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Capítulo 7 - Damiano

last update Fecha de publicación: 2026-04-07 06:15:18

O carro ronronou pela cidade noturna, luzes neon piscando nos prédios como olhos vigilantes. Chicago à noite era uma fera viva: ruas lotadas de carros, pedestres apressados, o cheiro de pizza e escapamento vazando pelas janelas. Eu pensava no jantar: o Don me receberia como herói, mas só eu sabia o preço.

Alessia Bianchi - 21 anos, formada em finanças, discreta. Uma ponte para o futuro. Não por amor, mas por equilíbrio. Caterina viria com isso, finalmente sob meu teto.

Repassei o pensamento, tentando me convencer e me familiarizar com ele.

Chegamos ao primeiro portão da enorme propriedade e após alguns minutos na estrada principal, a mansão Bianchi surgiu no horizonte da propriedade Golden Oak Retreat como uma fortaleza silenciosa e imponente, erguida contra o céu noturno de Chicago que já se tingia de um azul-escuro profundo, pontilhado pelas primeiras estrelas tímidas. O carro deslizou devagar pela rua arborizada e exclusiva, onde as casas vizinhas (todas pertenciam à membros da Oufit assim como todo o condomínio) pareciam se curvar em respeito, e o portão de ferro forjado negro se abriu automaticamente com um rangido baixo e mecânico, como se a própria estrutura soubesse que eu estava chegando.

Os faróis cortaram a penumbra do caminho de cascalho branco que serpenteava por quase duzentos metros, ladeado por carvalhos antigos cujas copas formavam um túnel vivo. As folhas sussurravam ao vento leve, e o cheiro de grama recém-cortada misturava-se ao aroma sutil de jasmim que subia dos jardins laterais. Lanternas de ferro negro, posicionadas a intervalos precisos ao longo do caminho, lançavam poças de luz âmbar no chão, iluminando roseiras vermelhas podadas com precisão militar - flores que pareciam sangrar contra o verde escuro das folhas.

No centro da fachada, uma escadaria larga de mármore branco subia até a entrada principal: portas duplas de carvalho maciço entalhado com motivos florais e heráldicos, flanqueadas por colunas jônicas que sustentavam uma varanda coberta. Acima delas, um brasão discreto - o leão rampante dos Bianchi - esculpido em pedra e dourado em relevo sutil. Guardas de terno preto patrulhavam os cantos do jardim com discrição profissional: um no portão lateral, outro perto da garagem coberta que abrigava pelo menos seis carros de luxo, cujas silhuetas escuras eu conseguia vislumbrar sob as luzes internas.

O ar ali era mais fresco que no centro da cidade, carregado de umidade do lago próximo e do perfume das flores noturnas. Desci do carro antes mesmo de Silas estacionar completamente, sentindo o cascalho ranger sob os sapatos sociais. O vento trouxe um leve cheiro de charuto cubano vindo de dentro da casa - o Don estava esperando, como sempre fazia quando queria marcar território. Aparentemente as táticas não haviam mudado com os anos.

Subi os degraus devagar, cada passo ecoando como um lembrete do peso que eu carregava. As portas se abriram antes que eu tocasse a aldrava de bronze em forma de cabeça de leão. Um mordomo de meia-idade, terno impecável e expressão neutra, inclinou a cabeça.

- Sr. Rossi, bem-vindo! O Don o aguarda na sala de jantar.

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- Sente-se e sinta-se à vontade. Logo as mulheres chegarão. - disse Domenico ao me receber. - Enquanto isso, me conte como está sendo voltar para a vida na sociedade. - Sorri forçadamente, disfarçando meu desconforto.

- Agitado, senhor. Mas como poderia ser diferente com a vida que levamos? - Domenico riu, deleitando-se com o vinho recém-servido em sua taça.

- Não poderia ter sido mais assertivo em sua resposta! Creio que logo irá se acostumar.

Levou poucos minutos para que anunciassem a chegada de Valentina, esposa do Don, e sua filha, Alessia. Dessa forma me pouparam de jogar conversa fora como se eu e meu líder fôssemos velhos amigos.

Então ela entrou: o vestido azul escuro abraçava curvas suaves, mangas de renda caindo nos ombros como véus delicados. Olhos azuis claros, cabelos castanhos em coque com mechas soltas e um rosto impecavelmente perfeito.

Ela era linda - não frágil, mas com fogo contido. Meu peito apertou: atração imediata, primitiva. "Filha do Don, mas com espinha de aço", pensei, enquanto ela se aproximava e eu tinha uma breve noção do que era dito ao nosso redor, estendendo minha mão. O beijo no dorso dela foi reverente, pele macia enviando um arrepio pelo meu corpo. "Essa mulher será minha, pelo acordo." E, pela primeira vez desde que me fora oferecido esse arranjo há onze anos, eu fiquei feliz por ter de aceitá-lo.

O jantar fluiu: brindes, conversas leves. Eu observava Alessia, aprovando sua ousadia ao responder e sua forma recatada de ser. Quando mencionaram Caterina, meu coração acelerou - suavizei os olhos, ansioso, mas contive minha vontade de perguntar sobre ela. Isso seria visto como fraqueza por Domenico. Ele preferia que ele mesmo controlasse tudo, assim poderia decidir o melhor momento de me entregar minha filha, deixando claro que tudo sempre deveria seguir sua vontade.

Então a porta explodiu, e lá estava ela. Minha filha. Não tive dúvida quando vi os olhos castanhos, quase pretos, como os meus, cabelos negros ondulados. Tropeçando, mas curiosa. A mesma rebeldia que habitava em mim aparentemente também a possuía.

Meu mundo parou e sequer notei que caminhava na direção delas, quando Alessia a segurou pelos ombros tentando acolhê-la. Os olhos da pequena garota não desviavam dos meus; seu sangue a chamava.

Ofereci a mão e falei com a voz séria, tentando ao máximo não transparecer vacilo algum nela, embora sentisse que meus joelhos poderiam ceder e eu cairia aos pés da única que havia segurado minha existência nesse mundo nos últimos anos privado da liberdade:

- Vejo que puxou a sua mãe no que se trata de curiosidade e rebeldia... Fico feliz em perceber que ela não me decepcionou. - Deixei de lado que a parte rebelde vinha do meu lado da família, já que Sofia era doce e educada. No entanto, pensei que citar meu lado incontrolável e desafiador na casa de meu líder não seria bem visto. Soaria como ameaça.

O sorriso dela veio natural, afeto puro rompendo a armadura.

Mas o Don grunhiu, irritado. Alessia se colocou na frente dela com rapidez, como uma protetora.

- Ela não fez por mal, Papà.

- Saia da frente, Alessia. - Domenico desafiava a filha com um olhar que qualquer um de meus homens teria tremido ao receber.

Ela, por outro lado, se manteve firme, protegendo minha filha atrás de si e segurando sua mão.

O tapa veio rápido: a mão pesada atingindo o rosto de Alessia. Meu punho cerrou, senti a raiva surgir fervendo em meu sangue. "Disciplina", pensei. Ninguém podia desafiar o Don, muito menos sua filha. Afinal, se uma mulher, que por todos em nosso meio é vista como fraca, desafia o chefe da Outfit, quem mais não poderia fazê-lo? Mesmo assim doía ver a injustiça.

O Don era o Boss - lealdade acima de tudo. Mas ela protegia minha filha. Isso mudava algo? Contive-me, olhos fixos, as mãos relaxando, e calculei a situação. Não podia perder o controle. "Ninguém toca no que é meu." Mas ainda precisava manter minha lealdade.

Por agora.

-

Se me permitir, Domenico... - decidi que atuar como o que eu era: o Underboss, seria a melhor saída possível disso. - O que acha das meninas se retirarem da sala e então retomarmos os negócios?

O pai de Alessia ainda a encarava com raiva fria e indiferente.

Seus olhos se voltaram para mim com desinteresse e ele então pareceu considerar minhas palavras como se as repetisse em sua mente.

- SABRINA! - gritou ele. Poucos segundos depois, uma jovem empregada apareceu e o Don concedeu sua atenção gélida a ela. - Leve Caterina até o seu quarto e a mantenha lá pelo resto da noite. Se ainda não jantou, ficará sem comer. Ninguém deve fazer companhia a ela até que eu ordene o contrário, você me entendeu? - A garota olhava para o chão e assentiu dizendo em tom quase inaudível "sim, senhor". - Qualquer problema quanto a isso custará caro a você!

A jovem pareceu tremer, mas caminhou até Caterina em passos rápidos.

Minha filha parecia estar estagnada no lugar. A empregada precisou puxá-la delicadamente duas vezes antes que seus pés respondessem e ela soltasse a mão de Alessia, que ainda se mantinha no lugar, parada e com os olhos no chão. Sua boca no canto sangrava visivelmente agora, um filete vermelho escorrendo devagar pelo queixo. Conhecendo bem ferimentos, não duvidava que sua boca estava enchendo de sangue; pela força do tapa, a bochecha já começava a inchar, a pele avermelhada e quente, latejando com cada batida do coração. O gosto metálico devia estar dominando a língua dela, e a ardência nos lábios rachados pelo impacto interno contra os dentes a fazia apertar a mandíbula de leve, tentando conter a náusea que subia pela garganta.

- Você fica! - o Don se dirigiu à sua filha e ela apenas assentiu uma vez.

Continua...

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