INICIAR SESIÓNLaura só sentiu que estava realmente no Texas, ao chegar em Austin no fim da tarde ensolarada. Centenas de cowboys com chapéus e roupas de montaria, andavam em grupos pela cidade. A maioria tinha uma cowgirl bonita ao lado, e eles riam enquanto falavam alto e gesticulavam sobre o final do rodeio da temporada.
Várias crianças se divertiam no touro mecânico e corriam por todos os lados em seus trajes de cowboy, deixando os pais loucos de preocupação. Picapes com placas de várias cidades, estavam estacionadas ao redor da grande arena onde as cowgirls disputavam o título feminino montando em belos cavalos. A arquibancada estava lotada pelos amantes dos rodeios, que era uma grande atração na vida histórica e cultural do Estado da Estrela Solitária. Havia um palco com os locutores e música country ao vivo. Laura estava deslumbrada com tanta animação, música, comida e pessoas genuinamente felizes por estarem ali, e fazerem parte da história. Donovan estacionou ao lado de um trailer e olhou sério para ela. - Não saía do meu lado. - Eu adoraria montar em um touro com você, mas eu prefiro comer. Os dois saíram do carro e Donovan pegou a mala com suas coisas. Ele contornou a Ford a tempo de ficar ao lado de Laura quando Cash se aproximou. O garoto de vinte e um anos era o seu principal concorrente, e Donovan não escondeu o desafeto. - Pronto para comer poeira, Cash? O grandalhão de pele avermelhada, cabelos ruivos, olhos verdes e sorriso zombeteiro, devolveu, confiante na vitória: - Se eu perder pra você, Donovan, eu volto a pé para San Antonio. Hoje nós vamos montar o Buffalo Bill. O lombo preto do bicho chega está lumiando de tão grande que ele está. - Boa viagem a pé para San Antonio. Donovan pegou Laura pela cintura com firmeza e passou por Cash que o provocou divertido: - Você caiu dele em Amarillo. Eu disse que ele iria girar. A raiva de Donovan foi mais pelo fato de ter sido desmoralizado na frente de Laura, do que pelo deboche de Cash. Ele se virou e desdenhou. - Buffalo Bill pensou em pular. Depois ele mudou de ideia e girou. Por isso, eu caí. Cash riu alto. Se ele e Donovan não fossem rivais, seriam grandes amigos. - Tá certo. Eu acho que ele vai pular e muito hoje. - Te vejo do palco com o troféu e o cheque gordo do prêmio, Cash. Laura ganhou um olhar curioso do ruivo que tocou na aba do chapéu preto em sinal de respeito. Entretanto, ele olhou para Donovan. - Parece que você refinou o gosto por mulheres. Uma pena que não terá o dinheiro do prêmio. Te vejo do palco. Cash se afastou rindo. Laura pensou em perguntar qual era o valor do prêmio, mas ela não confiou na sua voz estando colada ao corpo firme e quente de Donovan. Eles entraram em uma tenda e ela viu todos chamarem Donovan pelo nome. Era de se esperar que o texano era bem afamado. Um garoto de uns sete anos, entrou correndo na tenda. Ele abriu um sorriso com janelinha e disse eufórico: - Daniel Donovan! Ai meu Deus! Eu sou muito seu fã! Me dá um autógrafo! Pela primeira vez, Laura viu Donovan sorrir sem ser de gozação. Ele riscou a assinatura no chapéu branco do garoto que o abraçou pela cintura e saiu correndo, dando pulos de alegria e gritando que tinha ganhado um autógrafo de Daniel Donovan. Imediatamente, homens fecharam a entrada da tenda para evitar um alvoroço. O peão bruto e fora da lei cafajeste, sorriu zombeteiro para ela ao colocar a fivela de ouro no cinto. - Só a senhorita não aprecia as minhas qualidades. Laura deu de ombros. - Eu não acho que você precise da minha apreciação. - Ao menos me deseje boa sorte. Laura mordeu o lábio inferior. Ela viu a sombra do medo nos olhos escuros de Donovan. Ele era tão selvagem, que ela se esquecia que ele era humano. - Boa sorte. Que Deus te proteja. - Eu não sou um dos filhos preferidos Dele, mas obrigado. Você pode comer agora, mas eu quero a senhorita na plateia torcendo por mim. Laura arfou diante do olhar intenso que recebeu da cabeça aos pés. Ela deu as costas para o seu guia. Colocando as luvas de couro preto, Donovan se concentrou no que estava fazendo. Em seguida, ele vestiu o colete de montaria em touros: peça feita de borracha grossa e couro que tem como objetivo absorver o impacto de eventuais pisões dados pelo touro. Laura se juntou as duas mulheres que estavam do outro lado da tenda, na mesa de comida para os peões. Assim que a viram se aproximar, um prato de comida foi colocado em suas mãos. A loira de olhos azuis, e beleza fora do normal, disse abertamente, e sem rodeios: - Eu nunca pensei que Donovan seria laçado. Eu quero a receita do chá de boceta que você deu nele. Ele te olha como se você fosse o troféu. Laura engasgou com o churrasco e a outra mulher, uma morena risonha, lhe deu um tapa nas costas. - Torça para ele ganhar. Donovan não sabe perder. Quando ele perde para o Cash, ele vira o próprio diabo. Preocupada, Laura forçou um sorriso fraco. Tudo o que ela não precisava, era da fúria de Donovan. Ele sorriu satisfeito quando as duas mulheres a levaram para a arquibancada. Certamente, as duas já tinham sido abatidas por ele e eram de confiança. Com passos lentos, Donovan chegou perto das grades. Buffalo Bill estava corcoveando dentro do cercado. Mais de uma tonelada ansiava para sair em uma explosão de fúria animalesca. Montado, Cash passava a corda em volta da mão direita. Seu pai estava ao seu lado, gritando palavras de encorajamento. Donovan sentiu inveja do ruivo. Ele nunca teve o apoio do pai que dizia que um homem tinha que ser muito burro para montar em um touro. Era verdade, ao longo dos anos, Donovan viu muito sangue e corpos na arena. Mas a glória, nunca vinha sem correr riscos. Ele subiu na grade. O portão iria abrir para Cash em dez segundos. Donovan viu o pai do ruivo se concentrar na contagem regressiva, se inclinou até o seu rival e disse sério: - Ele vai girar. Tomado pela adrenalina, Cash deu um sorriso torto. - Ele vai pular. "E agora, com vocês, o nosso garoto prodígio de San Antonio, Texas, Cash Baker!" O portão foi aberto. Buffalo Bill girou e Cash foi arremessado longe na arena. Donovan encontrou o olhar de Laura no meio da multidão, sentada entre as duas putas que ele já tinha devorado nos anos anteriores. O peão sorria enquanto subia na grade para montar em Buffalo Bill, que tinha sido levado de volta para o cercado. Com a ajuda dos organizadores do evento, Donovan sentou no lombo do animal magnífico. O prêmio milionário e o troféu de campeão se tornaram insignificantes, diante do que Donovan realmente queria ganhar. Ele fechou os olhos castanhos durante a contagem regressiva. "Senhoras e senhores, com vocês, o atual campeão mundial, Daniel Donovan! Com a queda de Cash, ele deve manter o título e se tornar tricampeão!" Três, dois, um... Donovan abriu os olhos. O portão foi aberto. Apenas oito segundos o separavam da vitória. Laura nunca pensou que pudesse ser uma mulher tão devotada enquanto rezava para Donovan não estar amaldiçoado.Três meses depois...- Eu, Daniel Donovan, aceito você, Laura Miller, como minha legítima esposa e prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe.De vestido de noiva, véu e grinalda, Laura repetiu os votos matrimoniais enquanto trocava alianças com o seu cowboy bruto e possessivo. Donovan estava mais lindo do que tinha direito, com o smoking preto feito sob medida e adaptado para o seu antebraço.- Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.Donovan retirou o véu de Laura com reverência e se inclinou para beija-la. Aplausos, gritos e assobios foram ouvidos na igreja de Lafayette. Os recém casados molharam a pena no tinteiro, e assinaram a certidão de casamento. O buquê foi jogado para trás, e simplesmente, caiu nos braços de Cash. O ruivo evitou olhar para Brooklyn que mantinha o relacionamento deles escondido a sete chaves. Em público, os dois fingiam que nã
Após o temporal de verão, o sol voltou a aparecer no final da tarde, pincelando o céu azul com nuances alaranjadas no vasto horizonte. Cash não se importou de caminhar pela estrada enlameada até a fazenda de Brooklyn. O ar fresco serviu para clarear seus pensamentos.Jake tocou na aba do chapéu e apontou para o estábulo onde o patrão checava os estragos da chuva. Algumas telhas tinham voado com a força dos ventos, e Brooklyn não estava de bom humor. Os cavalos estavam agitados, e aquilo o deixava tão irado quanto a fúria da natureza. Ultimamente, se irritava com facilidade.Cash ganhou um olhar raivoso e olhou com desinteresse para Brooklyn. Em seguida, olhou para o teto onde faltava algumas telhas.- Donovan me contou o que você fez com o tio do Liam.O fazendeiro permaneceu em silêncio, observando os fios avermelhados do cabelo sedoso do ruivo, e a forma como a costeleta em linha reta, chegava até seu rosto másculo, desenhando sua barba bem feita. Ele era lindo. Brooklyn colocou as
Laura colocou a toalha no ombro e cruzou os braços com uma feição séria. Com um sorriso travesso de quem sabia que tinha sido desobediente, Liam se escondeu atrás das pernas de Donovan. Igualmente molhado, o texano sorriu zombeteiro.- Alguns pingos de chuva não matam ninguém.- Ele está desnutrido, não pode pegar um resfriado.Laura se aproximou de Donovan que a agarrou pela cintura e a beijou em cheio nos lábios carnudos. Ele não deu tempo para ela protestar e disse sério:- Você terá muito tempo para cuidar dele.A nova-iorquina pousou as mãos no peito largo e molhado do texano. Ela olhou no fundo dos seus olhos e sorriu hesitante.- Verdade?Donovan assentiu com o corpo quente e curvilíneo de Laura moldado ao dele. Ela soube que o pai de Liam tinha ido dessa pra pior, e acariciou a sua nuca.- Obrigada.- Conversaremos mais tarde.- Vai tirar essa roupa molhada. Eu vou servir o seu almoço.- Tá bom.Donovan pegou Liam pela orelha, mas sem machuca-lo, e o empurrou para Laura.- Ob
Donovan pegou carona na Ford F-75 de Brooklyn até a cidade de Lafayette com pouco mais de dez mil habitantes. A cidade empoeirada era composta por casas suntuosas, edifícios, bares, restaurantes, bordéis onde as damas da noite ofereciam seus serviços para forasteiros e pistoleiros, agência de correios, bancos, farmácias e lojas que vendiam todos os tipos de coisas desde carne e leite, até remédios e gasolina. A delegacia de Lafayette que também servia como cadeia, ficava localizada na avenida principal, tendo como xerife Clark Benson. Um velho de cabelos grisalhos e rosto enrugado pelos anos de trabalho duro debaixo do sol escaldante do Texas. A igreja cristã bem construída com madeira maciça pintada de branco, e com uma cruz no alto, ficava no centro da cidade, envolta por um jardim florido e bem cuidado. O hospital recém reformado, ficava em terreno mais elevado ao sul de Lafayette, assim como o cemitério.Donovan não confiava em bancos, e por isso, ele descontou o cheque e saiu
Laura acordou quando os primeiros raios de sol entraram no quarto, e o canto dos pássaros invadiu o aposento iluminado. Ela teve uma excelente noite de sono e se sentia disposta para tomar decisões importantes. A fazenda era tudo que restava da sua infância difícil, mas feliz com seus pais e o avô. Vendê-la, seria dar adeus a uma parte de si mesma, e ela precisava decidir se valia a pena deixar aquele pedaço do paraíso, para ir atrás do seu sonho em Nova Iorque.Na pequena cama de solteiro que ficava embaixo da janela, Laura suspirou e se virou. Ela quis ficar brava, mas não conteve um sorriso por Donovan ter escolhido dormir com ela, quando poderia ter dormido confortavelmente em outra cama.Só de cueca samba canção branca, ele dormia com o cotoco de braço na sua cintura. Sem poder se conter, Laura deslizou a mão pelo bíceps musculoso do texano até acariciar sua barba, e a lateral direita da sua cabeça raspada. Sem cerimônia, ela afastou uma mecha do cabelo castanho escuro de Donov
Em silêncio, Donovan seguiu Laura para casa, sabendo que tinha cometido um erro grave ao não defender Liam. A nova-iorquina tinha um coração tão grande quanto sua língua, e ele teria que ser mais cuidadoso para não ficar sem a sua bocetinha preta e gostosa.Só de imaginar seu pau entrando em Laura, Donovan gemeu alto de prazer e viu ela se virar para trás. Ele sorriu, e em seguida, levou o cotoco de braço no peito e fez uma careta de dor.- Eu preciso de outro curativo.Laura cruzou os braços e disse séria:- Você não precisa de outro curativo porque eu já fiz depois do banho. O que você precisa é de humanidade.Donovan franziu a testa.- Isso aqui é o oeste selvagem, Laura. Nas terras do Brooklyn, quem manda é ele. A nova-iorquina desdenhou olhando para o rosto bonito do texano que era uma máscara de dor.- Eu pensei que você fazia as suas leis. Mas não, você só faz o que lhe convém e não se importa com ninguém. - Eu não sei o que você queria que eu fizesse. Você não viu o ódio nos







