FAZER LOGINMaya Menezes Depois de escapar de um relacionamento abusivo com Rafael, um advogado rico, obsessivo e violento que quase tirou sua vida, ela chega a São Paulo decidida a nunca mais permitir que homem algum controle seu destino. O passado, porém, ainda a acompanha, transformando qualquer demonstração de intensidade em um sinal de perigo. Trabalhando como corretora de imóveis, Maya conhece Thomas Henrique Albuquerque, um empresário poderoso, reservado e acostumado a estar sempre um passo à frente. A atração entre os dois é imediata, irresistível e impossível de ignorar. Pela primeira vez em muito tempo, Maya baixa a guarda. Ela se entrega ao sentimento e acredita que talvez ainda seja capaz de amar outra vez. Mas, quando percebe a força do que sente, o medo fala mais alto. A intensidade de Thomas desperta lembranças que ela jamais conseguiu esquecer. Convencida de que está prestes a repetir o pior erro de sua vida, Maya foge antes que seu coração a faça voltar atrás. Na tentativa desesperada de encontrar segurança, ela inicia um relacionamento com Vinícius, um homem gentil, trabalhador e estável, que representa exatamente o oposto de tudo o que um dia a destruiu. Só que alguns amores não desaparecem porque foram deixados para trás. Enquanto tenta reconstruir a própria vida e convencer a si mesma de que fez a escolha certa, Maya descobre que fugir nem sempre significa se libertar. Porque, às vezes, o maior cárcere não é um relacionamento abusivo, mas o medo de acreditar que alguém possa amar sem querer possuir. Entre o trauma, a culpa e um amor que insiste em sobreviver ao silêncio, Maya precisará descobrir se Thomas é realmente o homem de quem ela deve fugir... ou o único por quem vale a pena voltar.
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Se alguém me perguntasse quando tudo começou a desmoronar, eu diria que foi no dia em que Thomas Albuquerque me beijou. Ou talvez antes, no dia em que o conheci. Até hoje, a linha do tempo se confunde na minha mente, uma névoa densa que obscurece o início exato do meu pânico. Só sei que algumas pessoas entram na nossa vida como uma brisa suave, quase imperceptível, enquanto outras chegam como uma tempestade silenciosa, virando tudo de cabeça para baixo sem que percebamos o estrago até ser tarde demais. Thomas era uma dessas.
São Paulo, com seus arranha-céus imponentes e seu ritmo frenético, era o meu refúgio. Cheguei aqui com a alma em frangalhos, tentando costurar os pedaços de uma vida que Rafael havia estraçalhado. A cidade me oferecia anonimato, a chance de ser apenas mais uma em meio a milhões, e eu agarrava essa promessa com unhas e dentes. Trabalhava na Albuquerque Prime, uma corretora de imóveis de prestígio, e cada contrato fechado era uma pequena vitória contra o fantasma do meu passado. Eu tinha vinte e sete anos, uma carteira de corretora recém-conquistada e uma determinação desesperada de provar para mim mesma que conseguia sobreviver sozinha. Minha rotina era um ciclo exaustivo de apresentações de imóveis, negociações tensas e pilhas de papelada. À noite, o apartamento da minha tia no centro era o meu santuário, onde eu podia finalmente baixar a guarda. Contudo nas madrugadas mais sombrias, ainda acordava com o coração disparado, convencida de que ouvia o som de mensagens de Rafael chegando no celular. O nome dele era um arrepio na espinha, um lembrete constante do terror que eu havia escapado. Rafael. Por muito tempo, confundi sua obsessão com amor. Ele queria saber onde eu estava, com quem estava, o que vestia, para onde ia, quem me ligava, quem curtia minhas fotos no I*******m. No início, eu confundia aquilo com proteção: um cuidado exagerado que, por ingenuidade, aceitava. Com o tempo, virou prisão. Quando finalmente tentei sair daquela relação tóxica, entendi o quanto uma pessoa pode se tornar perigosa ao acreditar que tem posse sobre outra. Eu sobrevivi, mas nunca mais fui a mesma. A marca que Rafael deixou em mim era profunda: um medo visceral de descontrole, vigilância e perda de autonomia. Por isso, quando conheci Thomas Albuquerque, deveria ter corrido. Deveria ter sentido o alarme soar e me afastado o mais rápido possível. Mas não corri. Porque Thomas não parecia um homem perigoso. Ele era o dono da construtora que trabalhava em parceria com a corretora, uma figura influente e respeitada no mercado imobiliário. Parecia apenas competente, brilhante, inteligente, irritantemente eficiente. O tipo de homem que entrava em uma sala e fazia todos prestarem atenção sem precisar levantar a voz. Alguém que eu jamais deveria conhecer de verdade, alguém que deveria existir apenas em reuniões e assinaturas de contrato. Mas Thomas tinha o péssimo hábito de aparecer. E não era apenas em reuniões. Ele aparecia quando um cliente importante precisava ser convencido, quando uma negociação complicada surgia, quando eu estava prestes a perder um contrato. Ele aparecia quando eu precisava de ajuda, antes mesmo que eu soubesse que precisava. No começo, achei que era coincidência, uma série de eventos fortuitos. Depois, parei de acreditar em coincidências. A presença dele era constante, quase onipresente, e isso começou a me incomodar de uma forma que eu não conseguia explicar. Era uma mistura estranha de segurança e apreensão, um pressentimento de que algo estava errado, mesmo que tudo parecesse perfeito. — Você está me seguindo? — perguntei uma vez, a voz mais atrevida do que eu pretendia, depois que ele apareceu pela terceira vez na mesma semana para resolver um problema que nem deveria conhecer. Ele nem levantou os olhos dos documentos que revisava em minha mesa, um sorriso sutil brincando em seus lábios. — Se eu estivesse seguindo você, Maya, não seria tão fácil perceber. Aquilo deveria ter me incomodado, deveria ter acendido um alerta vermelho. Em vez disso, eu ri. Esse foi meu primeiro erro. O segundo foi me acostumar. Me acostumar com os cafés deixados na minha mesa quando eu passava horas sem sair do computador, com as mensagens perguntando se eu já tinha chegado em casa, com a forma como ele parecia enxergar coisas que ninguém mais percebia. Ele sabia quando eu estava cansada, sabia quando eu estava mentindo, sabia quando eu estava triste. Às vezes, parecia saber antes de mim. E talvez fosse exatamente isso que me assustava. Porque uma parte de mim gostava. Gostava demais. A atenção dele era um bálsamo para a minha alma ferida, mas também uma armadilha sutil, um lembrete constante do controle que eu tanto temia. Um ano anos depois, eu já não conseguia imaginar minha rotina sem Thomas Albuquerque. Eu o admirava como CEO, como chefe, mas eu sabia que ia além disso, éramos amigos. Pelo menos era isso que eu repetia para mim mesma, uma mentira conveniente que me permitia manter a distância emocional que eu acreditava ser necessária. Mas amigos não observavam a boca um do outro durante reuniões, amigos não sentiam o coração acelerar quando o outro chegava, amigos não sonhavam um com o outro. Eu fingia não perceber, e Thomas também. Até o dia em que não conseguimos mais fingir.ThomasO silêncio da mansão é rompido na madrugada seguinte, não pela chuva, mas pelo som suave e arquejado da voz de Maya me chamando.Quando abro os olhos, vejo-a sentada na borda da cama, a mão apertando o lençol.O momento chegou.Não há pânico em mim; há apenas uma clareza absoluta e um instinto de proteção que assume o controle de cada célula do meu corpo. Eu a guio com calma, coloco a bolsa já pronta no carro e dirijo pelas ruas silenciosas da cidade com uma precisão cirúrgica.As horas no hospital se misturam em um borrão de luzes, monitoramentos e o aperto quase doloroso da mão de Maya na minha a cada contração. Ver a força dela, a coragem com que ela enfrenta a dor para trazer nosso filho ao mundo, redefine completamente o meu conceito de poder. Eu, que achava que o poder estava no controle financeiro de um império, percebo que o verdadeiro poder é a capacidade de gerar e defender a vida.E então, em um clamor de vida que ecoa pela sala de parto, o choro do nosso filho preen
O tempo, que antes parecia arrastar-se sob o peso da incerteza, passa agora como um rio calmo e vigoroso.Minha barriga cresce a cada semana, desenhando uma curva cada vez mais evidente sob os vestidos que uso. Ainda me pego parada diante do espelho algumas manhãs, observando a mudança com uma mistura de encantamento e incredulidade.Na Albuquerque Prime, também encontrei meu espaço.No início, algumas pessoas me olhavam com curiosidade. Afinal, eu era a mulher do CEO. Mas isso durou pouco.Meu trabalho falou por mim.Assumi os projetos de desenvolvimento social e, em pouco tempo, comecei a conquistar o respeito da diretoria pelas minhas próprias decisões, pelos resultados que entregava e pela maneira como conduzia cada projeto.Eu não era apenas a mulher de Thomas Albuquerque.Eu era Maya.E isso importava.Thomas, é claro, tinha uma maneira bastante particular de demonstrar que continuava preocupado comigo.Três vezes por tarde, quase como se obedecesse a um horário secreto, ele apa
MayaOlho para Thomas, processando os detalhes da proposta. Ele realmente pensou em tudo. É o jeito dele de ser o protetor implacável que sempre foi, mas, desta vez, sem sufocar a minha individualidade. Ele criou um espaço onde posso ser útil, exercer minha profissão e manter minha independência, sabendo exatamente que eu não aceitaria receber um salário para ficar de braços cruzados.E, claro, o fato de o escritório ser no mesmo andar que o dele e ter um sofá confortável é um bônus muito tentador, especialmente agora que o cansaço do início da gestação começa a dar trégua, mas o peso da barriga começa a se fazer notar.— Você não existe, Thomas Albuquerque — digo, rindo baixinho e balançando a cabeça, sentindo meu coração transbordar. — É uma proposta simplesmente irrecusável. Você sabe disso. Eu aceito. Mas já vou avisando: no horário de expediente, você é o meu chefe. Nada de me mimar na frente dos outros funcionários.Thomas solta um daqueles sorrisos raros que iluminam todo o seu
ThomasA simples ideia de Maya voltar para aquele escritório antigo não me agrada.Não porque eu queira decidir por ela. Aprendi que tentar fazer isso seria a maneira mais rápida de perdê-la. Maya precisa sentir que as escolhas são dela.Mas também não vou fingir que a Albuquerque Prime não tem mais a oferecer.Conheço a capacidade dela. Sei o quanto pode crescer quando está em um ambiente que reconhece seu trabalho, e sei que aqui existem recursos, projetos e possibilidades que ela jamais teria naquele lugar.Apoio as mãos entrelaçadas sobre a mesa e mantenho os olhos nela.— Você quer voltar a trabalhar?Ela assente.— Quero.Não há hesitação na resposta.Eu esperava por isso.— Então volte.Maya me encara, surpresa.— Para onde?— Para a Albuquerque Prime.Ela franze a testa.— Thomas...— Não estou falando para você trabalhar comigo porque é minha mulher — interrompo, mantendo a voz tranquila. — Estou falando porque você é boa no que faz.Ela permanece em silêncio.— A empresa est






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