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Capítulo 23 — William

last update Data de publicação: 2026-08-22 01:09:38

— Quem te deu essa informação?

— Não interessa quem deu! O problema é que, se você continuar me trancando no escuro, eu vou continuar cavando por conta própria.

Dei dois passos largos, encurtando o espaço entre nós até meu peito quase prensar o dela, os olhos cravados nas pupilas dilatadas de audácia da minha esposa.

— Você não é porra nenhuma de investigadora para sair por aí cutucando vespeiro e criando problemas para a minha cabeça!

— Eu não quero criar problemas, William! — Ela avançou mais
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    Descemos para o escritório do subsolo num silêncio pesado de chumbo.William manteve a mão pesada na base das minhas costas o tempo todo, sentindo cada centímetro da minha tensão residual. Bertoldo desceu colado ao meu outro lado; William lançou um olhar gélido para o meu primo por causa da proximidade, mas Bertoldo sustentou o peso sem vacilar um milímetro.Virgílio caminhava mais à frente, escoltado de perto pelos canos de dois fuzis dos seguranças da casa. Benjamin fechava o grupo, observando a dança das peças com um sorriso irônico nos lábios, deliciando-se com o espetáculo da família Vaccaro rachada ao meio.Entramos na sala forrada de carvalho escuro.— Deixe uma coisa bem clara, Virgílio — a voz de Bertoldo cortou o ar antes mesmo de nos sentarmos, o sotaque italiano carregado de desdém. — Eu não atravessei o oceano para salvar a sua pele arruinada. Estou aqui pelos interesses da família e para limpar o estrago que a sua incompetência causou em Veneza.Bertoldo jogou uma pasta

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    Virgílio assistia a cada segundo da nossa proximidade.O espanto nas feições dele se transformou em puro desconforto ao constatar o óbvio: eu não era mais uma moeda de troca isolada e indefesa nas mãos dos Cunningham. Havia uma aliança ali, um escudo que ele não conseguia romper.Dois seguranças seguraram o homem pelos braços.— Esquece essa história, Viola — ele tentou uma última cartada antes de ser arrastado, a voz vacilando em desespero. — Deixa a memória da sua mãe em paz antes que você destrua o pouco que sobrou!— Tirem esse homem da minha frente — William cortou sem elevar o tom, mas a autoridade na voz fez os guardas puxarem Virgílio em direção ao corredor do subsolo. — Agora.Três pancadas secas e pesadas estremeceram a porta principal. Virgílio estancou o passo, virando o pescoço com uma expressão contrariada.— O Bertoldo veio comigo para Las Vegas. Ele tinha que me encontrar aqui.Franzi a testa, o choque me puxando do transe. Bertoldo? Meu primo era o braço direito de Ce

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    — O Cameron Cunningham teve alguma coisa a ver com o assassinato da minha mãe?Virgílio recuou meio centímetro, tropeçando no próprio pé. Os lábios tremeram, desprovidos de cor, o terror evidente estampado na testa suada.O chão sob os meus pés simplesmente desapareceu. Minha visão embaçou por um segundo.— Ela... então ela foi assassinada? — a pergunta escapou num fio de voz rouco e estraçalhado.— Cala essa boca! — ele deu um passo para a frente, gesticulando no ar, a voz saindo aos solavancos. — Esse assunto está enterrado! Tudo o que foi feito ou escondido foi para te proteger!— Me proteger? — o grito rasgou a minha garganta, a revolta queimando como ácido. — Você passou vinte e um anos fingindo que me protegia do passado dos Cunningham para no final me vender em um contrato de casamento para a mesma família que destruiu a minha mãe?— Para de agir como uma pirralha mimada! — ele avançou mais, o rosto a poucos centímetros do meu, cuspindo as palavras. — Não tenho tempo para os se

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    William afastava a cadeira de veludo da mesinha encostada na janela. Uma bandeja de prata ocupava quase todo o espaço, transbordando com frutas cortadas, pães artesanais, ovos, sucos e uma jarra de café fumegante.O grande Don de Las Vegas, de calça social preta e camisa desabotoada no peito, servindo o café da manhã.— Eu não sabia o que você gostava de comer de manhã. — Os olhos me varreram dos pés à cabeça, parando um segundo a mais no meu pescoço antes de voltar para as xícaras. — Então mandei fazer um pouco de tudo.Cruzei os braços, tentando manter a postura defensiva enquanto meu estômago dava um salto traiçoeiro.— É fisicamente impossível eu comer tudo isso sozinha.— Posso te ajudar com essa parte.Um calor esquisito subiu pelo meu peito. Mordi a parte interna da bochecha, travando os lábios com força para impedir que o sorriso aliviado escapasse. Ele não tinha levantado daquela cama e voltado a ser a muralha de gelo intocável. Não tratou a noite passada como uma transação c

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    WILLIAMGirei o registro da água quente. O vapor espesso começou a embaçar o espelho e os azulejos escuros no mesmo segundo em que minhas mãos desceram pelo zíper do vestido terracota. O tecido deslizou pelo corpo dela, caindo aos seus pés num sussurro de seda. Arranquei paletó, camisa e calça sem desviar os olhos das curvas da minha mulher.A pele negra brilhava sob a penumbra úmida. O calor represado desde as praias das Bahamas colidiu como dinamite no centro do meu peito.Puxei Viola para debaixo da ducha. A água quente escorreu pelos nossos ombros, colando os cabelos castanhos às costas dela enquanto minhas palmas mapeavam a linha da sua cintura, subindo pelas costelas até a base dos seios firmes.Não era apenas tesão cru. Era uma possessividade doentia, uma necessidade visceral de gravar a minha presença em cada centímetro daquela carne indomável.Viola arqueou as costas contra o meu peito molhado, a respiração arfante, mas a língua continuava afiada:— Vai ficar só me encarando

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    A porta blindada do sedã bateu, isolando as luzes frenéticas da Strip.O carro arrancou suave pelo asfalto. Viola não se afastou para o canto do vidro; permaneceu encostada em mim, o calor da pele dela queimando através do tecido do meu terno. Estendi a mão e envolvi os dedos dela, passando o polegar com calma pela pele negra macia do dorso.Ela não recuou. Deixou a mão repousar na minha, os dedos relaxando aos poucos.A pergunta dela ainda ardia no fundo do meu crânio: você me soltaria?Se ela pensava em fuga, se via a nossa união como uma sentença de morte inevitável, era porque aquela mansão ainda não passava de uma cela dourada. E eu era o carcereiro.Exigi que ela vestisse a armadura dos Cunningham, exigi postura de senhora da máfia, quando a porra do nosso casamento sequer havia sido consumada. Eu não perdi nada ao assinar aquele papel; ela perdeu a própria casa em Veneza, a rotina, a família, o trabalho e a liberdade num estalar de dedos.O peso suave da cabeça de Viola cedeu c

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