Casei com um Herdeiro de Segredos

Casei com um Herdeiro de Segredos

last updateLast Updated : 2026-11-07
By:  Daniela MarquesUpdated just now
Language: Portuguese
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Zaira se casou com um homem do morro. Um homem de mãos calejadas, beijos demorados e planos tão simples quanto os dela. Pelo menos, era nisso que acreditava. Até descobrir que Dário é herdeiro de uma fortuna — e que sua chegada ao morro não teve nada de acaso. Por trás do sobrenome que ele escondeu, existe uma família poderosa, uma morte suspeita e um segredo que agora ameaça os dois. Dário garante que o amor foi verdadeiro. Mas Zaira já não sabe quais lembranças do casamento pode guardar sem se sentir enganada. Enquanto tenta descobrir quem é o homem com quem divide a cama, ela se torna alvo de alguém que precisa manter o passado enterrado. E seu marido parece saber exatamente por quê.

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Chapter 1

Capítulo 1 - Quem era aquele homem?

— Você não vai usar minha noiva para me obrigar a voltar.

Zaira parou na esquina.

Dário estava diante do galpão de Afonso, bloqueando o caminho de um desconhecido. O homem usava camisa de linho e mantinha uma das mãos na porta de um carro preto.

— Então dê uma solução antes de amanhã — respondeu ele.

O noivo de Zaira não levantou a voz. Não precisou. Disse alguma coisa que ela não ouviu, e o homem retirou a mão do carro.

Era a primeira vez, em onze meses, que Zaira tinha medo de interromper uma conversa dele.

Dário a viu antes que ela decidisse se aproximar.

Seu rosto mudou.

— Zaira.

O desconhecido olhou para ela com atenção. Demais.

— A noiva.

Ela se aproximou, segurando o pacote de café que acabara de comprar.

— E você é?

— Otávio Brandão.

— Está de saída — disse Dário.

Zaira encarou o noivo.

— Perguntei o nome dele. Não se ia embora.

Otávio pareceu gostar da resposta.

Dário, não.

— Trabalhei com o irmão dele — explicou o homem, tirando um cartão do bolso. — Se precisar falar comigo...

Dário estendeu a mão, mas Zaira pegou o cartão primeiro.

Os dedos dos dois se tocaram. Ela retirou os seus.

— Eu guardo.

Otávio entrou no carro sem insistir. Antes de fechar a porta, olhou para Dário.

— A gente ainda precisa terminar aquela conversa.

Zaira esperou o veículo desaparecer na curva.

— Por que estavam falando de mim?

Dário olhou para o cartão.

— Ele não tem o direito de procurar você.

— E você não tem o direito de responder por mim.

Ele ficou quieto. Ao redor, a rua continuava no barulho habitual: uma moto subia a ladeira, crianças disputavam uma bola, alguém anunciava pão fresco numa bicicleta.

Só Dário parecia estar em outro lugar.

Zaira olhou para a camisa dele, manchada de poeira. Uma hora antes, discutira com Afonso por causa de um caminhão que não queria pegar. Era aquele homem que conhecia.

Não o que fizera um desconhecido recuar com poucas palavras.

— Você trabalhava com esse sujeito?

— Não. Ele conhecia Tomás.

O nome do irmão morto fez Zaira hesitar.

Lembrava a única noite em que Dário tentara falar sobre ele. Tinham ficado sentados no degrau do galpão depois do expediente. Ela acabara encostando o ombro no dele porque não encontrara nada que ajudasse.

Dário nunca terminara a história.

— O que ele quer que você resolva antes de amanhã?

— Coisas que não pertencem ao nosso casamento.

Ela sentiu uma ponta de irritação.

— Se está usando a palavra noiva, alguém já colocou essas coisas dentro dele.

Dário passou a mão pela nuca.

Atrás dele, sobre uma caixa, havia uma flor branca embrulhada em papel.

Zaira a reconheceu.

Na noite anterior, Mirela perguntara se ainda pretendia usar uma no cabelo. Ela dissera que provavelmente não. Não queria gastar mais nada.

Dário acompanhou seu olhar.

— Era para você encontrar amanhã.

Ela pegou a flor com cuidado. Detestou a facilidade com que a garganta apertou.

— Isso não responde.

— Não comprei para responder.

Ele ergueu a mão, mas parou antes de tocar seu rosto.

Zaira esperou.

— Desculpa pelo cartão — disse. — Eu não devia ter tentado pegar.

Ela guardou-o no bolso.

— Então não tenta de novo.

Dário assentiu.

Subiram juntos até sua casa. Ela tinha vinte e sete anos e conhecia cada degrau daquela rua. Mesmo assim, naquele caminho tão familiar, percebeu que o homem ao seu lado conseguia fazê-la sentir segura e desconfiada ao mesmo tempo.

Mirela abriu a porta antes da batida.

— Finalmente! O vestido está esperando e eu também.

Viu a flor na mão da amiga.

— Ah. Então estragou minha surpresa.

Zaira olhou para Dário.

Ele deu de ombros, sem sorrir direito.

Enquanto Mirela ajustava a última parte da cintura, ele ficou encostado no batente do quarto. Zaira tentou olhar para o espelho. Acabou encontrando os olhos dele pelo reflexo.

Dário a observava como se estivesse memorizando alguma coisa.

— Está torto? — perguntou ela.

— Não.

— Então para de olhar assim.

— Assim como?

Mirela ergueu a cabeça.

— Como se eu não estivesse aqui. Vou buscar água. Façam o favor de não destruir meu trabalho.

Quando ficaram sozinhos, Dário se ajoelhou para fechar a tira da sandália de Zaira.

O gesto a desarmou. Queria continuar zangada sem deixar de acariciar os cachos junto à nuca dele.

— Se apertar amanhã, tira — disse ele. — Não precisa sofrer por uma fotografia.

Zaira segurou seu rosto.

— Você está me assustando.

Dário ergueu os olhos.

— Não quero.

— Então não me deixe inventar o que está acontecendo.

Ele se levantou. A mão encontrou a cintura dela, sem puxá-la.

Zaira se aproximou por vontade própria.

O beijo começou devagar. Ela reconheceu a pressão dos dedos nas suas costas, o jeito de ele esperar que abrisse a boca. Era difícil conciliar tanta intimidade com a conversa na rua.

Afastou-se antes que o desejo apagasse a pergunta.

— Tem alguma coisa que pode me fazer desistir de amanhã?

Dário respirou fundo.

O telefone vibrou no bolso dele. Ao tirá-lo, deixou a tela à vista.

Era Otávio.

Você vai mesmo deixar que ela diga sim sem saber por que você está aí?

Zaira soltou a cintura dele.

— Agora você vai me explicar.

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