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Chega de Sombras
Chega de Sombras
Autor: Maple

Capítulo 1

Autor: Maple
Ponto de vista de Mara

Meu pai ergueu a mão, indicando que a cerimônia prosseguisse. Minha mãe colocou pessoalmente o manto da Vigia da Lua sobre os ombros de Lila.

Aquele manto foi tecido para mim. Na gola, meu nome foi bordado com linha dourada: Mara Fenraven. Três dias antes, minha mãe desfez os pontos e bordou o nome de Lila no lugar.

Ela não se esqueceu de quem era o manto. Simplesmente me apagou com as próprias mãos.

Meu irmão Kael desceu do estrado e estendeu a mão para mim.

— O Selo da Lua.

Não me mexi.

O Selo da Lua era a chave usada para ativar as matrizes rúnicas. Como fui eu que as criei, também podia ativá-las diretamente ao tocar o núcleo.

Durante sete anos, fui eu quem reforçou as proteções da Torre da Lua e impediu que um único vampiro pisasse no território da alcateia.

Lila mal sabia distinguir as runas mais simples. O que faria com o Selo?

— O Selo só obedecia à maga de barreiras — eu disse, olhando para meu pai. — Lila não sabe erguer proteções.

Lila mordeu o lábio de leve e respondeu com uma voz doce como mel:

— Irmã, eu só o usaria durante a cerimônia. Depois, emprestaria o Selo de volta para você.

Ela fez uma pausa, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

— É claro que você continuaria cuidando das barreiras da fronteira.

Por pouco não ri.

— Você ficaria com o meu Selo e depois o emprestaria para mim?

Os olhos de Lila se encheram de lágrimas na mesma hora.

— Eu só cuidaria dele para você, irmã. Nunca tomaria de verdade uma coisa que era sua.

Olhei para o manto da Vigia da Lua sobre os ombros dela. Aquilo tudo era um absurdo. Lila ficou com meu título, deixou todo o trabalho nas minhas costas e ainda esperava que eu agradecesse por ela não ter tirado absolutamente tudo de mim.

Kael soltou um resmungo, avançou e arrancou o Selo da palma da minha mão.

— É só uma formalidade. Chega de enrolação. Ainda temos uma cerimônia para terminar.

Ele se virou e colocou o Selo na mão de Lila. Ela abriu um sorriso em meio às lágrimas.

— Obrigada, irmão.

Lila voltou a subir ao estrado com o Selo apertado na mão. Abaixo dela, murmúrios se espalharam pela alcateia.

— Sobrevivemos todos esses anos graças às barreiras de Lila.

— Ouvi dizer que as matrizes rúnicas consumiam a força da loba interior sem parar. Ela sofreu em silêncio esse tempo todo.

— Claro. Só uma loba branca abençoada pela Deusa da Lua merecia ser Vigia da Lua.

Fechei os punhos. A raiva ardeu no meu peito com mais força do que a decepção.

Minha mãe lançou um olhar à multidão, inclinou-se para mim e murmurou, sem desfazer o sorriso rígido:

— É o grande dia de Lila. Podia ao menos parecer mais feliz, pelo bem do nome Fenraven.

Meu pai ouviu e assentiu, como se ela dissesse algo muito sensato.

— A loba interior de Lila era frágil demais para suportar o efeito rebote. Você é irmã dela e continuará cuidando das barreiras.

Irmã. Eu era apenas trinta minutos mais velha do que Lila.

Quando eu era pequena, ela quis meu quarto, e minha mãe mandou que eu o cedesse. Aos dezesseis anos, Lila não quis correr os riscos de se tornar maga de barreiras, então meu pai ordenou que eu assumisse o lugar dela.

Disseram que me compensariam, que, no fim, tudo voltaria para mim.

E agora tiravam o único título que me restava.

Minha mãe olhava para Lila com adoração. Meu pai já sinalizava ao sacerdote para que continuasse. Ninguém perguntou se eu concordava. Presumiam que eu continuaria carregando o fardo de Lila, como havia feito durante os últimos sete anos.

Minha voz cortou o ar como uma lâmina.

— Eu não seria mais a maga de barreiras.

Um silêncio pesado caiu sobre a alcateia.

O rosto do meu pai se fechou. Sua pressão de Alfa caiu sobre mim como um peso sufocante, fazendo minha loba interior gritar para que eu me submetesse.

Cerrei os dentes e não saí do lugar.

— Sem Selo, sem título. Eu não manteria as barreiras para Lila.

— Então você tem coragem de desafiar o seu Alfa?

— Fui eu que ergui aquelas barreiras.

Ficamos frente a frente, sem que nenhum de nós cedesse. Minha mãe se colocou entre nós, e o pânico transpareceu por trás de sua compostura.

— Era o grande dia de Lila. Não precisava criar uma cena na frente da alcateia. A cerimônia tinha que terminar; conversaríamos sobre isso em casa.

O sacerdote retomou o cântico. Acima do núcleo da Torre da Lua, o nome de Lila se acendeu em chamas prateadas, letra por letra.

Naquela noite, não voltei para casa.

Não esperaria mais que aquela família me desse um lugar. Sabia que isso nunca aconteceria.

Mandei uma mensagem ao Alfa do Norte, o mesmo que havia me convidado para Northfall. Uma única frase:

"Sua alcateia aceitaria uma Ômega como Vigia da Lua?"
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