LOGINLaura se sentiu miserável. Por muito tempo, a imagem da índia ficaria em seus pensamentos, assim como a dor nos olhos do marido dela. Entretanto, para esquecer o episódio desumano, Laura fechou os olhos para repassar na mente inquieta, a sensação de estar nos braços de um homem pela primeira vez na vida.
Ela era virgem, mas não era inocente. Ao agarra-la por trás para que ela não pudesse tocar na índia, Donovan não perdeu a oportunidade de pressionar seu membro contra a bunda dela. Foi algo inapropriado e grosseiro. Seu guia era um homem selvagem por natureza, primitivo por opção, e mau caráter por diversão. Ele matava com um sorriso sereno, como se estivesse fazendo algo corriqueiro, normal, e até mesmo, banal. Tudo bem que no oeste era matar ou morrer, mas Donovan tinha o olhar de quem gostava de matar. Ele não hesitava em puxar o gatilho, como se o revólver fosse uma extensão do seu corpo e a liberação da sua mente sempre engatilhada. Ele fedia a álcool e cigarro, tinha uma expressão sombria, era ameaçador com seu porte físico imponente, olhar penetrante e voz cavernosa. Donovan era a personificação de um fora da lei. Laura nunca tinha conhecido alguém como ele, e por isso, ela não soube o que fazer com as ondas de calor que percorreram seu corpo ao ser tocada com tamanha intimidade e ousadia. Ela chegou a pensar em deixar aquilo passar, porém, não queria ser traída pelo seu próprio corpo. Aos vinte e oito anos, ela ainda sonhava em se casar virgem e por amor. Em Nova Iorque, ela encontraria o seu príncipe encantado que iria ama-la e respeita-la. - Donovan. - Sim? Laura respirou fundo, abriu os olhos e olhou para o lado. Donovan dirigia de forma relaxada no assento, com o braço para fora da janela, e fumando outro cigarro. O homem era uma chaminé. - Eu não gostei da forma como você me agarrou. Eu fui insultada. Donovan ficou desacreditado. Não era possível que existisse uma mulher tão santa e sensível. Ele bufou exasperado antes de dizer sério: - Não havia outra forma de para-la. - Não volte a me tocar. Donovan apontou para os telhados que surgiram no horizonte. - Kimbell. - Você ouviu o que eu disse? Eu não quero saber de você me agarrando. - Sim, senhorita. Se eu estivesse com o meu chapéu de cowboy, eu tocaria na aba dele em sinal de que entendi o seu pedido. Quando um texano toca na aba do chapéu, pode confiar. Laura estreitou os olhos e ergueu a voz. - Não zombe de mim, Donovan! E não é um pedido, é uma ordem! Laura ganhou um olhar desinteressado. - Se você tivesse tocado naquela índia, seríamos dois amaldiçoados agora. Eu não fui com segundas intenções. Você está histérica com medo de ceder aos meus encantos. Mas não se preocupe, eu gosto de mulheres que sabem o que fazer na cama. Laura sentiu o rosto negro queimar, mas desdenhou. - Isso é notável. Donovan deu um sorriso enigmático. Ele mordeu a língua para não cutucar a onça com vara curta. Laura era uma puritana do caralho, e tipos como ela, eram as mais safadas na cama. E pior do que isso, tipos como a Senhorita Miller, faziam um homem gemer sem sentir dor. Donovan imaginou o seu pau enorme dentro daquela boquinha em formato de coração e reprimiu um gemido. Ele estaria em maus lençóis se baixasse a guarda, e disse em um tom rude: - Nós vamos almoçar e seguir viagem. Eu tenho que estar em Austin às cinco horas. - O que tem em Austin? - O maior rodeio do Texas. Laura franziu a testa. - Você é peão de rodeio também? - São os oito segundos mais longos da minha vida, mas eu gosto de estar em cima de um animal que pesa mais de uma tonelada. Eu gosto de ouvir os gritos eufóricos da plateia, e gosto mais ainda de receber o prêmio. - Eu ouvi dizer que pagam muito bem. Não tem necessidade de você querer me roubar quinhentos dólares. Donovan endureceu o semblante. - Quando chegarmos em Louisiana, no território dos Sioux, você vai descobrir que eu valho cada centavo. Laura preferiu ficar calada. Donovan não valia era nada. Ela ficou aliviada por poder tomar banho e trocar de roupa no único hotel de Kimbell. Ao sair do banho enrolada em uma toalha, Laura abriu a mala que estava sobre a cama e escolheu um vestido azul claro que ela mesma tinha feito. Uma batida forte na porta do quarto a fez pular de susto. - O restaurante do hotel vai fechar em trinta minutos. - Eu estou indo. Atento a tudo à sua volta, Donovan andava de um lado para o outro em frente ao quarto da Senhorita Miller. Ele colocou os polegares dentro do cinto de couro preto e esperou. O fora da lei tinha tomado banho e trocado de roupa. Ele tinha uma casa em El Paso, porém, vivia na estrada e carregava peças de roupa, calçados e outras coisas mais. Donovan tinha escolhido sua camisa preta da sorte para participar do rodeio, e notou o pequeno rasgo no ombro direito. - Por acaso você tem linha e agulha? Mulheres prendadas sempre andam com essas coisas. Laura olhou para a porta fechada e ajeitou o vestido longo e confortável. - Sim. Eu sou costureira. - Pode dar uns pontos na minha blusa? Laura mordeu o lábio inferior. Seu coração disparou e suas pernas se tornaram inúteis. Havia quase uma vulnerabilidade na voz de Donovan ao fazer o pedido. Ela poderia se negar a ajudá-lo, mas lhe faltou coragem. - Sim. - Eu posso entrar? - Entra. Lentamente, Donovan abriu a porta. Curvada sobre a mala, Laura pegou uma pequena bolsa, se virou e sorriu para ele. Sim, ela sorriu orgulhosa do seu kit de costura. - Eu tenho linha e agulha. Ligeiramente com as pernas bambas, Donovan sentou na cama que cedeu com o seu peso. Para sua sorte, Laura viu o rasgo na camisa. Ele não saberia dizer se seria capaz de responder caso ela perguntasse onde era para fazer o remendo. Ela sorriu para ele. Droga, um simples sorriso angelical e o fora da lei ficou arisco como um touro. Laura pegou o carretel de linha preta e cortou um pedaço que dava para fazer o remendo. Ela não soube como conseguiu passar a linha pelo fundo da agulha. Ao se aproximar de Donovan, os seus olhos recaíram sobre os cabelos castanhos escuros e úmidos dele, sua pele sedosa pelo banho recente e seu corpo ereto e tenso. Laura começou a costurar e seus dedos tocaram o ombro de Donovan. Duro feito pedra. - Parece tenso. - Eu não quero ser espetado. - Os olhos escuros do texano estavam no ventre liso de Laura. - Depressa, eu quero comer. "Eu quero te foder." - Não tem medo de um touro bravo, mas tem medo de uma agulha? Donovan baixou o olhar para os pés delicados de Laura. Ela ainda estava descalça e ele cerrou os punhos. - Eu não tenho medo de nada. - Bom pra você. Disfarçadamente, em um rompante de loucura, Laura encostou a mão no pescoço de Donovan onde tinha uma tatuagem indígena. Ela sorriu quando ele estremeceu e perguntou com frieza: - Pronto? Laura arrematou a costura que ficou imperceptível. - Pronto. Após o almoço, Donovan partiu para Austin sem ter a menor condição de montar. Ele já tinha ganhado as outras etapas do rodeio e precisava ganhar a final. Entretanto, Laura era uma ameaça fodida à sua preparação psicológica para o grande prêmio de Austin.Três meses depois...- Eu, Daniel Donovan, aceito você, Laura Miller, como minha legítima esposa e prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe.De vestido de noiva, véu e grinalda, Laura repetiu os votos matrimoniais enquanto trocava alianças com o seu cowboy bruto e possessivo. Donovan estava mais lindo do que tinha direito, com o smoking preto feito sob medida e adaptado para o seu antebraço.- Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.Donovan retirou o véu de Laura com reverência e se inclinou para beija-la. Aplausos, gritos e assobios foram ouvidos na igreja de Lafayette. Os recém casados molharam a pena no tinteiro, e assinaram a certidão de casamento. O buquê foi jogado para trás, e simplesmente, caiu nos braços de Cash. O ruivo evitou olhar para Brooklyn que mantinha o relacionamento deles escondido a sete chaves. Em público, os dois fingiam que nã
Após o temporal de verão, o sol voltou a aparecer no final da tarde, pincelando o céu azul com nuances alaranjadas no vasto horizonte. Cash não se importou de caminhar pela estrada enlameada até a fazenda de Brooklyn. O ar fresco serviu para clarear seus pensamentos.Jake tocou na aba do chapéu e apontou para o estábulo onde o patrão checava os estragos da chuva. Algumas telhas tinham voado com a força dos ventos, e Brooklyn não estava de bom humor. Os cavalos estavam agitados, e aquilo o deixava tão irado quanto a fúria da natureza. Ultimamente, se irritava com facilidade.Cash ganhou um olhar raivoso e olhou com desinteresse para Brooklyn. Em seguida, olhou para o teto onde faltava algumas telhas.- Donovan me contou o que você fez com o tio do Liam.O fazendeiro permaneceu em silêncio, observando os fios avermelhados do cabelo sedoso do ruivo, e a forma como a costeleta em linha reta, chegava até seu rosto másculo, desenhando sua barba bem feita. Ele era lindo. Brooklyn colocou as
Laura colocou a toalha no ombro e cruzou os braços com uma feição séria. Com um sorriso travesso de quem sabia que tinha sido desobediente, Liam se escondeu atrás das pernas de Donovan. Igualmente molhado, o texano sorriu zombeteiro.- Alguns pingos de chuva não matam ninguém.- Ele está desnutrido, não pode pegar um resfriado.Laura se aproximou de Donovan que a agarrou pela cintura e a beijou em cheio nos lábios carnudos. Ele não deu tempo para ela protestar e disse sério:- Você terá muito tempo para cuidar dele.A nova-iorquina pousou as mãos no peito largo e molhado do texano. Ela olhou no fundo dos seus olhos e sorriu hesitante.- Verdade?Donovan assentiu com o corpo quente e curvilíneo de Laura moldado ao dele. Ela soube que o pai de Liam tinha ido dessa pra pior, e acariciou a sua nuca.- Obrigada.- Conversaremos mais tarde.- Vai tirar essa roupa molhada. Eu vou servir o seu almoço.- Tá bom.Donovan pegou Liam pela orelha, mas sem machuca-lo, e o empurrou para Laura.- Ob
Donovan pegou carona na Ford F-75 de Brooklyn até a cidade de Lafayette com pouco mais de dez mil habitantes. A cidade empoeirada era composta por casas suntuosas, edifícios, bares, restaurantes, bordéis onde as damas da noite ofereciam seus serviços para forasteiros e pistoleiros, agência de correios, bancos, farmácias e lojas que vendiam todos os tipos de coisas desde carne e leite, até remédios e gasolina. A delegacia de Lafayette que também servia como cadeia, ficava localizada na avenida principal, tendo como xerife Clark Benson. Um velho de cabelos grisalhos e rosto enrugado pelos anos de trabalho duro debaixo do sol escaldante do Texas. A igreja cristã bem construída com madeira maciça pintada de branco, e com uma cruz no alto, ficava no centro da cidade, envolta por um jardim florido e bem cuidado. O hospital recém reformado, ficava em terreno mais elevado ao sul de Lafayette, assim como o cemitério.Donovan não confiava em bancos, e por isso, ele descontou o cheque e saiu
Laura acordou quando os primeiros raios de sol entraram no quarto, e o canto dos pássaros invadiu o aposento iluminado. Ela teve uma excelente noite de sono e se sentia disposta para tomar decisões importantes. A fazenda era tudo que restava da sua infância difícil, mas feliz com seus pais e o avô. Vendê-la, seria dar adeus a uma parte de si mesma, e ela precisava decidir se valia a pena deixar aquele pedaço do paraíso, para ir atrás do seu sonho em Nova Iorque.Na pequena cama de solteiro que ficava embaixo da janela, Laura suspirou e se virou. Ela quis ficar brava, mas não conteve um sorriso por Donovan ter escolhido dormir com ela, quando poderia ter dormido confortavelmente em outra cama.Só de cueca samba canção branca, ele dormia com o cotoco de braço na sua cintura. Sem poder se conter, Laura deslizou a mão pelo bíceps musculoso do texano até acariciar sua barba, e a lateral direita da sua cabeça raspada. Sem cerimônia, ela afastou uma mecha do cabelo castanho escuro de Donov
Em silêncio, Donovan seguiu Laura para casa, sabendo que tinha cometido um erro grave ao não defender Liam. A nova-iorquina tinha um coração tão grande quanto sua língua, e ele teria que ser mais cuidadoso para não ficar sem a sua bocetinha preta e gostosa.Só de imaginar seu pau entrando em Laura, Donovan gemeu alto de prazer e viu ela se virar para trás. Ele sorriu, e em seguida, levou o cotoco de braço no peito e fez uma careta de dor.- Eu preciso de outro curativo.Laura cruzou os braços e disse séria:- Você não precisa de outro curativo porque eu já fiz depois do banho. O que você precisa é de humanidade.Donovan franziu a testa.- Isso aqui é o oeste selvagem, Laura. Nas terras do Brooklyn, quem manda é ele. A nova-iorquina desdenhou olhando para o rosto bonito do texano que era uma máscara de dor.- Eu pensei que você fazia as suas leis. Mas não, você só faz o que lhe convém e não se importa com ninguém. - Eu não sei o que você queria que eu fizesse. Você não viu o ódio nos







