— Quanto tempo? A pergunta saiu antes que eu pudesse reconsiderar, curta e seca, como se falar em duração tornasse aquilo menos real, menos degradante, ainda que o simples facto de a formular já fosse, por si só, uma admissão perigosa. Matteo não respondeu de imediato. Observou-me em silêncio, como se a pergunta confirmasse algo que ele já esperava, algo que eu própria tinha acabado de admitir sem perceber, enquanto o olhar dele me percorria com uma lentidão calculada, sem pudor nem pressa, avaliando não a pergunta em si, mas o corpo que a tinha feito. Houve um segundo em que pensei que ele me faria repetir, que me obrigaria a ouvir a palavra sair da minha boca outra vez, mais fraca, mais exposta, até perder qualquer ilusão de dignidade. — Até eu me cansar do seu corpo. Não do resto. As palavras caíram sem cuidado, sem disfarce, sem rodeios, como uma sentença dita por alguém que não precisava justificar-se. Senti o estômago revirar. O pior não foi ele ter dito aquilo. Foi eu n
Última atualização : 2026-01-19 Ler mais