INICIAR SESIÓN— O Cameron Cunningham teve alguma coisa a ver com o assassinato da minha mãe?Virgílio recuou meio centímetro, tropeçando no próprio pé. Os lábios tremeram, desprovidos de cor, o terror evidente estampado na testa suada.O chão sob os meus pés simplesmente desapareceu. Minha visão embaçou por um segundo.— Ela... então ela foi assassinada? — a pergunta escapou num fio de voz rouco e estraçalhado.— Cala essa boca! — ele deu um passo para a frente, gesticulando no ar, a voz saindo aos solavancos. — Esse assunto está enterrado! Tudo o que foi feito ou escondido foi para te proteger!— Me proteger? — o grito rasgou a minha garganta, a revolta queimando como ácido. — Você passou vinte e um anos fingindo que me protegia do passado dos Cunningham para no final me vender em um contrato de casamento para a mesma família que destruiu a minha mãe?— Para de agir como uma pirralha mimada! — ele avançou mais, o rosto a poucos centímetros do meu, cuspindo as palavras. — Não tenho tempo para os se
William afastava a cadeira de veludo da mesinha encostada na janela. Uma bandeja de prata ocupava quase todo o espaço, transbordando com frutas cortadas, pães artesanais, ovos, sucos e uma jarra de café fumegante.O grande Don de Las Vegas, de calça social preta e camisa desabotoada no peito, servindo o café da manhã.— Eu não sabia o que você gostava de comer de manhã. — Os olhos me varreram dos pés à cabeça, parando um segundo a mais no meu pescoço antes de voltar para as xícaras. — Então mandei fazer um pouco de tudo.Cruzei os braços, tentando manter a postura defensiva enquanto meu estômago dava um salto traiçoeiro.— É fisicamente impossível eu comer tudo isso sozinha.— Posso te ajudar com essa parte.Um calor esquisito subiu pelo meu peito. Mordi a parte interna da bochecha, travando os lábios com força para impedir que o sorriso aliviado escapasse. Ele não tinha levantado daquela cama e voltado a ser a muralha de gelo intocável. Não tratou a noite passada como uma transação c
WILLIAMGirei o registro da água quente. O vapor espesso começou a embaçar o espelho e os azulejos escuros no mesmo segundo em que minhas mãos desceram pelo zíper do vestido terracota. O tecido deslizou pelo corpo dela, caindo aos seus pés num sussurro de seda. Arranquei paletó, camisa e calça sem desviar os olhos das curvas da minha mulher.A pele negra brilhava sob a penumbra úmida. O calor represado desde as praias das Bahamas colidiu como dinamite no centro do meu peito.Puxei Viola para debaixo da ducha. A água quente escorreu pelos nossos ombros, colando os cabelos castanhos às costas dela enquanto minhas palmas mapeavam a linha da sua cintura, subindo pelas costelas até a base dos seios firmes.Não era apenas tesão cru. Era uma possessividade doentia, uma necessidade visceral de gravar a minha presença em cada centímetro daquela carne indomável.Viola arqueou as costas contra o meu peito molhado, a respiração arfante, mas a língua continuava afiada:— Vai ficar só me encarando
A porta blindada do sedã bateu, isolando as luzes frenéticas da Strip.O carro arrancou suave pelo asfalto. Viola não se afastou para o canto do vidro; permaneceu encostada em mim, o calor da pele dela queimando através do tecido do meu terno. Estendi a mão e envolvi os dedos dela, passando o polegar com calma pela pele negra macia do dorso.Ela não recuou. Deixou a mão repousar na minha, os dedos relaxando aos poucos.A pergunta dela ainda ardia no fundo do meu crânio: você me soltaria?Se ela pensava em fuga, se via a nossa união como uma sentença de morte inevitável, era porque aquela mansão ainda não passava de uma cela dourada. E eu era o carcereiro.Exigi que ela vestisse a armadura dos Cunningham, exigi postura de senhora da máfia, quando a porra do nosso casamento sequer havia sido consumada. Eu não perdi nada ao assinar aquele papel; ela perdeu a própria casa em Veneza, a rotina, a família, o trabalho e a liberdade num estalar de dedos.O peso suave da cabeça de Viola cedeu c
O rosto de Viola se desfez.A dor crua que cruzou os olhos castanhos dela cortou o meu peito ao meio: o homem que ela foi forçada a odiar guardava as memórias vivas do toque de uma mãe que ela nunca teve o privilégio de conhecer.Viola puxou o celular da bolsa com mãos trêmulas, desbloqueou a tela e deslizou o aparelho pelo tampo até parar diante de mim.A fotografia digitalizada saltou sob a luz da vela. Duas mulheres jovens sorrindo com os braços entrelaçados.Ergui os olhos, surpreso.— Onde você achou isso?— Caiu de dentro de um dos seus livros no quarto — ela não vacilou, sustentando o olhar. — É a sua mãe, não é? Ao lado da minha?— Sim — a voz saiu quase inaudível, o peso do luto antigo arranhando a garganta. — É a única foto que sobrou da minha mãe biológica.Passei o polegar pela borda do visor, encarando aquele rosto que quase esqueci.— Eu também não tenho as respostas todas, Viola. A história de Freya é cheia de buracos que o Cameron fez questão de queimar.Viola recolheu
— E o que mais você comanda, além deste restaurante e das mesas de jogo lá embaixo? Fale dos negócios que não envolvem armas e sangue.— Hotéis na costa oeste, três redes de cassinos, investimentos imobiliários e metade da logística portuária do estado — inclinei o corpo para a frente, o tom descendo num sussurro rouco e poderoso. — Sou um homem muito poderoso, Viola. Se você quiser qualquer coisa nesta cidade, basta pedir que eu coloco nas suas mãos.Ela apoiou o queixo na palma da mão, um brilho travesso cruzando os olhos.— Qualquer coisa? Então vire o presidente do país.Parei. Encarei o teto por dois segundos, fingindo calcular rotas de campanha e desvios de verba com uma seriedade calculada.O sorriso dela sumiu, o pânico tomando conta dos olhos castanhos:— William... era brincadeira! Não faça nenhuma loucura criminosa para derrubar o governo!Não aguentei. O riso baixo vibrou no meu peito enquanto eu a encarava:— Não precisa de tanto pânico. O atual presidente já faz burradas







