FAZER LOGINLúcia Mendes
Ele levantou os olhos do celular e me encarou. Por um segundo, esqueci como respirar.
Eu não sabia o que dizer. Tantas palavras engasgadas, tantas emoções contraditórias. Acabei me enrolando num silêncio torto até que só uma palavra conseguiu escapar.
"Obrigada."
Ele franz
Lúcia Donovan5 anos depoisO quintal da mansão de Olivia e Enzo em Nova York cheirava a carvão e carne na grelha, o som das risadas das crianças misturando-se ao tilintar de copos e à música suave que ecoava dos alto-falantes. Era o aniversário de 4 anos dos gêmeos, Anthony e Clarissa, e a alegria reinava no ar quente de verão. Cinco anos haviam passado desde o pesadelo com Yolanda, Valério, Eduardo e Célia, mas ali, vendo Eliza, agora com 9 anos, guiar os menores numa brincadeira de pega-pega, senti que a vida havia nos dado uma segunda chance. Samuel, com 5 anos, corria atrás da irmã, apaixonado por ela, enquanto Jack, 7 anos, ria com os amigos, chutando uma bola. Anthony e Clarissa, com seus cachinhos idênticos, dançavam desajeitados, segurando
Moira SullivanA salinha nos bastidores da capela do Elvis em Las Vegas pulsava com energia, as luzes de neon rosa e roxo infiltrando-se pelas cortinas, enquanto o som inconfundível de “Love Me Tender” ecoava suavemente ao fundo. O ar cheirava a perfume floral e cera de vela, e eu ajustava meu vestido de noiva, um modelo de cetim offwithe que abraçava minhas curvas, no espelho, o coração acelerado. Parecia um sonho: eu, Moira Sullivan, que cresci lutando no subúrbio de Nova York, agora aqui, prestes a casar com David Jones, o homem que amava meu filho Jack como se fosse dele. Ao meu lado, Olivia, radiante num vestido de tule branco, alisava a barriga onde seus gêmeos cresciam, o sorriso iluminando o rosto. Hoje, nós duas diríamos “sim” juntas, numa cerimônia só nossa, com Nate, Lúcia, minha mãe e as crian&
Nate DonovanO saguão do aeroporto JFK estava agitado, o som dos alto-falantes anunciando voos misturando-se ao burburinho de viajantes e ao cheiro fraco de café das lanchonetes. Estávamos a caminho de Las Vegas, prontos pra celebrar o casamento de Enzo e Olivia, Moira e David, uma promessa de novos começos após meses de pesadelos. Lúcia segurava Samuel no colo, o menino de sete meses brincando com as chaves dela, enquanto Eliza corria ao redor de Jack, rindo alto. Enzo e Olivia estavam ao lado, ela com a mão na barriga, os olhos brilhando de felicidade pela gravidez. Mas, quando um homem de terno se aproximou, o distintivo reluzindo no cinto, meu estômago apertou. Algo estava errado.“Sr. Donovan?” ele perguntou, a voz firme, mas baixa. “Sou o detetive Rivera, NYPD. Precisamos conversar.”L
Célia WilliansO esconderijo em Nova York era um buraco úmido no Bronx, um apartamento apertado com paredes rachadas e o cheiro constante de mofo e cigarro velho. Eduardo e eu estávamos ali há meses, seguindo Lúcia e Nate como sombras, observando cada movimento deles no condomínio de Upper West Side. Eles achavam que estavam seguros depois do julgamento de Valério e da loucura de Yolanda, mas nós éramos pacientes. Eduardo, com sua barba crescida e olhos afiados, traçava os planos no mapa improvisado na mesa, marcando rotas de fuga e pontos de ataque. “Hoje é o dia,” ele disse, a voz baixa, carregada de ódio. “Eles vão pagar por tudo que nos tiraram.”Eu assenti, o coração batendo forte, o ódio queimando no peito. “Sim, amor. Vamos acabar com isso. L&
Enzo KendrikA sala da nossa casa em Upper West Side estava viva, o cheiro de aperitivos, bruschettas e mini quiches preparadas por Olivia, misturando-se ao som suave de jazz que tocava baixo no sistema de som. As luzes quentes dos abajures refletiam nos móveis de madeira, e uma garrafa de champanhe Veuve Clicquot gelava num balde de gelo na mesa de centro, esperando o momento certo.Seis meses depois do pesadelo com Yolanda, a vida parecia, pela primeira vez, oferecer um instante de paz, mesmo com a sombra de Eduardo e Célia ainda pairando, seus desaparecimentos um lembrete de que o perigo nunca estava tão longe. Mas hoje era sobre nós, sobre Olivia, sobre mim, sobre os gêmeos que mudariam tudo.Nate e Lúcia foram os primeiros a chegar, Eliza correndo pra abraçar Olivia, que a encheu de beijos. “Você t&
Olivia HarrysSeis meses haviam passado desde o pesadelo na casa dos Donovan, mas a tranquilidade ainda parecia um luxo distante. Valério estava preso, sua sentença longa garantida após o julgamento, e Yolanda, tetraplégica, definhava numa clínica prisional. Ainda assim, a sombra de Eduardo e Célia, que haviam desaparecido como fumaça, pairava sobre nós, mantendo todos em alerta.Nate e Lúcia estavam seguros em sua nova casa, reconstruindo a vida com Eliza e Samuel, mas a tensão nunca sumia completamente. Hoje, porém, eu estava focada em algo diferente, uma consulta de fertilidade em uma clínica em Manhattan, onde o zumbido do ar-condicionado e o cheiro de álcool do consultório me faziam segurar a mão de Enzo com mais força. Ele estava ao meu lado, o rosto sério, mas os ol







