FAZER LOGINRoberto me tirou da casa isolada no dia seguinte ao amanhecer. O céu estava cinza. O ar úmido entrava pelas narinas. Me levou de carro até a sede da matilha. Uma casa grande de madeira escura cercada por árvores altas e densas. O cheiro de pinho fresco e terra molhada dominava o lugar. O chão rangia sob os pés. Ele me deu um quarto no segundo andar. Cama grande com lençóis limpos, banheiro próprio com chuveiro quente, armário com roupas simples e confortáveis.
Ele me vigiava o tempo todo. Entrava no quarto sem bater. A presença dele enchia o espaço e me irritava de uma maneira difícil de explicar. — Não saia sozinha. Logan te quer viva e vai tentar de novo. Ele encostou na porta, com os braços cruzados sobre o peito largo. — Menina mimada como você não dura um dia sozinha nesse mundo. — A voz rouca e baixa causava irritação imediata no meu peito. Meu rosto esquentava. Respondia com raiva na voz. Ataque gratuito? — Não pedi sua proteção. Pode me deixar ir embora. Ele riu baixo, os olhos amarelos fixos nos meus. A proximidade fez minha pele formigar, era raiva, pura raiva. O coração bateu mais rápido quando ele se aproximou. Uma carta chegou, entregue por uma das mulheres da matilha. Papel grosso, selo com raposa gravada. Minhas mãos tremiam ao abrir. A letra era elegante. Sinto seu cheiro mesmo de longe. Você será minha. Roberto não consegue te segurar para sempre. Aguardo o momento certo. O estômago apertou forte. Náusea subiu. O peito ficou pesado. Roberto leu por cima do meu ombro. O corpo quente dele pressionava minhas costas. A mão grande apertou meu ombro com força. — Ele não vai tocar em você, Lina. Você fica aqui. Senti raiva da possessividade, mas um calor estranho se espalhou pela barriga. Empurrei a mão dele. Ele realmente parecia apenas querer me proteger, mas a forma como falava comigo dizia ao contrário. — Não sou propriedade sua. — Ele me encurralou contra a parede. O peito largo quase tocava o meu. A respiração quente batia no meu rosto. Ele é bonito, tem um corpo robusto e é muito atraente. — Enquanto eu for o Alfa, você obedece. — Meu corpo reagiu. Pele arrepiada, respiração acelerada. Ódio e atração indesejada se misturavam. Eu o xinguei baixo. Ele sorriu. O ar entre nós ficou carregado. À noite, deitada na cama, senti o corpo tenso. Pensava nos olhos amarelos dele. Raiva queimava no peito, mas o sono demorava a vir. Uivos altos ecoaram pela floresta ao redor da sede. Roberto invadiu meu quarto aos gritos e ordenou. — Corra com a gente agora. — Meu coração disparou. Saímos correndo. — Algumas raposas invadiram a nossa fazenda — A matilha se transformou. Meus músculos queimavam enquanto corria entre as árvores. Galhos arranhavam minha pele. Dor aguda em cada corte. O chão úmido e frio batia nos pés. O cheiro forte de raposas enchia o ar. Logan liderava o ataque. Nove caudas flamejantes brilhavam na escuridão. Suas raposas eram rápidas, mordendo pernas e flancos dos lobos. Corri ao lado de Roberto. O lobo negro enorme protegia a mim. Meu coração bateu descontrolado. Respiração ofegante. Uma raposa pulou em mim. Garras rasgaram meu ombro esquerdo. Dor quente explodiu no músculo. Sangue quente escorreu pelo pelo. Rosnei de dor. Roberto matou a raposa com uma mordida forte. O osso quebrou audivelmente. Eles me levaram para outra fazenda, uma diferente e menor, onde as raposas aparentemente não conheciam. Esse conflito pareceu querer provar que Logan está apenas começando e que não vai parar.Eu me chamo Lucas. Nasci como metade humano e metade raposa de nove caudas. Cresci em uma casa confortável, sou gêmeo de Aurora. Desde cedo, aprendi a conviver com minha natureza dupla. Minhas orelhas e nove caudas eram parte normal da minha rotina, e minha família me ensinou a gerenciá-las com discrição quando necessário. Estudei em boas escolas e, depois, cursei administração na universidade, me preparando para o futuro na empresa do meu pai.Trabalhei ao lado dele durante anos, aprendendo todos os processos, desde a gestão de estoques até as negociações com fornecedores. Quando meu pai decidiu se aposentar, tornei-me o herdeiro e assumi a liderança da empresa. Isso me permitiu manter uma vida confortável, com recursos suficientes para cuidar bem da minha família sem preocupações financeiras constantes.Conheci Clara durante um evento da matilha. Ela participava como convidada de um parceiro comercial e começamos a conversar sobre projetos e interesses em comum. Clara é professora d
O tempo continuou passando, e a vida da família se encheu de novos capítulos. Lucas, com 22 anos, tinha conhecido uma garota da matilha chamada Lira. Ela era forte, esperta e tinha um coração generoso. A primeira vez que ele a trouxe para casa foi em um dia especial — a cerimônia de marcação de Aurora com Higor. A Fortaleza das Raposas estava linda, decorada com flores e lanternas. A matilha se reuniu para celebrar a união de Aurora e Higor. Eu e Logan estávamos ao lado da filha, orgulhosos. Aurora estava radiante, o vestido branco brilhando sob a lua. Higor, nervoso mas feliz, esperava no altar. Logan deu a benção, a voz embargada. — Eu te abençoo, filha. Que sua vida seja cheia de alegria. Eu te amo. Aurora chorou, abraçando o pai. — Eu te amo também. A cerimônia foi linda. Os votos foram emocionantes, as promessas de amor ecoaram. Quando o "sim" foi dito, o aplauso foi caloroso. Depois da cerimônia, a festa começou. Música, comida e risadas encheram o ar. Lucas apresentou
Os anos passaram como um sopro.Lucas e Aurora tinham dezoito anos agora. Parecia impossível, mas ali estavam eles — dois jovens lindos, cheios de vida e personalidade. Eu e Logan estávamos sentados no jardim da nossa casa em Minneapolis, observando os gêmeos brincando com os primos. O sol da tarde iluminava tudo, e o cheiro de grama cortada misturava-se com o riso deles.— Parece que foi ontem que eles nasceram — disse eu, encostando a cabeça no ombro de Logan. — E agora estão indo pra faculdade. Eu tô tão orgulhosa.Logan apertou minha mão, sorrindo.— Eles são incríveis. Lucas sempre foi o protetor, o aventureiro. Aurora a criativa, a sensível. Eles herdaram o melhor de nós dois.Lucas se aproximou, suado da brincadeira.— Pai, mãe, eu tô pensando em estudar Engenharia na universidade. Quero construir coisas. E talvez ajudar na matilha com projetos.Logan sorriu, orgulhoso.— Você tem talento pra isso. Vamos te apoiar. Mas lembre-se de equilibrar com a matilha. O poder das nove cau
Lucas e Aurora tinham dezoito anos agora. Parecia impossível, mas ali estavam eles — dois jovens lindos, cheios de vida e personalidade. A vida tinha sido boa. Eu e Logan continuamos morando entre a Fortaleza das Raposas e nossa casa em Minneapolis. Eu trabalhava como consultora econômica, ajudando a matilha a gerir seus negócios. Logan liderava a matilha com sabedoria, mantendo a paz com os lobos. Os gêmeos cresceram cercados de amor, entre as duas culturas, aprendendo a valorizar tanto a força do lobo quanto a astúcia da raposa. Lucas era alto, forte, com os cabelos escuros do pai e olhos verdes penetrantes. Ele era aventureiro, protetor, sempre o primeiro a defender a irmã. Estava cursando Engenharia na universidade, mas também treinava com a matilha, aprendendo a controlar o poder que herdara. Aurora era elegante, com cabelos castanhos claros e um olhar curioso. Ela era criativa, sensível, apaixonada por arte e história. Estudava Literatura e já escrevia contos sobre mundos
O tempo voou.Lucas e Aurora tinham cinco anos agora. Parecia que foi ontem que eu e Logan nos casamos, que os gêmeos nasceram, que começamos essa vida juntos. Mas ali estávamos nós, no primeiro dia de escola.A escola era uma boa instituição em Minneapolis, com um programa de educação infantil acolhedor. Eu e Logan estávamos no carro, cada um segurando a mão de um filho. Lucas estava agitado, Aurora um pouco mais quieta, mas ambos olhavam pela janela com curiosidade.— Vocês vão amar a escola — disse Logan, sorrindo para o retrovisor. — Vão fazer amigos, aprender coisas novas e voltar pra casa contando tudo pra gente.Lucas pulou no banco.— Eu vou aprender a ler dragões! E a correr mais rápido que o papai!Aurora riu baixinho.— Eu quero desenhar. E fazer amigos.Eu apertei a mão de Logan, emocionada.— Parece que foi ontem que eles nasceram. Agora estão indo pra escola. Eu tô tão orgulhosa de vocês dois.Chegamos à escola. O pátio estava cheio de crianças e pais. Nós descemos, segu
Cinco anos se passaram desde o nascimento de Lucas e Aurora. A vida tinha se transformado em algo que eu mal ousava sonhar. Eu me formei em Economia com honras, trabalhando agora como consultora em uma pequena empresa em Minneapolis, equilibrando o trabalho com a maternidade. Os gêmeos tinham cinco anos agora, cheios de energia, curiosidade e amor. Lucas era o mais agitado dos dois, sempre correndo, explorando, com os olhos verdes do pai e um sorriso travesso. Aurora era mais calma, mas igualmente curiosa, com os cabelos castanhos claros e um olhar que parecia entender tudo. Eles eram inseparáveis, rindo juntos, brigando por brinquedos e dormindo abraçados. Nossa vida era dividida entre dois mundos. Passávamos parte do ano na Fortaleza das Raposas, onde Logan liderava a matilha com sabedoria, e o resto em Minneapolis, na casa incrível que ele havia comprado para nós. Era uma casa grande, com jardim amplo, quartos espaçosos e uma vista para o lago. O lugar perfeito para criar os fil







