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Capítulo 4

Penulis: September
Faltei ao restante das aulas e deixei a academia.

Enquanto atravessava a floresta iluminada pela lua de volta ao território de Moonvale, minha mãe entrou em contato comigo pelo elo da alcateia.

— Serena, o que aconteceu?

Alguma coisa nas minhas emoções deve ter atravessado o elo antes que eu conseguisse esconder.

Parei sob as árvores e contei tudo a ela. Os insultos de Felicity. Rowan assistindo. Rowan defendendo ela. O tapa.

Por vários segundos, minha mãe não disse nada. Quando sua voz voltou através do elo, estava fria.

— Vá para casa. Estou voltando agora.

Corri direto para o meu quarto e comecei a revirar tudo o que possuía. Estantes, armários, baús de armazenamento.

Então puxei uma caixa grande e joguei dentro dela cada coisa que Rowan já havia me dado: a primeira pedra da lua polida que ele encontrou à beira de um riacho, uma antiga munhequeira de treinamento que me deu porque tinha uma sobrando, um medalhão de osso entalhado com o brasão da Família Nightshade e os bilhetes tortos e curtos que ele escrevia apenas quando estava de bom humor.

Quando terminei, a caixa estava cheia.

Verifiquei duas vezes para ter certeza de que não havia esquecido nada, depois a carreguei para fora do território e a despejei na área de descarte da alcateia.

Minha mãe chegou pouco tempo depois.

No instante em que viu meu rosto, seu olhar ficou sombrio.

Ela atravessou a estrada de pedra que separava nossos territórios e bateu à porta da Família Nightshade.

A mãe de Rowan atendeu parecendo confusa, mas minha mãe não suavizou uma única palavra.

Contou exatamente o que Rowan havia feito, como permitiu que Felicity me humilhasse publicamente durante semanas e como ainda escolheu ficar ao lado daquela garota em vez de ficar ao meu lado.

A mãe de Rowan empalideceu.

Nossas famílias eram próximas havia décadas.

Shadowfang e Moonvale haviam lutado lado a lado, compartilhado direitos territoriais e planejado unir mais uma geração através de Rowan e eu.

Agora, aquele vínculo havia rachado.

Quando minha mãe voltou, ela me puxou para seus braços.

— Ninguém tem o direito de tratar nossa Serena dessa maneira. Seja qual for sua decisão, seu pai e eu estaremos do seu lado.

Toda a humilhação que eu vinha reprimindo finalmente transbordou.

Enterrei o rosto em seu ombro e chorei.

Rowan apareceu mais tarde naquela noite.

Ele deve ter visto a caixa na área de descarte, porque pouco depois surgiu do lado de fora da nossa casa e começou a bater na porta com força suficiente para fazer a estrutura tremer.

— Serena! Abra a porta. Precisamos conversar.

Abri a porta.

Rowan estava ali, com uma expressão mais fria que a geada.

— Por que você jogou tudo fora?

— Isso não é da sua conta.

O hematoma daquela manhã ainda cobria metade do meu rosto.

Rowan não havia pegado leve.

Minha bochecha esquerda estava inchada, arroxeada, e o formato de seus dedos ainda podia ser visto nela.

Quando percebeu isso, sua expressão mudou.

Por vários segundos, ele apenas encarou meu rosto antes de falar em um tom mais baixo.

— Como ficou tão ruim assim?

Ele estendeu a mão para tocar meu rosto, mas recuei antes que conseguisse.

Durante toda a minha infância, eu raramente me machucava.

Sempre que ralava um joelho ou me arranhava, corria até Rowan para que ele me consolasse.

Eu não tinha medo da dor.

Só gostava de agir de forma mimada diante da pessoa que amava.

Rowan gostava de fingir que eu era delicada demais para o mundo, mas também gostava de ser a pessoa para quem eu corria.

Mas eu não lhe daria mais isso.

Ele nunca tinha me visto tão fria.

— Eu não queria fazer aquilo, Serena — disse ele. — Você continuou insultando Felicity e eu perdi a paciência.

Eu o interrompi.

— A partir de hoje, somos estranhos.

Seu maxilar se contraiu, mas seus olhos ainda estavam cheios de incredulidade.

— Use meu nome completo de agora em diante. Não fale comigo na escola. E não volte a bater na minha porta.

Comecei a fechar a porta.

Rowan segurou meu pulso.

— Isso é realmente necessário? — retrucou ele. — Se você está com raiva porque eu bati em você, tudo bem, eu peço desculpas. Mas não acha que está exagerando?

— E quando você se arrepender disso depois?

— Eu não vou.

— Por quê? — perguntou entre os dentes cerrados. — Porque eu te dei um tapa?

Olhei diretamente em seus olhos.

— Sim. Porque você me deu um tapa.

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