LOGINEle era tudo o que ela foi criada para evitar. E, ainda assim, era impossível resistir. Ana Luísa cresceu em um mundo onde regras vinham antes de desejos. Rica, educada e cercada de expectativas, ela jamais imaginou se envolver com alguém como Cayo — um homem misterioso, impulsivo e tão intenso quanto perigoso. O primeiro encontro foi um desastre. O segundo, uma faísca. E depois disso, nada mais foi como antes. Contra a vontade da família, das aparências e até da razão, Analu mergulha em um amor que ameaça destruir tudo que ela conhece... ou revelar quem ela realmente é. Mas amar alguém como Cayo nunca viria sem consequências.
View MoreO Que o Amor FezCayoO sol da manhã entra pela janela do nosso quarto, mas não é mais aquela luz laranja do poste de gasolina. Agora é sol de verdade, entrando pelas cortinas de linho que a Analu escolheu, iluminando os móveis planejados, o closet enorme dela, a varanda que virou nosso refúgio.Dezesseis anos. Dezesseis anos desde que a Zaya nasceu e bagunçou tudo de novo. Ela tem dezesseis agora. Uma mocinha. Linda igual a mãe: loira, alta, os mesmos olhos azuis que me perderam desde o começo. E isso me dá um desespero danado.— Pai, você vai me levar na escola hoje? — ela aparece na porta do quarto, já de uniforme, a mochila pendurada num ombro.— Claro, princesa. Só deixa eu acordar direito.— Já são sete horas!— E daí?Ela ri, aquele riso que é a cara da Analu, e sai correndo. Escuto os passos dela descendo as escadas, os latidos do Bolt (mais fracos agora, mas ainda latidos), a voz do Zyon reclamando de alguma coisa na cozinha.O Zyon. Meu Deus, o Zyon. Vinte e dois anos. Um ho
Analu A tarde começou calma. Dessas que a gente até desconfia. O Zyon tava no quarto dele, montando um quebra-cabeça novo que ganhou da vovó. A Zaya tava na sala, vendo desenho no sofá, o Bolt deitado aos pés dela, roncando baixinho. Eu tava na cozinha, tentando adiantar o jantar, quando ouvi o primeiro grito. — ZYON! ME EMPRESTA O CARRINHO! — NÃO! É MEU! VOCÊ QUEBRA TUDO! Larguei a panela na hora. Quando cheguei na sala, a cena já tava armada: o Zyon no corredor, segurando o carrinho vermelho contra o peito, a Zaya na frente dele, os olhos cheios de lágrimas, as mãozinhas fechadas de raiva. — Você nunca me empresta nada! — ela gritou, a voz falhando. — É sempre SEU, SEU, SEU! — Porque é MEU! — ele gritou de volta, mais alto. — Você ganhou presente ontem, Zaya! Ontem! E já quer o meu? — Mas eu quero brincar com o seu, AGORA! — VAI BRINCAR COM SUAS BONECAS! — BONECA É CHATO! — O CARRINHO É MEU! A Zaya começou a chorar. Não aquele choro de manha, mas um choro de verdade, solu
Cayo A casa tava silenciosa. Não aquele silêncio pesado de esperar o pior, mas um silêncio gostoso, daqueles que a gente aprendeu a valorizar depois de tanto tempo. As crianças tinham ido dormir na casa da minha mãe. Ela ligou mais cedo, insistindo: — Cayo, deixa os meus netos passarem a noite aqui. O Paulo alugou um filme novo na tv, vou fazer pipoca, eles merecem se divertir um pouco com a vovó. — Mãe, a senhora não cansa? — Dos meus netos? Nunca, meu filho. Manda eles pra cá e vocês dois aproveitam a noite livre. Se é que você me entende. Assim quem sabe eu tenha mais netinhos. Eu ri, passei a mão no rosto. — Tá bom, mãe. Vou levar. A Analu, do meu lado, arregalou os olhos. — Eles vão dormir lá, Cayo? — Vão. A vovó quer os netos. — A noite inteira? — A noite inteira. Ela ficou em silêncio por um segundo, depois um sorriso lento apareceu no rosto dela. Aquele sorriso que eu conheço bem. O sorriso que diz que a noite ia ser boa. — Arrumei as crianças, levei elas pra
Analu A noite era comum. Daquelas que a gente aprendeu a valorizar depois de tanta luta. A mesa posta, o cheiro da comida caseira, as crianças rindo e brigando ao mesmo tempo. O tipo de noite que, anos atrás, antes da Zaya, parecia um sonho distante. A Zaya tava no colo do Cayo — ele que acostumou ela a comer assim — pegando a coxa de frango com a mão, sujando tudo. O Zyon, do meu lado, contava animado sobre o campeonato de futebol da escola. — Mãe, a gente ganhou de seis a zero! E eu fiz dois gols! — Meu craque! — passei a mão no cabelo dele, que já tá crescendo, caindo nos olhos, igual ao pai. — Tô orgulhosa. — Pai, você vai no próximo jogo? — ele perguntou pro Cayo. — Vou, campeão. Pode deixar. Vou levar a Zaya também, ela vai ser sua fã número um. — NÚMERO UM! — a Zaya repetiu, batendo palma, toda orgulhosa. O Bolt tava deitado no canto da sala, dormindo, mas de olho aberto, como sempre. Velho, cansado, mas atento. Guarda-costas até o fim. A TV da sala tava ligada no jorn






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