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Casando Por Contrato com o Milionário que me comprou
Casando Por Contrato com o Milionário que me comprou
Autor: Magia Almeida

Capítulo 01

last update Data de publicação: 2026-08-20 18:58:36

Capítulo 1: Bianca...

Minhas mãos tremem tanto que quase escondo o tecido fino do vestido que me emprestaram. O frio da luz forte do palco queima o meu rosto, e mordo o lábio com força para segurar as lágrimas... uma mistura de medo, vergonha e uma tristeza tão grande que parece me sufocar. Não poderia chorar agora, se fizesse isso, desmoronaria de vez.

Como cheguei aqui?

Eu me pergunto isso a cada segundo que passa, enquanto olho para as sombras onde estão aqueles que vieram comprar o que tenho de mais precioso.

A resposta b**e forte no peito, sempre foi assim. Desde pequena, aprendi que o meu lugar é carregar o peso que ninguém mais quer levar. Trabalho como gari desde os dezesseis anos, acordo antes do sol nascer, passo o dia inteiro sob sol e chuva, e cada centavo que recebo eu entrego inteiro para casa. Meu pai chega em casa bêbado todos os dias, gasta tudo o que conseguimos juntar em jogos e bebida, e quando não tem mais nada, b**e a porta e grita que somos nós que o atrasamos. Minha mãe só sabe passar pano para ele, às vezes culpa a todos ao seu redor e diz que é o nosso dever sustentá-lo, que é isso que família faz. E minha irmã Amanda... está no último ano do ensino médio, sonha com uma vida longe daqui, tem vergonha de onde viemos, vergonha de mim, do meu trabalho, de tudo o que somos e eu entendo. Por isso eu me esforço ainda mais, para que ela consiga realizar esses sonhos, mesmo que eu nunca tenha os meus.

E foi naquela manhã onde o pesadelo começou... o despertador tocou às quatro e meia da manhã, mas já estava acordada. Na verdade, não me lembro da última vez em que consegui dormir uma noite inteira.

Abri os olhos e fiquei encarando o teto descascado do pequeno quarto que divido com a minha irmã. O ventilador velho faz um barulho irritante e a umidade desenha manchas escuras nas paredes. É estranho como alguém pode se acostumar com tudo... até com as dificuldades.

Virei o rosto para o lado e encontrei Amanda ainda dormindo, mesmo nesse calor infernal, ela se cobre até a cabeça. Sorri com o corpo repunando. Minha irmã tem dezessete anos, está quase terminando o ensino médio, sua maturidade não aparenta a idade que tem.

Levantei devagar para não acordá-la e fui para a cozinha, minha mãe já estava de pé como sempre.

— Bom dia, filha.

Ela sorriu, um sorriso cansado que fez meu peito se apertar.

— A senhora devia estar descansando, mãe... acabou de sair de uma pneumonia.

— E perder a chance de tomar café com as minhas meninas?

Abracei-a por trás, sentindo o cheiro familiar do sabonete barato.

— Um dia eu ainda vou te dar uma cozinha enorme, mãe... Daquelas de novela!

Ela riu.

— Eu não preciso disso, filha.

— Precisa, sim.

— Não, meu amor. Eu preciso é de vocês aqui comigo, felizes e bem.

Engoli o nó na garganta, mamãe sempre diz isso, como se o amor fosse suficiente para encher a geladeira.

Enquanto preparávamos o café, ouvi o barulho da porta sendo aberta, era meu pai, o cheiro de álcool entrou antes dele.

— Antônio... — Mamãe suspirou.

Ele cambaleou até a cadeira.

— Cadê o café?

Fechei os olhos por um segundo, cinco e vinte da manhã e ele está completamente bêbado. Passa todas as noites em bares bebendo e jogando.

— Tá na mesa, pai...

— Está frio!

— Acabei de fazer.

— Então esquenta, sua incompetente!

Respirei fundo buscando paciência.

— Eu esquento, mãe... senta... — menti enchendo a xícara.

Ela lançou-me um olhar triste, aquele olhar que sempre faz para eu nunca discutir com ele. Porque, quando meu pai bebe, qualquer palavra vira guerra nessa casa.

— E o dinheiro? — perguntou de repente.

Meu coração afundou.

— Que dinheiro?

— O que você recebeu ontem.

— Paguei a conta de luz.

— Mentira! Tá escondendo dinheiro de mim?

— Não estou.

— Tá me chamando de idiota?

— Pai...

— Eu sou o homem dessa casa!

A voz dele ecoou pelas paredes, Amanda apareceu na cozinha naquele momento, vestida com o uniforme do colégio.

— De novo? — reclamou, irritada. — Não dá para ter um dia normal nessa casa?

— Amanda... — mamãe repreendeu.

— Não, mãe! Eu estou cansada! Cansada de passar vergonha! Todo mundo tem uma vida normal, menos a gente!

Meu pai bateu na mesa.

— Tá reclamando do quê? Come porque eu sustento essa casa!

Não sei se senti vontade de rir ou de chorar. Afinal, a única pessoa que realmente sustenta essa casa sou eu.

— Pai, por favor...

— Cala a boca, Bianca!

Amanda revirou os olhos.

— Se dependesse do senhor, a gente já estava morando na rua sem nada pra comer!

— Desgraçada! Cala essa boca!

— Antônio! — gritou mamãe.

— Eu odeio essa vida! — disparou Amanda. — Odeio essa favela! Odeio essa pobreza! E odeio ter que dizer para as minhas amigas que meu pai é um bêbado e que minha irmã trabalha varrendo rua!

Aquelas palavras me acertaram como uma facada, nunca tive vergonha de ser gari. Para mim trabalho é trabalho, desde que seja digno. No entanto, ver a vergonha estampada nos olhos da minha própria irmã... doeu muito.

— Amanda... — minha voz saiu baixa.

Ela percebeu o que tinha feito e desviou o olhar.

— Eu... não quis dizer...

Peguei minha marmita e a bolsa.

— Bianca... — mamãe chamou.

Forcei um sorriso.

— Está tudo bem, mãe... não posso chegar atrasada. — disfarço engolindo o choro.

Na verdade, nada estava bem e saí de casa antes que elas me vissem chorar.

O céu ainda estava escuro quando caminhava pelas vielas da comunidade. Cumprimentei dona Luzia, que abria sua barraca e sorri educadamente para seu Jorge, que lavava a calçada.

A vida segue, ela sempre segue... mesmo quando a nossa vontade é parar.

No ponto de ônibus, meu celular vibrou, um sorriso bobo brotou automaticamente. Era meu namorado, o homem com quem eu sonho construir uma família.

Atendi a chamada de vídeo.

— Bom dia, meu amor.

— Bom dia, princesa.

Seu sorriso sempre consegue deixar meu coração quentinho.

— Dormiu bem?

— Mais ou menos.

— Seu pai de novo?

Assenti.

— Um dia eu vou tirar você dessa vida, Bi...

Sorri.

— Não preciso de luxo.

— Mas merece.

— Só quero paz.

— E terá, minha princesa...

Fechei os olhos por um instante, acreditando em suas palavras... Henrique é o meu porto seguro, meu abrigo e o sonho mais bonito que já tive nessa vida. Nos conhecemos desde o tempo do colégio, da amizade nasceu o amor e sempre acreditei em cada palavra dele, num futuro juntos, na casa simples que planejávamos e nos filhos que ele dizia que teríamos.

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    Capítulo 146: Epílogo...Bianca...Se alguém tivesse me mostrado anos atrás a vida que tenho hoje, eu provavelmente teria rido ou chorado.A garota que varria ruas debaixo de sol e chuva, entregava praticamente todo o salário em casa e acreditava que sua vida seria sempre uma sucessão de problemas jamais imaginaria chegar até aqui. Não por causa do dinheiro, aprendi que riqueza nenhuma garante felicidade e finalmente descobri o que é acordar sem medo. Ter uma família, ser amada, livre e poder escolher todos os dias a vida que queria viver. Hoje além da minha irmã, marido e filhos... tenho os meus pais. Eles deixaram suas vidas no México e mudaram-se definitivamente para Londres para estarem conosco e com os netos que tanto amam.Ronan se tornou um homem ainda melhor do que aquele com quem me casei... é um excelente marido, um pai completamente apaixonado e o irmão que Noah sempre precisou. A relação dos dois se tornou uma das coisas mais bonitas de acompanhar.Noah terminou os estudos

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