FAZER LOGINA sala de jantar da casa de Tia Beatriz cheirava a um delicioso banquete, mas os dois pratos permaneciam intocados, uma prova gritante do atraso considerável do casal. — Quarenta e cinco minutos — ela declarou, cruzando os braços com uma autoridade impecável enquanto encarava os dois descendo do carro. — Quarenta e cinco minutos de atraso para o jantar da sua própria tia, Logan! Charlotte mantinha a cabeça baixa, os olhos fixos na renda do vestido, interpretando o papel perfeito de uma criança arrependida apanhada em flagrante,bem diferente de Logan. — Me desculpe, Tia Bea! — disse Logan. — Ora, seu moleque... Sentados à mesa, o sermão continuou. Charlotte sentia as bochechas queimarem de vergonha. No entanto, não era apenas constrangimento pelo sermão divertido da tia, era cômico ver como ela tratava o grande CEO Mackenzie, mas pelo fato de que o cabelo de Logan ainda estava ligeiramente úmido e a sua pele ainda guardava a memória quente daquele chuveiro. — Sinto muito, tia..
As semanas se passaram rapidamente no Vale dos Cedros, com a rotina da pousada finalmente se ajustando, já não prexisava da presença física de Charlotte todos os dias e a vida do casal encontrando um ritmo doce e constante. Charlotte estava no quarto da mansão, ao telefone com Clara. Do outro lado da linha, a voz da amiga vinha como uma rajada desgovernada de pavor, indiganação e uma excitação mal disfarçada.— Calma, Clara! — Charlotte pediu, soltando uma risada gostosa enquanto dobrava uma blusa de lã e a acomodava na mala aberta sobre a cama. — Eu sei... mas como foi que isso aconteceu?!Ela continuou fazendo suas malas, achando um fascínio absoluto o pânico e a aflição da amiga com aquela reviravolta bizarra.- Não... não sabe? você não é uma criança...Charlotte tentava entender a história de Clara aou mesmo tempo que tinha uma ideia de como o enredo se desenrolou. Ela poderia ser sua próxima protagonista. — É claro que não é nada demais, Clara! Acalme-se, vai ficar tudo bem. V
Charlotte deu um passo para trás, alisando o vestido com um movimento gracioso. Ela deu a ele um sorriso felino, recheado de triunfo. — Vamos conversar sobre as suas "compras impulsivas" depois, Sr. Mackenzie. Nós temos convidados esperando lá fora agora. Sem dar a chance de responder, Charlotte deu meia-volta e desceu os degraus de pedra com passos leves e decididos, caminhando vitoriosa de volta ao jardim ensolarado. Logan permaneceu parado no meio da escadaria por alguns instantes, levou os dedos ao lábio onde ainda sentia a fisgada do dente dela. - Sim, Sra. Mackenzie! Um sorriso amplo e genuíno se espalhou por seu rosto. Por ver essa Charlotte reativa, audaciosa e que sabia se defender, que nunca se deixava dobrar facilmente, o desafio da infância que tocou o seu coração de um jeito que nenhuma outra conseguiu. O almoço seguiu seu curso em um clima de total harmonia e celebração. Os últimos convidados conversavam descontraidamente, desfrutando da brisa suave da montanh
Uma ligação salvadora tocou no bolso de Michele. A editora pediu licença rapidamente, olhando para Logan com o mesmo respeito quase devocional, e se afastou apressada em direção ao jardim para atender o telefone. No segundo em que ficaram sozinhos, Charlotte virou-se para Logan, os olhos semicerrados em duas fendas perigosas. Ela deu um gole no champanhe apenas para não surtar ali mesmo, tentando disfarçar para os convidados que passavam, mas o fogo na sua voz era inconfundível. — Dono? — ela sussurrou, a voz carregada de um sarcasmo mortal. — Humm... - Dono! — Charlie... — Logan começou, ajeitando a postura e mantendo a taça na mão, prevendo a tempestade. — Dono?! — ela repetiu, subindo o tom em uma oitava antes de se controlar. — Não acredito nisso! Eu dividindo com você... Sem dar margem para qualquer explicação, Charlotte deu meia-volta, ajeitou o vestido de linho e começou a marchar a passos largos e decididos pelo gramado, indo direto em direção à entrada da torre do
— Olá, Logan! É um prazer rever você — o homem disse, caminhando até eles com passos calmos e confiantes, estendendo a mão para um aperto firme.— Gabriel — Logan respondeu com um sorriso de canto, retribuindo o aperto de mão com extrema cordialidade. — Não sabia que estava no Vale dos Cedros. Seja bem-vindo à nossa inauguração. Escondida atrás de Charlotte, Clara travou por um segundo. A indignação superou o pânico na mesma hora. Desgrudando-se das costas da amiga com um sobrolho erguido, ela deu um passo para o lado e encarou os dois homens, alternando o olhar chocada.— Pera aí... Vocês dois se conhecem?! — ela exclamou, totalmente indignada com a traição do universo.- É claro que se conhecem...Gabriel Vance soltou uma risada baixa e aveludada, ignorando o drama de Clara por um instante. Ele se virou para Charlotte e fez uma leve mesura, extremamente cortês.— Você deve ser a esposa do Logan, Charlotte. É um prazer revê-la. Meus parabéns pela pousada, está impecável.— Muito o
O sol de domingo nasceu radiante no Vale dos Cedros, banhando o jardim do palacete com uma luz dourada e acolhedora. O ar fresco da montanha trazia o aroma de flores recém-desabrochadas e do banquete que começava a ser servido ao ar livre, dando início oficial ao almoço de inauguração da Pousada. Mesas de madeira nobre estavam espalhadas pelo gramado verdejante, decoradas com arranjos delicados de lavanda e louças artesanais. O evento reunia não apenas os primeiros hóspedes encantados com a tranquilidade do lugar, mas também os funcionários que trabalharam incansavelmente na restauração e os moradores mais antigos da cidade. Charlotte circulava entre as mesas com um vestido leve de linho claro, com as bochechas coradas e um sorriso radiante no rosto. Ao seu lado, Logan caminhava com a mão pousada discretamente na curva de suas costas, exibindo aquele olhar orgulhoso e atento de quem sabia que cada detalhe daquele dia tinha o toque de sua esposa. - Olá, obrigada por vir! No centro







