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Capítulo 148 — O Espectro do Passado

last update Fecha de publicación: 2026-10-30 18:39:03

POV Thomas

As portas de metal do elevador da Thorne Logistics abriram-se no saguão inferior com um som abafado, mas antes que eu pudesse dar o primeiro passo em direção à saída do edifício, o som de passos firmes e decididos contra o piso de mármore polido cortou o ar.

— Vejo que os velhos hábitos continuam difíceis de matar, Sterling-Vance — uma voz fria, cortante e carregada de um veneno destilado ao longo de uma década ressoou pelo saguão. — Pelo visto, você continua invadindo as propried
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    POV Thomas O relógio de parede do plenário marcava exatamente onze horas e cinco minutos quando as portas laterais se abriram e os cinco membros da comissão reguladora retornaram aos seus assentos. O burburinho de conversas paralelas que tomava conta do salão cessou de imediato. Os advogados da Thorne reassumiram seus lugares com expressões rígidas, enquanto Julian Reed, sentado na segunda fileira, nos encarava com um ódio que parecia faiscar sob as luzes fluorescentes do teto. Eu permaneci de pé diante da bancada, com os braços apoiados na madeira escura e os documentos organizados milimetricamente à minha frente. A minha bochecha ainda latejava levemente onde Julian me atingira no saguão, mas a dor física havia sido completamente soterrada pela adrenalina fria que travava os meus músculos em um estado de alerta absoluto. O presidente da comissão ajustou os papéis sobre a mesa, pigarreou para limpar a garganta e ergueu os olhos cinzentos para o plenário. — Após analisar os anex

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    POV Thomas O eco da minha voz ainda reverberava pelas paredes de carvalho esculpido do plenário quando o presidente da comissão ajustou os óculos na ponta do nariz e bateu o martelo de madeira contra a base de apoio. — Silêncio no recinto! — ordenou o magistrado, a voz seca cortando o murmúrio de espanto que havia tomado conta dos advogados e consultores da primeira fileira. Ele inclinou o tronco para a frente, cravando os olhos em mim com uma severidade implacável. — O senhor Sterling-Vance tem a palavra para fundamentar a acusação de que o laudo técnico da Thorne Logistics é uma farsa. Proceda com os fatos, engenheiro. Sem rodeios. Senti o peso de dezenas de olhares concentrados nas minhas costas, mas mantive os ombros perfeitamente erguidos. Abri a pasta de couro e estendi sobre a mesa de mogno as cartas batimétricas originais do estuário do Severn, aquelas mesmas que eu desenhara a nanquim uma década atrás, complementadas pelas anotações e cálculos recentes que fizera nas mad

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    POV Thomas As batidas violentas de Julian continuavam a ecoar contra a madeira maciça da porta do banheiro como o martelo de uma sentença irrevogável, mas o som parecia vir de outro mundo. A centímetros de mim, Maíra ajeitava a gola do blazer cinza-chumbo com uma calma assustadora, os lábios ainda levemente inchados e úmidos pelo beijo que acabáramos de compartilhar. Havia um brilho de triunfo absoluto nos olhos castanhos dela — o olhar de quem acabara de encurralar a própria presa no centro do labirinto e sabia perfeitamente que não havia mais saída. Passei a mão pelos cabelos, respirando fundo para forçar o ritmo caótico do meu coração a desacelerar, e ajeitei a lapela do sobretudo de lona. — Se você continuar sorrindo desse jeito, Maíra, o conselho inteiro vai achar que fomos nós que aprovamos a falência da Thorne — falei em um tom ríspido, contendo a tensão que ainda vibrava em cada músculo do meu corpo. Maíra soltou uma risada baixa, rouca e perigosa, aproximando-se o sufici

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    POV Thomas O corredor do tribunal de Bristol mantinha a mesma arquitetura gótica e sufocante de décadas atrás: pilares de granito cinzento, piso de ladrilhos xadrez que ecoavam o som de cada passo apressado e um cheiro persistente de cera de assoalho misturado à umidade da garoa que caía lá fora. Faltavam poucos minutos para a abertura oficial da sessão da junta hidrográfica, e os corredores começavam a ser tomados por assessores jurídicos, engenheiros com pastas debaixo do braço e diretores corporativos trocando sussurros tensos. Entrei no banheiro masculino localizado no final do corredor leste, buscando um segundo de trégua antes de enfrentar o plenário. O ambiente estava vazio, silencioso e iluminado apenas por arandelas amareladas dispostas nas paredes de mármore falso. Caminhei até a pia de louça branca, abri a torneira e joguei uma concha de água fria direto no rosto. O choque térmico estalou na pele, ajudando a dissipar o calor persistente que ainda latejava nas minhas t

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    POV Thomas A placa de bronze polido na entrada da cafeteria do outro lado da rua indicava o nome do estabelecimento: The Merchant's Cup. Era um refúgio de tijolos à vista e poltronas de couro desgastado, frequentado por corretores de navios e advogados que precisavam de uma dose de cafeína ou de um uísque duplo antes de enfrentar os estrados do tribunal de Bristol. Eram nove e meia da manhã. Faltavam exatamente sessenta minutos para o início da sessão da junta hidrográfica. Empurrei a porta de vidro com o ombro, buscando uma mesa isolada no fundo, longe das janelas emolduradas que davam para a avenida principal. O golpe que Julian desferira no saguão da Thorne Logistics começava a latejar com mais intensidade, latejando em uma pontada surda na bochecha esquerda, bem na altura da maçã do rosto. Quando passei a língua pelos dentes, senti o gosto metálico e ferruginoso do sangue seco. Pedi apenas um café preto, sem açúcar, muito forte. A garçonete, uma garota de olhos curiosos

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    POV Thomas As portas de metal do elevador da Thorne Logistics abriram-se no saguão inferior com um som abafado, mas antes que eu pudesse dar o primeiro passo em direção à saída do edifício, o som de passos firmes e decididos contra o piso de mármore polido cortou o ar. — Vejo que os velhos hábitos continuam difíceis de matar, Sterling-Vance — uma voz fria, cortante e carregada de um veneno destilado ao longo de uma década ressoou pelo saguão. — Pelo visto, você continua invadindo as propriedades da Maíra exatamente como fazia quando não passava de um sócio oportunista e parasita. Pareci de imediato. A mandíbula travou com tanta força que os dentes molares estalaram, e o sangue na minha corrente sanguínea mudou de curso instantaneamente, transformando-se em chumbo derretido. Ergui o olhar. Parado a poucos metros de mim, bloqueando o caminho para a saída, estava Julian Reed. Ele vestia um terno de alfaiataria italiana em tom chumbo, impecavelmente cortado, com uma gravata de seda

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