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Capítulo 18 — Viola

last update Data de publicação: 2026-08-20 10:53:20

Annabella puxou a cadeira vazia e se acomodou com elegância natural, cruzando as pernas e apoiando os cotovelos na mesa.

— William Cunningham casado... — Ela soltou uma risada baixa, balançando a cabeça. — Se alguém me contasse ontem, eu juraria que era piada. Aquele homem sempre foi uma fortaleza impenetrável. Como vocês dois se conheceram?

Tomei um gole curto do café morno para ganhar tempo.

— Nossos pais já mantinham laços comerciais há anos entre os negócios daqui e os de Veneza. A aproxima
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    Descemos para o escritório do subsolo num silêncio pesado de chumbo.William manteve a mão pesada na base das minhas costas o tempo todo, sentindo cada centímetro da minha tensão residual. Bertoldo desceu colado ao meu outro lado; William lançou um olhar gélido para o meu primo por causa da proximidade, mas Bertoldo sustentou o peso sem vacilar um milímetro.Virgílio caminhava mais à frente, escoltado de perto pelos canos de dois fuzis dos seguranças da casa. Benjamin fechava o grupo, observando a dança das peças com um sorriso irônico nos lábios, deliciando-se com o espetáculo da família Vaccaro rachada ao meio.Entramos na sala forrada de carvalho escuro.— Deixe uma coisa bem clara, Virgílio — a voz de Bertoldo cortou o ar antes mesmo de nos sentarmos, o sotaque italiano carregado de desdém. — Eu não atravessei o oceano para salvar a sua pele arruinada. Estou aqui pelos interesses da família e para limpar o estrago que a sua incompetência causou em Veneza.Bertoldo jogou uma pasta

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    Virgílio assistia a cada segundo da nossa proximidade.O espanto nas feições dele se transformou em puro desconforto ao constatar o óbvio: eu não era mais uma moeda de troca isolada e indefesa nas mãos dos Cunningham. Havia uma aliança ali, um escudo que ele não conseguia romper.Dois seguranças seguraram o homem pelos braços.— Esquece essa história, Viola — ele tentou uma última cartada antes de ser arrastado, a voz vacilando em desespero. — Deixa a memória da sua mãe em paz antes que você destrua o pouco que sobrou!— Tirem esse homem da minha frente — William cortou sem elevar o tom, mas a autoridade na voz fez os guardas puxarem Virgílio em direção ao corredor do subsolo. — Agora.Três pancadas secas e pesadas estremeceram a porta principal. Virgílio estancou o passo, virando o pescoço com uma expressão contrariada.— O Bertoldo veio comigo para Las Vegas. Ele tinha que me encontrar aqui.Franzi a testa, o choque me puxando do transe. Bertoldo? Meu primo era o braço direito de Ce

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    William afastava a cadeira de veludo da mesinha encostada na janela. Uma bandeja de prata ocupava quase todo o espaço, transbordando com frutas cortadas, pães artesanais, ovos, sucos e uma jarra de café fumegante.O grande Don de Las Vegas, de calça social preta e camisa desabotoada no peito, servindo o café da manhã.— Eu não sabia o que você gostava de comer de manhã. — Os olhos me varreram dos pés à cabeça, parando um segundo a mais no meu pescoço antes de voltar para as xícaras. — Então mandei fazer um pouco de tudo.Cruzei os braços, tentando manter a postura defensiva enquanto meu estômago dava um salto traiçoeiro.— É fisicamente impossível eu comer tudo isso sozinha.— Posso te ajudar com essa parte.Um calor esquisito subiu pelo meu peito. Mordi a parte interna da bochecha, travando os lábios com força para impedir que o sorriso aliviado escapasse. Ele não tinha levantado daquela cama e voltado a ser a muralha de gelo intocável. Não tratou a noite passada como uma transação c

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    WILLIAMGirei o registro da água quente. O vapor espesso começou a embaçar o espelho e os azulejos escuros no mesmo segundo em que minhas mãos desceram pelo zíper do vestido terracota. O tecido deslizou pelo corpo dela, caindo aos seus pés num sussurro de seda. Arranquei paletó, camisa e calça sem desviar os olhos das curvas da minha mulher.A pele negra brilhava sob a penumbra úmida. O calor represado desde as praias das Bahamas colidiu como dinamite no centro do meu peito.Puxei Viola para debaixo da ducha. A água quente escorreu pelos nossos ombros, colando os cabelos castanhos às costas dela enquanto minhas palmas mapeavam a linha da sua cintura, subindo pelas costelas até a base dos seios firmes.Não era apenas tesão cru. Era uma possessividade doentia, uma necessidade visceral de gravar a minha presença em cada centímetro daquela carne indomável.Viola arqueou as costas contra o meu peito molhado, a respiração arfante, mas a língua continuava afiada:— Vai ficar só me encarando

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    A porta blindada do sedã bateu, isolando as luzes frenéticas da Strip.O carro arrancou suave pelo asfalto. Viola não se afastou para o canto do vidro; permaneceu encostada em mim, o calor da pele dela queimando através do tecido do meu terno. Estendi a mão e envolvi os dedos dela, passando o polegar com calma pela pele negra macia do dorso.Ela não recuou. Deixou a mão repousar na minha, os dedos relaxando aos poucos.A pergunta dela ainda ardia no fundo do meu crânio: você me soltaria?Se ela pensava em fuga, se via a nossa união como uma sentença de morte inevitável, era porque aquela mansão ainda não passava de uma cela dourada. E eu era o carcereiro.Exigi que ela vestisse a armadura dos Cunningham, exigi postura de senhora da máfia, quando a porra do nosso casamento sequer havia sido consumada. Eu não perdi nada ao assinar aquele papel; ela perdeu a própria casa em Veneza, a rotina, a família, o trabalho e a liberdade num estalar de dedos.O peso suave da cabeça de Viola cedeu c

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