MasukEu desviei o rosto, e minha voz saiu fria como gelo:— Eu não quero comer. Por favor, saia da minha casa agora.A mão dele, que estava no ar segurando a colher, congelou no mesmo instante. A expectativa em seu rosto se desfez lentamente, como uma chama que se apagava.Depois de alguns segundos de silêncio, ele colocou a colher de volta na tigela e, com um tom abatido, murmurou:— Eu comecei a preparar essa canja às quatro da manhã. Errei várias vezes até acertar. Ontem à noite, fiquei acordado a noite inteira, medindo sua temperatura a cada hora, com medo de que a febre voltasse. Débora, o que eu preciso fazer para você parar de ser tão fria comigo?Eu ergui os olhos e o encarei.— É tarde demais, Augusto. Tudo o que você está fazendo agora chegou tarde demais. O que você fez comigo não pode ser consertado com uma simples canja. Você não vai me comover. Pare de perder seu tempo.Nesse momento, a campainha tocou, quebrando a tensão sufocante que pairava na sala.Augusto franziu a testa,
Eu senti uma onda de náusea, como se algo em mim rejeitasse tudo aquilo de forma instintiva. Olhei para ele e, palavra por palavra, respondi:— Augusto, você pode, por favor, parar de falar essas coisas nojentas? Nós nos conhecemos há mais de vinte anos. Estamos casados há mais de quatro. Quatro anos atrás, foi você quem segurou um anel e me pediu em casamento, dizendo que queria passar o resto da vida ao meu lado. Agora você me diz que não sabia diferenciar amor entre irmãos e amor entre um homem e uma mulher?De repente, ele segurou minha mão com força entre as dele. Seus olhos estavam fixos em mim quando ele falou:— Débora, será que você não pode me dar mais uma chance? Eu prometo que vou resolver tudo com a Mônica o mais rápido possível. Mesmo que ela tenha esse filho, eu garanto que eles nunca vão interferir na sua vida. Eu vou mandar os dois para fora do país, e eles nunca mais voltarão para atrapalhar você e a Laís. Por favor, só diga que sim. Deixe o resto comigo, eu resolvo t
Depois de dizer isso, ele não olhou mais para minha expressão. Augusto tirou o paletó do terno, pendurou-o no cabide e se virou para Laís.— Minha querida, fique aqui com a mamãe por um momento. Vou até a cozinha preparar algo para vocês comerem.Os olhos de Laís se arregalaram de surpresa, e ela perguntou, incrédula:— Papai, você sabe cozinhar?Instintivamente, eu também lancei um olhar para ele.Na minha memória, Augusto jamais havia colocado os pés na cozinha.E, como esperado, ele ficou por um instante sem reação diante da pergunta da filha. A expressão dele ficou um pouco constrangida antes de responder:— Eu não sabia antes, mas posso aprender agora. Fique quietinha e espere, vai ser rápido.Depois que ele saiu, Laís veio para perto da cama e me olhou com um pouco de irritação.— Você não pode tratar meu pai de um jeito melhor? Ele veio cuidar de você com a melhor intenção, e tudo o que você faz é tentar mandar a gente embora! Papai acabou de chegar do aeroporto, ele também está
Eu pedi para ela levar o celular e manter a ligação comigo enquanto estivesse lá fora.Pouco tempo depois, ela voltou para casa.A pequena entrou com o rosto completamente vermelho por causa do frio, segurando o remédio com força nas mãos e exclamou:— Viu só? Eu sou incrível, não sou?Meu nariz ficou levemente trêmulo, e meus olhos marejaram. Sorri com orgulho e assenti:— Sim, você foi incrível!Ela pareceu se encher de coragem com meu elogio e disse animada:— Espera aí, eu vou pegar água para você.Sem esperar resposta, ela correu até o bebedouro e voltou com um copo de água morna para mim.Enquanto ela me entregava o copo e o remédio, senti meus olhos ficarem quentes de novo.Antes, eu costumava achar que essa menina era mimada e difícil, mas depois que saiu da família Moretti e ninguém mais a paparicava, percebi que, no fundo, ela entendia tudo.— Obrigada. — Agradeci com a voz um pouco embargada.Ela desviou o olhar, meio envergonhada, e respondeu:— Ah, não tem nada a ver. Foi
Eu balancei a cabeça, sem saber o que fazer, e puxei o cobertor para cobri-la novamente.Embora estar com ela agora fosse muito diferente da emoção que senti quando a encontrei pela primeira vez, talvez por causa do vínculo entre mãe e filha, olhar para ela dormindo tão tranquila fazia meu coração se encher de ternura....No dia seguinte, fui buscar Laís na escola. Assim que entrou no carro, ela me contou:— O pai da Rafaela pediu licença para ela. Eu queria pedir desculpas, mas parece que ela não vai voltar nos próximos dias.Eu imaginei que Lorenzo, depois de tanto tempo longe, aproveitaria para passar alguns dias de qualidade com a filha.— Acho que o pai dela a levou para passear. — Expliquei enquanto dirigia.Laís perguntou em um tom baixo:— E quando ela acabar de passear, ela vai voltar para a escola?Eu sorri e respondi:— Por quê? Você está com saudades?— Claro que não! — Ela rebateu, sem admitir. — Você não disse que a gente tem que ser grato? Quero pedir desculpas para ela
— Não precisa se preocupar comigo! — Laís respondeu, com a cabeça enterrada no travesseiro e a voz embargada pelo choro.Eu resolvi provocá-la, seguindo o tom dela:— Ah, é? Já que não precisa de mim, então por que você ainda está aqui na minha casa?Aquela frase fez Laís ficar em silêncio na mesma hora. Ela levantou a cabeça de repente, os olhos vermelhos de tanto chorar, e me encarou com raiva. Mas, mesmo assim, não conseguiu encontrar uma resposta.Aquela menina era a cópia exata do Augusto: mandona, teimosa e cheia de manha. Quanto mais você cedia, mais ela queria. Por isso, decidi que não iria tratá-la com tanto mimo.— Se não fosse pela Rafaela, que te convidou para vir, você ainda estaria sozinha lá em Brisa do Mar, sem ninguém para te fazer companhia. — Olhei fixamente para ela e continuei. — Se você continuar achando que a bondade dos outros é sua por direito, vai chegar o dia em que ninguém mais vai querer ser bom com você. Pense bem nisso.Depois de dizer isso, virei as cost



