Chapter: Capítulo 106Fim de tarde…O sol descia devagar.Sem pressa.Como se também tivesse decidido ficar mais um pouco.A luz entrava no quintal em tons dourados.Quente.Suave.As sombras se alongavam na grama.E o ar… parecia mais leve.Eu estava sentada na cadeira de sempre.Aquela que já tinha virado meu lugar sem que eu percebesse.Respirei fundo.Pela primeira vez no dia…não tinha nada me puxando pra frente.Nem lista.Nem relógio.Nem urgência.Só… aquele momento.— PEGA!— NÃO VALEU!— VALEU SIM!As vozes vinham do fundo do quintal.Sophia correndo.Rápida.Segura.Já com aquele jeito decidido que não precisava mais provar nada pra ninguém.Mateo logo atrás.Rindo alto.Errando o caminho.Mas nunca desistindo.— EU GANHEI!— NÃO GANHOU!— GANHEI!— NÃO GANHOU!Sorri.Algumas coisas…não mudavam.E, sinceramente…ainda bem.Arthur se aproximou sem fazer barulho.Eu não ouvi os passos.Só senti.Ele sentou ao meu lado.Perto o suficiente pra encostar.Natural.Como se o corpo já soubesse exatamen
Última actualización: 2026-05-17
Chapter: Capítulo 104De manhã…O despertador nem sempre tocava.Mas a casa… acordava mesmo assim.— Mãe!— Mamãe!— Já tô indo!Abri os olhos antes de levantar.Um segundo de silêncio…e depois o mundo voltando.Virei o rosto.Arthur já não estava na cama.Claro que não.Sentei devagar.O corpo ainda lembrava que o dia começava cedo demais.Mas o som lá fora…valia a pena.— NÃO É ASSIM!— É SIM!— NÃO É!Sorri sozinha.Levantei.Fui até a cozinha.E encontrei o cenário de sempre.Mateo em cima da cadeira.Tentando passar manteiga no pão.Mais na mesa do que no pão.Sophia ao lado.Observando.Julgando.— Você tá fazendo errado.— Não tô!— Tá sim.— Eu sei fazer!Arthur, atrás deles…segurando o riso.— Bom dia — falei.— BOM DIA! — Mateo respondeu, alto demais.— Bom dia — Sophia disse, mais controlada.Arthur se aproximou.— Bom dia.Encostou um beijo leve na minha testa.Rápido.Natural.Como se sempre tivesse sido assim.— Ele tá desperdiçando comida — Sophia comentou.— Eu tô aprendendo! — Mateo reb
Última actualización: 2026-05-17
Chapter: Capítulo 103 Algum tempo depois… — Não é assim! — É sim! — Não é! — É! Respirei fundo da cozinha. Olhei pra Arthur. — Quer apostar? Ele nem tirou os olhos do notebook. — Não. Eu já sei quem tá certo. — Quem? — Nenhum dos dois. Sorri. Justo. Fui até a mesa da sala. E lá estavam eles. Sophia, concentrada demais pra alguém da idade dela. E Mateo… com a língua levemente pra fora, segurando um lápis como se fosse uma missão de vida ou morte. No meio da mesa… um caderno aberto. Com várias tentativas. “Mateo” escrito de todos os jeitos possíveis… menos do jeito certo. — O que tá acontecendo aqui? — perguntei. Sophia nem olhou. — Ele não sabe escrever o nome dele. — Sei sim! — Mateo rebateu na hora. — Isso aí não é seu nome. — É sim! Olhei pro caderno. “MAETO” — Quase — falei. Mateo me olhou. — Eu falei! — Quase — repeti. Sophia bufou. — Eu já expliquei cinco vezes. — Ela explica rápido demais — Mateo reclamou. — Eu explico normal! — Não explica! — Ei — chamei, cal
Última actualización: 2026-05-17
Chapter: Capítulo 102Alguns anos depois… — NÃO EMPURRA! — EU NÃO EMPURREI! — EMPURROU SIM! — NÃO EMPURREI! Suspirei. — Cinco minutos — murmurei. Arthur, ao meu lado, cruzou os braços. — Eu dei três. — Otimista. A discussão vinha do quintal. Alta. Intensa. Familiar. — EU SOU MAIS RÁPIDO! — EU SOU MAIS INTELIGENTE! Arthur arqueou a sobrancelha. — Quem você acha que é quem? Inclinei a cabeça. — Fácil. Um segundo depois… — EU SOU A CHEFE! Arthur assentiu. — Sophia. — Exato. Saímos pra fora. E lá estavam eles. Sophia, agora maior. Braços cruzados. Postura firme. E Mateo… cabelo bagunçado. joelho sujo. respiração acelerada. Claramente culpado. — O que aconteceu? — perguntei. Silêncio. Os dois olhando pra gente. — Ele empurrou — Sophia disse. — Eu só passei na frente — Mateo rebateu. — Correndo! — Era corrida! Arthur passou a mão no rosto. — Ok. Vamos organizar isso. Ele apontou. — Um de cada vez. Sophia levantou o dedo na hora. — Eu estava ganhando. — Não tava — M
Última actualización: 2026-05-17
Chapter: Capítulo 101Alguns meses depois…A casa estava barulhenta de novo.Mas agora… de um jeito diferente.Não era só risada.Nem só conversa.Era… vida pequena acontecendo o tempo todo.— NÃO PODE COMER ISSO!A voz da Sophia ecoou pela sala.Eu nem precisei levantar.— Sophia… — comecei, da cozinha.— ELE IA COMER!Suspirei.— Ele não come sozinho ainda.— Mas ele tentou!Arthur apareceu ao meu lado.— Ele tem seis meses — murmurou.— Eu sei — respondi.— Mas ele tentou.Olhei pra ele.— Você também vai defender?— Sempre.Revirei os olhos.Claro.Fomos até a sala.E lá estavam eles.Sophia sentada no tapete.Com expressão séria.Braços cruzados.E no meio…ele.Mateo.Sentado com ajuda de almofadas.Cabelinho bagunçado.Olhos atentos demais pra alguém tão pequeno.E um pedaço de brinquedo… na boca.— Tá vendo?! — Sophia apontou.Arthur segurou o riso.— Criminoso.— Ele ia comer! — ela insistiu.Me abaixei.— Ele tá explorando.— Com a boca!— É assim que bebê faz.Ela ficou em silêncio.Processando.
Última actualización: 2026-05-16
Chapter: capítulo 100Naquela madrugada…O choro veio baixo.Mas suficiente.Eu abri os olhos devagar.Demorei um segundo pra lembrar onde estava.Outro… pra lembrar de tudo.Hospital.Quarto.E… ele.O som veio de novo.Pequeno.Insistente.Virei o rosto.O berço ao lado da cama.Movimento leve.Braços pequenos se mexendo no ar.Meu peito apertou.— Ei… — sussurrei.Tentei me levantar.O corpo protestou na hora.Pesado.Dolorido.Real.Antes que eu insistisse…Arthur já estava de pé.Eu nem vi ele acordar.Só… estava.— Eu pego — disse baixo.A voz ainda rouca.Mas firme.Fiquei parada.Observando.Ele foi até o berço devagar.Como se cada movimento precisasse ser pensado.Mas não por dúvida.Por cuidado.Pegou o bebê com uma delicadeza que…doeu de tão bonita.— Calma… — murmurou.O choro diminuiu.Quase imediato.Meu coração… apertou de novo.Diferente dessa vez.Arthur olhou pra ele.De perto.Como se ainda estivesse tentando entender.— Você é pequeno, hein…Um sorriso leve apareceu no canto da boca d
Última actualización: 2026-05-15

Quando parei de esperar você
Helena Moretti passou anos apaixonada pelo homem que nunca a enxergou.
Gabriel Castellan era tudo o que qualquer garota poderia desejar: bonito, inteligente, herdeiro de um império empresarial e completamente fora do alcance dela. Quando um acordo inesperado os leva ao altar, Helena acredita que finalmente terá a chance de conquistar o coração do homem que ama.
Mas amar alguém não significa ser amada de volta.
Mesmo depois do casamento, Gabriel continua distante. Frio. Indiferente. E Helena passa anos tentando ser suficiente para um homem que nunca parece escolhê-la.
Até que um acidente muda tudo.
Quando Gabriel acorda no hospital sem lembrar dos últimos anos, a primeira pessoa que ele procura não é sua esposa.
É a ex-namorada.
Com o coração destruído, Helena luta por seu casamento até perceber uma verdade cruel: algumas histórias de amor existem apenas em um dos lados.
Determinada a recomeçar, ela abandona tudo e se muda para outro país para seguir a carreira dos sonhos. O que ela não esperava era encontrar alguém que sempre a enxergou... alguém que a escolheu muito antes de ela aprender a escolher a si mesma.
Mas quando Gabriel recupera a memória e percebe o que perdeu, ele está disposto a fazer qualquer coisa para trazê-la de volta.
Entre arrependimentos, segundas chances e um amor que atravessou anos em silêncio, Helena precisará decidir:
Voltar para o homem que finalmente aprendeu a amá-la... ou escolher aquele que nunca deixou de amar.
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Chapter: Capítulo 74 Gabriel Saí da empresa mais tarde do que pretendia. O dia tinha sido longo. Reuniões, documentos, telefonemas. Tudo parecia exigir minha atenção ao mesmo tempo. Entrei no carro e afrouxei a gravata enquanto saía do estacionamento. Eu só queria chegar em casa. Mas, ao passar por uma das avenidas mais antigas da cidade, alguma coisa me fez diminuir a velocidade. A praça. Eu conhecia aquele lugar. Não sabia exatamente de onde. Mas conhecia. Talvez fosse apenas uma sensação. Passei os olhos pela calçada. E então a vi. Helena. Meu coração simplesmente parou. Ela estava sentada em um banco. Sorrindo. Ao lado de um homem. Um homem que eu não conhecia. Parei o carro alguns metros adiante. Não pensei. Apenas parei. Fiquei olhando através do para-brisa. Helena parecia diferente. Mais leve. Mais feliz. O homem disse alguma coisa. Ela riu. Depois ele segurou a mão dela. Meu peito apertou. Por algum motivo, aquilo doeu. Muito. Então ele s
Última actualización: 2026-08-31
Chapter: Capítulo 73 Eu não sabia exatamente por que tinha decidido fazer aquilo. Talvez porque estivesse de volta. Talvez porque, depois de tantos anos, precisasse descobrir se aqueles lugares ainda tinham o mesmo poder sobre mim. Ou talvez simplesmente porque queria mostrar a Lucas uma parte da minha história. — Tem certeza que quer ir? — ele perguntou enquanto caminhávamos pela calçada. Olhei para ele. — Tenho. — Então eu vou com você. Sorri. Era exatamente isso que eu precisava. Não que ele me dissesse para esquecer. Não que tentasse me proteger das lembranças. Apenas que estivesse comigo. O primeiro lugar foi uma pequena praça. Eu parei diante do portão. — Foi aqui. Lucas olhou ao redor. — Aqui o quê? — Nós brincávamos. Ele me olhou, confuso. — Nós? — Você, eu e mais algumas crianças. Ele sorriu. — Eu lembro. Entramos. A praça parecia menor do que eu lembrava. Muito menor. As árvores ainda estavam ali. O banco de madeira também. E o antigo parquinho. — Eu lembro desse e
Última actualización: 2026-08-31
Chapter: Capítulo 72 Meu primeiro dia de volta para casa começou de um jeito que eu não esperava. Com café. Muito café. E minha mãe falando sem parar. — Você está comendo direito? — Estou. — Está dormindo? — Sim. — Trabalhando demais? — Às vezes. — E o Lucas? Olhei para ela. — Mãe... Ela riu. — O que foi? Só estou perguntando. Lucas, sentado do outro lado da mesa, segurou o riso. — Ela faz isso desde que eu conheço. Márcia apontou para ele. — Viu? Ele me entende. — Não dê confiança — falei. Os dois riram. Eu fiquei observando aquela cena. Minha mãe e Lucas conversando como se ele nunca tivesse passado anos longe. E aquilo me trouxe lembranças antigas. Antes de Lucas ir embora, ele praticamente fazia parte da nossa casa. Entrava sem bater. Almoçava conosco. Passava tardes inteiras comigo. Minha mãe sabia de todas as nossas brigas. E ele sabia exatamente onde ficavam os biscoitos. Talvez fosse por isso que vê-los juntos novamente parecesse tão natural. No começo da tarde, meu
Última actualización: 2026-08-30
Chapter: Capítulo 71 O aeroporto estava cheio. Pessoas correndo de um lado para o outro, malas sendo arrastadas, anúncios de embarque ecoando pelos corredores. Eu segurava o passaporte em uma mão e a mão de Lucas na outra. E, apesar de estar acostumada com aeroportos, naquela manhã parecia que eu estava prestes a fazer a viagem mais importante da minha vida. — Está nervosa? — Lucas perguntou. Olhei para ele. — Um pouco. — Só um pouco? Suspirei. — Muito. Ele sorriu. — Quer desistir? — Não. — Então está tudo bem. Apertei sua mão. — É estranho. — O quê? — Voltar. Ele ficou em silêncio, esperando que eu continuasse. — Eu passei trinta anos naquela cidade. Olhei para o painel de embarque. — Minha infância. Minha adolescência. Faculdade. Meu casamento... Parei. — Tudo aconteceu lá. Lucas passou o polegar sobre minha mão. — E agora você vai voltar sendo outra pessoa. Olhei para ele. — Exatamente. Quando entramos no avião, sentei perto da janela. Lucas ficou ao meu lado. Assim que o
Última actualización: 2026-08-30
Chapter: Capítulo 70 A passagem estava aberta sobre a mesa. Eu já tinha conferido umas cinco vezes. Data. Horário. Portão. Bagagem. Tudo certo. Mesmo assim, continuei olhando para ela. — Você sabe que ela não vai mudar de horário só porque você está olhando, não sabe? Levantei os olhos. Lucas estava encostado no batente da porta, segurando duas xícaras de café. — Eu sei. — Então por que está olhando para a passagem há dez minutos? — Porque estou nervosa. Ele entregou uma das xícaras para mim. — Você? — Eu. — Não acredito. Revirei os olhos. — Muito engraçado. Ele se sentou ao meu lado. — Nervosa com a viagem? — Com tudo. — Sua mãe? — Também. — Sofia? — Principalmente Sofia. Lucas riu. — Ela vai gostar de mim. — Ela já gosta. — Então qual é o problema? Olhei para ele. — Dessa vez é diferente. Ele entendeu imediatamente. — Porque agora sou seu namorado. Assenti. — Exatamente. A palavra ainda provocava uma sensação estranha. Namorado. Lucas. Meu namorado. Sorri sem pe
Última actualización: 2026-08-29
Chapter: Capítulo 69Na manhã seguinte, acordei antes de Lucas. Por alguns segundos, fiquei imóvel. O quarto estava silencioso. A luz suave do começo da manhã entrava pelas cortinas. Lucas dormia ao meu lado. E eu sorri. Não porque alguma coisa extraordinária tivesse acontecido. Mas porque, pela primeira vez, acordar ao lado de alguém não me dava vontade de fugir. Fiquei observando-o por alguns instantes. O cabelo bagunçado. A expressão tranquila. A respiração calma. Era o mesmo Lucas que eu conhecia desde criança. Mas, ao mesmo tempo, parecia completamente diferente. Talvez porque agora eu soubesse o que sentia por ele. Ou talvez porque finalmente tivesse coragem de admitir. Ele se mexeu. Abriu os olhos devagar. — Bom dia. Sorri. — Bom dia. Ele me puxou para mais perto. — Dormiu bem? — Muito. Lucas beijou minha testa. — Eu também. Ficamos alguns minutos abraçados, sem dizer nada. E eu percebi que estava feliz. Muito feliz. Naquela manhã, fizemos café juntos. Lucas ficou resp
Última actualización: 2026-08-29

Contrato de Casamento (e Outras Furadas)
Lily Andrade tem três talentos especiais: resolver problemas de última hora, sobreviver ao caos corporativo… e irritar profundamente o próprio chefe.
Nathan Vasconcelos, CEO da American Group, é conhecido por três coisas: inteligência absurda, controle absoluto e uma habilidade impressionante de destruir qualquer reunião com um simples olhar frio.
Eles não se suportam.
O problema?
Um contrato milionário depende da imagem de estabilidade do CEO… e, por algum motivo totalmente fora de controle, os investidores agora acreditam que Nathan está noivo.
Da própria assistente.
Agora, para salvar o maior negócio da empresa, Lily e Nathan precisam fingir um relacionamento perfeito.
O plano parece simples.
Apenas algumas regras básicas:
• morar juntos
• parecer apaixonados
• convencer todo mundo de que o casamento é real
• e, acima de tudo… não se apaixonar
O problema é que Lily tem um talento natural para arruinar todos os planos de Nathan.
Especialmente quando ela começa a contar histórias embaraçosas sobre ele em jantares importantes.
Ou quando um beijo “apenas para manter a aparência” dura tempo demais.
Ou quando morar com o chefe arrogante começa a ficar… perigosamente divertido.
Entre contratos absurdos, discussões sarcásticas e um acordo que claramente saiu do controle, Lily está prestes a descobrir que alguns erros profissionais podem ser muito mais complicados do que parecem.
Especialmente quando envolvem um casamento falso… e sentimentos muito reais.
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Chapter: capítulo 76 A cozinha ficou silenciosa depois que Helena foi embora. Não um silêncio estranho. Muito pelo contrário. Era aquele tipo de silêncio confortável que eu estava começando a gostar. Ainda estávamos perto. Perto demais para duas pessoas que, algumas semanas atrás, mal conseguiam ficar no mesmo ambiente sem discutir. Minha mão ainda estava entrelaçada à de Nathan. Olhei para nossos dedos. Depois para ele. — A gente deveria fazer alguma coisa. — Como o quê? — Jantar. Ele olhou para o relógio. — Você está com fome? — Estou. — Então vamos cozinhar. Sorri. — Juntos? — Você aprendeu comigo. — Exatamente. Soltei a mão dele. Ou tentei. Porque Nathan demorou alguns segundos para soltar. Um detalhe pequeno. Mas eu percebi. Ele também. — Isso está ficando perigoso — murmurei. — O quê? — A gente. Ele sorriu. — Eu sei. Peguei uma panela. — Então vamos fingir que somos normais. — Nós nunca fomos normais. — Verdade. Começamos a separar os ingredientes. Eu abri a gela
Última actualización: 2026-08-25
Chapter: capítulo 75A manhã passou rápido.Rápido demais.Talvez porque, pela primeira vez em muito tempo, eu não estivesse tentando controlar cada segundo.Helena ainda estava conosco.E, estranhamente, a presença dela deixava tudo mais leve.Até Nathan parecia diferente.Mais solto.Mais disposto a brincar.Mais...feliz.Eu ainda estava tentando entender como alguém podia mudar tanto em tão pouco tempo.Ou talvez ele não tivesse mudado.Talvez apenas estivesse deixando aparecer uma parte que sempre existiu.Uma parte que eu não conhecia.E que, agora, eu queria conhecer cada vez mais.Estávamos na cozinha.Helena terminava de guardar algumas coisas na bolsa que levaria para casa.Eu lavava as últimas xícaras.Nathan estava encostado na bancada.Me observando.Percebi.Claro que percebi.— O que foi?— Nada.— Você está olhando.— Estou.— Então não é nada.Ele deu um pequeno sorriso.— Você fica bonita quando está concentrada.Quase deixei a xícara cair.— Você está impossível hoje.— Hoje?— Nathan.
Última actualización: 2026-08-25
Chapter: capítulo 74 Dormir naquela noite deveria ter sido complicado. Pelo menos era o que eu imaginava. Depois do beijo. Depois de tudo que tinha sido dito sem realmente ser dito. Depois de finalmente admitir, mesmo que apenas entre nós dois, que aquilo já não tinha nada a ver com o contrato. Mas, estranhamente... não foi. Quando entramos no quarto, nenhum dos dois falou muito sobre o que tinha acontecido na sala. Talvez porque não precisasse. Talvez porque o beijo ainda estivesse presente demais. Deitei de um lado da cama. Nathan do outro. Por alguns minutos, ficamos olhando para o teto. — Então... — murmurei. — Hum? — Isso aconteceu mesmo? Ele virou o rosto para mim. — Aconteceu. — Certo. — Está arrependida? Olhei para ele. — Não. Um pequeno sorriso apareceu. — Eu também não. E foi só isso. Sem declarações. Sem promessas. Sem transformar aquele momento em alguma coisa maior do que ele já era. Fechei os olhos. E, pela primeira vez desde que começamos aquela mentira... dor
Última actualización: 2026-08-24
Chapter: capítulo 73 Os dias passaram. Alguns mais tranquilos. Outros nem tanto. A história do contrato continuava guardada entre mim, Nathan e Rodrigo. E agora... Beatriz também sabia que existia alguma coisa escondida. Não a verdade inteira. Mas o suficiente para me deixar permanentemente nervosa. Eu tentava não pensar nisso. Tentava. Não funcionava muito. Naquela quinta-feira, pouco depois do almoço, meu celular vibrou. Olhei a tela. Helena. Sorri automaticamente. Atendi. — Oi, Helena. — Lily! A animação na voz dela era impossível de ignorar. — Oi. — Vocês estão ocupados? Olhei para a pilha de documentos sobre minha mesa. — Um pouco. — Ótimo. Pisquei. — Ótimo? — Sim. Porque eu estou com saudade. Meu sorriso aumentou. — Também estou. — Então resolvido. — O quê? — Vou passar o feriado com vocês. Parei. — O quê? Ela riu. — Estou com saudade do meu filho. Pausa. — E da minha nora também. Meu rosto esquentou. — Helena... — Não adianta. Já decidi. — Quando você vem?
Última actualización: 2026-08-24
Chapter: capítulo 72O dia tinha sido longo. Longo demais. Reuniões. Documentos. Telefonemas. Problemas que pareciam surgir exatamente quando eu começava a acreditar que tudo estava finalmente sob controle. E, no meio de tudo aquilo, havia uma conversa que Nathan e eu ainda precisávamos ter. Mas nenhum dos dois tinha encontrado o momento certo. Ou coragem. Talvez os dois. No fim do expediente, a empresa começou a esvaziar. As luzes de algumas salas foram apagadas. Os corredores ficaram silenciosos. Peguei minha bolsa. Olhei para a sala de Nathan. A porta estava entreaberta. Parei. Ele ainda estava lá. Sozinho. A luz do escritório iluminava apenas uma parte da sala. Nathan estava sentado atrás da mesa. A gravata frouxa. As mangas da camisa dobradas até os antebraços. Uma mão apoiava a testa enquanto a outra passava lentamente por alguns documentos. Parecia exausto. Muito mais do que costumava demonstrar. Fiquei alguns segundos olhando. Depois suspirei. Fui até a pequena copa. P
Última actualización: 2026-08-23
Chapter: capítulo 71Fiquei alguns segundos olhando para Nathan.Ele ainda estava parado na porta da sala.Esperando.Como se soubesse que eu tinha alguma coisa para dizer.E talvez soubesse mesmo.Ele sempre parecia saber.Respirei fundo.— Você disse que queria conversar comigo.Nathan assentiu.— Disse.— Sobre o quê?Ele abriu a boca.Mas não respondeu imediatamente.Olhou para mim.Depois para a minha bolsa.Como se ainda estivesse pensando no contrato.— Sobre a viagem.Franzi a testa.— Só isso?Um pequeno sorriso apareceu.— Não.Meu coração acelerou.— Então sobre o quê?Ele ficou em silêncio por alguns segundos.— Sobre nós.Pronto.Meu coração esqueceu completamente como funcionava.Desviei o olhar.— Ah.— Lily...— É que...Passei a mão no cabelo.— Aconteceu muita coisa hoje.— Eu sei.— Beatriz encontrou o contrato.— Eu sei.— A Laura pode estar desconfiando.— Eu sei.— E eu estou tentando não entrar em pânico.Ele se aproximou.— Eu percebi.Respirei fundo.— Então talvez seja melhor dei
Última actualización: 2026-08-22

A loba rejeitada e o Rei lycan
No dia em que finalmente encontraria seu companheiro destinado, Ayla Valen teve o coração destruído diante de toda a alcateia. Rejeitada pelo Alfa, humilhada publicamente e expulsa de sua própria casa, ela descobre, no mesmo instante, que está grávida... de um homem que não consegue lembrar.
Quando uma emboscada é armada para silenciá-la para sempre, Ayla é salva pelo temido Kael Draven, o poderoso Rei dos Lycans. O que deveria ser apenas um ato de compaixão desperta algo inexplicável entre os dois: uma conexão intensa, memórias fragmentadas e um vínculo que desafia todas as leis dos lobos.
Enquanto inimigos escondem uma traição capaz de mudar o destino de dois reinos, Ayla precisará descobrir a verdade antes que seja tarde demais.
Mas quando as lembranças perdidas voltarem...
Quem é, de fato, o pai dos gêmeos que ela carrega?
E por que o Rei Lycan parece disposto a enfrentar o mundo inteiro para protegê-la?
Uma história de rejeição, segredos, paixão e destino... onde o amor mais improvável pode salvar um reino — ou destruí-lo para sempre.
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Chapter: Capítulo 42 KaelNão consegui dormir.Ayla finalmente havia adormecido.Os gêmeos também.Fiquei sentado próximo à janela, observando os três.Minha família.A palavra ainda parecia estranha.Bonita.Perigosa.Meu olhar foi até Aren.Os pequenos olhos dourados haviam sido a primeira coisa que me fez compreender.Não havia dúvida.Ele carregava meu sangue.Mas Liora...Era ela quem me preocupava.A pequena lua crescente nas costas.E a estrela.A marca que eu conhecia desde criança.A marca que minha mãe me mostrou quando eu ainda era um garoto, explicando que aquele símbolo pertencia apenas aos descendentes diretos do nosso sangue.Nunca havia visto aquela marca em outra pessoa.Até aquela noite.— Não pode ser...Darius havia dito aquilo várias vezes.Eu também havia pensado.Mas agora, olhando para minha filha, já não conseguia fingir que era impossível.Alguma coisa havia unido nossas duas linhagens.E alguém sabia disso.---Saí do quarto sem fazer barulho.Darius estava esperando no corredor.— V
Última actualización: 2026-08-29
Chapter: Capítulo 40A porta se fechou depois que Darius saiu.Mas as palavras dele permaneceram no quarto.Três alcateias haviam rompido a aliança.E tudo por causa dos meus filhos.Olhei para Kael.Ele continuava parado perto da janela, de costas para mim.Seu corpo estava rígido.Conhecia aquela postura.Era a mesma que ele assumia quando tentava controlar alguma coisa dentro de si.— Kael.Ele não respondeu.— Venha aqui.Dessa vez, ele se virou.A expressão dele ainda carregava a frieza do Rei, mas seus olhos procuraram imediatamente os bebês.— Eles acabaram de nascer — falei. — Não podem começar uma guerra por causa deles.— Não será por causa deles.Ele caminhou até a cama.— Será por causa do que eles representam.Franzi a testa.— O que isso significa?Kael se sentou ao meu lado.— Significa que algumas alcateias estavam apenas esperando uma oportunidade para desafiar minha autoridade.— E nossos filhos deram essa oportunidade.Ele ficou em silêncio.A palavra nossos ainda parecia estranha e bon
Última actualización: 2026-08-29
Chapter: capítulo 39 A primeira coisa que senti ao acordar foi o peso. Meu corpo inteiro parecia pesado. As pernas doíam, minhas costas estavam cansadas e até respirar profundamente parecia exigir esforço. Mas havia outra coisa. Um silêncio diferente. Abri os olhos devagar. Por alguns segundos, não reconheci o quarto. Então ouvi um pequeno som. Um resmungo. Virei o rosto. Kael estava sentado em uma poltrona ao lado da cama. E tinha um bebê em cada braço. Fiquei olhando. Ele parecia completamente concentrado. O menino estava enrolado em uma manta clara, dormindo tranquilamente contra seu peito. A menina estava no outro braço, com uma das mãozinhas fechadas ao redor do dedo dele. Kael olhava para os dois como se estivesse diante de algo que não conseguia compreender. Sorri. — Você está acordado há quanto tempo? Ele levantou os olhos. — Não sei. Minha voz saiu rouca. — Você dormiu? — Um pouco. — Mentira. Um sorriso apareceu no canto de sua boca. — Talvez. Observei os dois bebês. —
Última actualización: 2026-08-27
Chapter: capítulo 38 Eu ainda não conseguia entender. Meu corpo estava exausto. Meus braços tremiam depois de horas de dor. Mas nada se comparava ao que acontecia dentro da minha cabeça. Olhei para o pequeno menino nos braços de Kael. Os olhos dourados. Depois para a menina, tão pequena, com a lua crescente nas costas. Minha marca. Meu coração disparou. E então aconteceu. Uma dor atravessou minha cabeça. Levei a mão à testa. — Ayla? — Kael chamou. Fechei os olhos. E a lembrança veio. Não como antes. Não fragmentada. Não como um sonho. Inteira. A floresta. A chuva. A noite. Eu correndo entre as árvores. Rindo. Minha mão presa à de um homem. Kael. Era ele. Eu sabia. Eu me virei enquanto corria. Vi seu rosto. Seus olhos dourados. O sorriso que eu não conseguia esquecer. — Você está demorando! Minha própria voz ecoou na lembrança. Kael riu. — Você não sabe nem para onde está indo. — Não preciso saber. Continuei correndo. Ele me puxou de volta. Caí contra seu peito. E e
Última actualización: 2026-08-26
Chapter: Capítulo 37 Kael Eu não conseguia respirar. Meu olhar permanecia preso ao pequeno corpo nos braços de Lysandra. O menino chorava. Um choro forte, indignado, vivo. Mas eram os olhos que me destruíam. Dourados. A mesma cor que eu via no espelho todas as manhãs. A mesma cor que pertencia à minha família havia gerações. A mesma cor que nenhum outro membro das alcateias possuía. Meu coração bateu violentamente. — Não... A palavra saiu quase sem som. Darius estava atrás de mim. — Kael... Levantei uma mão. Não queria ouvir. Não ainda. Porque, se alguém dissesse em voz alta aquilo que eu estava pensando, tudo mudaria. Olhei novamente para o menino. Ele abriu os olhos. Dourados. Fixos em mim. Meu lobo reagiu imediatamente. Não houve dúvida. Nenhuma hesitação. Uma certeza brutal atravessou meu corpo. Meu filho. Fechei os olhos. Não. Não podia ser. Ayla estava olhando para mim, exausta, confusa. — Kael... Eu não conseguia responder. Porque havia outra criança. A menina. Lysand
Última actualización: 2026-08-26
Chapter: Capítulo 36 Kael não respondeu. Seus olhos permaneceram presos aos meus, mas alguma coisa havia mudado neles. Eu ia insistir. Ia exigir uma resposta. Mas uma dor atravessou meu ventre. Levei imediatamente as duas mãos à barriga. — Ah... Kael se aproximou. — Ayla? A dor aumentou. Dessa vez, não era como as outras. Era forte. Profunda. Meu corpo inteiro ficou tenso. — Kael... Ele segurou meus braços. — O que está acontecendo? Tentei respirar. — Acho que... Outra contração veio. Fechei os olhos e apertei a mão dele. — Acho que eles estão chegando. A expressão de Kael mudou completamente. — Agora? Consegui apenas assentir. Ele me segurou antes que minhas pernas cedessem. — Chamem Lysandra! A voz dele ecoou pelo corredor. Dois guardas correram imediatamente. — Agora! Tudo aconteceu rápido demais. Lysandra chegou correndo. Assim que me examinou, seu rosto ficou sério. — O parto começou. — Mas ainda não está na hora — consegui dizer. — Eu sei. Ela olhou para Kael. —
Última actualización: 2026-08-25