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CAPÍTULO 6

last update Data de publicação: 2026-04-14 21:46:47

Enviei meus homens para todos os aeroportos da cidade, e verificaram cada lista de embarque. Eu tinha poder e contatos suficientes para fazer isso, e não poupariam esforços para encontrá-la.

Até que recebi sinal positivo de um dos aeroportos e fui direto para lá.

Entrei no avião, e todos os passageiros, que antes estavam agitados e reclamando da demora, se calaram, e um a um retomaram seus assentos. Eu já estava acostumado com aquele tipo de reação.

Minha empresa comandava metade dos negócios da cidade, e certamente muitos ali, direta ou indiretamente, trabalhavam para mim.

Caminhei pelo corredor estreito da classe econômica e então a vi.

Sentada próxima à janela, mal disfarçada com um lenço e óculos escuros.

Aproximei-me e olhei para o homem sentado ao lado dela.

— Saia — falei em tom de ordem, e ele rapidamente obedeceu.

Ela continuou olhando pela janela, fingindo que eu não estava ali, e aquilo me irritou profundamente.

— Vamos — minha voz saiu falha, pois eu já começava a perder o controle e a paciência.

Ela não se moveu.

Segurei seu braço e a puxei com força para perto de mim.

— O que pensa que está fazendo? Me solte! — ela gritou, e seus olhos revelaram-se vermelhos e chorosos de raiva. Ela estava com raiva de mim? Eu é que deveria estar irritado com ela.

Suspirei, apertando o braço dela ainda mais, tentando me acalmar.

— Vamos logo —

Tentei me virar para levá-la, mas sua voz saiu como um golpe no meu peito.

— Eu disse não! Eu não vou com você a lugar nenhum! —

Ela respondeu firme, sustentando meu olhar.

Eu já estava perdendo a paciência.

— Vivianne. Não teste minha paciência, venha logo e vamos conversar lá embaixo —

— Está vendo? É por isso que eu quero ir embora. Você só sabe dar ordens, tudo tem de ser do seu jeito ou nada. Eu passei a minha vida inteira seguindo as ordens dos meus pais. Eu amo você, mas não quero passar o resto da minha vida obedecendo às suas ordens. Então me deixe ir, me deixe viver a minha vida, Dante! —

Minha mão se fechou ao redor do braço dela.

— Vivianne... — o sussurro do nome dela saiu como um rosnado em meus lábios. — Aqui não é lugar para falar sobre isso. Vamos sair e conversar direito —

— Eu já disse que não vou com você a lugar nenhum! — ela insistiu. — Se você me ama, respeite minha decisão. Pois, se me levar daqui à força, apenas vai ganhar o meu ódio! —

Aquelas palavras, o olhar frio dela, tudo apenas fazia mais rachaduras dentro de mim.

— Como... como pode pensar em me deixar assim? O meu amor não é suficiente para você? Eu posso pagar a melhor universidade do país para você, mandar criarem o curso que você desejar, fundar uma empresa só sua, com o seu nome. Então fique, eu vou dar tudo que você quer e precisa aqui, ao meu lado.—

Ela soltou uma risada seca. — Está vendo? Mesmo querendo me agradar, você pensa em me controlar. Eu não quero que você compre uma universidade para mim, eu quero com seguir entrar numa universidade por mim, estudar, me formar, criar minha própria carreira, com os meus méritos e esforços! Não por ser a esposa de Dante Franconi. Eu não quero ficar aqui e ser seu canário dourado, sem vida própria, vivendo na sua sombra, Eu quero viver e construir minha própria vida! então me deixe ir, por favor —

Um grande nó se formou em minha garganta, impossível de engolir.

— Você... você realmente está me deixando? — aquela pergunta rasgou minha garganta e queimou minha língua.

Vivianne desviou o olhar. E aquele gesto foi o suficiente para quebrar tudo que sobrava dentro de mim.

— Só... me deixe ir, Dante. Antes eu fiquei por você, mas agora eu preciso ir, por mim —

Como se todas as forças tivessem sido drenadas do meu corpo, soltei seu braço, como se soltasse a última esperança de ficarmos juntos.

Ela voltou a se sentar, olhando para a janela, fugindo do meu olhar, como se escapasse de uma prisão onde não queria mais estar, como se escapasse de mim

Cerrei os punhos e me virei, saindo do avião sem olhar para trás.

Quando voltei ao aeroporto, ouvi o som do avião decolando, e me virei apenas para ver a mulher a quem eu tinha dado meu coração, me deixando para trás, como se eu não fosse nada em sua vida.

Dentro do carro, permaneci em silêncio, enquanto meu assistente dirigia.

Não sei quanto tempo ficamos dando voltas pela cidade, mas quando me dei conta, o sol já estava se pondo. Então me lembrei da segunda parte do meu plano para aquele dia que deveria ser perfeito.

Depois do almoço de aniversário dela, pretendia levar Vivianne até seu clube favorito, onde teríamos uma comemoração mais íntima com nossos amigos próximos.

— Vamos para o Every Night Club —

— Sim, senhor —

Em alguns minutos, chegamos lá.

Adentrei o local quase como um fantasma, sem vida e sem vontade. E, por não prestar atenção, acabei esbarrando em algumas pessoas.

Meus olhos caíram sobre ela, e por alguma razão, mesmo com minha mente bagunçada e não prestando atenção em nada, rapidamente a reconheci.

Evelyn Fuentes.

Mas ela parecia diferente do que me lembrava dela, e de como costumava aparecer nós eventos pelos vistos, eu não era o único tendo um dia ruim.

Passei por elas sem dizer uma palavra.

Entrei na sala reservada, coberta com as flores favoritas de Vivianne: rosas brancas, puras e imaculadas, tal como ela era.

Olhei a caixa de presente sobre a mesa de centro. que eram nossas recordações, e não pude evitar sorrir de mim mesmo, do quão patético e idiota eu fui.

Num acesso de raiva, comecei a quebrar tudo, deixando sair toda a raiva e frustração que vinha segurando desde que li aquela carta.

Quebrei tudo que podia, gritei com raiva de mim mesmo, até finalmente cair exausto no sofá, todo desarrumado como nunca estive em minha vida.

Aquele homem de aparência perfeita e inabalável havia desaparecido. E restava apenas um pobre miserável jogado fora, como lixo.

Apertei o copo de uísque em minha mão, sentindo algo consumir todo o meu corpo. Algo que eu sentia apenas quando desejava vencer algum negócio.

O desejo de me superar, dar a volta por cima, e mostrar que eu era Dante Franconi. E ninguém podia pisar em mim ou me descartar.

Naquele momento, uma ideia passou pela minha cabeça, talvez a mais fútil e mesquinha que eu já tive. Mas eu desejava fazer aquilo mais que tudo.

Fazer Vivianne perceber o erro que tinha cometido só me deixar, e a única forma de fazer ela perceber e sentir que me tinha perdido.

Se ela ficasse tão desesperada quanto eu me senti ao ver aquele avião partir, ela com certeza voltaria correndo para mim.

— Vivianne, assim que você perceber que tomou a decisão mais errada da sua vida ao me deixar, você vai voltar para mim, e poderemos retomar de onde paramos.

O plano era simples, me casar com outra mulher, e fazer Vivianne voltaram correndo para mim, fosse por amor, arrependimento ou desespero.

Eu só precisava da pessoa certa para aquele plano, alguém com beleza e status, impossível de ignorar, alguém que chamasse atenção de todos, alguém que fizesse ela perceber que podia ser facilmente substituída e perder o seu lugar ao meu lado.

Eu apenas precisava da esposa perfeita!

E naquele exato momento, ela entrou na sala. Como uma resposta ao que eu procurava.

Nossos olhares se cruzaram, e naquele instante tive certeza.

Era ela.

Ela era a mulher que eu precisava.

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