Masuk**Luiz narrando**Fiquei olhando para aquela fotografia no celular, tentando entender o que estava vendo.A assinatura estava no final do documento. Uma assinatura que eu conhecia desde criança.Minha mãe.— Não pode ser... — murmurei.Angel se aproximou e olhou para a tela.— É a assinatura dela?Assenti devagar.— É.— Mas o que ela teria a ver com isso?— Não sei. E é justamente isso que está me deixando maluco.Passei a mão pelo cabelo, tentando organizar os pensamentos.Minha mãe já tinha escondido coisas de mim. Tinha omitido a presença de Augusto na nossa casa, não contou que Laura havia entregado nossa localização e só recentemente revelou o que sabia sobre Helena.Mas aquilo era diferente.A assinatura dela aparecia num documento ligado à investigação do meu pai.— Vou ligar pra ela — falei.Angel segurou meu braço.— Luiz, espera. Você acabou de descobrir isso. Talvez exista uma explicação.— Eu preciso ouvir dela.— Então conversa. Mas não chega acusando antes de saber o qu
**Luiz narrando**Seis da manhã.Eu tinha passado a noite praticamente acordado, tentando entender o que estava acontecendo. A mensagem de Sérgio não saía da minha cabeça.Meu padrinho queria contar a verdade.Mas que verdade era essa que ele carregava há tantos anos? E por que só agora resolveu abrir a boca?FP estava sentado no sofá, mexendo no celular, enquanto eu terminava de colocar o tênis.— Tu não vai mesmo sozinho, né? — perguntou, sem tirar os olhos da tela.— Não. Mas também não vou chegar com uma tropa e assustar o homem antes de ouvir o que ele tem pra dizer.— Luiz, estamos falando do Sérgio. O cara trabalhou pra empresa do Henrique. Tem ligação com o Augusto. E apareceu no hospital com teu pai depois da operação.— Eu sei.— Então para de agir como se fosse só uma conversa entre afilhado e padrinho.Respirei fundo.— Eu quero acreditar que ele ajudou meu pai.FP finalmente levantou os olhos.— E se não ajudou?Fiquei em silêncio por alguns segundos.— Aí ele vai ter que
**Luiz**— Seu padrinho?A frase de Laura não saía da minha cabeça.Desliguei o telefone e fiquei olhando para a tela, esperando que ela ligasse novamente.Angel se aproximou.— Luiz, quem é seu padrinho?Passei a mão pelo cabelo.— Sérgio. Ele era amigo do meu pai desde antes de eu nascer. Foi ele quem me batizou.— Você ainda tem contato com ele?— Não. Depois da operação, ele desapareceu. Minha mãe dizia que tinha ido embora para outro estado.Angel ficou pensativa.— E se ele souber onde seu pai está?— É exatamente isso que eu preciso descobrir.Peguei o telefone e procurei uma fotografia antiga. Encontrei uma imagem do meu batizado. Meu pai estava ao lado de Sérgio, segurando uma garrafa de refrigerante e sorrindo.— Esse é ele — mostrei.Angel observou a fotografia.— Você lembra dele?— Lembro de algumas coisas. Ele me levava para passear, brincava comigo. Era praticamente da família.Meu celular vibrou.Uma mensagem de Laura.**Laura:** Não procure Sérgio pelo telefone. Ele p
**Luiz**Reli a mensagem de Helena pela terceira vez.Minha tia estava viva.Durante anos, cresci acreditando que meu pai praticamente não tinha família. Minha mãe nunca falava sobre irmãos dele, parentes distantes ou qualquer pessoa que pudesse fazer parte daquele passado.Agora eu descobria que uma mulher da minha própria família poderia saber o que aconteceu com Daniel.— Vamos ligar para Helena — falei.FP pegou o celular.— Melhor não. Se alguém estiver monitorando os contatos dela, podemos acabar entregando nossa localização.— Então como vamos encontrá-la?— Primeiro, precisamos descobrir por que ela mandou essa mensagem. E precisamos saber se sua tia realmente está viva.Digitei uma resposta.**Luiz:** Onde você está? Precisamos conversar pessoalmente.A resposta chegou poucos minutos depois.**Helena:** Amanhã, às dez. No antigo restaurante perto da estação. Venha sozinho.FP leu por cima do meu ombro.— Sozinho? Nem pensar.— Eu também não pretendo ir sem você.— Ótimo. Mas
**Luiz**Meu coração disparou quando vi o homem atravessando o pátio.A tatuagem de cobra no pescoço era inconfundível.— É ele — murmurei.FP se aproximou da janela, observando discretamente.— Não podemos sair pela frente.O antigo diretor estava pálido.— Existe uma saída pelos fundos. Vou mostrar.Guardei a carta e a fotografia dentro da mochila. FP pegou o gravador e colocou no bolso.— O senhor precisa vir conosco — falei.— Não posso. Se eu desaparecer, vão perceber que ajudei vocês.— Eles já sabem que estamos aqui!O homem respirou fundo.— Daniel me fez uma promessa antes de tudo acontecer. Disse que, se um dia você aparecesse, eu deveria entregar essa caixa e não deixar que ninguém a tomasse de você.Olhei para ele.— O senhor sabia que meu pai estava vivo?Ele desviou o olhar.— Eu não sei se ele está vivo, Luiz. Mas sei que Daniel nunca acreditou que aquela história tinha terminado.Um barulho veio do corredor.FP fez sinal para ficarmos quietos.A maçaneta começou a gira
**Luiz**A mensagem continuava aberta no meu celular.“Procure o fundo falso. A chave está com sua mãe.”Angel leu novamente e me encarou.— Você lembra desse brinquedo?— Lembro de um caminhão de madeira. Era pequeno, vermelho, com algumas partes pretas. Meu pai dizia que era especial, mas nunca explicou o motivo.— E onde ele está?— Não faço ideia. Faz anos que não vejo.Peguei o telefone e liguei para minha mãe.— Mãe, preciso que você procure uma coisa pra mim.— O que aconteceu?— Lembra do caminhão de madeira que eu tinha quando era criança?Ela ficou em silêncio por alguns segundos.— Lembro.— Você ainda tem?— Está guardado numa caixa no depósito. Por quê?— Preciso dele. E você comentou que havia uma chave que Augusto deixou?Minha mãe demorou a responder.— Tenho uma pequena chave dourada. Seu pai pediu que eu guardasse, mas nunca explicou o que abria.Olhei para Angel.— Mãe, estou indo aí.Desliguei e peguei a carteira.Angel se aproximou.— Quer que eu vá com você?— Nã







