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CAPÍTULO 5

last update Data de publicação: 2026-06-11 03:02:00

Clara não sorriu, apenas segurou o braço da amiga com carinho e sussurrou:

— Ele chegou mais cedo que o esperado e nem avisou. Ela aproximou-se do ouvido de Isabelly cochichando. — Eu tive que encomendar o jantar.

— Serio!

Ela balançou a cabeça em afirmação.

— Ele está na sala. Disse Clara, puxando-a pelo braço. — Quero muito que ele te conheça.

— Clara...

Mas já era tarde. Elas viraram o corredor. E então… O mundo parou. Ele estava de pé. De costas. Falando ao telefone. A postura… impecável. O corpo… rígido, controlado. Terno escuro. Ajustado com perfeição. Algo dentro de Isabelly travou. Sem explicação. Sem aviso.

— Pai. Chamou Clara, animada. — Quero te apresentar alguém.

Ele virou. Devagar. Sem pressa. E quando os olhos deles se encontraram… Nada mais existiu. Não foi suave. Não foi bonito. Foi violento. Intenso. Como um impacto silencioso. Isabelly sentiu. No peito. Na respiração. No instinto.

Algo errado. Perigosamente errado. Mas… impossível de ignorar.

Os olhos dele a percorreram com calma. Detalhistas. Calculistas. Como se estivesse analisando cada parte de Isabelly. Memorizando. Possuindo.

— Então… A voz dele grave, controlada, mas carregada. — Você é a Isabelly.

Não foi uma pergunta. Foi uma afirmação. Isabelly sustentou o olhar. Sem recuar. Sem quebrar.

— E você deve ser o motivo do jantar.

Um leve sorriso surgiu no canto dos lábios dele. Mas não chegou aos olhos.

— Adrian Vasconcellos.

Ele estendeu a mão. Isabelly olhou, por um segundo. Dois. Três. E então aceitou. E esse foi o pior erro que ela cometeu, mesmo sem saber..

O toque foi rápido, mas suficiente. Algo passou entre eles como eletricidade. E Isabelly percebeu o perigo.

Os dedos dele apertaram levemente os dela. Firme. Dominante. E demoraram um segundo a mais do que deveriam.

— Prazer. Ele disse, baixo.

Mas não soou como cortesia. Soou como um aviso distante. Isabelly puxou a mão de volta. Controlada por fora, mas o coração… lhe traiu. Um único batimento fora de ritmo. E Isabelly odiou isso.

— O prazer é relativo. Respondeu, fria.

Clara revirou os olhos.

— Ignore isso pai, Isabelly é sempre assim.

— Não. Adrian disse, sem desviar os olhos de Isabelly. — Eu gosto.

Por alguns segundos houve um silêncio pesado, carregado de tensão. Mas Clara não percebeu.

Cada segundo ali era um jogo. Um teste. Um risco.

— Então… — Clara quebrou o clima — vamos jantar?

Enquanto isso, durante o jantar Adrian observava cada movimento de Isabelly.

Cada respiração, cada detalhe. Cada traço de seu rosto. Até parecia que ele avaliava uma obra de arte. Mas Isabelly fingiu não perceber, agindo normalmente como se fosse um jantar comum, mas por dentro sentia seu coração batendo de forma descompensada. De repente seu telefone vibrou, era Maroto, seu chefe. Ela olhou para o nome na tela por alguns segundos. Não era comum ele fazer isso, mas se estava fazendo era algo sério.

— Com licença, é do trabalho. Ela se retirou da mesa e caminhou até uma certa distancia. — O que houve chefe?

Do outro lado da linha a voz parecia calma, mas Isabelly percebeu uma tensão.

— Preciso de você no departamento agora.

— Estou indo. Ela respondeu antes mesmo de pensar.

Isabelly retornou a mesa com a mesma calma que tentou demostrar durante aquele jantar.

— Eu preciso ir. Sinto muito Clara, mas o trabalho me chama.

Adrian deu um leve sorriso.

— Espero te ver mais vezes.

Clara se levantou e acompanhou sua amiga até a porta sem dizer uma palavra, mas antes que Isabelly cruzasse o hall ela sussurrou:

— Obrigada.

Isabelly havia ido embora, mas para Adrian ela ainda estava ali, aquela presença marcante o fascinava e ele a desejou. Queria para ele de uma forma que nunca quis ninguém. Era… obsessão. E ele reconheceu na hora, com uma clareza assustadora: “Isabelly seria um problema que ele precisava ter em sua cama”

E naquele instante ele decidiu que ela seria dele.

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Último capítulo

  • DORMINDO COM O INIMIGO   CAPÍTULO 75

    Duas semanas haviam passado. Quatorze dias. Quatorze amanheceres. Quatorze noites longas demais.E, ainda assim, para Isabelly, parecia que tudo havia acontecido apenas algumas horas antes.A operação que derrubou a organização de Pakeers tornou-se manchete internacional. Empresas foram fechadas. Contas bilionárias congeladas. Políticos, empresários e assassinos foram presos em diversos países. Segredos que permaneceram enterrados por décadas finalmente vieram à tona. Nomes poderosos caíram. Impérios ruíram. Famílias inteiras perderam privilégios construídos sobre sangue. O mundo comemorava. A imprensa chamava aquilo de vitória.Mas Isabelly não conseguia enxergar daquela forma. Porque toda vez que fechava os olhos, não via manchetes. Não via prisões. Não via justiça. Via Adrian.***Pakeers desapareceu. Alguns relatórios afirmavam que ele havia sido morto durante a fuga. Outros garantiam que ele escapara usando documentos falsos e uma nova identidade. Havia até quem dissesse que ele

  • DORMINDO COM O INIMIGO   CAPÍTULO 74

    Adrian não esperou nem mais um segundo. Assim que as portas do elevador se fecharam diante dele, alguma coisa dentro de si simplesmente se rompeu. Ele não podia deixá-la partir daquele jeito. Não depois de tudo. Não depois da verdade. Não depois de finalmente admitir os próprios crimes. Não depois de confessar o que sentia.Sem pensar, saiu correndo pelo corredor. Empurrou a porta que dava para as escadas. Os degraus pareciam intermináveis. Seu coração batia descontrolado. A respiração queimava em seus pulmões. Mas ele continuou. Precisava alcançá-la. Precisava vê-la uma última vez. Precisava fazê-la entender.Quando finalmente chegou ao saguão do edifício, avistou Isabelly próxima à enorme porta de vidro que dava acesso à rua. Ela estava prestes a sair. Prestes a desaparecer de sua vida.— Isabelly!A voz ecoou pelo ambiente. Ela parou. Mas não se virou imediatamente. Adrian aproximou-se rapidamente. Ofegante. O peito subindo e descendo com esforço. Os cabelos desalinhados. Os olhos

  • DORMINDO COM O INIMIGO   CAPÍTULO 73

    O escritório permaneceu mergulhado em um silêncio sufocante. As últimas palavras de Adrian ainda pareciam ecoar pelas paredes. O erro. A missão. A família errada. A confissão. Tudo aquilo girava dentro da mente de Isabelly como uma tempestade impossível de controlar.Ela permanecia imóvel, ajoelhada no chão, enquanto lágrimas silenciosas escorriam por seu rosto. Adrian também não se movia. Havia dor em seus olhos. Arrependimento. Mas nada daquilo era capaz de apagar o que ele havia feito.Nada. Absolutamente nada. Foi então que duas batidas suaves interromperam aquele momento.Os dois estremeceram. Nenhum deles teve tempo de reagir. A porta se abriu.— Pai? Você está aí?A voz alegre de Clara atravessou o ambiente. Ela entrou sorrindo. Mas o sorriso desapareceu no instante seguinte. Seus olhos passaram de Adrian para Isabelly. Confusão surgiu imediatamente em seu rosto.— Isa?Ela caminhou para dentro do escritório.— Você está aqui!Por um breve instante, Clara voltou a sorrir. Aprox

  • DORMINDO COM O INIMIGO   CAPÍTULO 72

    Adrian respirou profundamente antes de continuar. A voz saiu rouca. Carregada por um peso que ele carregava havia anos.— Mas naquela noite... antes de ir embora... quando vi você escondida...Ela ergueu os olhos imediatamente.— Você me viu?— Vi.As lágrimas desceram pelo rosto dele.— Eu vi você.Isabelly sentiu o mundo girar. Durante anos acreditou que ninguém soubera que ela estava lá. Durante anos acreditou ter sobrevivido por acaso. Mas não. Adrian a tinha visto.— Então por que eu estou viva?A pergunta saiu quase num sussurro. Adrian demorou vários segundos para responder.— Porque eu não consegui.Ela o encarou sem compreender.— O quê?— Eu não consegui matar você.A voz dele quebrou.— Era uma criança.O silêncio voltou. Pesado. Asfixiante.— Você estava escondida dentro do armário no corredor. Tremendo de medo.Ele fechou os olhos.— E quando nossos olhares se encontraram... eu simplesmente não consegui puxar o gatilho. Aquele instante eu lembrei da minha filha Clara, o q

  • DORMINDO COM O INIMIGO   CAPÍTULO 71

    Isabelly sabia exatamente o que precisava fazer. Ou talvez não soubesse. Talvez estivesse apenas correndo contra o inevitável.Depois de ouvir o depoimento de Ane, depois de descobrir que Adrian havia salvado sua vida, depois de compreender que ele impedira Yara de concluir a execução, algo dentro dela entrou em conflito.As peças finalmente se encaixavam. Mas, ao mesmo tempo, nada fazia sentido. O homem que protegia testemunhas era o mesmo homem acusado de matar inocentes. O homem que a fazia sentir-se segura era o mesmo homem que carregava sangue nas mãos. O homem que ela amava... Era o homem que havia destruído sua vida.Mesmo assim, precisava ouvir a verdade da boca dele. Precisava encará-lo. Precisava saber tudo. Sem intermediários. Sem relatórios. Sem testemunhas. Sem retratos falados. Apenas os dois.Ela se despediu de Ane, garantindo que agentes permaneceriam de guarda no corredor. Em seguida saiu do hospital.Assim que atravessou as portas automáticas, a chuva fina da manhã a

  • DORMINDO COM O INIMIGO   CAPÍTULO 70

    Horas mais tarde, o movimento no corredor do hospital havia diminuído consideravelmente. A correria dos médicos dera lugar a um silêncio quase incômodo, interrompido apenas pelo som distante de monitores cardíacos e passos ocasionais de enfermeiros.Isabelly continuava sentada ao lado da janela do quarto de Ane. O cansaço pesava sobre seus ombros. A noite em claro. A investigação. As descobertas. Os segredos. Tudo parecia esmagá-la lentamente.Foi então que ouviu um leve movimento vindo da cama. Imediatamente se levantou. Ane estava despertando. Os olhos da mulher abriram-se lentamente, ainda confusos por causa dos medicamentos e da cirurgia. Ela piscou algumas vezes, tentando se situar.— Ane?A mulher virou o rosto devagar. Quando reconheceu Isabelly, pareceu relaxar.— Você conseguiu...A voz saiu fraca. Quase um sussurro.— Sim. Você está segura agora.Ane permaneceu alguns segundos em silêncio. Como se estivesse reunindo forças. Então respirou fundo.— Preciso contar o que aconte

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