Mag-log inSoltei a maçaneta da enorme porta principal e caminhei de volta para o hall, ajeitando o vestido com uma fúria transbordante que incendiava minhas bochechas. Nikolái e seu avô me observavam fixamente, mas minha atenção se desviou de imediato para os dois pequenos que tremiam junto à parede. Ajoelhei-me diante deles, engolindo a raiva para que minha voz soasse doce e protetora, tentando apagar a cena anterior.—Quem era aquela mulher, mamãe? Por que aquela senhora tava gritando tanto dentro da nossa própria casa? —perguntou Sasha, agarrando-se com força ao meu casaco com suas mãozinhas.—Ninguém importante, meus amores. Só uma pessoa sem noção que já foi embora para sempre das nossas vidas —respondi, acariciando suas bochechas com ternura.—Ela se parece muito com a mulher que sempre aparece nos meus pesadelos, mamãe —sussurrou Sasha, com os olhos cheios de lágrimas prestes a transbordar.—Não fala mentira! —gritou Mila—. Nossa única mamãe é Abril.Nikolái deu um passo à frente e tento
Pov AbrilAtravessei a entrada da sala principal com a fúria fervendo no sangue e os saltos ecoando como golpes de autoridade sobre o piso polido. O ambiente estava carregado com o rastro amargo de um passado que não me pertencia, mas minha presença não pedia permissão para se impor.Diante do meu marido estava uma mulher de traços russos marcantes, cabelos loiros platinados e uma figura esbelta que exalava uma arrogância artificial insuportável. Katia me olhou de cima a baixo com desprezo, mas não me deixei intimidar por sua elegância de passarela. Caminhei a passos firmes, devorando a distância entre nós sem hesitar, guiada por um instinto possessivo que incendiava meu peito.Passei os braços bruscamente pelo pescoço de Nikolái e o beijei com uma força descomunal, tomando posse de seus lábios para lembrar àquela intrometida quem mandava ali. Nikolái não levou nem um milésimo de segundo para reagir; suas mãos grandes correram com urgência até minha cintura, colando-me ao seu corpo de
Katia me encarou por alguns segundos, mordeu os lábios e então deu rédea solta à sua atuação; levou as mãos ao rosto e começou a chorar profundamente, daquele tipo de choro que não busca compaixão porque já não tem forças nem para pedi-la.—Você não sabe de nada, Nikolái —disse entre lágrimas, com a voz quebrada, furiosa, quase irreconhecível.—Então me explica —falei, sem parar de observá-la.—Você acha que sabe tudo porque foi o ferido, porque ficou preso naquele carro, porque a minha ausência te deu o direito de me odiar com ordem, com método, com elegância. Mas você não sabe o inferno que eu vivi. Não sabe o que foi acordar todos os dias sentindo que a minha vida já não me pertencia.Franzi a testa. Eu havia imaginado aquele momento muitas vezes. Em algumas versões, Katia entrava implorando. Em outras, eu a expulsava antes que dissesse três palavras. Nas piores, eu a escutava. E aquela era a mais perigosa, porque ouvir alguém que destruiu você não a absolve, mas obriga você a lemb
“Em breve vamos nos ver, então me espere ansiosamente.”A mensagem permaneceu aberta na tela durante vários segundos, como se tivesse a ousadia de me encarar de volta. Não respondi. Não porque não pudesse, mas porque sabia exatamente o que vinha por trás daquelas palavras. Havia tons que não pertenciam ao presente, mas a uma vida que eu havia enterrado com esforço, com raiva, com decisões que ainda hoje me cobravam juros.Mordi a parte interna dos lábios até sentir o gosto metálico da tensão. Depois passei a mão pelos cabelos, não como um gesto de cansaço, mas como quem tenta colocar em ordem alguma coisa que já está quebrada antes que desabe de vez. O silêncio da casa não ajudava; pelo contrário, parecia amplificar o eco daquela mensagem, como se alguém tivesse aberto uma porta que eu não havia autorizado.Subi sem pensar muito, guiado por uma urgência que eu não sabia explicar. Não era exatamente medo; era algo mais incômodo: a certeza de que o passado não bate à porta, ele a arromb
Pov NikoláiExistem dois tipos de inimigos neste maldito mundo dos negócios. Aquele que te odeia abertamente e aquele que sorri para você enquanto enfia uma faca nas suas costas. Enrique Thompson foi o primeiro, barulhento e previsível, mas Marko Volkonsky pertencia a uma categoria infinitamente mais perigosa.Conheci-o anos atrás em Moscou, quando as duas famílias estavam começando a erguer seus impérios e decidimos nos associar para ganhar espaço. Durante algum tempo fomos bons sócios e faturamos milhões juntos, mas tudo mudou quando Marko quis cruzar uma linha que eu jamais permitiria. Ele tentou me envolver em negócios extremamente obscuros, como tráfico de pessoas e tráfico de drogas em grande escala.Não sou santo nenhum nem um homem imaculado; já precisei sujar as mãos, mas tenho princípios claros e regras que jamais vou quebrar. Não tolero a sujeira que destrói vidas inocentes, por isso não apenas rejeitei a proposta dele como fui eu mesmo quem o denunciou às autoridades. Por
Acordei com a sensação do calor dele ainda impregnado nos meus lençóis e com um sorriso que mal cabia no rosto. Estiquei o braço, mas o lado de Nikolái já estava vazio, embora o cheiro de sua pele ainda pairasse sobre o travesseiro. Sentei-me preguiçosamente, alongando os músculos, e a primeira coisa que encontrei no chão foi a camisa branca que ele havia tirado na noite anterior.Vesti-a sem pensar, gostando da maneira como o tecido ficava enorme em mim e cobria até minhas coxas com uma suavidade deliciosa. Caminhei descalça até o banheiro principal, guiada pelo som da água e por uma curiosidade travessa que incendiava meu peito. Apoiei-me no batente da porta do box de vidro, mordendo o lábio inferior ao contemplar a silhueta diante de mim.Nikolái estava de costas debaixo da água, e aquela visão fez minhas pernas tremerem a ponto de quase me deixar sem fôlego. Seus ombros largos, os músculos firmes das costas se marcando a cada movimento e a água escorrendo por sua pele bronzeada er







