma.

— Está frio, Collins — diz, com a voz firme. — Será que nem pra buscar um café decente você serve? — completa com ironia. — Não importa. Quero as duas na minha sala em cinco minutos, ou considerem-se demitidas.

Ele deposita o copo sobre a minha mesa como se fosse lixo, dá as costas e desaparece dentro do escritório.

— Babaca — murmuro, e vejo os olhos de Margot se estreitarem na minha direção.

— Ele mandou você atravessar a cidade de novo, não foi? — pergunta, com uma convicção quase assustadora.

— Tá tão evidente assim?

— Bem, ele me pediu um café da cantina assim que chegou, mas estava com uma expressão estranhamente satisfeita. E, julgando pelo seu estado... — ela faz uma pausa, me analisando dos pés à cabeça — ou você participou de uma maratona antes de chegar aqui ou isso tem dedo dele. E, bom, eu apostaria todas as minhas fichas na segunda opção.

— É meu segundo dia e já estou começando a entender por que o salário dessa vaga é tão alto.

— Vai por mim, uma hora ele para — ela diz, dando de ombros. — Agora vamos, antes que ele resolva nos demitir de verdade.

~~~••••~~~~••••~~~

Ele anda de um lado para o outro como um comandante no campo de batalha, distribuindo ordens enquanto Margot e eu nos esforçamos para anotar tudo. Pelo que entendi, haverá um evento importante nos próximos dias, no qual nossa presença será obrigatória. Também haverá uma reunião de negócios crucial... e adivinhem quem foi a escolhida para acompanhar o reizinho? Isso mesmo, euzinha.

Ele continua falando algo sobre investidores e números, e eu sigo anotando tudo até que ele para bem na minha frente.

— Preste atenção, Collins — diz com a voz firme e cortante. — Alguns investidores estarão aqui no fim de semana. Um deles, em especial, é um dos maiores sócios da Black Corporation. Victório Leblanck. Guarde bem esse nome. Você vai lidar diretamente com ele, e eu não admito falhas.

Ele me encara como se pudesse ver além da minha alma.

— Collins, essa é sua chance de provar que vale o que está no seu currículo. De mostrar que sua contratação não foi uma maldita perda de tempo. Você será responsável por fechar mais um contrato com Victório. Se falhar, é seu emprego que está em risco. Mas, se conseguir... pode esperar um bônus de sete mil depositado na sua conta no dia seguinte. Vamos ver se toda essa sua marra é só comigo ou se você realmente tem algo a oferecer além de um rostinho bonito.

O olhar dele se prende ao meu por tempo demais, e devo admitir: aquilo me deu um leve calafrio.

— Quanto a você, senhorita Walter — diz, voltando-se para Margot com a mesma frieza —, preciso que cancele todos os meus compromissos desses dias. Você não terá nenhum desafio dessa vez. Mas não se preocupe, seu bônus — no mesmo valor que o da senhorita Collins — já foi depositado.

Ele finaliza com um tom impessoal, quase cruel.

— Agora, por favor, se retire. Preciso falar a sós com a senhorita Collins.

Seu olhar volta para mim como uma lâmina afiada, e é impossível não sentir os arrepios subindo pela espinha.

Margot apenas assente e sai da sala, me deixando ali... parada, diante daquele homem bipolar, insuportável e de certa forma um tanto atraente...

— Espero que tenha aprendido uma lição esta manhã, senhorita Collins — ele diz, com os olhos estreitos e a postura rígida, ainda parado bem à minha frente. — Não ouse falar de mim pelas costas novamente. Poucos tiveram essa ousadia e permaneceram nesta empresa para contar história.

Ele se aproxima levemente, tornando sua presença ainda mais sufocante.

— Em segundo lugar, o dia de ontem e o de hoje foram apenas um teste. E posso te garantir: já lidei com pessoas tão arrogantes quanto você. Sabe o que fiz com elas? Transformei cada dia de suas existências em um verdadeiro inferno... até que pedissem demissão.

Seu tom é frio, controlado, quase sádico.

— Eu não demito ninguém, senhorita Collins. Eu destruo a vontade de permanecer. E acredite... farei exatamente o mesmo com você. Veremos quanto tempo você consegue resistir.

Ele então se afasta com a mesma calma com que me ameaçou, indo até a parede de vidro que revela a vista majestosa de Chicago.

— Agora saia. Tenho assuntos mais importantes a tratar, e sua presença aqui me causa repulsa.

Sem pensar duas vezes, bato a porta com força ao sair. A raiva me consome por dentro. Esse maldito... Se ele acha que pode me intimidar com esse joguinho de chefe tirano, está muito enganado. Já lidei com homens assim antes. Homens que acham que podem manipular o mundo com sua arrogância.

Volto para minha mesa e mergulho no trabalho. Ao longo do dia, reúno tudo que posso sobre Victório LeBlanc e o contrato que está em jogo. Dez milhões de dólares. É muito dinheiro, e sim, seria loucura ignorar isso. Mas não é por ele que eu vou atrás desse contrato.

É por mim. Para provar que ele está redondamente enganado sobre quem eu sou. E se ele acha que vou me deixar intimidar por meras palavras, bem, ele está muito enganado.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • CONTRATO DE INTERESSES : Meu CEO Arrogante.   Epílogo

    Dois anos depois.Emma narrando.Esses últimos dois anos foram uma verdadeira montanha-russa. Momentos bons, ruins e aqueles que simplesmente nos deixam sem chão. Giulia passou por uma gravidez complicada — o estresse com a empresa não deu trégua. Mas, no fim, tudo correu bem.Hoje, Theo está com um ano e cinco meses. Nosso pequeno milagre. Ele virou o xodó da família inteira, especialmente das gêmeas, que mimam o primo de todas as formas possíveis. Um garotinho forte, encantador e com um sorriso que desarma qualquer um. Puxou muito da Giulia, mas herdou os olhos — aqueles olhos verdes marcantes — do pai.Thomas, como era de se esperar, também se derrete inteiro pelo sobrinho. Mima o menino como se fosse filho dele, e Giulia adora cada segundo disso. Por outro lado, ela também retribui o mimo com as meninas — roupas novas, brinquedos e um estoque interminável de maquiagens coloridas. Às vezes, parece que estamos criando duas pequenas estrelas de reality show.Thomas tem dias que quase

  • CONTRATO DE INTERESSES : Meu CEO Arrogante.   Último Capítulo.

    Narradora on A noite estava fria, com as luzes da cidade borradas pela garoa fina que caía sem pressa. Dentro da viatura estacionada no acostamento de uma das avenidas principais, Luke encarava o vazio. Os olhos vermelhos, a respiração lenta e descompassada. O policial à sua frente terminava o preenchimento dos documentos com uma expressão de puro desprezo. — Senhor, o senhor está sendo detido por dirigir sob influência de álcool. Vai precisar nos acompanhar até a delegacia — disse o policial de maneira seca, já acostumado com aquele tipo de situação. Luke não reagiu. Apenas assentiu com um leve movimento de cabeça, aceitando o que quer que viesse. A mente dele já estava tão embriagada de sentimentos quanto o corpo estava de álcool. O chão parecia se mover, mas não era o efeito do uísque barato que havia tomado... era a culpa corroendo cada pedaço do que restava de sua consciência. Horas depois, após pagar a fiança com a ajuda de seu advogado, ele saiu da delegacia com os olhos fu

  • CONTRATO DE INTERESSES : Meu CEO Arrogante.   Penúltimo Capítulo.

    Narradora on Três dias depois O sol brilhava com intensidade no céu claro daquela tarde de verão. A brisa suave balançava levemente as folhas das árvores e carregava consigo o perfume das flores espalhadas pelo jardim da propriedade, onde em poucos instantes aconteceria o casamento. O clima era leve, acolhedor, quase mágico. Os convidados, cerca de vinte e poucas pessoas entre familiares e amigos próximos, conversavam animadamente. Risos ecoavam entre as árvores decoradas, taças tilintavam, e todos compartilhavam da mesma ansiedade suave pela chegada da noiva. Sorrisos eram trocados com cumplicidade, como se todos ali soubessem que aquele momento representava muito mais do que um simples casamento. O local escolhido era deslumbrante. Um jardim amplo e bem cuidado, com flores em tons suaves por todos os cantos. Os detalhes da decoração mesclavam branco e dourado, criando uma atmosfera elegante e sofisticada, sem perder o toque intimista. Um arco florido se erguia imponente no altar

  • CONTRATO DE INTERESSES : Meu CEO Arrogante.   Capítulo 93

    Emma Dois meses depois...Hoje faz exatamente dois meses desde minha última discussão com Luke. Nos primeiros dias, ele tentou me procurar com frequência absurda — ligações, mensagens, apareceu até no prédio da empresa. Mas eu o rejeitei de todas as formas possíveis, até mesmo as mais duras.Não vou mentir, doeu. Doeu porque, entre todas as pessoas do mundo, eu jamais imaginei que seria ele a me decepcionar. Foi como se a pior traição que eu pudesse sofrer viesse justamente de quem eu menos esperava. E apesar da mágoa, sim, eu sinto falta dele. Admito. Mas não dá para voltar no tempo, e também não há como consertar certas coisas depois que se quebram.E tudo ficou ainda mais confuso quando Ava me contou que ele havia anunciado seu noivado. Um mês depois da nossa briga. Isso mesmo. Um mês. Descobri que ele reencontrou a ex-cunhada, a irmã gêmea da falecida esposa dele — alguém que ele não via há anos — e aparentemente viu nela uma chance de reviver tudo que perdeu.Não o julgo, de ver

  • CONTRATO DE INTERESSES : Meu CEO Arrogante.   Capítulo 92

    Emma. Respiro fundo mais uma vez, tentando segurar as lágrimas que insistem em cair. Eu não vou chorar. Por mais que doa, não aceito chorar. Não agora. Não depois de tudo.Saio do elevador e retorno ao escritório de Thomas. Os outros ainda estavam lá. Assim que entro, todos os olhares se voltam para mim.— Emma, está tudo bem? — Giulia pergunta ao me ver. — Você está pálida. Aconteceu alguma coisa?Todos me encaram com preocupação. Inclusive Thomas, que vem até mim.— Acho que o almoço não me caiu bem, apenas isso. Se não se importam, gostaria de me retirar mais cedo — digo, seguindo até minha mesa e começando a arrumar minhas coisas.— Claro, querida. Vá para casa e descanse. O expediente está quase no fim e, convenhamos, o dia foi agitado para todos — diz Marrie, vindo em minha direção e me abraçando. — Conte comigo se precisar de um ombro amigo, menina.Ela sussurra isso ao meu ouvido no meio do abraço. Precisei reunir toda minha força para não desabar ali mesmo.Agradeço e me des

  • CONTRATO DE INTERESSES : Meu CEO Arrogante.   Capítulo 91

    Narradora. : O escritório de Thomas nunca estivera tão cheio. Por um breve instante, poderia até parecer uma simples reunião de família… mas todos ali sabiam que não era bem isso. O clima era tenso, quase sufocante. — Quando vai começar a me explicar que palhaçada foi aquela, Giulia? Pretendia me apunhalar pelas costas?! — Thomas vociferava, andando de um lado a outro como um leão enjaulado. Giulia, por sua vez, mantinha uma serenidade quase desconcertante. Ela sabia que havia feito a coisa certa — mesmo que isso significasse ser temporariamente odiada por seu próprio irmão. Ao seu lado, Victorio permanecia firme, como sempre. O ruivo jamais a deixaria enfrentar aquilo sozinha. Emma se mantinha sentada ao lado de Marrie, observando tudo com atenção. A tensão era palpável, mas todos, curiosamente, mantinham a calma… ao contrário de Thomas, que parecia prestes a explodir a qualquer momento. — Eu jamais trairia sua confiança — começou Giulia com firmeza, os olhos fixos em Thomas

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status