Início / Romance / Contrato com o CEO Que Não Sabia Amar / Capítulo 6 – O Sorriso Que o Desarma

Compartilhar

Capítulo 6 – O Sorriso Que o Desarma

Autor: Batistad
last update Data de publicação: 2025-07-26 11:45:39

A manhã estava dourada, suave como um sussurro de outono. O pátio da ONG vibrava com vozes juvenis e pequenos passos que corriam de um lado para o outro como se o mundo coubesse naquele espaço. Miguel estava ali, mas era como se não pertencesse à cena. Observava de longe, os braços cruzados, tentando esconder o desconforto que sentia por dentro. Ele era um predador entre colibris. E, no entanto, algo nele começava a desarmar.

— Tio, segura!

Gritou Matheuzinho, jogando uma bola de pano na direção de Miguel, que, surpreendentemente, a pegou.

Os olhares se voltaram. As crianças riram. E então ele a viu.

Anyellen. De pé, na varanda, com uma prancheta na mão e o cabelo preso de um jeito descuidado e sensual. Ela observava a cena. E então… sorriu.

Não foi um sorriso largo. Foi breve. Um segundo, talvez dois. Mas foi o suficiente para derrubar qualquer defesa que Miguel ainda mantinha.

Ele ficou imóvel, com a bola na mão e o peito apertado por algo que não soube nomear. Aquele sorriso não tinha sido debochado. Tampouco irônico. Era quase... orgânico. Como se, por um instante, ela o tivesse enxergado sem a couraça. E isso o desconcertou mais do que qualquer rejeição.

Ela desceu os degraus lentamente, até ficar a poucos metros dele.

— Você lida bem com crianças.

Disse ela, sem preâmbulo.

— Não lido com ninguém. Só segurei a bola. Respondeu ele, devolvendo o olhar com firmeza.

— O jeito que você segurou, como se isso tivesse algum valor... diz muito.

— Diz o quê?

— Que talvez você não seja só uma fachada cara. Mas isso não muda nada, senhor Fontes.

— “Senhor Fontes” de novo?

— Não estou aqui para te agradar.

— Mas sabe que provoca.

Miguel avançou um passo, a voz baixa, o olhar quente.

— Provoco quem se deixa provocar.

Anyellen manteve a cabeça erguida, mas havia algo nos olhos dela... algo entre tensão e desafio.

— Então admita: você me observa tanto quanto eu te observo.

— A diferença é que eu sei por quê estou olhando.

— E por quê?

— Porque estou tentando entender o inimigo.

— Eu não sou seu inimigo, Anyellen.

— Então o que é?

Ele se aproximou mais. Um passo só. Intencional. Masculino. Dominante sem ser agressivo.

— Uma obsessão em construção. Murmurou.

O silêncio entre eles pegava fogo. E se alguém passasse por ali naquele momento, sentiria a eletricidade se condensando em algo prestes a explodir.

Anyellen soltou um meio sorriso. Diferente do primeiro. Esse vinha carregado de algo mais denso.

— Matheuzinho está te esperando pra jogar. Desviou, recuando.

— E você, vai fugir sempre que eu me aproximar?

— Não fujo de homem nenhum. Só escolho onde me deixar tocar.

E saiu, sem pressa, com a prancheta contra o peito.

Miguel fechou os olhos por um instante, inspirando profundamente. Pela primeira vez em anos, ele sentia algo que não controlava. Algo que nascia entre os dedos e subia pela espinha. E tinha nome.

Anyellen.

E ele ainda faria aquele sorriso se curvar para ele.

— Está com medo de parecer humano, Miguel Fontes?

A voz de Anyellen ecoou próxima demais, carregada de um deboche doce, que mais parecia um convite.

Ele abriu os olhos devagar e encontrou o olhar dela. Aqueles olhos escuros, vivos, que desnudavam mais do que qualquer mão ousaria.

— O que te faz pensar que sou menos humano do que você? Devolveu, a voz grave, mais baixa do que o necessário.

— Talvez o fato de agir como uma máquina programada para dominar o mundo.

Ela respondeu, se inclinando de leve, o sorriso torto ainda no rosto.

— Mas sabe o que me intriga?

— Diga!

Ele murmurou, dando um passo à frente. O calor que o corpo dela exalava o envolveu.

— Você ainda não percebeu... que já perdeu a guerra.

— Eu nunca perco.

Ele afirmou, firme, o olhar preso à boca dela.

— Já perdeu quando decidiu vir até aqui. Quando tocou o Matheuzinho com as próprias mãos. Quando me olhou daquele jeito.

Ela respondeu, sem vacilar.

Miguel deu mais um passo, encurtando a distância entre eles até que os corpos quase se tocassem. O coração dele batia alto. Forte. Ruidoso como uma sirene. Ela era perigo, desejo e resistência em forma de mulher.

— E que jeito foi esse, Anyellen?

— Como se quisesse me engolir inteira.

Ela sussurrou, os olhos brilhando.

Miguel sorriu de lado.

— Não nego.

O ar entre eles parecia elétrico. Qualquer palavra a mais faria tudo pegar fogo. E era isso que ela queria? Provocar? Acender nele o que nunca soube nomear?

— Mas eu não sou do tipo que se rende a olhos bonitos, senhor Fontes.

Disse, firme.

— E muito menos a homens que pensam que um sorriso basta pra abrir pernas.

Ele não se moveu. Apenas encarou.

— Não vim atrás das suas pernas, Anyellen.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Não?

— Vim atrás do que você esconde quando sorri. Da mulher que tenta parecer inabalável, mas que treme quando vê alguém tocando uma criança com cuidado.

Ela o encarou por longos segundos. Depois deu um passo para trás, o arrepio visível no braço.

— Tome cuidado, Miguel...

Murmurou.

— Algumas mulheres são como vidro: você não quebra, você se corta.

Ele soltou uma risada baixa.

— Alguns homens são como fogo, Anyellen. Não precisam tocar para queimar.

A voz de Miguel saiu baixa, mas grave como um trovão sussurrado no escuro. Ela parou. Um segundo apenas. O suficiente para ele perceber que a frase a atingira.

Ela não se virou. Mas ele viu seus ombros oscilar, como se respirasse mais fundo do que queria. O vestido leve colava nas curvas dela com a brisa da janela entreaberta. E quando ela deu o próximo passo, foi como se dançasse. Como se provocasse sem intenção. Ou com toda a intenção do mundo.

Miguel se obrigou a ficar parado.

Mas por dentro…

Por dentro, a alma dele andava atrás dela.

Anyellen caminhou em direção à sala das oficinas como se não tivesse ouvido. Mas cada passo era uma resposta muda. Seus quadris descreviam um compasso preciso; perigoso e desarmado, como se cada movimento dissesse:

"Você quer o controle, Miguel? Então me siga. Mas aqui… não manda mais em nada."

Ele não a seguiu. Não ainda.

Levou as mãos aos bolsos do paletó, como se precisasse prender os dedos que ardiam de vontade de tocá-la. Depois, lançou o olhar para o alto, como um homem que buscava no teto uma oração. Não achou.

— Esse sorriso vai me tirar noites…

Murmurou.

— Mas a boca… a boca eu ainda vou decorar. Palavra por palavra. Gesto por gesto.

E, pela primeira vez, Miguel Fontes não estava falando de contratos.

Estava falando de vício.

De adoração.

De desejo que não se resume à carne, mas que começa nela, se perde nela, e volta com mais força ainda.

Ele se virou devagar, como quem teme que o encantamento desapareça se for rápido demais. Mas algo nele tinha mudado. Algo que não voltaria a ser o mesmo.

Aquela mulher não era só um desafio.

Era um chamado.

E, mesmo que ele tentasse resistir, mesmo que a mente gritasse estratégia, o corpo dele, os olhos dele, a pele dele… já tinham escolhido.

Miguel olhou mais uma vez na direção em que ela desapareceu e, com um meio sorriso nos lábios, confessou em voz baixa:

— A próxima reunião… vai ser entre seus olhos e os meus. E você vai perder. Porque eu já tô perdendo há dias.

E perdeu mesmo. O juízo. A blindagem. A guerra.

Tudo para uma mulher que nem sequer o havia tocado. Mas que, mesmo assim, já queimava no centro da sua vida.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Contrato com o CEO Que Não Sabia Amar   Capítulo 81 – Epílogo: “Você Me Viu. E Por Isso Eu Vivi.”

    A tela está em branco.Pendurada na sala da nova galeria do Instituto Ver-te, ela não chama atenção pelo traço.Não há tinta.Não há cor.Apenas espaço.E no canto inferior direito, como quem não grita, como quem só diz…Uma frase costurada com alma:“Amar é enxergar. E ser enxergado salva.”As pessoas passam. Algumas param. Umas franzem a testa. Outras se emocionam.Poucas entendem.Mas quem viveu dor sabe:Há quadros que não precisam ser pintados para dizer tudo.Há silêncios que gritam.E há amores que salvam, não porque consertam, mas porque enxergam.No centro da sala, Miguel segura a mão de Anyellen.Os filhos correm ao redor.A ONG se expandiu. O hotel cresceu. As sementes viraram árvores.Mas o que pulsa ali…É o que não se vê.— Por que essa tela está vazia, mamãe? — pergunta Noah, com as mãos manchadas de tinta.Anyellen sorri e se agacha até ele, como quem revela um segredo:— Porque ela está cheia do que importa, filho.Cheia de história, de coragem, de amor.Cheia de tudo

  • Contrato com o CEO Que Não Sabia Amar   Capítulo 80 – Mãos Dadas Pela Primeira Sede da ONG

    O sol tocava a fachada da antiga sede da ONG com a ternura de quem acaricia uma lembrança boa.Anyellen e Miguel caminhavam de mãos dadas pela calçada de pedras irregulares que um dia ela havia varrido com lágrimas nos olhos — e hoje, pisava com o coração tranquilo.Não havia mais grades no portão. Não havia mais medo na alma.— Você lembra do cheiro daqui? — ela perguntou, olhando o jardim onde um dia sonhou ser livre.— Lembro de tudo.Do cheiro da tinta descascada…Do som dos passos apressados no corredor…E do silêncio que você usava como armadura — respondeu ele, apertando de leve os dedos dela.Ela sorriu. Não porque doía. Mas porque agora entendia.As cicatrizes ainda estavam ali.Mas já não sangravam.E nem precisavam ser escondidas.Pararam diante da porta da sala onde se viram pela primeira vez.— Aqui foi onde eu achei que você fosse só mais um homem querendo poder — ela confessou, com um sorriso cúmplice.— E aqui foi onde eu descobri que eu era só um homem… querendo paz —

  • Contrato com o CEO Que Não Sabia Amar   Capítulo 79 – Arte Que Financia Futuro

    As paredes do salão estavam vivas.Não com tinta.Mas com alma.Cada quadro de Anyellen contava uma história que jamais coube inteira numa tela, mas mesmo assim, ela pintava.Pintava porque precisava lembrar a si mesma que a dor também pode virar cor.E porque, agora, sua arte não era mais sobre catarse.Era sobre construção.— Quantas bolsas já conseguimos? — ela perguntou, com os olhos fixos na tela de uma menina de olhos fundos e sorriso por vir.— Cinquenta e duas. E contando. — respondeu Mariana, com o tom de quem anunciava milagres diários.As telas estavam sendo vendidas em exposições organizadas por Raul Falconi e apoiadas por investidores sociais. O que antes era terapia silenciosa agora financiava bolsas de estudo, programas de reintegração, oficinas para jovens mães e projetos para adolescentes que, até ontem, só conheciam os tons acinzentados da rejeição.— Essas telas… são pedaços do que me faltou — Anyellen sussurrou, observando uma em especial: a que pintara com o rost

  • Contrato com o CEO Que Não Sabia Amar   Capítulo 78 – Amor Que Não Se Compra

    Eles não compraram nada.Construíram tudo.Cada parede daquele Instituto.Cada passo dado na casa com cheiro de vida nova.Cada gesto entre eles, ora nervoso, ora terno, que moldou não só um relacionamento, mas um propósito partilhado.O calendário marcava mais um ano de funcionamento do Instituto Ver-te.As salas estavam cheias de cores, vozes e desafios.E na manhã da nova organização dos horários, Anyellen, prancheta em mãos e sobrancelha arqueada, leu em voz alta:— Miguel Ferraz, três dias por semana, supervisão geral de logística, dois dias por semana… aulas de construção de maquetes?Ela ergueu os olhos para ele.Miguel sorriu, com aquele brilho nos olhos que nenhuma reunião de conselho jamais despertou.— Mantenha minha aula de maquetes — disse, cruzando os braços. —Já entendi que sou muito melhor com cola e papelão do que com ternos e acionistas.Anyellen riu e caminhou até ele.— Sabia que você não ia querer sair… — sussurrou, o beijando nos lábios com a doçura de quem tem

  • Contrato com o CEO Que Não Sabia Amar   Capítulo 77 – A ONG Agora se Chama Instituto Ver-te

    Porque amar é ver.Porque só quem é visto… floresce.O auditório estava repleto.Mas o silêncio era o protagonista.A nova placa foi descerrada com as mãos de Anyellen e Miguel entrelaçadas.E ali, naquela fachada clara com letras douradas e elegantes, um novo nome pulsava como batida de coração renovado:INSTITUTO VER-TE.As palavras flutuaram no ar como perfume de flor recém-aberta.E, no mesmo instante, os olhos se encheram.Os de quem já foi invisível.Os de quem aprendeu a ver.E os de quem, como Anyellen, fez da visão a sua missão.Ela respirou fundo antes de subir ao palco.— Ver… não é só olhar.É reconhecer. É enxergar além da dor, além da história contada, além da casca.Ver é amar. E só floresce quem é visto com verdade.Miguel a assistia da lateral do palco, os olhos marejados, o peito cheio.Ela falava com o mundo, mas era para ele que ela sorria entre uma frase e outra.Porque ele foi o primeiro homem que a viu inteira.E ela, agora, devolvia esse olhar ao mundo, multip

  • Contrato com o CEO Que Não Sabia Amar   Capítulo 75– O Segundo Filho Nasce em Paz

    O quarto estava em penumbra. As cortinas filtravam a luz do sol, transformando-a em um abraço morno sobre os móveis claros. O ar tinha cheiro de lavanda e calma. Na parede, um quadro com pinceladas suaves pintava um horizonte — como se anunciasse: algo está chegando. E vem sereno. Miguel segurava a mão de Anyellen como quem segura o próprio coração. E, talvez, fosse exatamente isso. Porque ali, entre suspiros contidos e lágrimas represadas, ele estava à beira de viver, de novo, o milagre mais arrebatador da vida: ver um amor nascer do amor. Anyellen respirava profundamente. Suava. Mas sorria. Não com euforia. Com fé. Ela não estava mais sozinha. Nunca mais esteve, desde que ele aprendeu a ser inteiro ao lado dela. Dessa vez, ela não tinha medo. Ela tinha história. Tinha lar.

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status