FAZER LOGINStefanos
O silêncio entre nós era espesso, denso como o cheiro de sangue naquela mansão maldita.
Adrian desceu os últimos degraus da escada, os olhos cravados em mim. Postura ereta, queixo erguido, como se ainda fosse o braço direito de algo que já estava morto.
"Você está invadindo minha casa, Varkas," ele disse, cuspindo meu nome com desprezo. "Mas não vai sair daqui inteiro."
Soltei um riso curto, seco
NuriaDoze anos depoisO céu acima da colina da Alcateia Suprema estava pintado em tons dourados, como se o universo tivesse escolhido aquela tarde para se curvar diante da nossa história.O vento soprava suave, carregando consigo o cheiro da floresta, da vida... e da eternidade.Ao meu redor, a clareira principal estava cheia. Cada lobo, cada amigo, cada rosto conhecido trazia nos olhos uma mistura de orgulho e emoção. Era o fim de um ciclo. E o começo de outro.Meus olhos procuraram entre a multidão e encontraram os três correndo juntos como se o mundo fosse pequeno demais para eles:Serena, com suas tranças presas em uma fita azul e o olhar atento como o do pai;Soren, risonho e curioso, sempre dois passos atrás da irmã; eDominic, agora com treze anos, um tio, que mais parecia irmão mais velho e incansável, que não de
StefanosO vento daquela tarde trazia um cheiro doce de bolo recém-assado, flores frescas e laços de família. O jardim da mansão, outrora cenário de tantos treinos e conflitos, agora estava coberto de fitas, balões flutuando timidamente sob o céu limpo, como se até os deuses tivessem decidido dar uma trégua à nossa história.Estava tudo perfeitamente caótico.Meus olhos acompanharam os passos ligeiros deAkio e Romeo, correndo de um lado pro outro, rindo alto com as mãos sujas de glacê. Uma das meninas, filha da Verônica, tentava acompanhá-los, tropeçando no vestido rosa florido, enquantoNuria, do outro lado do jardim, equilibrava com graça
KiaraAcordei com uma sensação estranha. O quarto estava escuro, o ar parado… mas o incômodo vinha de dentro. O corpo inteiro parecia quente demais, como se eu estivesse coberta por um cobertor de fogo invisível. Um calor que não era confortável, era sufocante, alarmante. Meu estômago se revirava levemente e um mal-estar que eu não sabia nomear começava a se instalar."Kiara?" ouvi a voz sonolenta e preocupada de Jason ao meu lado, se levantando num rompante. "Amor, tá tudo bem?"Virei o rosto para ele, tentando focar. Mas até minha visão parecia levemente embaçada."Não..." murmurei, a voz trêmula. "Meu corpo tá e
JasonTrês meses depoisO som do silêncio me atingiu antes mesmo de notar qualquer outra coisa. Entrei no quarto esperando ouvir a voz da Kiara, talvez rindo ao telefone com Juliana ou cantarolando algo distraída. Mas o ambiente estava quieto demais… e o cheiro, sutilmente alterado, me deixou em alerta. Havia algo estranho no ar. Algo que meu lobo percebeu antes da minha mente racional acompanhar."Kiara?" chamei, já sentindo o coração acelerar.Então vi.Ela estava caída ao lado da cama, o corpo curvado, as pernas dobradas como se tivesse tentado se apoiar em algo e falhado. Os olhos estavam fe
KiaraA casa da Juliana parecia diferente naquela manhã.Mesmo sob a luz suave do sol e com a brisa morna balançando as cortinas, havia uma atmosfera de despedida no ar. As malas já estavam na porta, todas alinhadas e organizadas, como um lembrete cruel de que era real. Que a partida estava mesmo prestes a acontecer.Jason entrelaçou nossos dedos e apertou a minha com firmeza, mas sem força. Um toque silencioso de apoio."Tá pronta?", ele perguntou com a voz baixa, quase respeitosa diante da dor que já ameaçava me engolir.Mas eu não consegui responder com palavras. Meus olhos já estavam marejados, a garganta apertada, o
KiaraAcordei com o corpo inteiro dolorido… mas era uma dor boa.Uma lembrança viva do que tinha acontecido ali, entre aqueles lençóis. Minha loba ronronava satisfeita dentro de mim, como se finalmente tivesse encontrado o que sempre procurou. A marca ainda latejava em meu pescoço, pulsando com um calor morno e constante, como um lembrete silencioso.Soltei um suspiro sonolento, me espreguiçando como uma gata preguiçosa, até perceber que a cama estava vazia ao meu lado. Me sentei devagar, os lençóis escorrendo pelo meu corpo nu, e procurei com os olhos.Foi então que o vi.Jason estava de costas, só de







