FAZER LOGINDahlia
“Mikaelson, verifique o quarteirão, veja quantos são. Pelo meu olfato, senti que podem ser uns cinco, mas eles podem estar camuflando o cheiro.” Lakan ordena com a voz firme. “Você, cheque outras entradas da casa.”
Os dois rapazes obedecem às ordens de Lakan como se ele fosse um rei. Olho para isso tudo, incrédula.
“Você,” ele aponta o dedo para mim. “Não estava nos planos levá-la junto, mas parece que meu filho é muito apegado a você. E não temos muito tempo para explicações.”
Dessa vez sou eu que solto uma risada zombeteira na direção de Lakan.
“Isso é loucura!” informo, incrédula. “Não iremos a lugar nenhum. E se você não sair daqui agora, eu ligarei para a polícia e não me importa se você é o pai biológico dele ou não. Você não tem direito de invadir minha casa e querer levar o meu filho de mim.”
Lakan lança um olhar furioso em minha direção, isso me causa medo, mas me mantenho firme. Seguro Leo ainda mais com força contra o meu corpo.
“Eu sou um lobisomem. Um alfa e irei levar meu herdeiro para longe dessa pocilga com ou sem você, garota!” Lakan declara-se autoritário.
Som de tiros corta o ar e também o vidro de um dos quartos atrás da gente. Lakan se aproxima de nós e nos obriga a abaixar, nos protegendo seja lá do que está atirando contra nós. Mikaelson surge instantes depois, apressado.
“Alfa!” ele grita o título insano de Lakan como aflição.
“Levem-nos para o carro, agora!” Lakan ordena de forma autoritária.
Mikaelson obedece, ele me coloca de pé com um puxão. Sem conseguir raciocinar direito, pego Leo no colo e meu filho se agarra em mim com todas as forças que tem. Mikaelson passa os braços em volta de mim, puxando-me para perto dele. Seu corpo é firme, quase uma muralha. Quero protestar contra essa aproximação, mas as palavras fogem dos meus lábios.
Mais uma onda de tiros percorre o cômodo e eu instintivamente me abaixo, colocando meu corpo inclinado para frente para proteger Leo.
“Fiquem perto de mim!” Mikaelson ordena.
Saímos de casa e percebo de onde estão vindo os tiros. Uma van escura parada do outro lado da rua, não consigo ver as pessoas dentro dela, apenas o lampejo dos tiros. O outro homem que veio com Mikaelson e Lakan está escondido, atirando de volta.
Mikaelson nos conduz para um carro escuro.
“Fiquem abaixados, irei voltar para ajudar o Brian!” Mikaelson declara.
“Não!” peço, desesperada e assustada. “Não nos deixe aqui sozinhos!”
Agarro a mão dele com força, surpresa comigo mesma ao fazer isso. Eu devia deixá-lo ir e fugir dentro desse carro, tirar Leo daqui. Mas meu corpo não obedece a esse raciocínio.
Ele olha para mim surpreso e sinto meu coração gelar no lugar.
“Vocês vão ficar seguros aqui, o carro é blindado. Eu vou voltar, eu juro,” ele afirma com a voz calma.
Mikaelson fecha a porta atrás de si e eu observo, assustada, ele se afastar de nós.
“Mamãe, eu estou com medo.” Leo sussurra choroso em meu colo.
Eu o abraço com mais força, tentando protegê-lo e acalmá-lo. Os tiros cessam e o que vem em seguida é algo extremamente surreal.
De dentro de casa, sai Lakan de uma forma que meus olhos não conseguem compreender. Seus braços, que antes estavam cobertos com o sobretudo, estão expostos e transformados. Garras afiadas surgem dos seus dedos. Ele uiva e inclina o corpo para frente como se tivesse sido atingido pelas balas. Mas o que acontece em seguida me deixa ainda mais assustada.
Lakan se transforma em um enorme lobo de pelagem marrom e olhos dourados incandescentes.
De dentro da van, saem homens armados. Eles continuam o tiroteio, mas por um breve momento quase insignificante. Lakan avança na direção deles e a cena é brutal. Ele dilacera os homens como se fossem animais indefesos.
Mikaelson e Brian surgem logo atrás, eliminando os restantes dos invasores. De repente, Lakan arremessa um dos homens em nossa direção, atingindo o carro com um baque estrondoso. Leo pula do meu colo assustado e meu coração quase sai pela minha boca.
O homem olha diretamente para mim, seus olhos são avermelhados e assustadores. Ele abre um sorriso malévolo em nossa direção com um rastro de sangue nos lábios.
“Leo...” Ele diz o nome do meu filho como se fosse um mau presságio.
Um tiro corta o ar e o homem cai no chão, sem vida. Um grito escapa dos meus lábios.
A adrenalina surge no meu corpo e o desespero de fugir e proteger Leo me domina. Coloco-o abaixado entre os bancos do carro e pulo para frente, no banco do motorista. A chave do carro está na ignição e eu respiro aliviada.
Dou a partida no carro e acelero para sair dali o mais rápido possível. Deixo para trás o caos e o som assustador daquele confronto. Dirijo cambaleando pela pista, sem conseguir manter o carro em linha reta.
Me obrigo a olhar para frente, a me manter focada em fugir. Entretanto, algo pula em cima do carro que faz ele balançar e eu quase perco o controle. De repente, vejo pelo para-brisa o rosto do Lakan transformado. O enorme lobo pula na frente do carro e eu sou obrigada a frear com todas as minhas forças. O carro para a centímetros dele e eu sinto meu corpo todo ficar tenso.
Os olhos dourados dele me encaram de uma maneira que eu não consigo me mover. Em instantes, alguém abre a porta do motorista, mesmo assim eu não me movo.
“Dahlia, está tudo bem!” Mikaelson diz ao meu lado. “Já acabou. Vem, sente lá atrás.”
Ele me pega pela cintura e me tira do banco do passageiro. Mas antes de me conduzir para trás, eu inclino para frente e vomito. Isso quase pega nos sapatos de Mikaelson se ele não tivesse reflexos rápidos. Ele se afasta de mim e eu me apoio no carro, sentindo meu estômago se contrair e tudo o que jantei sair de dentro de mim.
Sinto alguém segurando meu cabelo, afastando-o do meu rosto.
“Está tudo bem. Já passou,” Mikaelson repete ao meu lado. Percebo que é ele que está segurando meu cabelo e afagando minhas costas.
“Já chega. Enfia ela dentro do carro ou deixamos ela aí mesmo,” Lakan informa sério. “Eles vão voltar e precisamos ir logo para casa.”
A ameaça do Lakan desperta em mim o instinto de proteção para com Leo. Endireito o meu corpo e lanço um olhar raivoso contra Lakan. Ele já está de volta ao normal e com um olhar ainda mais frio que o normal. Afasto as mãos do Mikaelson contra mim e entro no carro ao lado do meu filho.
“Você não vai levar meu filho de mim!” declaro com firmeza.
Dahlia“Eu sou sua alma gêmea?” murmuro a questão um pouco confusa, ainda tentando me acostumar com o peso e a delicadeza dessa ideia. As palavras saem baixas, quase tímidas, porque mesmo sentindo tudo o que sinto, ainda parece impossível acreditar que algo tão grandioso possa realmente estar acontecendo comigo.Mikaelson sorri e afirma com a cabeça. Suas mãos estão em minha cintura, me mantendo próxima a ele.O toque dele é firme e carinhoso ao mesmo tempo, como se quisesse me lembrar, sem precisar dizer, que eu pertenço ali, perto dele.Estamos no jardim da casa dele, aproveitando a tarde ensolarada. A luz dourada do sol banha as flores, aquece a grama e atravessa as folhas das árvores, desenhando sombras suaves ao nosso redor.O ar está agradável, perfumado pelo cheiro das plantas e pela tranquilidade rara daquele momento. Tudo parece calmo demais, bonito demais, quase como se o mundo inteiro tivesse decidido nos dar uma pausa.“Nós chamamos de vínculo lunar. É extremamente raro, n
DahliaAcordo com a sensação de alguém apertando a minha mão e acariciando a minha bochecha, como se tentasse me puxar de volta de um lugar muito distante. Em seguida, o cheiro vem. Um cheiro familiar, só que mais intensificado, mais vivo, mais nítido, como se estivesse entranhado no ar ao meu redor. Junto, eu ouço os batimentos de um coração, fortes, constantes, próximos demais, como se ecoassem dentro de mim.Isso tudo é tão estranho, tão confuso. Minha mente desperta aos poucos, pesada, lenta, tentando se agarrar a alguma lógica. Tudo parece real demais e, ao mesmo tempo, distante demais. Há sons, cheiros e sensações me alcançando de uma vez, como se o mundo tivesse ficado mais intenso enquanto eu dormia.“Dahlia? Meu moranguinho, está me ouvindo?” Mikaelson me chama com a voz tão dócil e baixa que isso me traz uma onda de calmaria.O jeito como ele fala comigo corta um pouco da névoa na minha cabeça, como se aquela voz fosse algo seguro em meio à estranheza.Abro meus olhos e busc
Mikaelson“Dahlia, espero que você esteja me ouvindo, meu moranguinho...” digo com um sussurro esperançoso.Seguro a mão dela com cuidado, como se até o menor movimento pudesse afastá-la ainda mais de mim. Sinto que a pele dela está mais quente e isso me traz um pouco mais de conforto, um alívio pequeno, mas suficiente para me manter respirando sem desmoronar.O ferimento em seu pescoço está praticamente fechado. A marca brutal de antes agora parece menos cruel, como se o corpo dela estivesse lutando com toda a força para permanecer aqui. Observar essa melhora, por menor que seja, me dá algo a que me agarrar em meio ao caos.“Eu quero que você saiba que eu te amo muito. Eu devia ter dito isso antes e muito mais vezes. Mas eu amo você, Dahlia.” Confesso com a voz embargada, sentindo cada palavra arranhar a minha garganta antes de sair. “Talvez eu não esteja aqui quando você acordar. Sinto muito se for esse o caso.”As palavras pesam no meu peito assim que saem. Falar desse jeito, como
LakanPego o Leo no colo com cuidado. Mesmo em meio ao caos da batalha, seguro meu filho com toda a firmeza e proteção que posso. Ele continua desacordado, mas seus batimentos estão fortes e firmes. Isso me dá um pouco de alívio em meio a tanta desgraça. Não há nenhum ferimento nele. Nenhum corte, nenhuma marca visível. Liliane ainda não começa o ritual, e só de pensar no que poderia ter acontecido, a minha raiva volta com mais força.“É hora de levá-lo para casa, meu lobinho.” Sussurro ao meu filho antes de beijá-lo no topo da cabeça.Ainda há uma batalha acontecendo, mas assim que os lobisomens renegados me veem com meu filho, eles percebem que perderam e batem em retirada, fugindo como covardes. Eles recuam depressa, sem honra alguma, abandonando os próprios mortos e feridos para trás. O medo vence a selvageria que antes demonstravam.Há uma comemoração animada pelos meus lobisomens pela vitória amarga. Ouço rugidos, vozes exaltadas e a agitação dos meus homens celebrando o fim do
LakanHá muito mais renegados do que eu havia imaginado. A presença deles se espalha por toda parte como uma infestação. Liliane é uma mulher determinada e vai se tornar uma mulher poderosa se eu não a impedir essa noite.Eu consigo sentir isso em cada detalhe ao meu redor, na forma como tudo foi organizado, na ousadia desse ataque, na quantidade de lobisomens dispostos a morrer por ela. Isso não é obra de alguém impulsivo. É o plano de uma mulher ambiciosa o suficiente para incendiar o mundo se isso a colocar acima de todos nós.Me transformar é libertador. O instante em que abandono a pele humana e deixo a fera assumir é como romper correntes invisíveis que me prendem. Por mim, eu vivia mais na minha forma de lobisomem do que de homem.Há muito mais força dentro de mim como lobo do que como humano. Mais verdade também. Como lobo, tudo se torna simples, puro, direto. Atacar. Defender. Proteger. Matar, se for preciso. Não existe o peso da dúvida, apenas o poder bruto vibrando em meus
MikaelsonPreciso encontrar a Dahlia.Esse é o meu único pensamento. Meu único objetivo. Nada mais importa. Nada além disso consegue se manter firme dentro da minha cabeça em meio ao caos. Não penso na batalha, não penso em estratégia, não penso nem mesmo no que pode acontecer comigo. Tudo o que existe, tudo o que me move, é a necessidade urgente e sufocante de encontrá-la antes que seja tarde demais.A batalha se explode na floresta em que estamos. Liliane não é uma humana burra, nem um pouco. E foi burrice nossa subestimá-la de tal maneira. Agora, cercados pelo caos que ela ajudou a criar, isso fica ainda mais evidente. O som dos disparos se mistura aos uivos, aos estalos de galhos se partindo, aos rugidos animalescos que parecem surgir de todos os lados ao mesmo tempo. O ar está pesado, tomado por fumaça, terra revirada e o cheiro metálico de sangue fresco. A floresta, que antes parecia apenas escura e densa, agora se tornou um campo de guerra vivo, feroz, pulsando perigo em cada s







