INICIAR SESIÓNEu juro que tentei trabalhar, mas Adrian fez disso uma missão impossível, deixando a porta do escritório dele escancarada e com a visão para a minha mesa sem qualquer obstáculo.
Era como se ele estivesse monitorando da forma mais invasiva e descarada possível e, toda vez que nossos olhares se cruzavam, eu sentia um arrepio estranho, como se o ar ao redor mudasse de temperatura, como se o tempo desse uma pequena pausa, mas então, eu piscava, e tudo voltava ao normal. Você está imaginando coisas. – repeti mentalmente. – É só o estresse e ninguém está acostumado a te ver tão arrumada. Até que aconteceu: Eu estava digitando um e-mail quando acabei esbarrando em uma caneta, olhei para o lado e ela estava rolando para a beirada da minha mesa e indo direto pro chão, mas, antes que ela de fato caísse, simplesmente parou no ar, foi apenas um instante, mas ela ficou suspensa, como se alguém a tivesse segurado sem tocar, até que caiu e eu dei um sobressalto com o som dela contra o piso. — Você viu isso? — perguntei para a estagiária que passava. — Ver o quê? — ela retrucou, distraída com alguns papéis. Eu balancei a cabeça. — Nada. Até que olhei para Adrian e ele estava me observando com uma sobrancelha arqueada, pensei em perguntar se ele viu algo, mas julgando pela posição em que estava, ele devia estar mesmo era analisando meu decote. Decidi ignorar a situação, peguei a caneta como se fosse um objeto não identificado e a coloquei no porta caneta. Às dez e meia, meu celular vibrou, era um número desconhecido atendi sem pensar. — Esther? — era uma voz que eu não esperava escutar hoje. — Aqui é a Márcia… mãe do Eduardo. Meu estômago revirou. — Oi, dona Márcia. — fingi simpatia. — Querida, eu fiquei sabendo do que aconteceu entre você e Eduardo, ele me contou e está arrasado. Eu fechei os olhos, lutando contra a vontade de xingar ela, filho, paraguaio, periquito e quem mais quisesse tratar esse traste como coitado, pois claro que está arrasado, já que foi pego no flagra. — Ele errou — ela continuou — mas você sabe como ele é. Impulsivo, carente… — Infiel — a cortei. Silêncio. — Esther, ele te ama. Ele está tão arrependido, querida. Ele disse que você foi muito dura com ele. — gostava da Dona Márcia, ela nunca foi uma sogra ruim, mas defender filho traste é demais para mim. Eu ri, sem um pingo de humor. — Dura? — repeti. — Dona Márcia, eu encontrei seu filho com outra mulher na minha cama. — Eu sei, querida, mas, você sabe como é, homens são assim mesmo. — aquilo fez meu sangue ferver. — Não. Homens não são assim, seu filho é assim porque você defende e passa a mão na cabeça dele como se fosse bonito trair a esposa. — vociferei. Ela suspirou, como fazia sempre que não conseguia convencer alguém a concordar com ela. — Só pense com carinho. Ele está sofrendo. — pede e a insistência me faz perder toda a paciência. — Dona Márcia, desista, não tem volta. — Esther… — Eu preciso trabalhar. Tenha um bom dia. Desliguei antes que ela pudesse continuar e eu acabasse dando um show dentro do escritório e fiquei ali, respirando fundo, olhando para o celular e resistindo a tentação de quebrar ele todinho. — Quem era? — Adrian perguntou, surgindo ao meu lado como um fantasma, me dando um susto em que quase derrubei o bendito celular. — Senhor! Nossa, — pigarreio. — bom, era a mãe do meu ex-marido. — Ah — ele disse, com um tom que parecia conter mil opiniões não ditas. — E ela queria o quê? — ele sempre foi intrometido, mas não tanto e algo parecia sempre me impelir a responder. — Que eu tivesse pena do bebê dela. Adrian fez um som baixo, parecido com um rosnado, um som que nunca esperei ouvir de um humano. — Você não deve nada a ele — disse, firme. — Sabe disso, não sabe? Trabalha aqui há quase tanto tempo quanto está casada e te vi dar seu sangue e suor aqui, e sempre respeitou muito o relacionamento de vocês, até demais. Aquilo fez minha mente dar um nó. Porque ele estava falando de fidelidade se eu não contei sobre a traição? Será que ouviu a ligação? — Eu sei. — respondo, por fim. Ele inclinou a cabeça, me observando com aquele olhar que parecia atravessar minha alma. — Se algum deles ligar de novo, me avise. — Por quê? — estreito os olhos. — Porque eu quero saber, ora — ele respondeu, dando de ombros. — Só isso. Mas não era só isso, eu tinha plena certeza que não era. E antes que eu pudesse perguntar, ele voltou para o sua sala, dessa vez, deixando a porta encostada. Às onze e meia, meu celular vibrou de novo, dessa vez, era a Lívia, atendi já esperando que algo bem fora da curva viria de qualquer contato da minha irmãzinha. — Esther! — ela disse, sem respirar. — Eu tive uma ideia maravilhosa! — Ai, Deus... — suspiro e dou uma risadinha. — Eu quero trabalhar na Blackstone Corp. Eu fechei os olhos. — Lívia… — O quê? Eu sou ótima! Eu sou comunicativa, inteligente, bonita, simpática… — Indisciplinada, impulsiva, dramática… — Criativa! — ela corrigiu. — E eu quero uma chance. Suspirei. — Lívia, a Blackstone não é uma empresa qualquer. Eles são extremamente seletivos. É uma multinacional farmacêutica, você sabe disso. — Sei! Por isso é perfeita para o meu estágio! — ela respondeu, animada. — Eu faço farmácia, eles fazem remédios, é o lugar perfeito. Eu massageei a testa. — Eles desenvolvem medicamentos de alta complexidade. Pesquisas avançadas e tratamentos inovadores na área da saúde. É uma empresa séria, rígida, cheia de protocolos. Não é um lugar para… bom... impulsos. — Você tá dizendo que eu sou impulsiva? — Estou dizendo que você tem certa tendência a tomar decisões sem pesar totalmente os prós e contras. Ela riu. — Mas eu posso aprender! Me indica, Esther. Só isso. Eu faço o resto! Eu respirei fundo. — Levando em conta como você me deixou linda hoje, eu vou pensar, o.k.? — Isso é um sim disfarçado — ela cantou. — Te amo, maninha! Aliás, e seu chefe gostosão, hein? O que achou? — sinto o rosto ferver de vergonha. — Tchau, Lívia! — e desligo o telefone ouvindo seus protestos. Eu fiquei olhando para o celular, pensando em como eu, a mulher que tinha tudo sobre controle, de repente, estava com a vida essa tremenda confusão, eu me sentia no centro de um furacão. Finalmente o relógio marcou 17 horas e eu estava livre do escrutínio de todos. Peguei a agenda de Adrian devidamente organizada para o dia seguinte e me encaminhei para sua sala, quando entrei e o encarei, Adrian levantou os olhos dos contratos que estava lendo e os cravou em mim. E uma sensação me invadiu, era como se ele me tocasse, mesmo a distância, como se, diante dele, eu estivesse frágil, suscetível, completamente exposta. E então, por um segundo — só um segundo — os olhos dele brilharam em um tom vermelho de uma forma sobrenatural. Pisquei e o brilho sumiu, mas eu sabia o que tinha visto, já não era a primeira vez. Alguma coisa nesse homem está longe de ser normal e, pela primeira vez, eu não sabia se isso me assustava ou me atraía.Quando acordei no dia seguinte, corri para o banheiro, louca por um banho. Sinceramente, dormir no sofá depois de uma foda não era algo que estivesse nos meus planos, mesmo estando nos braços daquele que eu amo. É estranho pensar em amar alguém de novo, mas é realmente impossível não amar o Adrian. Eu consegui a peripécia de amar por mais de sete anos alguém que me tratava como uma qualquer, um burro de carga, como poderia não amar alguém que me trata como se eu fosse uma das estrelas mais brilhantes do céu, como se eu fosse realmente especial? Nem mesmo consigo evitar sorrir debaixo do chuveiro pensando nisso.Quando termino meu banho, já passou das seis e vinte da manhã e Adrian ainda se enrola como um gatinho nas cobertas no sofá.— Ei, Adrian, acorda, temos que ir trabalhar. — o sacudo, ainda de toalha, agachada na altura de seu rosto.— Nunca achei que fosse precisar que me despertassem para trabalhar depois de mais de vinte anos a frente dessa empresa. — ele reclama, abrindo os
POV EstherAlmoços na casa onde eu cresci sempre foram barulhentos desde que minha irmã nasceu, e como ela ainda está aqui, isso não mudou. Mesmo assim, com tanta conversa e risadas, minha mente não conseguiu mais desfocar, Adrian certamente estava escondendo alguma coisa. Será que nos descobriram? — me questiono, mentalmente. — Vamos ter que fugir? Minha família também está em perigo?Olho em volta, minha mãe, Lívia e Miguel riem da cara de pau dela ao falar com meu chefe, eu não consigo acompanha-los, mas meu coração dói com o desejo de guardar esse momento comigo para sempre, de congelar o tempo nessa simplicidade, com uma alegria tão crua e pura, com todos bem e seguros, e então, algo acontece, tudo para. Olho para Miguel, Lívia, ambos parecem congelados, minha mãe também, mas, diferente deles, seus olhos se movem, e isso me assusta mais que a situação toda em si, e dou um pulo para trás com um grito sufocado e tudo volta ao normal, todos estão se movendo de novo e Dona Antônia n
POV AdrianQuando cheguei à mansão Blackstone, Caíque me aguardava na porta, com seus 1,90 de altura, o rapaz loiro e parrudo pareceria muito mais imponente, não fosse seu rosto gentil. Ele sorri para mim e faz sinal para que o siga.— Pegamos um espião do Clã MacLeod, de Fia. — puxo o ar com força, já estava preocupado com nossa situação, agora, mais do que nunca.— Quem o está interrogando? — pergunto. — Marcus, é claro! — ele dá de ombros e sorrio, pensando que o espião vai dizer até com quantos anos saiu das fraldas. Noto que ele não espelha minha reação, parece extremamente tenso.— Você está bem, Caíque? — ele para e se vira para mim, estamos há poucos passos da sala de interrogatório, então, ele sussurra, falando tão baixo que há poucos metros talvez nem eu o escutaria:— Temo que ele já saiba sobre nossa atual situação, e, se isso chegar até Fia, o que pode acontecer? — esse medo também brinca no fundo de minha mente, mas faço meu melhor para contê-lo e sorrio para Caíque. —
— Mãe! Mãe! — chamo repetidamente, dando leves tapinhas em seu rosto e a abanando com uma de suas revistas de receitas, tentando acordá-la. Aos poucos, ela parece voltar a consciência. — Ai, graças à Deus! — respiro aliviada. — Mãe, fica sentada, respira. — continuo a abandando, enquanto ela parece recobrar a consciência.— Filha, olha a carne para mim, se não, vai queimar. — me levanto e mexo a carne que ainda tem bastante caldo e está longe de secar. Me certifico de que nada está grudando no fundo, abaixo o fogo e volto a me sentar perto de minha mãe e a abaná-la.— Fica tranquila, mãe, ainda precisa cozinhar um pouco. — ela acena positivamente, puxa o ar com força e pega a revista da minha mão, colocando ela sobre a mesa. — Agora, explique-se muito bem, que história é essa de namorar um vampiro? Está maluca? — eu pensei em negar, mas, na verdade, a pergunta nem me ofendeu, acho que estou realmente louca, aconteceu tanta coisa em poucos dias que ainda nem processei tudo como devia.
Quando termino de me arrumar, pego o celular para chamar um carro, mas vejo que tem uma mensagem de Adrian avisando que mandou alguém deixar meu carro e ele está do lado de fora do prédio. — Ué... — solto e pego a bolsa do dia anterior, só para confirmar que a chave do meu carro está lá, e me pergunto como levaram meu carro sem ela, mas não perco tempo quebrando a cabeça com o que vampiros ricos conseguem ou não fazer, tenho a sensação de que a lista seria quase infinita. Pego as chaves, o celular e meus documentos e coloco numa bolsinha preta, que coloco transpassada sobre o longo blusão cinza que vesti para cobrir minha calça legging preta. Calço meus sapatênis que não uso há quase um ano e faço um rabo de cavalo e dou uma última olhada no espelho. Meu reflexo me agrada de uma forma inesperada, afinal, nada havia mudado em mim aparentemente, mesmos olhos castanhos, pele pálida com algumas sardinhas, cabelos volumosos, tudo como sempre foi, mas havia um certo brilho em mim, algo
— Vai embora, Eduardo! — grito, tentando manter a voz firme, mas falho. — Por quê? Está esperando seu patrãozinho? — ele está ofegante e quase sibila as palavras, mas eu não respondo, impressionada por ele saber. — O que é? O gato comeu sua língua? Achou que eu não soubesse, né? — ele solta uma risada amarga. — Eu segui você, vi vocês no restaurante, sei que dormiu na casa dele, que me largou só para poder se esfregar nele que nem uma vagabunda! — aquilo me faz ferver de ódio. Solto a porta de uma vez, fazendo ele cair com tudo dentro do apartamento. Não perco tempo e vou para cima dele, o esbofeteando.— Vagabunda é a tua mãe, seu canalha! — ele tenta me empurrar, mas agarro seu pescoço e aperto com força. — Você se deita com outra na nossa cama, na casa que eu tanto ralei para pagar, e a vagabunda sou eu? Seu infeliz, eu vou te matar! Ele se debate sobre meu corpo, tentando me empurrar para soltá-lo, mas é como se eu estivesse possuída, um momento atrás eu estava com medo de morre







