MasukAlguns anos depois...— Kael, Kaine, Lyra! Eu já disse para não brincarem perto do lago! — Yaren chamou, colocando as mãos na cintura ao ver as três pequenas crias correndo.Os filhotes pareciam não ter ouvido. Kael, o mais velho dos meninos, corria à frente dos irmãos, enquanto Kaine tentava alcançá-lo. Lyra, com seus cabelos prateados esvoaçando atrás dela, seguia os dois, rindo como se aquela fosse a brincadeira mais divertida do mundo.Yaren suspirou. Aos cinco anos, os três tinham energia suficiente para deixar qualquer um exausto. Mesmo com as advertências, bastava desviar os olhos por alguns instantes para que encontrassem alguma nova travessura.Antes que pudesse chamar novamente, dois braços fortes envolveram sua cintura por trás.— Finalmente em casa — murmurou Kallian junto ao seu ouvido.Yaren sorriu e se virou dentro do abraço, erguendo o rosto para beijá-lo. Mesmo depois de tantos anos, o Alfa ainda conseguia fazê-la esquecer por alguns instantes tudo o que estava fazend
Kallian caminhava de um lado para o outro no corredor, passando repetidamente a mão pelos cabelos enquanto tentava controlar a ansiedade. Desde que Yaren fora levada para o quarto, não conseguia permanecer quieto por mais de alguns segundos. A cada grito que ouvia vindo do interior, dava um passo em direção à porta, pronto para entrar, mas Rafayel e Cassian sempre se colocavam em seu caminho, lembrando-o de que não poderia ajudar a companheira daquela maneira.— Precisa se acalmar, a anciã e a Senhora Selene estão cuidando dela — aconselhou Rafayel, embora também demonstrasse preocupação.— Como quer que eu me acalme se minha companheira está lá dentro sofrendo e eu não posso fazer nada como um maldito inútil?! — retrucou Kallian, lançando-lhe um olhar impaciente. — Se eu ouvir mais um grito, vou entrar naquele quarto!Cassian soltou uma risada curta, tentando aliviar a tensão.— Você enfrentou criaturas monstruosas sem hesitar, mas está prestes a perder a cabeça porque não pode entr
Yaren encarou Kallian por alguns instantes, observando a preocupação que ele tentava esconder atrás de sua expressão séria. Ela conhecia aquele homem o suficiente para perceber que, apesar de lhe oferecer a liberdade de escolher, ele temia que sua decisão os afastasse. Ela sorriu, ergueu o rosto e deu mais um beijo nos lábios dele, antes de acariciar sua bochecha.— Não importa onde eu esteja. Desde que você esteja lá comigo, aquele lugar será o meu lar.Os olhos dourados dele se iluminaram, e seu coração acelerou diante daquelas palavras. Kallian segurou a cintura dela, aproximando-a ainda mais.— Aqui, encontrei minhas origens, conheci a história do meu povo e finalmente compreendi de onde venho. Não quero perder isso, mas também sei o quanto Silverfangs significa para você. Você reconstruiu aquela alcateia praticamente sozinho, honrando o legado dos seus pais. E quero que nossos filhos cresçam conhecendo essa história, que tenham orgulho do pai e deem continuidade ao que você con
Yaren caminhava com passos apressados em direção ao santuário de recuperação, com os olhos marejados e o coração batendo descontroladamente. As palavras do jovem lobisomem continuavam ecoando em sua mente durante todo o caminho.Quando finalmente chegou à entrada, parou abruptamente.Seus olhos foram até ao altar de pedra onde passava horas, e então viu:Kallian sentado sobre o altar, cercado por curandeiros que examinavam seu corpo e verificavam suas condições.Os olhares dos dois se encontraram, e ambos ficaram imóveis por alguns segundos. Kallian a encarou com os olhos dourados arregalados, enquanto Yaren levava uma mão à boca, tentando conter o choro. Era realmente ele. O homem que ela visitara todos os dias, com quem conversara mesmo sem receber respostas e a quem implorara tantas vezes que despertasse finalmente estava ali, consciente, olhando diretamente para ela. Suas pernas fraquejaram, e Cassian, que chegara logo atrás, precisou segurá-la pelo braço para impedir que caí
Meses depois....Selene entrou silenciosamente no quarto e se aproximou da cama, onde Yaren ainda dormia profundamente. Com cuidado, tocou-lhe o ombro e chamou seu nome algumas vezes, até que a jovem se remexeu sob as cobertas e abriu os olhos lentamente.— Bom dia — Saudou a mais velha, sorrindo.— Bom dia, mãe — Yaren respondeu.— Vamos, se levante e vá se arrumar, estão esperando você para iniciar a cerimônia — avisou Selene, afastando uma mecha dos cabelos prateados que caíra sobre o rosto da filha.Yaren se sentou, ainda sonolenta, e olhou ao redor, demorando alguns segundos para despertar por completo. O quarto tinha uma atmosfera acolhedora e rústica, com paredes de pedra bruta, vigas de madeira grossa no teto e móveis cuidadosamente entalhados. A luz da manhã entrava pela grande janela, iluminando o ambiente e revelando a paisagem verdejante do lado de fora, enquanto o canto dos pássaros se misturava ao som suave da água corrente. O aroma de madeira e velas aromáticas tornava
A criatura começou a se aproximar lentamente, sem demonstrar qualquer pressa. Yaren tentou rosnar, mas o som que saiu de sua garganta foi fraco, quase inaudível. A besta parou diante dela e inclinou a cabeça, observando o símbolo que ainda brilhava fracamente em sua testa. Então, começou a se transformar. Sua pelagem desapareceu, os ossos se rearranjaram e, em poucos instantes, o homem de cabelos negros com mechas brancas estava novamente diante dela. Ele se agachou, estendendo uma das mãos para agarrá-la pelo pescoço.— Finalmente encontrei você, Elaris — murmurou, com um sorriso frio. — Depois de tantos anos, sua linhagem terminará de uma vez por todas.Antes que seus dedos alcançassem o pelo branco, uma flecha atravessou seu peito.O homem parou abruptamente. Seus olhos se arregalaram ao olhar para a haste que se projetava de seu corpo, e ele a segurou, arrancando-a com um movimento brusco. Sangue escuro escorreu pelo ferimento e manchou seu peito, mas, em vez de cair, ele se vir







