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Capítulo 59

last update publish date: 2026-03-20 16:05:18
Abri a página e encontrei uma notícia antiga sobre uma empresa familiar que já não existia com o mesmo nome. No início, li sem grande interesse, até perceber que havia mais de um Valenti mencionado no texto. Nenhum daqueles nomes me dizia alguma coisa, por isso voltei aos resultados e tentei outras combinações.

Valenti e Sicília.

Depois Valenti e família.

Surgiram empresas, propriedades, uma fundação e nomes repetidos em matérias antigas, mas nada indicava que aquelas pessoas tivessem qualque
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    O trânsito avançava devagar, mas eu mal prestava atenção ao que acontecia do outro lado da janela.Desde que saíra da suíte de Salvatore, não tinha trocado uma palavra com Matteo. Ele também não insistira. Depois de entrar no carro ao meu lado, atendera uma ligação curta e guardara o celular, deixando-me entregue aos meus pensamentos.Eu tinha ido ao hotel para conhecer meu avô. Saía de lá com um convite para atravessar o oceano e uma dúvida que não conseguia afastar.Não aceite uma versão dos acontecimentos apenas porque foi a única que lhe contaram.Por que Salvatore havia olhado para Matteo ao dizer aquilo?— Ivy.A voz de Matteo interrompeu meus pensamentos, mas não desviei os olhos da janela.— Hm?— Está tudo bem?— Está.Ele demorou um instante antes de voltar a falar.— Tem certeza? Está se sentindo bem?Virei o rosto para ele.— Porra, Matteo. Agora tudo é sobre o bebê?— O quê?— Você ouviu.Matteo me observou por um momento, como se estivesse tentando entender de onde vinha

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    Salvatore Valenti se levantou quando entramos na suíte.Desde que descobrira sua existência, eu havia imaginado aquele encontro tantas vezes que esperava sentir alguma coisa ao vê-lo. Raiva, talvez, ou a emoção que as pessoas costumavam descrever quando encontravam um parente perdido.Mas, diante dele, não senti nenhuma das duas.Vi apenas um homem muito velho, de cabelos brancos e terno cinza impecável, que precisou se apoiar brevemente no braço da poltrona antes de vir em nossa direção. Seus olhos, de um verde acinzentado, permaneceram fixos em mim durante todo o percurso.— Ivy.O sotaque italiano era mais acentuado do que eu esperava.— Senhor Valenti.Ele desviou a atenção para Matteo.— DeLuca.— Valenti.A mão de Matteo continuava pousada na minha cintura. Enquanto Salvatore se aproximava, percebi Matteo examinar discretamente a suíte, os olhos passando pelas portas, pelas janelas e pelo corredor que levava aos outros cômodos. Eu já conhecia aquele hábito.Os dois apertaram as

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    Dois dias depois, eu estava deitada na cama com um livro aberto sobre as pernas quando Matteo entrou no quarto.Ouvi a porta fechar e continuei lendo, embora já tivesse reconhecido os passos dele no corredor.Matteo tirou o paletó, deixou-o sobre a poltrona e começou a desfazer a gravata.Li a mesma frase outra vez e, quando percebi, uma terceira.Quando o colchão afundou ao meu lado, ainda mantive os olhos na página.— Está bom?— Hum?— O livro.Olhei para ele.— Estava.A boca dele se curvou.— Estava?— Até você sentar aí e me fazer ler a mesma frase três vezes.— Eu nem fiz nada.— Ainda.Voltei os olhos para a página, já sorrindo.Matteo conseguiu ficar em silêncio por menos de cinco segundos.A mão dele pousou sobre meu joelho por cima do lençol e subiu devagar pela minha coxa.Baixei o livro.— Isso conta como fazer alguma coisa.— Não falei nada.— Realmente. Muito discreto.Ele sorriu.Antes que eu pudesse voltar ao livro, Matteo o tirou das minhas mãos e deixou na mesa de c

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    Alguns dias depois, a médica confirmou na consulta que estava tudo bem. Os exames não mostravam nada que a preocupasse, ela ajustou as vitaminas que eu já tomava e disse que, por enquanto, a gravidez continuava evoluindo como deveria.Antes de sairmos, ouvimos o coração outra vez.O som rápido encheu a sala por alguns segundos, pequeno e insistente, enquanto eu permanecia deitada com a roupa afastada do ventre. Virei o rosto para Matteo. Ele estava ao meu lado, uma das mãos apoiada na lateral da maca, os olhos presos à tela.Ele não disse nada e só desviou o olhar quando a médica desligou o aparelho.Naquela tarde, eu já tinha voltado ao mesmo parágrafo vezes suficientes para começar a odiá-lo quando a voz de Matteo surgiu atrás de mim.— Você está brigando com ele de novo?Levantei os olhos.Ele estava parado junto à porta do quarto, com as mangas da camisa preta dobradas até os antebraços e sem o paletó. Numa das mãos, trazia uma pequena sacola de papel, daquelas de presente. O olha

  • Contrato com o Don   Capítulo 95

    Nos três dias seguintes, fiz quase tudo o que costumava fazer. Levantei, tomei banho, desci para o café da manhã, respondi quando Elena falava comigo e passei algumas horas com o caderno aberto.Quase não vi Matteo.Depois do que Ricardo tinha revelado e da confirmação de que a informação vinha de dentro, eu sabia que tudo devia estar em rebuliço, mesmo que a casa continuasse funcionando com a mesma calma eficiente de sempre. Na maioria das manhãs, quando acordava, Matteo já não estava. Restavam o cheiro dele nos lençóis e a marca ainda funda no travesseiro ao lado.Para quem me visse pela casa, eu provavelmente só parecia mais cansada. Ricardo continuava aparecendo nos lugares mais idiotas, e já não era apenas o tiro que voltava.Enquanto prendia o cabelo diante do espelho, lembrei de uma consulta em que tinha passado quase uma hora respondendo a perguntas enquanto ele mexia no telefone ao meu lado. Não lembrava do que o médico tinha dito naquele dia. Lembrava da luz da tela no rosto

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