Romance Sáfico - À Primeira Vista

Romance Sáfico - À Primeira Vista

last updateÚltima atualização : 2026-08-09
Por:  Kaike Nunes Em andamento
Idioma: Portuguese
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Ana Clara é uma estudante de faculdade muito comprometida, mas que é surpreendida por um sentimento nunca antes experimentado. Ela conhece Bruna e não consegue tirá-la da cabeça desde o primeiro olhar, sem saber se a mesma corresponde ou não a seus sentimentos. Mas, afinal, que sentimentos são esses? Amor? Paixão? O quê? * Criação de Capa: Kaike Nunes (Eu) * Qualquer plágio estará sujeito a processo judicial. Meu segundo livro LGBT

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Capítulo 1

01- Seria Possível?

Sempre escutei que faculdade não era algo fácil de se fazer, mas nunca imaginei que seria pior do que tudo o que já havia pensado a respeito. Falando assim parece que meu objetivo vai ser falar sobre as dificuldades de uma vida estudantil, mas não, porque na verdade o meu problema era outro e tinha nome... Bruna.

Mas antes de começar a contar a respeito, acredito que o mais educado seja me apresentar, certo? Enfim, me chamo Ana Clara, mas sou mais conhecida apenas por Ana e eu até prefiro assim, porque pra mim esse negócio de nome composto deixa o seu nome muito grande, então quando me chamam por ele inteiro parece que estão brigando comigo... não gosto, não.

Dito isso, creio que podemos começar com o dia em que a vi pela primeira vez. Seria amor à primeira vista? Talvez seja mais a ideia de uma paixão à primeira vista, ou tesão à primeira vista... vai saber, né. Nós não fazíamos a mesma graduação, mas calhou de termos uma matéria em comum e foi assim que começou esse clichê doido na minha vida.

Meu dia tinha se iniciado extremamente normal, já até imagino esse relato como ocorre em cenas de filme, comigo acordando, fazendo minhas coisas básicas como escovar os dentes e etc., arrumando as coisas que ia levar e saindo de casa ao som de alguma música razoavelmente alegre, e foi assim mesmo que tudo começou naquele novo período que se iniciava.

Cheguei à faculdade em meio à correria, em meio a minha invisibilidade natural, porque não, eu não era o tipo de pessoa popular que vivesse cercada por milhares de pessoas, ao contrário disso, sempre me considerei alguém... como dizer?... normal?... talvez essa seja uma boa definição. Eu tenho um foco tão grande nos meus estudos, que pouco me atentava pro que acontecia ao meu redor... quero nem dar nome pra isso. – Riu.

Pra mim é engraçado reviver tudo isso de novo porque, por mais que pareça redundante, não é a primeira vez que conto essa história e, na primeira vez, acho que fui mais sucinta, talvez muito direta, usando poucas palavras, não sei, só sei que agora vou detalhar um pouco mais a respeito dessas minhas vivências que, por mais bobas que possam parecer pra alguns, pra mim foi algo que mudou tudo, mas... uma coisa de cada vez.

Entrei na sala de aula, preenchida majoritariamente por outra turma, por ser uma matéria nova, e me sentei, nem tão na frente e nem tão no fundo, do jeito que gosto de ficar normalmente. Estava me preparando pro início da aula quando ela entrou radiante pela porta. Bruna era a mulher mais linda que já havia visto na minha vida... ao menos na minha opinião... e na opinião de vários rapazes também.

Eu sei que o conceito de beleza é algo muito relativo, porque dependente muito da opinião de cada um, por isso, talvez, pra alguns sua beleza não fosse nada demais, mas pra mim ela iluminava todo o ambiente com sua presença, com seu sorriso, e sinto que, por isso, era inevitável sentir o que senti.

Ela parecia uma típica “patricinha”, andando e sendo seguida por pelo menos dois homens, mas não tinha “vibe” de “Regina George”... traduzindo, ela não parecia ser uma pessoa ruim, esnobe e etc., pelo contrário, depois que se sentou e começou a interagir com as demais pessoas, sua energia era leve e simpática.

Meus olhos pareciam presos nela e minha mente estava vaga, era como se estivesse hipnotizada e não havia o menor sentido racional do porquê estar daquele jeito. Eu nunca tinha sentido algo assim, à primeira vista, por isso me parecia muito absurdo, o problema é que piorou no momento em que seus olhos se encontraram com os meus.

Ela sorria, pois estava falando com seus amigos e amigas, e foi nesse momento que nos olhamos, olho no olho, como em uma cena em câmera lenta, e senti todo meu corpo se arrepiar. Não desviei de imediato e nem ela o fez, fazendo com que aquele segundo fosse o mais longo da minha vida. Por um instante tive a impressão de seu sorriso se transformar em um algo direcionado pra mim, mas não queria pensar isso, porque pensar assim poderia simplesmente me iludir... podia?

Sua boca se fechou e formou um leve sorriso de canto enquanto o som ao meu redor ia diminuindo e ficando cada vez mais abafado, eu não conseguia desviar o olhar e ela parecia não se importar. Ninguém reparava no que tava acontecendo, nem eu sabia se aquilo era real, ou apenas fruto da minha imaginação, por sim, poderia ser um delírio.

Todo o meu corpo estava arrepiado e eu tenho certeza que tudo estava acontecendo muito rápido, embora parecesse uma eternidade pra mim. Um lado meu desejava cortar aquela ligação, mas havia um outro lado que simplesmente não queria parar de se alimentar daquele olhar... daquele sorriso.

– Tá olhando pra onde, doida? – Me perguntou Julia, minha melhor amiga e parceira de faculdade, ao passar por mim e se sentar atrás.

A voz de Julia me fez acordar daquele transe, foi como se isso tivesse me puxado de volta a realidade, o que muito agradeci, mesmo que internamente, por ter acontecido, já que não estava sendo possível fazer sozinha.

Respirei fundo, balancei involuntariamente minha cabeça, como se me libertasse de uma prisão e, me virando bruscamente pra trás, respondi:

– Olhando? Não to olhando pra nada, não.

– Ah, para! Da porta eu já te vi encarando a garota ali do outro lado.

– Eu não tava encarando ela. – Retruquei preocupada.

– Tava sim, mas não era só você não, ela também tava te encarando. – Disse Julia sorrindo com malícia.

– Você também viu isso? – Perguntei surpresa e quase sussurrando.

Julia riu “com gosto”, soltando uma barulhenta gargalhada, o que me deixou preocupada daquilo não ter chamado a atenção das pessoas ao nosso redor, mas não conseguia olhar pra confirmar de tão constrangida que me sentia.

Julia disse:

– Isso porque não tava encarando ninguém, né? Vi sim, mas parece que ninguém mais reparou, sei lá.

– Graças a Deus! – Respirei aliviada. – Só espero que sua risada não tenha ligado um alerta em neon em cima da gente.

– Foi tão bizarra assim essa troca de olhares entre vocês? – Riu.

– Por que você ta perguntando isso?

– Porque você ta nitidamente abalada, meu bem. – Riu.

– Ah, cara, foi estranho, nunca aconteceu isso comigo, tipo, não faço ideia de quem ela seja, mas quando ela entrou, eu me senti presa nela... foi louco.

Com um pouco de coragem, tentei olhar pelo canto dos olhos, porque não quis me virar diretamente e chamar atenção, mas, com o que consegui ver, percebi que Bruna não estava mais me olhando, e realmente não faria sentido se ainda estivesse... embora eu quisesse.

O que vi, na verdade, foi ela sentada, virada para frente, enquanto um dos rapazes estava tentando fazer uma massagem em seus ombros e sendo zoado por isso pelos demais, como se ele estivesse implorando por alguma migalha, sei lá, só sei que as brincadeiras giravam em torno disso.

Acho muito engraçado o comportamento masculino cis hétero e não falo isso em forma de crítica, eu apenas acho realmente curioso, porque eles ficam rodeando, bajulando, tentando ser legais e tals, pra conseguir alguma coisa vinda da pessoa por quem estão afim, enquanto a garota, normalmente, parece não dar a menor confiança pra nada que ele esteja fazendo... lembrando que isso é apenas a minha percepção.

– Sabe qual é o nome disso? – Me perguntou Julia prestes a me zoar.

– Lá vem. – Soltei em tom de reclamação sem nem olhá-la.

– Carência. – Riu.

– Tu é muito chata, sério mesmo. – Reclamei me virando pra frente.

Julia era aquele tipo de amizade que adora te zoar por qualquer motivo, mas que quando você precisa, ela sempre está ali pra te ajudar, mesmo que tenha que rir de você primeiro. Ela estava me zoando porque fazia muito tempo que não ficava com ninguém, chegava a dizer que sou exigente demais, porque ninguém nunca é interessante o suficiente pra me tirar da inércia... o que não discordo, infelizmente.

Mas enfim, o professor finalmente entrou em sala, todo simpático e motivado, diferente da energia do resto da população Mundial... no caso em especial, eu. Comecei então a pegar minhas coisas e colocá-las sobre a mesa, que era o que já devia ter feito desde que me sentei, porque, como dizem por aí, “sorte no jogo, azar no amor”... esperava que aquilo valesse pra vida estudantil também.

– Antes que eu esqueça, boa sorte. – Sussurrou Julia no pé do meu ouvido.

– Com o quê? – Perguntei sem me virar totalmente.

– Porque acho que você ficou afim de uma garota cis hétero super popular.

– Você conhece ela?

– Você também deveria conhecer, ela é a queridinha dos professores e de boa parte das outras pessoas também. – Sorriu. – Mas você só fica com a cara enfiada nos livros, aí perde todas as fofocas.

Ergui meus olhos na direção de Bruna, que agora parecia estar em clima de romance enquanto falava com o mesmo rapaz que antes lhe fazia massagem nas costas, pois ambos estavam em extrema proximidade e ela tinha expressões de “paixãozinha”, ou qualquer coisa semelhante a isso... caso seja a melhor forma de exemplificar o que estava vendo.

– Agora chega de conversas paralelas, vamos prestar atenção aqui porque temos muita coisa pra discutir sobre a matéria. – Disse o professor em tom serenamente simpático.

Eu queria prestar atenção, juro que queria, mas minha cabeça tava borbulhando com tudo aquilo, principalmente com o que tinha sentido e que ainda reverberava por dentro... eu não estava apaixonada, não tinha como estar, nunca havia visto aquela garota em minha vida e não é assim que acontece, ainda mais comigo, que sou muito chata e difícil de me interessar por qualquer pessoa que exista na face de nossa querida Terra... mas será que estava? Ainda mais por uma hétero? Nada contra, é só que não facilitaria, né... se fosse o caso... seria?

obs: Todos os capítulos receberão uma atualização de pelo menos 700 novas palavras, então fiquem ligadas 😉

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