FAZER LOGINAssim que os investidores foram embora
Nathan fechou a porta e se virou lentamente. Muito lentamente isso não era bom sinal. ele ficou me encarando. o silêncio que ficou na sala era tanto que dava para escutar o ar condicionado funcionando. comecei a me mexer desconfortável Ele se aproximou. tive que quebrar o silêncio — Antes de qualquer coisa… quero deixar claro que foi um erro coletivo. Nathan piscou devagar. — Coletivo? — Sim. Meu cérebro, minha boca e o destino trabalharam juntos. Nathan passou a mão no rosto. — Você tem noção que inventou um noivado? — Tecnicamente foi isso mesmo. — Comigo! — Esse detalhe complica um pouquinho. Nathan se aproximou mais. — Você realmente tem noção das proporções dessa sua mentira? — Mais ou menos. Ele respirou fundo com a mão no rosto. — Mas pode ficar tranquilo que eu resolvo. Ele tirou rapidamente a mão. — Você não vai resolver mais NADA entendeu? Ele começou andar pela sala . de repente parou de andar e se virou para mim novamente. — Eles são pessoas que prezam pela estabilidade familiar mais que qualquer coisa. — disse com aquele olhar sério de CEO que normalmente fazia diretores entrarem em pânico — Se descobrirem a mentira, não assinam o contrato… e minha empresa perde milhões. Pisquei. — Sem pressão então. Ele me encarou. — Lily, isso não é uma piada. — Eu sei. — Tem certeza? Porque você transformou uma reunião corporativa em uma novela mexicana. sorri porque era uma ótima comparação. — Pelo menos não teve tapa na cara. Nathan respirou fundo novamente. O tipo de respiração que alguém faz antes de tomar uma decisão extremamente questionável. — O jantar não será apenas social. Será a assinatura do contrato. Cruzei os braços. — Então você está dizendo que… — Teremos que ser muito convincentes nessa sua loucura. respirei fundo. — Sem pressão então. — Com muita pressão. Porque agora nosso noivado falso agora vale milhões. Silêncio. Silêncio longo. Pisquei algumas vezes. — Você quer fingir que está noivo de mim? — Não. — Ótimo. — Mas vamos fazer isso mesmo assim. Fiquei olhando para ele. — Essa é oficialmente a pior decisão que você já tomou na vida. — Não. — Não? — A pior decisão foi te contratar. Fiz uma careta. — Nossa, isso foi pessoal. Nathan ignorou completamente. caminhou até o notebook e começou a digitar — O que está fazendo? — perguntei. — Um contrato. Pisquei. — Eu já trabalho aqui. Não precisamos formalizar mais nada. Ele me encarou. — Esse não é um contrato de trabalho. Ele virou para mim. No topo da folha estava escrito em letras enormes: CONTRATO DE NOIVADO Fiquei olhando. Depois olhei para ele. Depois para o notebook. — Você quer escrever um contrato… — comecei devagar. — Sim. — Para um noivado falso. — Exatamente. Balancei a cabeça. — Isso é psicologicamente perturbador. Nathan ignorou completamente. Ele digitou mais algumas coisas. — Precisamos de regras claras. — Regras claras para um noivado que não existe? — Exatamente. Inclinei a cabeça. — Você já pensou em procurar terapia? Nathan cruzou os braços. — Diz a mulher que inventou um noivado durante uma reunião milionária. Ponto para ele. Inclinei um pouco. — E quais serão as cláusulas desse absurdo ? Nathan continuou digitando calmamente. me aproximei para ler 1. Duração do acordo: O noivado falso terá duração inicial de três meses, podendo ser estendido caso seja necessário para finalização de negociações empresariais. — Três meses?! — Até o contrato com os investidores ser finalizado. — Você quer fingir que está noivo de mim por três meses? — A alternativa é perder um contrato milionário. Cruzei os braços. — Quando você coloca nesses termos parece até razoável. 2. Confidencialidade absoluta: Nenhuma das partes poderá revelar a natureza falsa do relacionamento. 3. Comportamento público adequado: Ambas as partes devem manter uma postura respeitável e coerente com um relacionamento estável em eventos sociais ou profissionais. levantei uma sobrancelha — Como seria uma postura coerente? — perguntei, cruzando os braços. Ele respondeu como se estivesse explicando algo extremamente óbvio: — Sem sarcasmo excessivo. — Já começamos mal. — Sem comentários impróprios. — Isso é muito vago. — Sem criar histórias aleatórias. Inclinei a cabeça. — Isso parece muito direcionado a mim. — Porque é. Ele finalmente levantou o olhar. Aquele olhar sério. De CEO. — Um casal estável não discute em público, não se contradiz e não transforma uma conversa simples em um caos. Fiquei em silêncio por dois segundos. — Então basicamente… eu tenho que fingir ser outra pessoa. — Basicamente. — Isso é muito ofensivo. 4.Participação em eventos: A funcionária Lily deverá acompanhar Nathan em eventos corporativos quando solicitado, atuando como sua noiva. Razoável Eu acho . 5. Coerência narrativa: Ambas as partes devem manter uma história consistente sobre o relacionamento. — Isso significa que eu não posso inventar coisas? Ele parou de digitar. Me olhou. — Exatamente isso. — Nem um pouquinho? — Não. Inclinei a cabeça. — Você é muito rígido. — Você é muito caótica. Ponto. 6.Contato físico mínimo aceitável: Segurar mãos, abraços ocasionais e gestos naturais de casal são permitidos quando necessário. Pisquei. — “Permitidos”? — Sim. — Isso parece um manual de instruções. — Porque é. Aproximei mais do notebook. — O que você considera “gesto natural”? — Algo que não pareça forçado. Olhei para ele. — Tudo nisso vai parecer forçado. Nathan respirou fundo. — Então tente não piorar. — Isso é praticamente impossível. — Eu sei. 7. Vida amorosa externa: Nenhuma das partes poderá iniciar relacionamentos românticos públicos durante a vigência do contrato. Arregalei os olhos. — O quê?! — Precisamos de consistência. — Você está basicamente bloqueando minha vida amorosa. Nathan apoiou as mãos na mesa. — Lily. Você tem uma vida amorosa ativa no momento? Abri a boca. Fechei. — Isso não é da sua conta. — Então não é um problema. cruzei os braços. 8. Imagem profissional: A funcionária Lily deverá evitar comentários ou comportamentos que prejudiquem a reputação do CEO. Olhei para ele. — Desde quando esse contrato virou uma lista de críticas ? — Estou prevenindo problemas. — Eu sou extremamente profissional. Nathan apenas me encarou. Em silêncio. — Não precisa responder — falei rápido. Ele voltou a digitar. 9. Limite de improvisos: Histórias adicionais sobre o relacionamento deverão ser aprovadas previamente. Soltei uma gargalhada — Você quer que eu peça autorização antes de mentir? — Quero que você não minta além do necessário. Inclinei a cabeça. — Isso tira toda a graça. — Isso mantém a empresa funcionando. E então falou com calma demais: — 10. Consequências: Caso a mentira seja exposta por negligência direta sua, você será demitida. Silêncio. Pisquiei. — Uau. Ele levantou o olhar. — Algum problema? — Só estou impressionada. — Com o quê? Inclinei a cabeça. — Você conseguiu transformar um noivado falso em algo ainda mais assustador que um casamento real. Nathan fechou o notebook com calma. — Isso não é para ser romântico. Sorri levemente. — Ainda bem. Ele me encarou. — Isso é para funcionar. Dei de ombros. — Vamos ver se a gente não destrói tudo antes disso. Nathan suspirou. — Essa é exatamente a parte que me preocupa. Fiquei em silêncio por um segundo. Depois sorri. — Vai dar certo. — Por quê? Inclinei a cabeça, confiante. — Porque eu sou ótima sob pressão. Nathan ficou me olhando. Aquele olhar. O mesmo de sempre. — Esse é exatamente o problema.A cozinha ficou silenciosa depois que Helena foi embora. Não um silêncio estranho. Muito pelo contrário. Era aquele tipo de silêncio confortável que eu estava começando a gostar. Ainda estávamos perto. Perto demais para duas pessoas que, algumas semanas atrás, mal conseguiam ficar no mesmo ambiente sem discutir. Minha mão ainda estava entrelaçada à de Nathan. Olhei para nossos dedos. Depois para ele. — A gente deveria fazer alguma coisa. — Como o quê? — Jantar. Ele olhou para o relógio. — Você está com fome? — Estou. — Então vamos cozinhar. Sorri. — Juntos? — Você aprendeu comigo. — Exatamente. Soltei a mão dele. Ou tentei. Porque Nathan demorou alguns segundos para soltar. Um detalhe pequeno. Mas eu percebi. Ele também. — Isso está ficando perigoso — murmurei. — O quê? — A gente. Ele sorriu. — Eu sei. Peguei uma panela. — Então vamos fingir que somos normais. — Nós nunca fomos normais. — Verdade. Começamos a separar os ingredientes. Eu abri a gela
A manhã passou rápido.Rápido demais.Talvez porque, pela primeira vez em muito tempo, eu não estivesse tentando controlar cada segundo.Helena ainda estava conosco.E, estranhamente, a presença dela deixava tudo mais leve.Até Nathan parecia diferente.Mais solto.Mais disposto a brincar.Mais...feliz.Eu ainda estava tentando entender como alguém podia mudar tanto em tão pouco tempo.Ou talvez ele não tivesse mudado.Talvez apenas estivesse deixando aparecer uma parte que sempre existiu.Uma parte que eu não conhecia.E que, agora, eu queria conhecer cada vez mais.Estávamos na cozinha.Helena terminava de guardar algumas coisas na bolsa que levaria para casa.Eu lavava as últimas xícaras.Nathan estava encostado na bancada.Me observando.Percebi.Claro que percebi.— O que foi?— Nada.— Você está olhando.— Estou.— Então não é nada.Ele deu um pequeno sorriso.— Você fica bonita quando está concentrada.Quase deixei a xícara cair.— Você está impossível hoje.— Hoje?— Nathan.
Dormir naquela noite deveria ter sido complicado. Pelo menos era o que eu imaginava. Depois do beijo. Depois de tudo que tinha sido dito sem realmente ser dito. Depois de finalmente admitir, mesmo que apenas entre nós dois, que aquilo já não tinha nada a ver com o contrato. Mas, estranhamente... não foi. Quando entramos no quarto, nenhum dos dois falou muito sobre o que tinha acontecido na sala. Talvez porque não precisasse. Talvez porque o beijo ainda estivesse presente demais. Deitei de um lado da cama. Nathan do outro. Por alguns minutos, ficamos olhando para o teto. — Então... — murmurei. — Hum? — Isso aconteceu mesmo? Ele virou o rosto para mim. — Aconteceu. — Certo. — Está arrependida? Olhei para ele. — Não. Um pequeno sorriso apareceu. — Eu também não. E foi só isso. Sem declarações. Sem promessas. Sem transformar aquele momento em alguma coisa maior do que ele já era. Fechei os olhos. E, pela primeira vez desde que começamos aquela mentira... dor
Os dias passaram. Alguns mais tranquilos. Outros nem tanto. A história do contrato continuava guardada entre mim, Nathan e Rodrigo. E agora... Beatriz também sabia que existia alguma coisa escondida. Não a verdade inteira. Mas o suficiente para me deixar permanentemente nervosa. Eu tentava não pensar nisso. Tentava. Não funcionava muito. Naquela quinta-feira, pouco depois do almoço, meu celular vibrou. Olhei a tela. Helena. Sorri automaticamente. Atendi. — Oi, Helena. — Lily! A animação na voz dela era impossível de ignorar. — Oi. — Vocês estão ocupados? Olhei para a pilha de documentos sobre minha mesa. — Um pouco. — Ótimo. Pisquei. — Ótimo? — Sim. Porque eu estou com saudade. Meu sorriso aumentou. — Também estou. — Então resolvido. — O quê? — Vou passar o feriado com vocês. Parei. — O quê? Ela riu. — Estou com saudade do meu filho. Pausa. — E da minha nora também. Meu rosto esquentou. — Helena... — Não adianta. Já decidi. — Quando você vem?
O dia tinha sido longo. Longo demais. Reuniões. Documentos. Telefonemas. Problemas que pareciam surgir exatamente quando eu começava a acreditar que tudo estava finalmente sob controle. E, no meio de tudo aquilo, havia uma conversa que Nathan e eu ainda precisávamos ter. Mas nenhum dos dois tinha encontrado o momento certo. Ou coragem. Talvez os dois. No fim do expediente, a empresa começou a esvaziar. As luzes de algumas salas foram apagadas. Os corredores ficaram silenciosos. Peguei minha bolsa. Olhei para a sala de Nathan. A porta estava entreaberta. Parei. Ele ainda estava lá. Sozinho. A luz do escritório iluminava apenas uma parte da sala. Nathan estava sentado atrás da mesa. A gravata frouxa. As mangas da camisa dobradas até os antebraços. Uma mão apoiava a testa enquanto a outra passava lentamente por alguns documentos. Parecia exausto. Muito mais do que costumava demonstrar. Fiquei alguns segundos olhando. Depois suspirei. Fui até a pequena copa. P
Fiquei alguns segundos olhando para Nathan.Ele ainda estava parado na porta da sala.Esperando.Como se soubesse que eu tinha alguma coisa para dizer.E talvez soubesse mesmo.Ele sempre parecia saber.Respirei fundo.— Você disse que queria conversar comigo.Nathan assentiu.— Disse.— Sobre o quê?Ele abriu a boca.Mas não respondeu imediatamente.Olhou para mim.Depois para a minha bolsa.Como se ainda estivesse pensando no contrato.— Sobre a viagem.Franzi a testa.— Só isso?Um pequeno sorriso apareceu.— Não.Meu coração acelerou.— Então sobre o quê?Ele ficou em silêncio por alguns segundos.— Sobre nós.Pronto.Meu coração esqueceu completamente como funcionava.Desviei o olhar.— Ah.— Lily...— É que...Passei a mão no cabelo.— Aconteceu muita coisa hoje.— Eu sei.— Beatriz encontrou o contrato.— Eu sei.— A Laura pode estar desconfiando.— Eu sei.— E eu estou tentando não entrar em pânico.Ele se aproximou.— Eu percebi.Respirei fundo.— Então talvez seja melhor dei







