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Capítulo 6

Author: Pimenta Explosiva
Patrícia não se importava com o que Gustavo pensava dela.

Mal-entendido ou confiança, nada daquilo importava.

O sentimento que Patrícia tinha por ele havia sido consumido por completo três anos antes, quando ele se apaixonou por outra mulher e expulsou Patrícia do país.

Agora, ela só queria que todos sumissem, de preferência para bem longe.

Patrícia cruzou os braços e olhou para Gustavo.

A expressão dela já era de impaciência absoluta.

— Terminou de ver as imagens? Agora você pode levar todo mundo e sumir daqui?

Ao ouvir aquilo, os lábios finos de Gustavo se moveram, e os músculos do antebraço sob a camisa ficaram tensos.

Depois de um longo silêncio, ele devolveu o celular ao policial.

— Obrigado pelo trabalho. Nós vamos sair.

Ao ouvir que teriam que sair, Esméria começou a chorar aos berros.

— Não podemos sair! A gente já está acostumada a morar aqui! Por que ela pode aparecer do nada e mandar a gente embora? Esta casa foi você que comprou!

A gritaria fez a cabeça de Gustavo latejar.

Ele olhou para ela, impaciente.

— Eu disse que vamos sair!

Esméria ficou em silêncio.

No fim, eles arrumaram as coisas e foram embora.

Antes de sair, Gustavo olhou profundamente para Patrícia.

— Você quebrou o nosso acordo, voltou e ainda criou uma situação em que ninguém consegue sair com dignidade. Pelo visto, naquela época, eu fui bondoso demais com você.

A porta fechou.

O apartamento inteiro mergulhou em um silêncio morto, restando apenas a bagunça espalhada pelo chão.

Patrícia pegou do lixo a foto de família quebrada e limpou as manchas sobre a imagem.

A mágoa de antes veio à tona naquele instante.

— Pai, mãe, desculpem. Eu não consegui proteger vocês direito.

Ao ver aquilo, Sandro não conseguiu ficar indiferente e perguntou:

— Sra. Patrícia, devo avisar o Sr. João?

Ela balançou a cabeça.

— Não precisa. Deixe ele cuidar do trabalho em paz.

— Então a senhora quer que eu chame uma equipe de limpeza ou providencie outro lugar para ficar?

Ela buscou apoio para ficar de pé.

— Primeiro reserve um hotel para mim. Qualquer um serve, desde que seja limpo.

Tudo naquele lugar estava sujo demais.

......

Patrícia saiu do prédio, e o vento noturno estava gelado.

Uma figura alta e imponente estava encostada ao lado do carro, com a ponta acesa de um cigarro brilhando entre os dedos.

Ao ouvir os passos, Gustavo ergueu os olhos.

O olhar dele para Patrícia era complexo e sombrio.

— Desceu? Finalmente acabou com esse escândalo?

A voz dele estava rouca.

Patrícia seguiu em frente sem parar.

Gustavo apagou o cigarro, deu um passo e bloqueou o caminho dela.

A distância era tão curta que dava para ver os vasos avermelhados nos olhos dele e a linha rígida do maxilar tensionado.

— Patrícia! Eu mandei você não voltar. Por que teve que voltar?

Patrícia retrucou:

— Aqui é a minha casa. Por que eu não poderia voltar?

— Casa?

Como se tivesse sido ferido por aquela palavra, Gustavo soltou uma risada baixa.

Quando abriu os olhos de novo, só havia frieza no fundo deles.

— Seu pai morreu. Sua mãe enlouqueceu. Que casa você ainda tem?

Ele agarrou o braço dela, e a mão apertou cada vez mais.

— Eu mandei você ir embora e ainda dei uma saída para você. Por que você simplesmente não consegue me deixar em paz? Eu não quero ver você na minha frente. Entendeu?

Patrícia baixou ligeiramente o olhar para a mão enorme de Gustavo, que parecia prestes a esmagar seu braço.

Então sorriu.

— Gustavo, naquela época, você me empurrou para o desespero e fez eu ter que ir embora. Agora, ainda por cima, colocou meus inimigos para morar na minha casa. E você ainda diz que isso foi dar uma saída para mim?

Patrícia continuou:

— Às vezes, eu realmente fico curiosa. Que tipo de loucura tomou conta de você naquela época? Como você, de repente, se apaixonou pela filha da inimiga e passou a me odiar tanto assim?

Gustavo soltou um rugido baixo de repente, e a força na mão dele aumentou sem parar.

— Porque eu acordei! Eu acordei das mentiras suas e do seu pai. Você nunca mais vai conseguir me enganar!

Ela franziu a testa.

— Que mentiras?

Gustavo soltou um sorriso desolado.

— Vai fingir agora? Ah, é. Eu quase esqueci. Você sempre foi ótima em fazer cena. Mas o que eu fiz por você ainda não foi suficiente? Eu até deixei de lado o ódio pela morte do meu pai. Eu só pedi para você ir embora, desaparecer. Isso é tão difícil assim?

Patrícia olhou para ele por muito tempo.

Ela entendia cada palavra que ele dizia, mas, juntas, aquelas frases não faziam sentido nenhum.

Ele tinha deixado de lado o ódio pela morte do próprio pai.

Caso contrário, não poderia estar com Paula.

Mas tinha feito isso por Paula.

O que aquilo tinha a ver com ela?

— Gustavo, procure tratamento se está doente. Eu não tenho tempo para ouvir suas bobagens.

Depois de dizer isso, ela virou o corpo e foi embora.

......

No hotel providenciado por Sandro, Patrícia passou aquela noite deitada sozinha na cama, virando de um lado para o outro.

Sem perceber, acabou lembrando de três anos antes.

Ela e Gustavo tinham brigado inúmeras vezes por causa de Paula.

Ignorando a oposição de Patrícia, ele contratou Paula como gerente do departamento de projetos do grupo.

Ele esvaziou o poder de Patrícia, tomou os projetos dela e demitiu as pessoas de confiança dela.

Uma vez após a outra, reprimiu e feriu Patrícia.

Mesmo assim, ela nunca tinha pensado em terminar.

No aniversário de namoro dos dois, chegou até a preparar uma mesa cheia de pratos, só para tentar fazer as pazes com Gustavo.

No entanto, naquele dia, ele voltou para casa segurando a mão de Paula.

Sem nenhuma piedade, jogou todos os pratos da mesa no lixo e encarou Patrícia com frieza.

— Vamos romper o noivado. Em consideração ao que tivemos no passado, vou dar uma quantia para você. Vai ser o bastante para você deixar o Grupo Dias e sair de Serra Clara.

É claro que Patrícia não aceitou ceder.

O preço de não ceder foi virar alvo de Gustavo, que passou a atacar Patrícia por todos os meios.

No Grupo Dias, ela foi isolada.

Quando tentou mudar de emprego, todos os currículos que enviou sumiram sem resposta.

Até a conta bancária pessoal dela foi bloqueada pelo banco sob a justificativa de risco nas transações.

Naquele período, Patrícia mal conseguia dar um passo.

Conheceu toda a frieza do mundo.

Os amigos que antes viviam ao redor dela foram embora um após o outro.

As despesas da mãe no Residencial Flor de Ipê ficaram em atraso.

A investigação do antigo caso do pai perdeu recursos.

Até o abrigo de animais que ela havia fundado com doações acabou fechado.

Em um fim de tarde de vento cortante, Patrícia ficou parada diante de um caixa eletrônico, olhando para a mensagem na tela: [Conta temporariamente indisponível para transações.]

Foi ali que ela finalmente desabou.

Agachou no canto da rua e começou a chorar alto.

No fim, aceitou o dinheiro que Gustavo ofereceu para que ela fosse embora e partiu para outro país.

Aquele dinheiro comprou tudo que ainda restava dela, inclusive o sentimento que Patrícia ainda tinha por Gustavo.

Com os olhos um pouco secos, ela afastou aqueles pensamentos e fechou os olhos.

Dormir.

Assim, esqueceria tudo.

......

Quando abriu os olhos de novo, já era manhã do dia seguinte.

Patrícia acordou com o barulho vindo da entrada do hotel.

A porta estava tomada por uma multidão.

Câmeras com lentes enormes, gritos confusos em alto-falantes e curiosos filmando tudo com o celular.

Sem saber exatamente o que estava acontecendo, ela fez a própria higiene, arrumou tudo com calma e desceu.

Mas, assim que apareceu, os flashes começaram a disparar contra ela como loucos.

— Srta. Patrícia, o que a senhora tem a dizer sobre o caso em que seu pai, Ricardo Sampaio, matou Fernando Dias naquela época?

— Como filha de um assassino, por que a senhora ainda tem coragem de voltar?

— Há informações de que a senhora expulsou com violência a Srta. Paula e os pais dela ontem à noite, além de destruir a residência onde eles estavam. Isso é verdade?

— A senhora ainda não esqueceu o Sr. Gustavo? Voltou desta vez com a intenção de destruir o relacionamento entre a Srta. Paula e o Sr. Gustavo?

As perguntas vinham como flechas envenenadas.

No meio da multidão, alguém começou a xingar em voz alta.

— Filha de assassino, vai embora!

— A família de vocês devia pagar com a vida pelas vítimas inocentes daquela época!

— Tanta gente inocente morreu naquela época. A vida do seu pai nem seria suficiente para pagar tudo!

Ela tinha voltado ao país apenas no dia anterior, e o hotel tinha sido reservado de última hora.

Como aquelas pessoas tinham encontrado aquele lugar?

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