FAZER LOGINElizabeth Marie
Passar uma noite na cadeia por causa daquele gostoso foi a gota d'água. Decidi sair, precisava dançar e beber para esquecer a raiva que estava sentindo. Escolhi ir ao bar Chicago Fire, dizem que era ótimo e vivia lotado de gatinhos, informação que confirmei assim que entrei. O lugar era lindo, com muitos homens lindos e animados. Estava no balcão, bebendo e imaginando mil formas de me vingar, quando vi o gostoso passando pela porta. Estava com sorte, era uma coincidência excelente nós dois no mesmo lugar; e ele veio se sentar justamente perto de mim. Que sorte! Ouvi-o reclamar com o amigo, pelo ranco que demonstrava em cada palavra, ele odiava mesmo o pai. Ele também falou mal de mim. Idiota! Pedi outro drink, duplo e com gelo, levantei-me e fingi tropeçar, despejei todo o líquido do copo nas costas largas dele. — Ei, gato, foi mal, eu não quis... — parei de atuar quando ele me encarou, as íris azuis brilhando de raiva. — Você não conhece limites, não é mesmo? — perguntou entredentes. — Quem tem limite é território, meu caro, e eu sou só uma morena gostosa, não acha? — falei no seu ouvido. Ele suspirou profundamente, apertando as mãos, e, pela cara de réu que fez, ele queria mesmo era apertar o meu lindo pescoço. — Eu acho você bem gata! — O cara sentado ao seu lado falou, sorrindo. — Eu sou o Ruy, muito prazer! — Estendeu a mão e eu apertei. — Eu sou a Liz, o prazer é todinho meu — sorri de volta. — Ao que parece, você e meu amigo já se conhecem. — Sim, mas o seu amigo não foi nada legal comigo, ele até me mandou para a cadeia, acredita? — Ele gargalhou, enquanto eu mostrava a língua para o gostoso, que, neste momento, estava com cara de cão raivoso. Ele dilatou as narinas e levantou. Fiquei apreensiva quando ele deu um passo na minha direção, mas, para minha surpresa e alívio, ele só passou por mim, indo em direção ao banheiro. — Não liga, ele é um pouco difícil, mas é gente boa — disse Ruy, quando ficamos sozinhos. — Tomara! Seria um desperdício um homem tão lindo ser ruim — comentei, exibindo uma expressão esperançosa. — É mesmo? Você acha ele bonito? — Ele é um gato, mas seria melhor se fosse um pouco mais simpático e mostrasse um sorriso — respondi, sem esconder meu interesse. — Eu não sou um idiota que fica rindo para qualquer um — Alex rebateu, chegando atrás de mim. Como ele voltou tão rápido? — Agora você pode voltar para o seu lugar e me deixar em paz! — Você está muito estressado. O que foi, você não tem feito sexo ultimamente? — A gargalhada do Ruy soou alta quando fiz a pergunta — Sim, porque esse estresse todo deve ser falta de um bom orgasmo. Eu posso ajudá-lo, se você quiser — completei, calma. Ele não respondeu, só virou toda a bebida do seu copo em um só gole, estava com tanta raiva que os nós dos seus dedos ficaram brancos com a força que ele apertava o copo. — Então, você é de Las Vegas. Os cassinos de Las Vegas são realmente tão animados quanto falam? — Ruy iniciou outro assunto para amenizar a tensão que formou ficou entre nós. — Sim, os cassinos são muito animados e eu trabalho em um. — Mesmo? Que legal! — Sim, é muito legal. Eu trabalho no Cassino Royale, um dos mais famosos da cidade. — Você trabalha em qual função? — Quando ele fez a pergunta, Alex nos olhou, parecia interessado na resposta. — Eu sou garçonete. Nós somos as garotas que recepcionam os clientes e os divertem enquanto estão jogando. — Divertem... que tipo de diversão? — notei uma certa malícia em seu questionamento. — Nós jogamos com eles, servimos bebidas e fazemos gastarem o máximo possível. Não somos garotas de programa, se é isso que você quer saber, o divertir do nosso trabalho não envolve sexo — ele pareceu se impressionar com a minha resposta direta. Fiquei conversando com o Ruy por mais de duas horas, entretanto o Alex não me deu nenhuma atenção, foi como se eu nem estivesse ali. Ele bebeu várias doses de uísque e manteve a cara fechada o tempo todo. O Ruy até brincou com ele algumas vezes, mas o cara parecia que não sabia como sorrir. Às três horas da manhã, Alex decidiu ir embora, e o Ruy, muito simpático, me ofereceu uma carona, eu aceitei, óbvio, não era nada fácil achar um táxi de madrugada. — Ruy, eu não deixei você levá-la no meu carro! — O ogro reclamou ao me ver indo atrás deles. — Calma, Alex, é só uma carona, ela não vai te morder. — Eu não vou. A menos que você queira, claro! — Provoquei, exibindo um sorriso malicioso. — Você é muito safada! — Exclamou, olhando-me com nojo, e isso me incomodou muito. — Você não tem o mínimo de respeito por si própria e nem pelos outros, fica se oferecendo de bandeja por aí! Você não tem vergonha de agir como uma mercadoria barata que ninguém quer comprar?! Ele falou tão naturalmente que eu nem tive resposta. Pela primeira vez na minha vida, alguém me deixou sem palavras. — Ei, Alex, não exagera, cara. Ela não fez nada demais. — Não fez? Quer dizer que ficar impondo sua presença e me enchendo o saco não é nada demais! — respondeu, quase gritando. — Está tudo bem, Ruy, eu vou achar um táxi. Foi um prazer conhecê-lo. Espero sua visita no cassino qualquer dia. — Falei e me afastei deles. Enquanto me afastava, consegui ouvir o Ruy dando um sermão no Alex, mas não adiantou, aquele homem é impossível, nunca aceita que está errado. Voltei para o hotel, mas não consegui tirar a maldita imagem daquele iceberg de músculos da minha cabeça. Também não consegui esquecer suas palavras desagradáveis. Sabe quando o coração acelera e parece que tem algo flutuando no estômago? É assim que sinto quando estou perto do Alex, eu nunca senti nada parecido com isso antes. É como se o ar me faltasse e o meu corpo perdesse o equilíbrio. É… diferente quando ele está perto.Então aquele monstro continuava vivo? O pesadelo ainda não tinha acabado? Minhas mãos começaram a tremer e Liz as apertou entre as suas. A voz soou calma demais quando tentava me tranquilizar. — Izzy, não precisa ter medo. Nós não o matamos naquele momento, mas ele está morto. Ela sorriu ao notar minha confusão. — O Alex o matou no hospital. — Então… — Sim, o Alex conversou com o Salomon e ele falou tudo sobre o nosso passado. Izzy, não fique com receio do que você viveu, o Ruy também estava lá e sabe de tudo. Eles viram o vídeo que aquele desgraçado nos obrigou a confessar, Izzy, eles viram tudo e mesmo assim estão aqui. O Ruy sabia de tudo… Ele conversou com o Salomon e sabe tudo que eu fiz. Minha cabeça parecia que iria explodir, eu nunca imaginei que ele já soubesse, que esse tempo todo ele conhecia o pior de mim e não disse nada. — Então…— Sim, eles sabem. Izzy, não foi nossa culpa. Nós só queríamos sobreviver, éramos crianças inocentes que não merecíamos passar por nada
Finalmente chegou o dia da minha alta médica. Meu corpo ainda não se recuperou completamente, minha mente também não, porém estou livre para recomeçar. E agora, sei que ele não voltará nunca mais, sei que este capítulo se encerrou de uma vez por todas. As marcas, ainda visíveis na minha pele e as cicatrizes extensas no meu pescoço e abdômen são a prova de que eu lutei e venci. A mulher que me olhava de volta no espelho todos os dias é forte. E agora eu sabia disso. — Está tudo bem aí, Izzy? — a voz do Ruy soou do outro lado da porta, após uma batida. Ele queria me ajudar no banho como das outras vezes, mas eu insisti para fazer sozinha. Ruy está oferecendo todo o suporte emocional, financeiro e até mesmo profissional, pois já falou sobre apoiar o projeto. Mas, eu ainda não sei se é isso mesmo que eu quero. E agora, saindo do hospital, meu medo dessa nova vida está ainda maior. — Izzy! — a voz soou mais alta e eu sorri ao pensar no vinco entre suas sobrancelhas, ele sempre surgia q
IZZABELLYAs palavras de Ruy ecoavam na minha mente como marteladas em vidro. “É tão ruim assim ter alguém que cuide de você?”. Ele fazia tudo parecer tão lógico, tão absurdamente perfeito, que por um segundo eu quase esqueci o peso da sua mão no meu ombro, o tom de comando, mas também de zelo.Olhei para aqueles olhos escuros e intensos, tão próximos dos meus. Meu coração batia descompassado contra o peito, um misto de pânico e uma exaustão que parecia vir direto dos meus ossos. Ele tinha razão sobre uma coisa: eu estava cansada. Cansada de lutar, de contar moedas, de prender a respiração toda vez que o telefone tocava com medo de ser mais uma crise ou mais uma conta que eu não podia pagar. Olhar para o Roy na tela minutos atrás, rindo com os pais de Ruy, tinha sido um golpe direto na minha armadura. Meu irmão estava seguro. Estava feliz. Algo que eu mal conseguia garantir em dias bons.— Ruy... — Meu próprio sussurro soou fraco, uma bandeira branca que eu odiava hastear. Ele perce
RUYA Izzy ria e conversava com o irmão, era visível o quanto ela o amava, cada reação sua deixava explícito que tentava protegê-lo. Eu ri quando percebi seu constrangimento ao falar com meus pais, as bochechas vermelhas sempre apareciam como resposta de que aquilo estava fora dos seus limites. E ela ficava ainda mais linda assim. — Izzy, minha querida, não se preocupe, nós estamos adorando passar os dias com esse lindinho. Aliás, eu nem quero devolvê-lo quando você voltar. E eu estou ansiosa para conhecê-la pessoalmente — minha mãe sorriu, enquanto acariciava os fios curtinhos dos cabelos do Roy.— É exatamente isso, Izzy, estamos realizando nosso sonho de ser avós, já que esse nosso filho não quis nos agradar — agora foi meu pai, ele não perdia uma oportunidade de lembrar as reclamações da minha mãe. — Então que bom que agora vocês têm o Roy — respondi, mostrando meu rosto na tela. — Nem começa, nós ainda queremos mais netos e o Roy também quer sobrinhos, não é, meu amor? — a v
— Está se sentindo melhor? — indagou, enquanto colocava uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. Eu movi minha cabeça, concordando. Demorei um pouco para conseguir responder, estava constrangida e também emocionada com as atitudes do Ruy, ele não tentou ultrapassar nenhum limite enquanto me ajudava no banho, depois separou as roupas e ainda secou meus cabelos com cuidado. É impressionante como essa versão dele me surpreendeu. Na verdade, acho que eu sempre soube que ele era incrível, via como ajudava a Liz, seu apoio nos momentos em que ela mais precisava foi justamente o que me chamou atenção, além da beleza é claro. Soltei um suspiro profundo ao pensar em tudo que nos separava. Agora, após esse choque de realidade que levei, eu percebi que somos diferentes demais. As minhas bagagens são pesadas, feias e carregam uma escuridão que o Ruy não vai querer compartilhar, ele não vai aceitar que eu não fui só uma vítima, eu também cometi muitos pecados entre aquelas paredes. Encaro
IZABELLY Encarei o homem ao meu lado e não tinha palavras para responder. Seu sorriso, que era uma mistura de sarcasmo e malícia, só me deixava mais constrangida. Ele estava mesmo dizendo que ia me ajudar a tomar banho? Não, isso não deveria acontecer. De repente o dia em que nos beijamos no hotel, aconteceu há apenas uma semana, mas com tudo que veio depois, parecia uma memória muito distante. Eu queria viver bem com ele. Já até cometi o vexame de fazer uma declaração, agora vejo aquela cena tal qual uma piada — que se tornava mais engraçada quando sua resposta foi um belo fora. Ainda estava perdida em pensamentos quando sua boca tomou a minha, seus lábios sugaram os meus com fome. Minha resposta — impulsiva, talvez, eu não estava preparada para isso — o incentivou a aumentar a intensidade, eu mal conseguia manter minha mente sã, enquanto sentia sua língua dominar o espaço da minha boca. Suas mãos seguraram com cuidado minha nuca, mantendo minha cabeça firme enquanto sua boca







