INICIAR SESIÓNAquele sorriso, aqueles olhos prateados sem nenhum sinal de sentimentos. Era idêntico a mais cedo, quando tirou a vida de um homem sem nem ao menos piscar. Seus olhos percorreram meu rosto, descendo pelo meu corpo até pararem em minhas mãos.
Com um sorriso de lado, ele puxou uma faca suja de sangue. Deu um pulo para trás, tentando me afastar dele, mas Cassian foi mais rápido e me segurou com força pelos pulsos.
“Se não quiser perder um dedo, melhor ficar parada.” ele levou a lâmina até o lacre que me prendia e o cortou. Senti o cangue voltando a circular em meus dedos e esfreguei os pulsos doloridas.
Ele voltou a erguer sua faca, virando a lâmina diante do meu rosto enquanto olhava em meus olhos. Eles eram vazios, abismos sombrios que pareciam me sugar para eles. A lâmina fria tocou meu rosto, descendo pela minha bochecha. Engoli em seco e então prendi a respiração.
Sentia meu coração batendo com força em meu peito, o medo e a angústia crescendo conforme a faca escorregava tá o meu pescoço. Aqueles olhos cinzentos não se desviavam dos meus, como se ele estivesse esperando uma reação específica minha.
“Por favor…” uma voz baixa soou do fundo escuro da sala, desviando a minha atenção para ela. Cassian suspirou, parecendo irritado.
“Mandei que ficasse em silêncio.” ele disse, se levantando e caminhando até as sombras.
Não demorou para um som estranho tomar conta daquela sala. Um som rouco e gorgorejante, como se a garganta estivesse sendo esmagada por água invisível. Um “glub-glub” desesperado, entrecortado por tosses sufocadas e suspiros agoniados que mal conseguiam puxar o ar. Era o som de alguém lutando contra o peso de um oceano interno, cada gorgolejo carregado de pânico, como bolhas estourando na superfície de um lago escuro.
Silêncio…
Meu coração batia ainda mais rápido. Eu tinha medo de me mover, de respirar. Cassian voltou e não consegui conter o grito de horror que explodiu dentro de mim. Seus braços pingavam o líquido vermelho e espeço, sua camisa grudada ao corpo enquanto cada paço dele deixava uma perfeita marca da sola de seu sapato em vermelho vivo no piso.
O homem que havia me levado até aquela sala se adiantou, trazendo uma toalha e um camisa limpa. A frieza como eles estavam lidando com aquela cena horrenda era assustadora.
“Me admira muito que um pouco de sangue te perturbe tanto, esquilinha. Como pretende ser enfermeira assim?”
“Como sabe…” Minha voz estava trêmula e baixa.
Cassian deu uma risada enquanto limpava seu corpo com a toalha. “Quando se compra algo, deve-se fazer uma pesquisa profunda.” ele entregou a faca ao homem e olhou ao redor. “Tragam uma cadeira. Minha convidada não pode ficar sentada no chão a noite inteira.”
Algo foi arrastado, criando um som estridente. A cadeira que foi levada não combinava em nada com aquele lugar. Seu estofado era de um branco puro, com detalhes delicados de pequenas flores bordadas em um fio perolado.
Aquele pequeno móvel se destacava contra o piso escuro, paredes com tons profundos de grená e mobília escura. Cassian sentou em sua cadeira de couro escura, já com uma camisa escura limpa, dobrando as mangas até os cotovelos.
Sua presença era esmagadora. Aquele homem emanava poder, segurança e medo, uma mistura perigosa e volátil. Me sentei diante dele, as mãos fechadas sobre os joelhos, contendo os tremores do meu corpo.
“Agora sim, podemos ter uma conversa adequada.” ele disse, o sorriso sempre nos lábios. Com calma, Cassian levou a mão ao queixo, esfregando a barba como se estivesse pensando em algo, enquanto a minha mente dispara centenas de pensamentos e perguntas.
O silêncio perdurou e eu não tive coragem de desviar meus olhos de Cassian, com medo de sofrer o mesmo fim da pessoa misteriosa que ainda estava no canto escuro daquele lugar.
“Não há motivo para ser tão cuidadosa.” Cassian quebrou o silêncio. “Como eu disse, é minha convidada, Lilian Reed.”
“Não sou sua convidada.” disse, sentindo uma pontada de raiva ao reviver aquela noite horrível. Mas eu tinha que ser racional e analisar minhas opções.
Cassian era o Boss, o líder da máfia daquele território. Ele era, acima de tudo, um homem que jamais aceitaria sair no prejuízo e eu tinha de usar aquilo a meu favor de alguma forma.
“Acredito que o senhor tenha sido enganado.”
“Eu acho que não.” ele respondeu sem vacilar. Engoli em seco, tentando pensar em qualquer argumento que pudesse usar ao meu favor.
“Não tenho nada, senhor. Meu pai era um simples vendedor, não nos deixou nada além daquela casa simples. Seus homens podem confirmar.” Olhei para os lados, buscando a confirmação do homem, mas ele se manteve calado. Meu coração batia cada vez mais rápido. “Eu sou apenas uma garçonete desse clube e uma estudante, não tenho nada para oferecer.”
“Você se subestima muito, esquilinha.” Cassian se levantou, caminhando na minha direção.
Sentada naquela cadeira, eu me sentia ainda menor sob a sombra de Cassian. Ele deveria ter por volta de 1,90 m, seu corpo era coberto de músculos firmes e seus olhos cinzentos eram frios e cruéis enquanto ele mantinha um sorriso que deveria ser gentil e caloroso.
Me encolhi na cadeira.
Um suor frio escorreu pela minha espinha, minha garganta se fechou enquanto meu coração martelava contra meu peito. A mão dele segurou meu queixo com força.
“Você tem mais a me oferecer d que imagina.” Puxei meu rosto e ele me soltou.
Cassian parecia estar se divertindo com tudo aquilo, enquanto eu só queria sair daquela sala com vida.
“Eu pago.” ele arqueou uma sobrancelha, parecendo confuso com as minhas palavras. Engoli em seco antes de continuar falando, juntando toda a coragem que eu tinha dentro de mim. “Eu pago o valor que você pagou para a Diane e o Liam.”
A gargalhada de Cassian me pegou completamente desprevenida. Ele realmente parecia estar se divertindo com a situação. O poderoso corvo voltou para sua cadeira, cruzando as pernas e assumindo uma postura completamente relaxada.
“Acho que você não entendeu a sua situação.” ele disse, recuperando o fôlego. “Eu paguei muito caro por você, pequena, não acho que consiga cobrir esse valor.”
“Eu tenho algumas economias, posso juntar o dinheiro restante, se for necessário.”
Cassian entrelaçou os dedos, jogando a cabeça para o lado com seu sorriso vazio enquanto seus olhos pareciam ver dentro da minha alma. Tentei parecer forte, firme na minha decisão e na minha proposta.
“Não acho que você tenha meio milhão de euros para me pagar, esquilinha.”
Ao ouvir aquele valor absurdo, senti todas as minhas forças serem drenadas de mim. Aquele valor era absurdo para qualquer pessoa. Minha visão escureceu, minha mente ficou completamente em branco.
Sua presença me envolveu, seu perfume parecia entorpecer meus sentidos. Ele apoiou suas mãos no encosto da minha cadeira, seu corpo pairando sobre mim.
“Entenda de uma vez, Lilian Reed. Você pertence a mim agora. Irá trabalhar para mim e responderá somente as minhas ordens.”
Não era possível.
Eu não queria acreditar que toda a minha vida havia terminado daquela maneira.
Ergui meus olhos, percebendo a proximidade de Cassian pela primeira vez. Seus lindo rosto apresentava pequenas marcas e cicatrizes. Em seus lábios, um sorriso de lado surgiu, seus olhos cinzento ganharam um ar que misturava divertimento e curiosidade.
“Parece que vamos nos dar bem, esquilinha.”
Em um piscar de olhos, um ano havia se passado. Os preparativos para o casamento estavam sendo finalizados. Cassian foi até a casa do meu avô, para pedir formalmente a minha mão em casamento e receber a bênção dele. Amy e Chloe estavam comigo quando escolhi o meu vestido, elas seriam as minhas damas de honra e todo o processo do casamento estava sendo maravilhoso, até a manhã da semana que antecedia o grande dia. Eu estava no apartamento de Cassian, pois, como ficava no centro, era mais fácil me locomover para a faculdade e para resolver os preparativos do casamento. Fui acordada com uma grande confusão, gritos e o som de coisas sendo quebradas vinha da sala. “O que está acontecendo?” perguntei enquanto saía do quarto, amarrando meu hobby e correndo na direção do barulho, mas eu não estava preparada para o que eu vi. Rebecca Shaw estava segurando um vaso, arremessando contra os seguranças que tentavam contê-la, mas o que mais me chocou foi a sua aparência. Roupas gastas, cabelos
Eu compreendia a preocupação do meu avô, mas não consegui evitar ficar irritada com suas palavras. Cassian não me tratava daquela maneira, suas ações eram claras, mesmo que ele não dissesse abertamente que me amava, eu conseguia sentir aquele sentimento em cada olhar, cada toque, cada palavra sussurrada em meus ouvidos.Me levantei, irritada com o rumo que aquela conversa havia tomado.“Não sei como era o pai de Cassian, mas está claro que o senhor o está confundindo Cassian com ele.” disse com a voz firme, olhando para o homem com expressão séria e fria diante de mim. “Cassian não é esse tipo de homem e o senhor não pode me impedir de estar ao lado dele.”“Minha criança, eu não a estou proibindo de vê-lo.” Meu avô estendeu sua mão na minha direção. Por um momento, pensei em recusá-lo, mas meu coração ficou pesado e eu aceitei, voltando a me sentar no sofá. “Sim, eu conheci o antigo Boss e sei que Cassian Moore não tem nada de seu pai. Mas o ato dele assumir uma relação com você, minh
Eu poderia me perder dentro daquela tempestade e não me arrependeria. Seu sorriso de lado, provocativo, me desafiando a desaparecer com a distância entre nossos lábios enquanto seu perfume quente me cercava, arrepiando minha pele com o calor de seu corpo. Estendi meus braços, tocando de forma desajeitada seu rosto, sentindo a aspereza de sua barba com as pontas dos meus dedos. A posição em que estávamos me lembrou dos filmes de super-heróis americanos, o que me fez sorrir com a comparação. Acredito que Cassian estaria mais para um anti-herói do que um dos mocinhos. “Por que você sumiu por tanto tempo?” questionei, entrelaçando meus dedos em seu
Os homens de Cassian levaram Daniel para fora, jogando-o dentro de uma van vermelha. Meu avô permaneceu em completo silêncio durante todo aquele tempo, observando com o maxilar tenso os nós de seus dedos brancos por conta da força com a qual ele segurava sua bengala. Me aproximei, tocando sua pele fria com as pontas dos meus dedos. Ele me olhou por um longo momento e suspirou, como se estivesse cansado demais, derrotado. “Agora eu consigo compreender.” ele disse com um sussurro baixo. Ele cobriu minha mão com a dele, dando tapinhas leves. “Era disso que ela estava fugindo.” “A mamãe era uma mulher forte, ela sempre foi, mesmo em seus últimos momentos.” disse, te
“É mentira, você nunca teria capacidade para fazer algo assim?” tombei a cabeça de lado e estendi minha mão na direção de Diane. Seus olhos se arregalaram enquanto eu agarrava seus cabelos com força e os puxava para cima. “Me solta! Isso dói!” “Eu peguei uma faca de pão, aproveitando um descuido de Daniel quando ele me levou comida e a escondi. Lian apareceu, bêbado, acreditando que eu estaria fraca e vulnerável demais para me defender.” Puxei os cabelos de Diane com mais força, expondo seu pescoço e apontando a arma para o lugar exato onde apunhalei Lian. “Foi bem aqui. O sangue se espalhou rápido pelo chão enquanto ele tentava cobrir as feridas com as mãos.”
Tentei me levantar e correr, mas Daniel agarrou meu cabelo, me puxando de volta e me jogando no chão, para longe da porta da frente. Caí sobre o ombro, o som seco da batida do meu corpo contra o piso liso.“Daniel, por favor.” tentei falar, mas fui silenciada com um forte tapa no meu rosto.Minha visão escureceu, a sensação fria do piso contra o meu rosto enquanto um zumbido fino ecoava em meus ouvidos.“Você fugiu de mim, Lilian. Da única pessoa que te ama em todo esse mundo.” Ele voltou a agarrar os meus cabelos, me puxando para cima. “Você precisa aprender que não pode fazer esse tipo de coisa.”“E você vai aprender a implorar pela sua vida.”







