INICIAR SESIÓNDilan Ricci Um ano depois... Um ano desde o dia em que tudo parecia ter desmoronado, desde que o medo quase arrancou Jade dos meus braços. Um ano de lágrimas, orações, noites sem dormir, mas também de descobertas, de esperança, de fé. E agora, ali estávamos. O jardim da mansão estava iluminado pelo sol, o cheiro das flores se misturava com a brisa suave, e as risadas enchiam o ar como música. Diogo estava ao meu lado, com Bella, sua esposa, rindo de algo que só os dois entendiam. Meus pais, Dimitri e Isabella, conversavam mais adiante, com aquele olhar orgulhoso que só os pais carregam. E Dante, meu pequeno Dante, corria desengonçado pelo gramado, com pouco mais de um ano, os passos incertos, mas o sorriso aberto como o próprio céu. Meu coração estava em paz. Não, mais do que isso: ele estava em chamas, ardendo de felicidade, consumido por um amor que me preenchia por inteiro. Olhei para cima, para o céu azul, e agradeci em silêncio. Por tudo. Pelo que ficou para trás e pelo que
Dilan Ricci O casamento estava lindo. As flores preenchiam a igreja com um perfume doce, a música suave parecia embalar cada passo de Bella em direção ao altar, e o sorriso de Diogo, aquele sorriso dizia tudo. Ele estava feliz. Ele estava completo. E eu, sentado entre familiares, com Dante no colo, sentia meu peito aquecer. Apesar de tudo, apesar da ausência de Jade que tanto me consumiu nos últimos meses, eu conseguia respirar fundo e acreditar que, pelo menos naquele dia, a felicidade tinha vencido. Mas a vida nunca me deu trégua, quando eu vi a Jade ali na igreja tão perto e ao mesmo tempo tão longe, fiquei a admirando e esperando a cerimônia acabar para me aproximar dela.Mas como se a vida quisesse continuar me torturando, eu ouço o som de um disparo que cortou o ar como uma explosão, transformando o que era celebração em um pesadelo. Tudo aconteceu rápido demais. Eu vi o clarão, ouvi o grito de horror ecoar pela igreja, e o instinto tomou conta de mim. Bella. A arma esta
Isabella Ricci Os dias passaram como se estivessem correndo contra o relógio, e de repente ali estávamos. O grande dia. O casamento do meu filho. Quando vi o Diogo no altar, de terno impecável, o olhar firme e, ao mesmo tempo, transbordando emoção, eu entendi o que é a verdadeira felicidade de uma mãe. Bella entrou pela igreja ao lado do Dimitri, como uma visão, com aquele sorriso doce que parecia feito apenas para ele, e eu quase não consegui conter as lágrimas. Era como ver duas pessoas que amo sem medidas, finalmente se entrelaçando, depois de tantas lutas, depois de tanto silêncio e medo. Mas, por mais que o coração transbordasse de alegria por um dos meus filhos, eu não podia ignorar o outro. Dilan. Ele estava lá, sentado em um dos bancos da frente, com Dante nos braços, e a imagem me fez estremecer. Tão jovem, e já com tanto peso sobre os ombros. Eu me lembrava como se fosse ontem: cinco dias após o nascimento, Jullia simplesmente havia desaparecido. Sem bilhete, sem expli
Dilan Ricci Dois meses. Parece pouco quando se fala em tempo, mas para mim foram os dias mais longos e intensos da minha vida. Estou sentado agora na poltrona do quarto do meu filho. Meu filho. Ainda me soa estranho dizer isso, mas ao mesmo tempo, nada nunca fez tanto sentido. O pequeno Dante dorme no meu colo, com aquele rostinho tranquilo, como se o mundo inteiro não pudesse jamais tocá-lo. Ele respira devagar, emitindo aqueles sons suaves de bebê, e toda vez que ouço esse barulho frágil, meu coração se enche de uma paz que nunca soube existir. Não posso negar que no início eu tive medo. Medo de não saber cuidar, de não estar à altura, de repetir erros que vi ao longo da vida. Mas quando Jullia foi embora, dias depois de dar à luz e me deixou com ele, a escolha não foi difícil. Eu podia me perder em mágoas ou me levantar por ele. E eu escolhi ser pai. Não vou mentir: eu não chorei quando ela se foi. Eu não a amava. Nunca amei. Foi apenas uma história errada, daquelas
Diogo Ricci Senti o coração bater descompassado enquanto a via ali, tão perto, tão vulnerável e ao mesmo tempo tão inteira diante de mim. Cada palavra que ela disse ainda ecoava na minha mente, e eu não conseguia acreditar que finalmente estávamos ali, sem barreiras, sem medos, sem sombras do passado. Bella era minha, e eu era dela, e aquela certeza me consumia de uma forma que eu nunca imaginei ser possível.— Você tem certeza? — perguntei, a voz rouca, quase tremendo. Não era só desejo; era um medo pequeno, quase insignificante, mas que insistia em me lembrar que aquele momento era precioso demais. — Quer mesmo isso comigo?Ela olhou para mim, olhos brilhando, lábios entreabertos, e sorriu entre lágrimas. — Sim, Diogo. Quero. Com você. Sempre quis.Aquele simples sim me arrancou um suspiro profundo. A intensidade do que sentia por ela era esmagadora. Cada toque, cada olhar, cada respiração compartilhada era como se o mundo tivesse se reduzido àquele quarto, àquele instante, àquele
Bella Ricci A conversa com minha mãe ecoava dentro de mim como um hino de libertação. Cada palavra dela tinha arrancado um peso das minhas costas, uma corrente do meu coração. E, ainda assim, eu estava tremendo. Não era medo do amor. Não mais. Era o medo do que viria a seguir. Encostada à porta do quarto, fechei os olhos e inspirei fundo, repetindo para mim mesma: “Ele me ama. Ele já escolheu. E eu não preciso mais fugir.” Mas repetir não era o mesmo que acreditar. O corpo sabia antes da mente, e cada fibra minha pulsava em direção a ele. Diogo. O nome dele era uma chama que queimava silenciosa, consumindo tudo dentro de mim. Andei pelo corredor como se estivesse em transe, os pés arrastando, o coração acelerado. A cada passo que me aproximava da porta dele, minha respiração falhava. Toquei na maçaneta e senti a frieza do metal contrastar com o calor das minhas mãos suadas. Podia bater. Podia entrar. Podia dizer tudo. Mas e se ele me rejeitasse? E se, apesar de tudo, eu tive







