LOGINDescobri da pior maneira que o homem que amava já tinha uma esposa e uma filha. Naquele dia, matei quem fui durante três anos e resolvi voltar para casa. Voltei para minha família e para minha antiga vida. Só que eu não fazia ideia de que, ao retornar, estaria entrando em uma guerra envolvendo seres sobrenaturais, segredos antigos e um ser que jamais aceitaria ouvir um não como resposta. Roman Bellucci. O Rei Alfa Supremo. Magnata, bilionário, poderoso e dominador. Ele quer as terras da minha família e está disposto a pagar uma fortuna por elas. Mas eu, Helena Voss, disse não a ele. Foi assim que nossa guerra começou. Ele quer as terras. Eu me recuso a entregá-las. Ele quer descobrir meus segredos. Eu não pretendo revelar nenhum. E, quando pensei que não poderia existir nada pior do que ter aquele lobo arrogante em meu caminho, descobri a verdade que nenhum de nós queria ouvir: estamos ligados pelo maldito destino. Ele não quer uma humana ao seu lado. Eu não quero um lobo na minha vida. Ele não aceita perder o controle. Eu não aceito ser controlada. E quanto mais tentamos lutar contra o vínculo que nos une, mais impossível se torna ignorar a atração que existe entre nós. Ele queria minhas terras. Agora, parece querer a mim. O problema é que eu não pertenço a ninguém. Não cometerei o mesmo erro duas vezes. Um Rei Alfa que não aceita perder. Uma mulher que não aceita ser dominada. Dois seres que preferem se enfrentar a admitir o que sentem. Uma guerra em que desejo, orgulho e segredos podem ser mais perigosos do que qualquer inimigo. Porque, quando o destino une duas pessoas que não querem ficar juntas, resistir pode ser muito mais perigoso do que se render.
View MoreSOFIA MATTOS.
Nova York.
A época da declaração de imposto de renda era sempre um caos. Meus clientes continuavam aparecendo em cima do prazo, como se eu tivesse poderes sobrenaturais para fazer milagres durante a madrugada.
Suspirei. Eu adorava meu trabalho. Só não gostava de precisar ensinar adultos a cumprirem prazos. Eu estava exausta; acabei de fazer um atendimento domiciliar a um cliente do meu escritório de contabilidade.
Parei no sinal vermelho e fiquei olhando; foi então que vi um casal atravessando a rua. Passei os olhos por eles sem interesse. Até reconhecer o homem.
Meu coração disparou.
Pisquei algumas vezes. Não podia ser. Era Caio, meu noivo? Ele caminhava de mãos dadas com uma mulher e carregava um bebê nos braços.
Meu sangue gelou. O sinal abriu e os carros atrás de mim começaram a buzinar, mas não consegui me mexer imediatamente. Em seguida, acelerei por reflexo e estacionei alguns metros adiante.
Fiquei olhando pelo retrovisor. Talvez eu estivesse enganada e fosse apenas alguém muito parecido. Meu noivo estava em casa doente; eu o visitei hoje pela manhã. Pensei.
Mas alguma coisa dentro de mim dizia que não; mas eu não podia ficar na dúvida. Saí do carro. Segui os três à distância. Eles pararam diante de uma casa bonita. Uma senhora apareceu na porta, seu rosto se iluminou e ela o chamou.
— Caio!
Quando consegui ver seu rosto, meu coração pareceu parar. A mulher que estava com Caio sorriu e falou, fazendo-me ficar paralisada.
— Mãe, a senhora sabe que meu marido trabalha demais.
Meu marido. Aquelas palavras atravessaram meu peito. A senhora olhou para Caio.
— Mas a filha de vocês ainda é recém-nascida. Você precisa ficar mais tempo com sua família.
Minha visão ficou embaçada e fiquei zonza.
— Dessa vez vou ficar, sogra — ele prometeu. — Só preciso partir daqui a três dias.
Meu corpo inteiro tremia. Peguei o celular. Precisava ver até onde iria sua falsidade. Liguei. O telefone tocou. Vi quando Caio olhou para a tela e a sua esposa perguntou:
— Quem é?
Ele respondeu sem hesitar:
— Um cliente.
Senti o estômago embrulhar. Em seguida, elas entraram e Caio esperou a porta fechar antes de atender.
— Sofia, meu amor. Como você está?
Fechei os olhos. Como fui tão trouxa?
— Oi, amor. — respondi.
Minha voz saiu baixa; eu tentava controlar minha dor.
— Liguei para saber como você está, se melhorou.
— Estou bem. Sua voz está estranha. Aconteceu alguma coisa?
Quase gritei. Mas queria saber até onde aquela mentira chegava.
— Estou cansada. Foi um dia longo.
— Você trabalha demais. Precisa descansar.
Cerrei os dentes.
— Vou descansar amanhã.
Respondi, respirando fundo.
— Quero te ver hoje. Vou passar no seu apartamento.
Houve uma pausa.
— Eu não vou estar em casa.
Meu peito se apertou.
— Onde você está?
— Na casa do Antônio.
Olhei para a casa à minha frente. Mentiroso.
— Antônio?
— É. Ele está precisando da minha ajuda. Vou ficar aqui por três dias.
Fechei os olhos. Ele estava mentindo enquanto olhava para a casa onde sua esposa e sua filha estavam.
— Está bem, amor.
Minha voz quase falhou.
— Mas se cuida — falei, controlando minha dor.
— Pode deixar.
— Preciso voltar ao trabalho. Me liga depois.
— Ligo, sim. Te amo.
Não respondi e desliguei. Fiquei alguns segundos parada, olhando para o telefone. Depois, para a casa. Caio entrou sorrindo. Como se não tivesse acabado de destruir minha vida. Como se não tivesse acabado de mentir para a mulher que dizia amar.
Não lembro exatamente como voltei para o carro, nem como cheguei em casa. Quando caí no sofá, chorei até não conseguir mais respirar direito.
Eu havia dado tudo àquele homem: meu tempo, meu amor e minha confiança. E, durante três anos, acreditei que estava construindo uma família. Enquanto eu sonhava com a nossa casa e família, Caio já tinha uma esposa, uma filha e outra vida. Fiquei ali até não ter mais lágrimas para derramar. Minha cabeça doía, sentia que meus olhos estavam inchados. Três anos ao lado daquele homem e era tudo mentira.
Meu celular vibrou na bolsa; peguei-o. Era Caio. Abri a mensagem. Fiquei olhando para aquelas palavras por alguns segundos.
“Boa noite, meu amor. Estou com saudade.”
Meu estômago se revirou. Como ele conseguia ser tão dissimulado? Como pode mentir sem hesitar?
Apertei o celular entre os dedos e depois o joguei sobre a mesa.
— Seu infeliz… Você vai me pagar por essa traição. Vou colocar fim nessa merda toda.
Levantei-me devagar. Fui até o quarto e fiquei parada diante da cômoda por alguns segundos. Havia uma gaveta que eu não abria havia três anos. Abri e peguei o celular preto que estava ali, liguei e fiz a ligação. A chamada foi atendida rapidamente.
— Ora, ora… se não é a minha amiga ingrata.
Fazia três anos que eu não ouvia aquela voz.
— Você desapareceu por três anos e agora me liga? Quem morreu?
Engoli em seco.
— Infelizmente, ninguém.
Houve silêncio. Então ela riu.
— Então, por que está me ligando?
Olhei para o vazio. Minha voz saiu fria.
— Preciso da sua ajuda.
— Com o quê?
Apertei o celular.
— Quero que investigue meu noivo.
Do outro lado da linha, o silêncio durou alguns segundos. Então, a voz de Nina mudou.
— O que aconteceu, Helena?
Fazia três anos que ninguém me chamava pelo meu verdadeiro nome. Fechei os olhos.
— Descobri que Caio está me traindo. Quero saber tudo que ele esconde.
— Aquele merda te traiu?
— Sim.
— Eu vou matar esse desgraçado.
— Nada de matar.
— Ele te trai e você ainda quer poupá-lo?
— Nina, faça o que pedi.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos.
— Está bem. Amanhã você terá tudo sobre Caio Mello.
— Obrigada.
Desliguei e fiquei olhando para o celular. Três anos desde que abandonei minha antiga vida por amor.
Eu, Helena Voss, havia deixado minha família, meu trabalho e tudo o que conhecia para construir uma vida normal ao lado de Caio.
E ele havia mentido para mim durante todo esse tempo. Soltei uma risada amarga.
Eu havia sido treinada durante anos para enxergar perigos onde outras pessoas não viam nada. Minha antiga vida me ensinou a desconfiar, observar e perceber detalhes.
Mas nenhuma dessas habilidades serviu para perceber que o homem que dormia ao meu lado escondia outra família.
Que ironia.
No dia seguinte, fui acordada pela campainha tocando incessantemente. Quando abri, era Nina, que estava à minha porta. Fiquei surpresa, pois não esperava que ela viesse até mim. Ela me abraçou forte. Eu sentia tanto a falta da minha amiga.
Perguntei o que ela fazia ali; ela disse que estava por perto em missão para meu pai. Senti meu coração se apertar quando ouvi o nome do meu pai e fiquei emocionada. Quis saber dos meus pais.
— Como estão meus pais?
O sorriso dela desapareceu.
— Estão bem. E esperando você voltar.
Senti um aperto no peito.
— Você contou sobre Caio?
Nina me lançou um olhar sério.
— Lena, você sabe que nada escapa ao seu pai. Ele é uma raposa velha e astuta.
Baixei os olhos. Eu não queria que meus pais soubessem. Não daquele jeito. Meus pais sempre disseram que Caio não merecia o meu sacrifício. Eu deveria ter escutado.
— Então ele já sabe?
— Sim. Ele sabe de tudo.
Senti-me envergonhada.
— E o que ele disse?
— Que você pode voltar quando quiser.
Uma lágrima escapou. Limpei rapidamente, controlando-me para não começar a chorar. Mesmo após três anos longe, meus pais ainda me recebiam de braços abertos. Senti um nó na garganta. Antes que eu desabasse, mudei de assunto. A convidei para tomar café.
Pouco depois, Nina colocou uma pasta sobre a mesa.
— Fiz exatamente o que você pediu.
Parei de mexer o café.
— E o que descobriu?
— Seu ex-noivo já é casado há três anos. E ele nunca esteve doente. E sustenta a esposa, a filha e a sogra com o dinheiro que você dá a ele.
Minha mão apertou a borda da mesa; como pude ser burra. Nina respirou fundo.
— Eu também quebrei o sigilo telefônico dele.
Ela me encarou. Nina iniciou a gravação. Ouvir tudo o que ele falava com o amigo sobre mim só me destruiu mais.
Fechei os olhos. Eu pensei que havia encontrado um homem para amar. Mas ele pensava que havia encontrado alguém para sustentá-lo.
— Lena, sinto muito, mas você é a amante nessa história.
Algo dentro de mim quebrou. Nunca fui tão humilhada assim.
Como fui tão burra? Eu cuidava dele. Pagava as despesas, o tratamento, a casa. Dei dinheiro para abrir a empresa. Ajudei a família inteira. E aquele desgraçado fez de mim uma idiota e um caixa eletrônico por três anos?
Parei. Nina permaneceu em silêncio. Respirei fundo. Ela contou que a família dele sabia de tudo. Fiquei arrasada com aquela traição. Eu os vi como minha família e os ajudei financeiramente e em tudo que pude.
— O que você pretende fazer? — Nina perguntou.
Eu queria gritar, quebrar alguma coisa. Eu me sentia humilhada, usada, decepcionada, enganada e ferida. Amei aquele merda e sua família, de verdade, e ser feita de otária por eles destruiu meu coração.
Mas eu não poderia deixar isso assim. Mesmo sofrendo, eu me recusava a deixar esses filhos da puta saírem ilesos dessa história. Fechei a pasta e respirei fundo.
— Caio e sua família vão me pagar por essa traição.
Nina segurou minha mão.
— Esses merdas não te merecem. Está na hora de arrancar esse câncer da sua vida.
Abri os olhos e respirei fundo. Ela tinha razão.
— Você está certa. Vou acabar com tudo e voltar para casa.
HELENA VOSS.Continuei encarando Roman Bellucci.Ele estava furioso.Era fácil perceber, apesar de estar fazendo um esforço enorme para não demonstrar.Seu maxilar estava travado e seu olhar havia ficado ainda mais frio. Ele me observava com aquela expressão de superioridade, de quem está acostumado a olhar para as pessoas de cima.Eu odiava aquele jeito dos lobos.Eles sempre achavam que humanos eram inúteis e fracos.Provavelmente, Roman Bellucci estava acostumado a conseguir tudo o que queria apenas por ser poderoso, rico e arrogante. Mas, comigo, não seria assim. Se ele acreditava que, por ser sua companheira, eu seria fácil de manipular, está muito enganado.Para mim, dizer não na cara dele estava sendo muito prazeroso. Continuei encarando-o por alguns segundos, sem a menor intenção de desviar os olhos. Foi quando Vinícius chamou minha atenção.— Senhorita Voss.Olhei para ele.— Não gostaria de reconsiderar? Podemos aumentar o valor.Balancei a cabeça.— Senhor Ferretti, não es
HELENA VOSS.Cheguei ao andar da presidência, onde ficava o escritório de Roman Bellucci.Assim que saí do elevador, fui recebida pela secretária; — Senhorita Voss? — perguntou, olhando-me de cima a baixo.— Sim.Ela fez cara de nojo e continuou me analisando, como se fosse uma ofensa eu estar ali. Revirei mentalmente os olhos. Sei que não estou apresentável, mas não vou me deixar ser menosprezada.Ela levantou-se e foi em direção à sala da presidência.Alguns minutos depois, ela voltou. A expressão dela continuava fechada. Ela parou diante de mim e apontou para a porta.— Pode entrar.Caminhei até a porta e entrei. Havia dois homens na sala. Um deles estava sentado atrás de uma grande mesa. O outro estava à frente dela. Quando ele me olhou, meus olhos se arregalaram e falamos juntos.— Você.O ar faltou nos meus pulmões. Não podia ser ele. Droga, por que estou tão azarada? Roman Bellucci, o magnata que quer as terras dos Voss, é um lobo alfa e meu companheiro. Fodeu!Ele me olhava c
ROMAN BELLUCCI.Cidade de Luxemburgo.Após uma semana, Vinícius conseguiu o número da filha dos Voss e conseguimos marcar uma reunião com ela.A chuva caía forte sobre Luxemburgo, e a cidade estava uma loucura.Eu estava chegando à empresa. Saí do carro e entrei sem dar muita atenção ao movimento ao redor. Estava acostumado com olhares, funcionários se afastando do meu caminho e pessoas tentando chamar minha atenção.Não tinha tempo para aquilo. Eu precisava subir para o meu escritório. Entrei no meu elevador privado e apertei o botão do andar da presidência. As portas estavam quase se fechando quando ouvi passos apressados.Olhei para a porta e vi uma fêmea correndo. Ela conseguiu entrar no último segundo. Estava toda molhada e ofegante, tentando recuperar o fôlego.Franzi a testa. Ninguém entrava naquele elevador, além de mim e Vinícius. Como essa humana ousa entrar no meu elevador privado?A olhei dos pés à cabeça. Ela passou a mão na roupa, tentando melhorar seu estado deplorável.
HELENA VOSS.Dois dias haviam se passado e eu já havia resolvido tudo para minha partida; agora só faltava cuidar daqueles traidores. Amanhã, Caio voltaria da casa da esposa para continuar me enganando. Era isso que ele pensava, mas ele teria uma surpresa. Eu já tinha chorado demais e sofrido bastante nesses últimos dias. Agora era hora de acabar com tudo.Aquele filho da puta me enganou e me fez de trouxa. Eu não iria deixá-lo sair ileso, jamais.Resolvi que iria terminar tudo por telefone. Eu sentia nojo dele e não queria olhar na sua cara. Sei que, se o visse na minha frente, eu acabaria com ele. E também, Caio não teve um pingo de consideração por mim, então não devo ter com ele.Eu fecharei todas as portas que abri para ele e sua família. A conta conjunta que fiz para nós já fechei e transferi o dinheiro. Tudo o que estava em meu nome e que eles utilizavam, já encerrei. Quero vê-los se virarem sem mim.Eu vou bloquear os números deles depois da mensagem. Não quero mais contato. M


















Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.