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Hana estava na floricultura naquela tarde quando tudo aconteceu de forma simples e inesperada. Uma senhora passou mal no meio da rua, e sem pensar duas vezes ela saiu de trás do balcão e correu até ela.
Não tinha dúvida, nem hesitação. Só ação. Com cuidado, Hana ajudou a senhora a se sentar, perguntou se ela conseguia respirar direito e chamou ajuda. Quando viu que seria melhor levá-la ao hospital, não esperou ninguém fazer isso por ela. Acompanhou a senhora no transporte e ficou ali o tempo todo, segurando sua mão até que os médicos assumissem o caso. Horas depois, já com a senhora mais estabilizada, Hana ainda estava ali, sentada ao lado dela. A senhora a observava com um olhar diferente, como se estivesse tentando entender quem era aquela jovem. — Você é muito boa, minha querida… qual é o seu nome? — perguntou com voz mais fraca, mas sincera. — Hana Monteiro — ela respondeu com um leve sorriso. — Que nome bonito… Eu sou Fernanda Lockwood. Hana piscou de leve. — Seu sobrenome é bonito. Fernanda soltou um pequeno riso. — Você nunca ouviu falar? — Não, nunca. A senhora pareceu surpresa, como se aquilo fosse quase impossível. — Sério, querida? Bom… meu filho é Xavier Lockwood. Hana apenas assentiu, educada, sem entender muito bem a importância daquilo. — Ele é um dos empresários mais conhecidos… um dos solteiros mais cobiçados também — Fernanda continuou, com um tom misto de orgulho e frustração. — Mas é… difícil. Fechado. Rude às vezes. Não liga muito para essas coisas. Hana franziu levemente a testa, desconfortável com o rumo da conversa. — Eu não sabia de nada disso, senhora. Nunca tinha ouvido falar. Fernanda segurou a mão dela por um instante. — E mesmo assim cuidou de mim sem esperar nada. Hana deu de ombros, simples. — Não precisa agradecer tanto… qualquer um faria isso. — Não. Nem todo mundo faria — Fernanda respondeu com firmeza. Ela então abriu a bolsa e tirou um cheque, entregando nas mãos de Hana. — Senhora, isso é muito… — Não é. Para mim, não é nada — disse ela, sincera. Hana hesitou por alguns segundos, mas acabou aceitando, mais por respeito do que por vontade. — Obrigada… Antes de ir, Fernanda ainda a observou por mais um instante. — Você se importaria de me dar seu número? Hana entregou sem pensar muito. E então se despediu. Saiu do hospital achando que aquilo tinha sido apenas um gesto comum em um dia comum. Mas Fernanda ficou ali por mais tempo do que deveria. Sozinha, com o celular na mão, ela olhou para o nome recém-salvo. E um pensamento tomou forma com uma clareza inesperada: “Ela seria perfeita para o Xavier.” A noite já tinha caído quando Xavier Lockwood entrou no escritório de casa. O prédio inteiro parecia silencioso demais, como sempre acontecia naquele horário. Ele tirou o paletó com calma, jogando sobre a cadeira, e abriu alguns documentos na mesa como se ainda estivesse em modo automático de trabalho. Não demorou muito para a porta se abrir de novo. Fernanda entrou sem pressa, segurando o celular na mão. — Você ainda está trabalhando? — ela perguntou, como se já soubesse a resposta. — Sempre estou — ele respondeu sem olhar, assinando um dos papéis. Fernanda ficou alguns segundos em silêncio, apenas observando o filho. Xavier tinha aquela presença fechada, controlada demais, como se nada realmente o atingisse. Ela se aproximou e colocou o celular sobre a mesa. — Eu quero te mostrar uma coisa. Ele finalmente ergueu os olhos. — Se for mais alguma reunião ou evento, manda para a secretária. — Não é isso. A voz dela estava diferente. Mais leve. Mais decidida. Xavier suspirou, encostando na cadeira, e pegou o celular. Na tela, havia apenas um contato salvo. “Hana Monteiro.” — E isso é…? — ele perguntou, sem entender o motivo daquilo. Fernanda sentou na poltrona à frente dele. — A pessoa que salvou a minha vida hoje. Ele franziu levemente o cenho. — Você passou mal de novo? — Passei. Na rua. E se ela não tivesse me ajudado, eu não estaria aqui agora. Xavier ficou em silêncio por um instante, analisando a informação, mas sem demonstrar emoção. — E você decidiu me mostrar o contato dela por quê? Fernanda respirou fundo, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado. — Porque ela não pediu nada. Não sabia quem eu era. Não sabia quem você é. E mesmo assim ficou comigo, me levou ao hospital, cuidou de mim como se fosse alguém da família. Xavier largou o celular na mesa. — Isso não significa nada, mãe. Só significa que ela é educada. Fernanda inclinou a cabeça, como se esperasse exatamente essa resposta. — Eu pensei a mesma coisa no começo… até perceber outra coisa. Ele a olhou agora com mais atenção. — O quê? — Ela seria perfeita pra você. O silêncio que veio depois foi imediato. Xavier não riu. Não se surpreendeu. Só ficou parado, olhando para a mãe como se ela tivesse dito algo completamente fora de contexto. — Você está tentando me arranjar alguém? — a voz dele saiu baixa, seca. — Não estou te arranjando ninguém — Fernanda respondeu com calma. — Estou te mostrando alguém que vale a pena conhecer. Ele passou a mão pelo rosto, já impaciente. — Eu não tenho tempo pra isso. — Você não tem tempo pra nada que não seja trabalho. Aquilo fez ele travar por um segundo. Fernanda continuou: — Ela é simples, Xavier. Humana. Diferente de tudo isso que você vive cercado. Ele levantou da cadeira, andando alguns passos até a janela. — Você não sabe nada sobre ela. — Sei o suficiente — ela respondeu, sem hesitar. Ele ficou olhando a cidade lá fora, os vidros refletindo seu próprio rosto. Fechado. Controlado. Sempre igual. — Qual é o nome dela mesmo? — ele perguntou depois de um silêncio longo, como se não quisesse demonstrar interesse. — Hana Monteiro. O nome ficou no ar por alguns segundos. Xavier não respondeu. Mas também não esqueceu.Xavier caminhou até Hana com passos firmes, mas sem pressa.Quando chegou perto, o movimento da rua parecia ter diminuído ao redor deles.Ele a observou por um segundo.— Está tudo resolvido.Hana respirou fundo, como se finalmente conseguisse soltar o ar preso desde que viu o carro.— Obrigada…Ela falou baixo, sincera.— De verdade.Xavier apenas assentiu levemente.— Volte ao trabalho.Hana ajeitou o avental, ainda tentando normalizar o coração acelerado.— Sim, senhor… quer dizer, Xavier.Ela deu um pequeno sorriso nervoso, virou-se e voltou para dentro da lanchonete.Como se o mundo tivesse voltado ao normal.Mas não tinha.Xavier ficou parado por mais alguns segundos olhando a porta por onde ela entrou.Depois virou-se lentamente, entrou no próprio carro e foi embora.Sem dizer mais nada.Só que, pela primeira vez desde o início de tudo…o silêncio dele não era vazio.Era decisão.A porta da casa bateu com força quando Hana entrou.— Mãe?A voz dela saiu alta, urgente.Por algun
O carro de Xavier parou poucos minutos depois em frente à casa de shows onde Hana trabalhava.Era cedo, o movimento ainda não tinha começado, mas já havia funcionários entrando e saindo para preparar tudo para a noite.Ele desceu sozinho.Sem pressa.Sem alterar a expressão.Ao entrar, o gerente o reconheceu imediatamente e ficou visivelmente tenso.— Senhor Lockwood… boa tarde.Xavier apenas assentiu.— Preciso falar com você.O gerente engoliu seco.— Claro, por aqui.Eles foram até uma sala pequena nos fundos.Xavier fechou a porta atrás de si.Silêncio.Ele não sentou.— Quero informações sobre um cliente frequente daqui.O gerente ficou ainda mais nervoso.— Claro… quem?Xavier falou o nome.— Marcos Vilela.A expressão do gerente mudou na hora.— Ah… ele.Xavier percebeu.— Você o conhece.— Sim… ele vem sempre em dias de movimento maior.Xavier cruzou os braços.— E o comportamento dele?O gerente hesitou.— Ele… é insistente. Mas nunca chegou a causar um problema grande aqui d
Hana desceu as escadas devagar, ainda ajustando a mochila nas costas.O cabelo estava preso de forma simples, sem grandes cuidados além do básico. Ela parecia pronta para mais um dia comum — como se nada tivesse mudado na noite anterior.Mas a casa não era mais a mesma… e nem a vida dela.Quando entrou na sala, encontrou Fernanda e Xavier já acordados.Fernanda foi a primeira a sorrir.— Bom dia, Hana.— Bom dia, senhora… — ela respondeu automaticamente, depois corrigiu com um leve constrangimento — bom dia, Fernanda.Fernanda soltou uma risadinha.— Melhorando.Xavier observou em silêncio, encostado no sofá.— Bom dia.— Bom dia, senhor — ela respondeu, depois fez uma pausa rápida — digo… Xavier.Ele apenas assentiu.— Você acorda cedo.— Sim — ela respondeu enquanto ajeitava a alça da mochila — eu preciso sair mais cedo hoje.Fernanda franziu o cenho.— Não vai tomar café da manhã?Hana balançou a cabeça.— Não precisa, eu como alguma coisa por lá.Xavier interrompeu com firmeza cal
Depois da assinatura e das últimas formalidades, o clima dentro do cartório começou a se desfazer lentamente.Os funcionários recolhiam os papéis, o juiz já se despedia e o ambiente voltava ao normal, como se nada tão importante tivesse acabado de acontecer ali.Mas para Hana… tudo parecia diferente.Ela ainda olhava discretamente para a aliança em seu dedo.Um gesto simples, quase automático, como se estivesse tentando se convencer de que aquilo era real.Xavier observava em silêncio.Fernanda foi a primeira a quebrar o momento.— Bom… agora vocês precisam descansar um pouco.Sorriu, olhando para os dois.— Ou pelo menos fingir que vão.Hana soltou um riso baixo, sem graça.— Eu ainda tenho um pouco de dificuldade com essa parte.Xavier respondeu com calma:— Eu não costumo fingir.Fernanda arqueou a sobrancelha.— Eu percebi.O advogado fechou a pasta.— Senhor Xavier, os documentos finais serão enviados para o registro ainda hoje.— Certo.Ele então olhou para Hana.— Seu contrato
Hana chegou em casa pouco depois do meio-dia.Assim que entrou, encontrou a mãe esperando por ela na sala.Cláudia abriu um sorriso emocionado.— Chegou, minha filha.— Cheguei, mãe.As duas seguiram para o quarto.O vestido já estava pendurado, cuidadosamente esticado para não amassar.Cláudia olhou para ele por alguns segundos.— Vamos começar?Hana sorriu.— Vamos.Ela tomou um banho demorado.Quando saiu, vestiu uma roupa leve enquanto a mãe separava tudo o que seria usado.Pouco depois, Hana colocou o vestido.Era simples, elegante e valorizava sua beleza sem exageros.Cláudia ficou alguns segundos sem conseguir dizer uma palavra.Os olhos se encheram de lágrimas.— Você está...Ela respirou fundo.— Linda.Hana sorriu, emocionada.— Obrigada, mãe.Cláudia aproximou-se.Com todo o carinho do mundo, penteou os longos cabelos pretos da filha.Prendeu apenas uma pequena parte com a delicada presilha que Fernanda havia enviado.Depois ajeitou o vestido mais uma vez.— Pronto.Hana ol
Mais tarde, já depois das oito da noite, Hana chegou em casa.O corpo parecia pedir descanso a cada passo.Ela entrou em silêncio, colocou a mochila sobre a cadeira e levou a grande caixa branca para o quarto.Fechou a porta com cuidado.Sentou-se na cama e abriu a caixa novamente.Passou a mão sobre o vestido branco, admirando o tecido delicado.Ao lado estavam a sandália, os acessórios para o cabelo e a nécessaire que Fernanda havia preparado.Um leve sorriso apareceu em seu rosto.Poucos segundos depois, ouviu uma batida suave na porta.— Posso entrar?— Claro, mãezinha.Cláudia entrou devagar.Ao ver a caixa aberta sobre a cama, sorriu com os olhos marejados.— Que caixa é essa?Hana olhou para o vestido.— É o vestido que vou usar amanhã para casar.A mãe aproximou-se lentamente.Pegou o vestido com todo o cuidado do mundo.Seus dedos acariciaram o tecido por alguns instantes.Ela sorriu, mas logo os olhos se encheram de lágrimas.— Pelo menos... eu vou poder arrumar a minha filh







