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Capítulo 7

Author: Pimenta Explosiva
Patrícia ergueu a mão para bloquear as câmeras e, sem saber por quê, pensou em Gustavo.

Se tivesse sido ele, tudo faria sentido.

Com a capacidade dele, encontrar a localização dela seria fácil.

— Eu já disse que aquelas pessoas não foram mortas pelo meu pai.

Diante das perguntas agressivas dos repórteres, ela repetiu mais uma vez a explicação que já havia dado incontáveis vezes.

— Naquela época, meu pai tentou ajudar as vítimas. Ele sofreu tudo aquilo no caminho para comprar meu bolo de aniversário. Quando a tragédia aconteceu, estava falando comigo ao telefone. Eu ouvi tudo do começo ao fim. Meu pai foi uma vítima.

Como sempre, ninguém acreditou nas palavras dela.

Patrícia já tinha explicado tantas vezes que ficou entorpecida.

— Você não tem gravação como prova? Então isso não passa de invenção sua. Nem a polícia aceitou seu depoimento. Você só quer inocentar seu pai.

— Vou repetir. Naquele dia, eu liguei para meu pai pelo telefone fixo de casa, que não tinha função de gravação. Mas podem ficar tranquilos. Um dia, vou encontrar provas e mostrar que meu pai era inocente.

Patrícia encarou as câmeras com calma e ergueu a voz:

— Quando esse dia chegar, vou fazer quem incriminou meu pai pagar com sangue. Também vou buscar justiça por todas aquelas vítimas!

No segundo seguinte, uma voz ampliada por um megafone veio de longe.

— Srta. Patrícia, a senhora diz que seu pai é inocente. Então como explica o fato de seu ex-noivo, Gustavo, ter abandonado a senhora no fim, escolhido Paula e ficado noivo dela?

— Se até a pessoa que mais conhecia e mais confiava na senhora ficou do lado oposto, isso não é a prova mais forte? Não prova que essa tal verdade que a senhora diz ter ouvido não passa de uma mentira para livrar seu pai da culpa?

Patrícia olhou para aquele repórter e, de repente, fez uma pergunta que parecia não ter relação com o assunto.

— Você já foi mordido por um cachorro?

O repórter ficou confuso por um instante.

— O quê?

Patrícia falou sem pressa:

— Um cachorro criado com todo cuidado tem um acesso de fúria um dia e morde você. Isso necessariamente é culpa sua? Isso prova que você maltratava o cachorro?

Só então o repórter percebeu que Patrícia estava ironizando ele e, ao mesmo tempo, comparando Gustavo a um cachorro.

O repórter ficou em silêncio por alguns segundos.

Foi justamente nesses segundos que Patrícia pareceu sentir alguma coisa e virou o olhar para certa direção.

Do outro lado da multidão, um Maybach preto estava parado em silêncio à beira da rua.

A janela traseira estava meio abaixada.

Gustavo estava sentado dentro do carro, olhando friamente na direção dela.

Hoje, ele usava uma camisa cinza-clara e uma gravata com fios dourados, o que deixava a pele dele ainda mais fria e pálida, e o rosto, ainda mais severo.

Paula estava encostada no ombro dele, com os olhos semicerrados, exibindo uma docilidade mimada.

Um repórter de olhar atento percebeu a presença de Gustavo e imediatamente virou a câmera.

A multidão avançou de uma vez para lá.

— Sr. Gustavo, qual é a sua resposta ao que a Srta. Patrícia acabou de dizer?

— Sr. Gustavo, o senhor escolheu a Srta. Paula e abandonou a Srta. Patrícia naquela época justamente porque tinha certeza de que Ricardo era o assassino?

— O senhor apareceu hoje para defender a Srta. Paula?

A janela do carro abaixou por completo.

O olhar de Gustavo atravessou as câmeras e encontrou Patrícia, que observava ele de longe.

A velocidade do ar ao redor pareceu diminuir.

Depois de muito tempo, os repórteres finalmente ouviram Gustavo falar com indiferença:

— Sobre o caso daquela época, a lei já deu a sentença mais justa. Eu consigo entender o afeto de Patrícia pelo pai dela, mas afundar em uma mentira criada por ela mesma é, sem dúvida, ferir as vítimas uma segunda vez.

Aquelas palavras de Gustavo equivaliam a admitir, de forma indireta, que ela estava mentindo.

Os repórteres explodiram em alvoroço.

Todos os tipos de microfone avançaram para diante dele.

— O senhor quer dizer que a Srta. Patrícia mentiu esse tempo todo?

— Como envolvido no caso e também como ex-noivo dela, o senhor certamente sabe de muita coisa. Se até o senhor diz isso...

Patrícia estava parada do lado de fora da multidão, e o coração dela parecia ter parado de bater.

Para defender Paula, Gustavo era capaz até de mentir de forma tão descarada.

Ela sentiu que tinha perdido toda a força para discutir com ele.

Foi nesse momento que Sandro, atrás dela, entregou um celular com uma chamada em andamento.

— Sra. Patrícia, é uma ligação do Sr. João. Parece que ele já soube que a senhora foi humilhada. Ele está muito irritado e comprou uma passagem para antecipar a vinda ao país.

O coração de Patrícia deu um sobressalto.

Ela evitou as câmeras dos repórteres, foi para o lado e atendeu.

— Alô.

O jeito de João falar continuava simples e direto como sempre.

— Eu volto ao país esta noite.

Patrícia perguntou, surpresa:

— Mas você não disse que ainda tinha alguns projetos importantes no exterior?

Do outro lado da linha, houve uma pausa de alguns segundos.

Em seguida, veio uma respiração muito leve.

— Nenhum projeto é mais importante do que a minha própria esposa sendo humilhada.

O coração de Patrícia falhou uma batida.

Ela não sabia o que responder.

Do lado de João, Pietro chamou ele para uma reunião.

João fez duas recomendações rápidas e desligou com pressa.

Patrícia ficou olhando para a tela apagada do celular, um pouco perdida.

Do outro lado, as perguntas dos repórteres a Gustavo ficavam cada vez mais intensas.

Ao ver aquilo, Paula falou em tom de súplica:

— Por favor, não dificultem mais as coisas para Gustavo. Ele sempre foi uma pessoa apegada ao passado. Algumas palavras... mesmo agora, ele não tem coragem de dizer com tanta clareza. Se vocês têm perguntas, é melhor perguntar a Patrícia. Ela é a envolvida direta.

Os olhares dos repórteres acompanharam as palavras de Paula e voltaram para Patrícia.

Ao ver que Patrícia estava prestes a ir embora, Paula murmurou, fingindo surpresa:

— Você já vai embora?

Ela continuou:

— Então vocês precisam aproveitar logo para entrevistar ela.

Os repórteres reagiram e correram rapidamente de volta para perto de Patrícia.

Ao ver a enxurrada de repórteres avançando, Sandro protegeu Patrícia de imediato.

Desta vez, as perguntas dos repórteres ficaram ainda mais maldosas e incisivas, quase empurrando Patrícia até o limite.

— Srta. Patrícia, pelo que o Sr. Gustavo acabou de dizer, isso não é suficiente para provar que a senhora mentiu esse tempo todo?

— A senhora estava tentando sair escondida para fugir da entrevista? Em relação aos familiares das vítimas inocentes daquela tragédia, a senhora não sente o menor remorso?

— Como filha de um assassino, a senhora também herdou um sangue-frio criminoso? A senhora tem algum plano futuro de compensação às famílias das vítimas?

A multidão empurrava e tentava romper a barreira formada por Sandro.

Em meio ao caos, ninguém soube de quem era o tripé que acabou sendo derrubado.

O suporte metálico, junto com uma câmera pesada, caiu na direção da cabeça de Patrícia.

— Cuidado!

Sandro reagiu com extrema rapidez.

Puxou Patrícia para os braços e virou o corpo, usando as costas para proteger ela.

Com um som abafado, a câmera bateu em Sandro e depois caiu no chão.

Sandro soltou um gemido baixo, e o corpo dele sofreu um impacto considerável.

O rosto de Patrícia mudou, e ela olhou para ele com ansiedade.

— Você está bem?

A expressão preocupada e tensa dela atravessou a multidão e caiu com precisão nos olhos de Gustavo.

O olhar de Gustavo se moveu levemente. Ele abriu a porta e saiu do carro.

Ao ver aquilo, Paula correu atrás dele.

Ao mesmo tempo, no meio do grupo caótico de repórteres, um homem de meia-idade, com os olhos vermelhos, avançou em direção a Patrícia completamente transtornado.

— Assassino tem que pagar com a vida! Você tem que pagar pela vida do meu pai!

Fora de controle, ele arremessou meio tijolo.

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