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Dizem Que Sou Mão-de-Vaca? Tô Fora!
Dizem Que Sou Mão-de-Vaca? Tô Fora!
Autor: Washing Wheat

Capítulo 1

Autor: Washing Wheat
O Festival da Colheita estava chegando, e a empresa já tinha um clima festivo.

Pedi para a minha assistente trazer os vales-compras prontos, que formavam uma pilha grossa.

Essa é a tradição desde a fundação da nossa empresa; a cada feriado, incluindo os aniversários dos funcionários, cada um ganha um vale-compras de dois mil reais.

A nova estagiária, Amélia, espiou do seu posto de trabalho.

Ela olhou para os vales-compras nas mãos da assistente e fez um bico.

— Nossa empresa é tão grande e não vai dar nem uma caixa de Pamonha?

O tom de voz dela não era alto nem baixo, o suficiente para que todos no escritório ouvissem.

A funcionária veterana ao lado, Vanusa, puxou a manga dela e a alertou em voz baixa.

— Amélia, o benefício da nossa empresa é o vale-compras de dois mil reais, que compensa muito mais do que a caixa de Pamonha, você é nova aqui e não sabe.

Outro colega concordou: — É verdade, no ano passado eu usei o cartão para comprar um celular novo para a minha mãe, é melhor do que qualquer coisa.

— Ah, é mesmo?

Amélia arrastou a voz com sarcasmo. — Vale-compras é vale-compras, caixa é caixa, não querem gastar nem com uma caixa de Pamonha e ainda têm coragem de dizer que os benefícios da empresa são bons. Se não houver consideração, de que adianta dar tanto dinheiro?

Vanusa e o colega ficaram com as expressões constrangidas e não falaram mais nada.

De tarde, bateram na porta do escritório.

Amélia estava na porta segurando uma pasta. — Sra. Lorena, tem um momento? Queria conversar sobre a construção da cultura da empresa.

Eu balancei a cabeça.

Ela entrou, fechou a porta e abriu um sorriso profissional.

— Sra. Lorena, eu acho que a nossa empresa, sendo uma referência no setor, poderia fortalecer um pouco mais a parte da cultura corporativa.

— No Festival da Colheita, por exemplo, o vale-compras é vantajoso, mas parece que falta um pouco do sabor da cultura tradicional. Se pudéssemos dar uma caixa de Pamonha adicional para cada funcionário, isso mostraria mais o cuidado humano da empresa.

Eu olhei para ela e achei um tanto ridículo.

— A tradição da empresa é dar o poder de escolha do benefício diretamente aos funcionários. Com dois mil reais, você pode comprar dezenas de caixas de Pamonha que você goste, ou comprar outras coisas para a sua família. Isso é muito mais humanizado do que a empresa comprar tudo de uma vez e te forçar a receber um sabor que você não gosta.

O sorriso no rosto de Amélia congelou.

— Sra. Lorena, não foi isso que eu quis dizer. Eu digo que seria um caminho duplo, um incentivo tanto emocional quanto material.

Eu a interrompi: — Eu só sei que colocar o dinheiro nas mãos dos funcionários de forma concreta e deixá-los escolher por si mesmos é o maior respeito que se pode ter.

Ela engasgou e forçou uma frase seca: — Eu só estava dando uma sugestão.

Depois de dizer isso, ela segurou a pasta e saiu rapidamente.

Eu não dei importância a isso, achei apenas que era uma jovem recém-chegada querendo se mostrar.

O início da empresa foi muito difícil, e eu sempre senti que devia aos funcionários que me seguiram desde o começo.

Então, depois que a empresa entrou nos trilhos, eu maximizei os benefícios, querendo criar um ambiente onde todos pudessem ter dignidade e ganhar dinheiro de forma decente.

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