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CAPÍTULO 08

last update Fecha de publicación: 2026-05-27 05:48:02

Morgan despertou assustado com o barulho de uma caixa caindo no chão.

Levantou rapidamente do sofá e olhou ao redor.

Mas Max não estava mais ali.

Franziu a testa imediatamente.

— Onde está o Max?

O homem que organizava os equipamentos segurou a caixa nos braços antes de responder:

— O doutor Xavier saiu cedo. Houve um desmoronamento próximo da vila ao norte.

Ele apontou para fora.

— Estou levando os equipamentos médicos para lá agora.

Morgan já pegava a própria bolsa.

— Eu vou com você.

Sem esperar resposta, ajudou a carregar algumas caixas até o jipe.

O homem assumiu o volante por conhecer melhor a região.

O céu ainda estava escuro, mas os primeiros raios de sol começavam a surgir no horizonte enquanto o veículo avançava pelas estradas destruídas.

Quando chegaram ao local…

Morgan ficou imóvel por alguns segundos.

O cenário era devastador.

Casas destruídas.

Poeira cobrindo tudo.

Pessoas feridas espalhadas pelo chão.

Gritos.

Choro.

E médicos correndo desesperadamente entre os destroços.

Morgan passou a mão pelos cabelos aflito.

— Mas o que aconteceu aqui?

Olhou ao redor incrédulo.

— Não houve chuva… nem terremoto…

O homem ao lado dele respondeu enquanto descarregava as caixas:

— Um míssil explodiu perto daqui durante a madrugada.

A voz dele ficou pesada.

— O impacto causou tremores e o vilarejo inteiro desabou.

Morgan sentiu o peito apertar.

Então começou a caminhar rapidamente pelo local.

Enfermeiras passavam correndo.

Feridos eram carregados em macas improvisadas.

O cheiro de fumaça e sangue dominava o ar.

Então ele viu Max.

O coração de Morgan apertou imediatamente.

Max vinha caminhando lentamente entre os escombros carregando uma criança pequena nos braços.

Imóvel.

Sem vida.

O rosto dele estava completamente pálido.

Os olhos vazios.

Como se naquele instante o mundo inteiro tivesse desaparecido ao redor dele.

Morgan correu até ele sem pensar.

Pegou cuidadosamente a criança de seus braços e a levou até a área onde os corpos estavam sendo colocados.

Depois voltou imediatamente.

Max já estava sentado no chão.

As mãos tremiam sem controle.

Cobertas de sangue.

Morgan pegou uma garrafa de água e se ajoelhou diante dele.

Lavou cuidadosamente suas mãos.

Depois secou devagar.

Como se tivesse medo dele quebrar.

— Você está bem?

Max permaneceu olhando para as próprias mãos.

A voz saiu baixa.

Quase falhando.

— Eu não consegui salvar aquela criança…

Os olhos dele começaram a lacrimejar.

— Ela morreu nos meus braços…

A respiração dele pesou.

— Tudo por causa de uma guerra sem sentido.

Morgan ergueu lentamente a mão até os cabelos dele, afastando alguns fios do rosto suado.

— Meu zangado…

A voz dele saiu suave.

— Não foi culpa sua.

Max apertou os dedos com força.

— Mas se eu estivesse no hospital…

Fechou os olhos.

— Talvez eu tivesse conseguido salvar ela.

Morgan ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder:

— Talvez.

Depois segurou delicadamente o rosto dele.

— Mas você não pode carregar o peso do mundo inteiro sozinho.

Max abaixou a cabeça.

Exausto.

Destruído.

Morgan então se levantou.

— Vem comigo.

Max tentou se levantar imediatamente.

— Ainda não terminei. Preciso voltar.

Mas Morgan segurou sua mão.

Dessa vez com firmeza.

— Já chega.

O olhar dele endureceu.

— Você não é o único médico aqui.

Depois respirou fundo.

— E olha só pra você…

A voz dele suavizou novamente.

— Você mal consegue ficar em pé.

Max desviou o olhar.

Morgan abriu a porta do carro.

— Agora você vai descansar.

Então sorriu de leve.

— Nem que eu tenha que te amarrar numa cama, meu zangado.

Max entrou em silêncio.

Durante o trajeto, permaneceu olhando pela janela.

Só voltou a prestar atenção quando sentiu Morgan se inclinar sobre ele para colocar o cinto de segurança.

Os rostos ficaram próximos demais.

Morgan sorriu de canto.

— O quê?

Aproximou um pouco mais.

— Tá querendo um beijo de carinho?

Max imediatamente o afastou.

— Eu não gosto desse tipo de brincadeira.

O sorriso de Morgan diminuiu.

Mas ele apenas assentiu em silêncio e voltou para o próprio lugar.

Do lado de fora, Bella observava os dois saindo.

Então cruzou os braços.

— Como ele consegue fazer isso?

Tony apareceu pegando uma garrafa de água.

— Talvez porque conheça o doutor Xavier há muitos anos.

Bella olhou para ele.

— E onde você estava quando ele desceu sozinho?

Tony suspirou cansado.

— Tirando pessoas dos escombros.

Depois passou a mão no rosto.

— Não consegui chegar a tempo.

Bella desviou o olhar.

— Ele ficou péssimo de novo…

Tony apenas concordou em silêncio.

Dentro do carro…

Morgan dirigia lentamente entre vilarejos completamente destruídos.

Max observava tudo pela janela com o olhar distante.

Morgan então perguntou:

— Há quanto tempo está aqui?

— Dois anos.

A resposta veio baixa.

— Faz exatamente dois anos hoje.

Morgan apertou levemente o volante.

— E por que não volta pra casa comigo?

Olhou rapidamente para ele.

— Seus irmãos gostariam de te ver.

Max fechou os olhos sentindo o vento tocar seu rosto.

— Eu não quero voltar.

A voz saiu firme.

— Nunca mais.

Morgan estacionou o carro próximo ao hospital e virou completamente para ele.

— Você ainda está fugindo por causa do que aconteceu naquela época?

Max abriu os olhos lentamente.

Morgan continuou:

— Você se tornou um médico reconhecido no mundo inteiro.

A voz dele carregava admiração.

— Hospitais famosos vivem tentando contratar você.

Depois franziu a testa.

— Então por que insiste em viver em lugares esquecidos pelo mundo?

Max finalmente olhou diretamente para ele.

— Porque essas pessoas precisam de ajuda.

A voz saiu séria.

— Pessoas como você sempre terão os melhores médicos.

Então apontou para fora.

— Mas eles não têm ninguém.

E saiu do carro.

Morgan respirou fundo antes de correr atrás dele.

Parou bem na frente impedindo que continuasse andando.

— Qual é o seu problema, Max?

O olhar dele estava cheio de dor.

— Você realmente não gosta nem um pouco de mim?

Max endureceu o olhar imediatamente.

— Eu não gosto de você.

A resposta saiu rápida demais.

Quase desesperada.

— Então para de me seguir.

Os olhos dele começaram a lacrimejar.

— Me esquece.

A voz falhou.

— Vai ser feliz com alguém que mereça você.

Morgan o abraçou sem pensar.

Apertando ele contra o peito.

— Mas a minha felicidade é você, meu zangado.

Max congelou.

O corpo inteiro ficou rígido.

Por alguns segundos ele não conseguiu reagir.

Então empurrou Morgan com força.

O desespero estampava seus olhos.

— Nunca mais faça isso!

A voz saiu alta.

Quebrada.

— Nunca mais me toque desse jeito!

E saiu correndo na direção do hospital.

Morgan permaneceu parado observando ele desaparecer corredor adentro.

O peito apertava cada vez mais.

Então as palavras antigas de Max voltaram à sua memória.

“Eu virei um lixo.”

“Não mereço ser amado.”

Morgan fechou os olhos lentamente.

Como alguém podia carregar tanta dor sozinho?

Algum tempo depois…

Ele foi até o escritório de Max.

Tentou abrir a porta.

Trancada.

Morgan apoiou a testa contra a madeira.

— Max…

A voz saiu baixa.

— Me desculpa.

Silêncio.

— Eu não devia ter te abraçado sem perguntar antes.

Do outro lado da porta, Max estava sentado no chão abraçado aos próprios joelhos enquanto chorava em silêncio.

Morgan continuou:

— Por favor… vamos conversar.

Depois de alguns segundos…

A porta finalmente se abriu.

Max desviava completamente o olhar.

Os olhos estavam vermelhos.

— Quero que vá embora.

A voz dele tremia.

— E me esqueça de uma vez.

Morgan entrou devagar na sala.

Então respirou fundo.

— Eu não posso fazer isso.

Max levantou os olhos.

— Não pode… ou não quer?

Morgan deu um pequeno sorriso triste.

— Os dois.

Depois apontou para fora.

— O hospital da minha família está patrocinando esse lugar.

Então voltou a olhar diretamente para ele.

— E eu vim como representante oficial.

Se aproximou lentamente.

— Mas também vim por você.

Max ficou imóvel.

Morgan continuou:

— Mesmo que você me odeie…

A voz dele suavizou.

— Eu não vou deixar você desaparecer de novo.

Os olhos dele começaram a brilhar levemente.

— Porque mesmo que seus irmãos tenham seguido em frente…

Ele deu um passo mais perto.

— Eu senti sua falta todos os dias, meu zangado.

As lágrimas voltaram aos olhos de Max imediatamente.

Morgan então sorriu de leve.

— E querendo ou não…

Abaixou um pouco a cabeça na direção dele.

— Nosso destino é ficar juntos.

Depois recuou calmamente.

— Não precisa se preocupar.

A voz saiu gentil.

— Eu nunca vou fazer nada que você não queira.

Então apontou para o sofá.

— Agora descansa.

Abriu a porta devagar.

— Eu vou cuidar dos pacientes por você hoje.

E saiu da sala.

Max permaneceu parado por alguns segundos.

Então as pernas fraquejaram.

As lágrimas escorreram silenciosamente por seu rosto enquanto ele fechava a porta novamente e deslizava lentamente até o chão.

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