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Capítulo 7 — Viola e William

작가: Pann Ludovica
last update 게시일: 2026-08-17 03:02:24

VIOLA

A taça de cristal de Cameron encontrou a prata com um tilintar metálico que silenciou a mesa inteira.

— À Viola e ao William. — O sorriso do velho patriarca brilhava como uma lâmina sob a luz fria do lustre. — Que esse casamento traga a prosperidade que nossas famílias merecem. E, claro... que no ano que vem já tenhamos os primeiros frutos dessa união correndo pelos corredores.

O vinho gelado desceu rasgando minha garganta. Minhas mãos travaram sob o tecido da mesa. Filhos. Eles não queriam só minha liberdade; queriam meu corpo gerando a próxima geração daquela máfia. O estômago deu um nó violento.

Girei o rosto devagar, varrendo a extensão da mesa de jantar. Algo naquela imagem continuava errado. Errado desde o primeiro dia.

Regina. A mãe dos meninos. O lugar à esquerda de Cameron continuava totalmente vazio. Nem na véspera do casamento a mulher tinha aparecido.

Aproveitei a movimentação dos garçons e me inclinei na direção de Raiden, do meu lado oposto.

— Onde tá a sua mãe? — O tom saiu baixo, direto.

O sorriso solto do rosto dele evaporou no ato. A taça de água travou na metade do caminho até a boca.

— Não conta com ela, Viola. — olhou ao redor, os olhos inquietos. — Se tiver sorte, ela aparece amanhã pro altar. Se não... é melhor assim.

— Como assim? Ela é—

Uma mão pesada e quente pousou sobre o meu ombro, o aperto firme cortando minha fala ao meio. A sombra de William cobriu minha visão.

— A conversa parece ótima, mas você devia focar na sua bebida, noivinha. — A voz grave veio rente ao meu pescoço, o aviso velado faiscando nos seus olhos pretos. Então, o assunto "mãe" era uma mina terrestre prestes a explodir entre os Cunningham. Guardei a informação para usar mais tarde.

— Veja só... — Uma voz arrastada, alterada pelo álcool, ecoou do outro lado do salão. Dante, um dos primos distantes de William, balançava a taça de uísque com um sorriso de deboche cravado no rosto. — O noivo finalmente resolveu dar as caras. Mas me conta, negrinha... Por que um partidão desses ia querer se trancar com um sujeito tão frio e obcecado pelo trabalho? Ele acorda você à noite pra assinar contratos ou você é só o troféu pra inglês ver?

O silêncio caiu como uma guilhotina na sala. Meu pai congelou na cadeira.

Eu sentia a pressão dos olhares de cada Cunningham e Vaccaro ali. Em vez de recuar, apoiei a palma da minha mão sobre a coxa de William, por cima da calça de terno, sentindo o músculo dele enrijecer na hora. Levantei o queixo, encarando o primo bêbado com todo o desprezo que consegui reunir.

— Prefiro mil vezes um homem reservado, focado no próprio império e que sabe exatamente qual é o seu lugar... do que um idiota que precisa se entupir de uísque barato pra ter coragem de abrir a boca numa mesa de homens.

Dante empalideceu. A cadeira dele ruiu contra o chão quando ele se levantou num impulso, o rosto vermelho de ódio.

— Sua vadiazinha arrogante—

O som de um tiro não teria feito mais estrago do que o baque seco do punho de William atingindo a mesa de mogno.

A presença dele expandiu no cômodo de um jeito aterrorizante. O porte ereto, a frieza assassina estampada no rosto desprovido de qualquer emoção humana.

— Cala a boca, Dante. — O tom dele veio baixo, mas cada sílaba trazia o peso absoluto do futuro Don. — Se você pronunciar mais uma palavra direcionada à minha futura esposa, você não sai dessa ilha respirando.

Dante engoliu a seco. O suor desceu pela sua testa. Baixou os olhos, ajeitou o terno com as mãos trêmulas e se sentou em silêncio absoluto. Ninguém ousou respirar.

Cameron soltou um riso alto, totalmente satisfeito com a demonstração de força, e ergueu a taça novamente.

— Um brinde ao futuro rei e à futura rainha dos Cunningham!

O salão rompeu em aplausos falsos e taças se chocando.

Puxei o ar com dificuldade, a mão ainda apoiada na perna de William. A descarga de adrenalina fazia meu peito subir e descer devagar. Olhei de lado para o perfil rígido dele. A gente mal conseguia trocar duas frases sem querer se digladiar, mas, diante dos outros, a nossa sintonia era uma arma de guerra perfeita. 

E isso era o mais assustador de tudo.

***

WILLIAM

A luz fina da manhã atravessava as frestas da cortina, mas o peso no meu peito não vinha da iluminação.

Viola estava completamente aninhada no meu corpo. A cabeça apoiada no meu tórax, a respiração quente e ritmada roçando meu pescoço, uma das pernas jogada por cima das minhas coxas. A pele negra reluzia, macia, contra meu peito nu.

A mesma garota que, poucas horas antes, no escuro da cozinha, quase me estrangulou exigindo que eu cancelasse a porra do casamento, agora dormia no meu colo como se o meu peito fosse o lugar mais seguro do mundo. Irônico para caralho.

Ensaiei um movimento para me afastar, mas os dedos dela se enroscaram na minha cintura num impulso inconsciente. Travei. A sensação do corpo dela colado ao meu, o calor e o cheiro doce imergindo meus sentidos... eu gostava daquilo muito mais do que deveria admitir.

Ela era um problema. Teimosa, reativa, independente ao extremo. O tipo exato de mulher que transformaria a minha vida ordenada em um inferno diário.

O celular no bolso da minha calça vibrou.

Puxei o aparelho com cuidado milimétrico para não despertá-la. Deslizei o teto da tela sem tirar os olhos do rosto calmo de Viola.

— Fale. — O tom veio num sussurro áspero.

— Chefe... encontramos outro. Na doca sul de Vegas. — A voz do meu braço direito veio truncada por ruído de fundo. — Garganta cortada de orelha a orelha. Deixaram outro bilhete no peito dele. "A coroa vai cair antes do altar."

O maxilar travou com tanta força que os dentes estalaram. O segundo homem em menos de quatro dias. Quem quer que estivesse por trás dessa merda estava escalando o jogo, esticando a corda para ver até onde os Cunningham aguentavam sem sangrar.

— Descubra de onde veio essa merda — ordenei, as palavras saindo como lâminas. — Hoje é a porra do meu casamento. Você segura essa merda em Las Vegas até eu colocar o pé aí. E James? Se o responsável não estiver morto ou sangrando até a minha volta, não se dê ao trabalho de me esperar no aeroporto.

Encarei a tela preta após desligar.

Algum desgraçado com desejo de morte achava mesmo que podia peitar minha família em campo aberto. Minha mão se fechou ao redor do celular até as articulações dos dedos ficarem brancas.

Baixei o olhar. Viola mexeu a cabeça devagar, soltando um suspiro baixo sem acordar, os cílios longos descansando sobre as bochechas.

O jogo mudou de figura. Até ontem, eu jogava sozinho. Agora, antes que o sol se pusesse, aquela mulher carregaria o meu sobrenome. Um alvo desenhado nas costas dela com a mesma tinta do meu.

Precisava esmagar essa ameaça antes que o sangue chegasse até ela. Ninguém tocava no que era meu.

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