MasukDurante sete anos, Camille Brown acreditou ter o casamento perfeito. Até descobrir que Vicente Lancaster, seu próprio marido, havia forjado um esquema bilionário de fraude e colocado toda a culpa sobre ela. Da noite para o dia, Camille perde tudo: seu nome, sua reputação, sua casa e a liberdade. Sem saída, ela acaba nas mãos do único homem de quem jamais aceitaria ajuda. Elliot Parker. Bilionário, implacável, maior inimigo de Vicente… e o primeiro amor que Camille passou dez anos tentando odiar. Elliot faz uma proposta: um casamento por contrato. Ele limpará o nome dela e destruirá o império de Vicente. Em troca, Camille será sua esposa. O plano deveria ser apenas vingança. Até antigos sentimentos voltarem à tona, segredos do passado começarem a ser revelados e Camille descobrir que talvez tenha odiado o homem errado durante todos esses anos. Mas tudo muda quando ela descobre que está grávida. E não sabe quem é o pai. Então Camille desaparece. Cinco anos depois, Elliot finalmente a encontra. E dessa vez, ele não pretende deixá-la fugir.
Lihat lebih banyakPOV Camille Brown
O impacto do meu corpo contra o asfalto áspero arrancou o ar dos meus pulmões. Senti a pele dos meus joelhos e palmas das mãos se rasgarem instantaneamente, mas a dor física não era nada comparada ao som da risada fria que veio de cima.
— Suma da minha propriedade, Camille. Você é uma criminosa, uma fraude, e eu tenho nojo de ter dividido a cama com você!
Ergui os olhos, a visão embaçada pelas lágrimas e pela chuva torrencial que desabava sobre Londres. Vicente estava parado no topo da escadaria de mármore da nossa mansão, impecável, segurando um copo de uísque. Atrás dele, dois dos nossos seguranças particulares jogavam minhas malas degraus abaixo. Os fechos de uma delas estouraram, despejando minhas roupas e memórias de sete anos de casamento na lama da calçada.
De repente, a porta da frente se abriu novamente e uma mulher correu até ele sob a chuva fina do alpendre. Era Karen, a secretária executiva de Vicente. Ela usava um terno feminino impecável, mas o rosto estava tomado por lágrimas dramáticas e uma expressão de puro pavor.
— Vicente, meu Deus! Por favor, venha para dentro, você vai se resfriar! — Karen disse com a voz embargada, correndo até ele e abraçando-o pelo braço de forma solícita, tentando consolá-lo como a funcionária leal que presenciara a ruína da empresa.
Em seguida, Karen se virou na minha direção. Seus olhos, vermelhos pelo choro ensaiado, me fuzilaram com uma raiva fingida de quem defendia o chefe injustiçado:
— Como você teve coragem, Camille?! O senhor Lancaster te deu tudo, te colocou em um pedestal! Ele quase enfartou quando os auditores mostraram as fraudes! Você destruiu a empresa, destruiu a vida dele e ainda tem a audácia de chorar? Você devia estar na cadeia!
Assistir àquilo me deixou sem ar. A secretária que eu sempre tratei com absoluto respeito, a mulher que organizava a agenda do meu marido, agora agia como se eu fosse o maior monstro da Inglaterra. A atuação dela era impecável. Ela passava a mão pelas costas de Vicente, amparando-o enquanto ele fingia ser o homem devastado pela traição da esposa.
— Vicente, por favor! — minha voz saiu como um grito dilacerado, engolido pelo trovão. — Você sabe que eu não fiz isso! Foram as suas empresas, foram as suas assinaturas! Eu nunca desviei um centavo! Olhe para mim!
Tentei me levantar, mas minhas pernas falharam. Olhei para a porta de vidro da mansão. Parados no hall, os mesmos funcionários que tratei como família desviavam o olhar. A governanta, que ajudei a pagar o tratamento médico da filha, limpava uma lágrima discreta, mas deu um passo para trás. Vicente tinha comprado o silêncio de todos.
Quando o império financeiro dos Lancaster começou a ruir por conta de seus desvios e fraudes bilionárias, ele precisava de um bode expiatório. Ele falsificou documentos, abriu contas fantasmas no meu nome e, em uma única semana, me transformou na vilã mais odiada da Inglaterra.
— Tire essa mulher da minha vista, Karen — Vicente ordenou, a voz fria como gelo, aceitando o apoio da secretária enquanto me dava as costas. — Os advogados já entraram com o pedido de divórcio. Você sai com a roupa do corpo, que é tudo o que uma rata merece.
As portas duplas de carvalho se fecharam com um estrondo definitivo.
Antes que eu pudesse processar o vazio, a escuridão da rua foi invadida por clarões violentos. Flashes.
Virei o rosto, horrorizada. Atrás das grades de ferro do jardim, dezenas de fotógrafos e repórteres se acotovelavam. Eles sabiam. Vicente e Karen tinham avisado a mídia.
— Camille! Uma palavra para o Daily Mail! É verdade que você usou o dinheiro da empresa para joias? — Camille, olhe para cá! Como é ser expulsa do próprio palácio?
Os gritos dos jornalistas se misturavam aos cliques incessantes. A humilhação era insuportável. Eu estava descalça, o vestido de seda branca grudado ao corpo encharcado, os joelhos sangrando na calçada.
Eu não tinha mais dignidade. Meus pais tinham morrido anos atrás — meu pai tirou a própria vida após a falência devastadora que Vicente sempre me ensinou a colocar nas costas de um único homem: Elliot Parker. O monstro implacável que arruinara minha família na juventude, destruíra os negócios do meu pai e nos jogara na miséria.
Eu não tinha um tostão no bolso. O desespero absoluto tomou conta de mim.
Me levantei cambaleando e comecei a correr na direção oposta aos fotógrafos, deixando tudo para trás. Corri pela calçada escura, a chuva chicoteando minhas costas, meus pés descalços cortados pelo asfalto. Dobrei a esquina, entrando direto na avenida principal do distrito financeiro, onde o tráfego pesado fluía em alta velocidade.
Olhei para o asfalto molhado que brilhava sob os postes. A exaustão me venceu. Minha alma estava tão dilacerada que meu corpo implorava pelo fim. Eu só queria que o silêncio viesse.
Sem pensar, invadi a pista.
Um som estridente rompeu a tempestade. Faróis altos e violentos miraram direto no meu rosto. O barulho de pneus derrapando no asfalto molhado ecoou como um trovão metálico. Um imenso sedan preto de altíssimo luxo girou na pista, parando a escassos centímetros do meu corpo.
A lufada de vento me jogou de lado. Caí pesadamente no asfalto, o coração batendo na garganta.
A porta traseira do veículo foi empurrada. Pelo canto do olho, vi sapatos de couro legítimo pisando na água da pista. Um homem desceu e caminhou com uma calma milimétrica sob a tempestade.
Um grande guarda-chuva preto foi posicionado acima da minha cabeça, e um perfume que eu odiava e temia invadiu meus sentidos.
Sândalo e couro.
Uma mão grande, de dedos longos e firmes, fechou-se em torno do meu braço machucado e me arrancou do asfalto com uma força inabalável. Meu corpo cambaleou, batendo direto contra o peito rígido do seu terno sob medida.
— Não! Me solta! — gritei, a voz falhando, tentando empurrá-lo. — Me deixa em paz! Me deixa sumir!
— Olhe para mim, Camille.
A voz era grave, aveludada e terrivelmente fria.
Lentamente, ergui os olhos. A poucos centímetros do meu rosto, com os cabelos loiros desalinhados e olhos azuis-escuros que pareciam duas fendas de gelo, estava Elliot Parker.
O homem que destruiu o meu pai. O monstro que Vicente me ensinou a odiar e que levou a minha família à ruína.
— Elliot...? — o nome rasgou a minha garganta, carregado do mais puro nojo.
Tentei puxar meu braço com a pouca força que me restava, mas o aperto dele era de aço.
— Me solta! — gritei, a voz falhando, tentando empurrá-lo. — O que você quer de mim? Me ver morta? Você já tirou tudo o que a minha família tinha! Você destruiu o meu pai!
O maxilar de Elliot trincou com uma força brutal. Não havia compaixão em seus olhos; apenas um desprezo antigo e perigoso. Para ele, eu era a mulher que o traíra no passado, a mulher que escolhera ficar ao lado de Vicente para ajudá-lo a construir um império sobre as suas costas.
— Se eu quisesse você morta, Camille, teria deixado o carro te atropelar — ele disse, a voz num tom baixo e ameaçador, aproximando o rosto do meu sob a chuva. — E poupe o seu teatro. Guarde as acusações para o homem que acabou de te jogar na lama da calçada.
— Ele é o meu marido! — cuspi as palavras, tentando me soltar em vão. — E você... você é um abutre! Veio ver o serviço completo?
— O seu marido é um covarde que te usou como bode expiatório — Elliot desceu o olhar pelos meus joelhos sangrando e pelo vestido rasgado, voltando para os meus olhos com uma frieza de cortar a carne. — E se você morrer hoje nesta pista... ele vence. Você quer mesmo dar esse presente para o homem que destruiu a sua vida?
As palavras dele bateram contra o meu peito como um soco. Eu o encarava com pavor e ressentimento, odiando o fato de que a força daquele homem era a única coisa me mantendo em pé.
Elliot deslizou a mão do meu braço para o meu pulso, apertando-o com firmeza, sem espaço para réplica.
— Entre no carro, Camille — ele ordenou baixinho, a voz soando como uma promessa sombria. — A sua guerra começa amanhã.
POV Elliot Parker O cheiro de querosene, óleo de linhaça e serragem úmida enchia o galpão da marina. O fogo baixo da forja de canto estalava com carvão de pedra, aquecendo o ar frio que entrava pela fresta das portas corrediças de madeira. Eu estava sentado em um cepo de carvalho diante da longa bancada de carpinteiro naval. Havia arrancado a gravata e o paletó amassado, jogando-os sobre uma caixa de cabos de aço. As mangas da camisa de linho estavam arregaçadas até os cotovelos, e minhas mãos, manchadas de fuligem cinzenta, seguravam uma lixa de ferro com a qual eu limpava a ferrugem superficial de uma polia de tração que Thomas deixara desmontada. O movimento mecânico da lixa contra o metal não acalmava a cabeça. Meus olhos ardiam pelo cansaço absurdo das últimas quarenta e oito horas, e cada batida do meu coração parecia bater contra a parede de concreto que Camille erguera entre nós na soleira da casa. O rangido metálico da porta corrediça do galpão ecoou pelo vão alto do tel
POV Camille O ronco abafado do sedã descendo a alameda morreu devagar na curva dos pinheiros, até que o único som restante na colina fosse o estalo da madeira da casa contra o vento marítimo. Eu continuava encostada na parede ao lado da janela da sala, com os dedos cravados na cortina pesada de linho. Do ponto cego onde me mantive, vi quando Elliot deu meia-volta, curvou-se sobre o primeiro degrau de pedra e deixou algo brilhando contra a ardósia cinzenta antes de entrar no carro. Thomas não subiu a serra imediatamente atrás dele. O marinheiro atravessou a caminhonete azul-escuro bem no meio da passagem da cerca de madeira, travou o freio de mão com um estalo metálico audível até a varanda e sentou-se na caçamba aberta, tirando o cachimbo do bolso com a calma irritante de quem montara um bloqueio militar intransponível. A casa voltou a ser um túmulo. Atrás de mim, um som fraco de madeira raspando no chão me fez virar o rosto. Leo descera os últimos três degraus da escada em car
POV Elliot Parker O frio do outono de Dorset cortava a minha camisa amassada como pontas de agulha, mas eu não sentia a temperatura da carne. Havia uma dormência oca, corrosiva, que se espalhava do centro do peito para as extremidades dos meus dedos. Desci o último degrau da varanda de pedra com o corpo pesado, como se carregasse nos ombros todo o concreto injetado na caverna da falésia. A porta de carvalho permanecera trancada com o ferrolho de bronze. A frase dela ainda queimava nas minhas têmporas, palavra por palavra: "Eu vou embora de Port Regis hoje mesmo... e você nunca mais vai encontrar a gente." Parei no cascalho ao lado da porta aberta do carro alugado em Weymouth. Apoiei o antebraço sobre o teto metálico do veículo, curvando a coluna pela primeira vez em anos. A respiração saía em baforadas brancas e curtas na névoa da manhã. O suor frio das quarenta horas de viagem sem descanso colava o tecido fino da camisa às minhas costas, e os olhos ardiam sob uma pressão que fa
POV Camille O rugido daquelas turbinas cortando as nuvens de Weymouth não trouxe alívio; trouxe uma fúria desesperada. Os papéis com selo do tribunal podiam provar que a armadilha fora armada por abutres de Canary Wharf. Podiam atestar que ele não assinara contratos com a herdeira. Mas nenhum carimbo de juiz apagava o fato de que a vida com Elliot Parker seria eternamente isso: uma trincheira armada onde o meu filho e eu éramos alvos expostos na vitrine dos seus inimigos. A calmaria em Port Regis fora uma mentira conveniente. Enquanto ele carregasse aquele sobrenome e aquele império, a nossa paz seria apenas o intervalo entre dois bombardeios. E eu me recusava a passar o resto dos meus dias esperando o próximo fotógrafo, a próxima chantagem ou o próximo escândalo de salão. — Entra, Leo. Agora — ordenei, a voz saindo cortante, sem o tom maternal paciente de costume. O menino abaixou a luneta de latão, assustado com a rigidez dos meus modos: — Mas mamãe, o avião pousou per






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