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capítulo 2

last update Veröffentlichungsdatum: 27.08.2026 00:31:10

Passaram alguns dias desde o encontro no hospital, e Hana já tinha praticamente voltado à rotina.

Trabalho na floricultura de manhã. Outro trabalho no fim do dia. Vida corrida, simples, sem espaço para distrações.

Ela estava justamente na lanchonete onde fazia um turno extra quando viu a porta abrir.

Fernanda Lockwood entrou com a mesma postura calma de antes, olhando ao redor até encontrar alguém que reconhecesse.

Quando os olhos dela pararam em Hana, um sorriso imediato surgiu no rosto.

Hana percebeu na hora.

Secou as mãos no avental e foi até a mesa.

— Senhora Fernanda!

— Oi, querida… como é bom te rever.

Hana sorriu, surpresa.

— A senhora por aqui?

— Vim comer algo simples — ela respondeu, olhando ao redor com leve curiosidade. — Você trabalha aqui?

— É… esse é um dos trabalhos.

Fernanda arqueou levemente a sobrancelha.

— Um dos trabalhos?

— É. Eu também trabalho numa outra empresa.

— Ah… sim — Fernanda assentiu, como se estivesse absorvendo a informação com mais atenção do que deixava transparecer.

Hana ficou ali por um segundo, ainda em serviço, mas percebendo que aquela visita não era casual.

— Querida — Fernanda começou, com um tom mais direto.

Hana já sentiu uma leve tensão.

— A senhora quer mais alguma coisa?

— Não é isso… — ela sorriu de leve. — Você tem vontade de casar?

Hana congelou por um segundo.

— Oi?

Fernanda deu uma pequena risada, como se estivesse tentando suavizar.

— Tá, deixa eu explicar melhor. Lembra que eu te falei do meu filho da última vez?

— Aham…

— E eu disse que ele não tem vontade de casar…

Hana assentiu lentamente, sem entender onde aquilo estava indo.

— Sim…

Fernanda apoiou as mãos na mesa.

— Eu falei dele pra você. E falei com ele sobre você.

Hana piscou, surpresa.

— E…?

— Ele se interessou.

Silêncio.

Hana olhou para ela como se estivesse tentando confirmar se tinha entendido corretamente.

— Senhora… a senhora está falando de um casamento?

— É, querida. Um casamento.

Hana deu um passo pequeno para trás, como reflexo.

— Isso é muito estranho…

Fernanda não negou.

— Eu sei.

— Eu nem conheço o seu filho direito…

— Você vai conhecer.

Hana respirou fundo, tentando manter a calma enquanto olhava ao redor da lanchonete, lembrando que estava no meio do trabalho.

— E como isso funcionaria exatamente?

Fernanda manteve o tom firme, mas não agressivo.

— Você vai ter uma vida confortável. Vai conhecer ele. E se depois de um tempo você não quiser continuar… vocês se separam.

Hana franziu o cenho.

— Se separa?

— Depois de um ano de casamento — Fernanda completou. — A única coisa que eu te peço é isso. Um ano.

Hana ficou em silêncio por alguns segundos. Aquilo parecia absurdo demais para ser real.

— Senhora Fernanda… isso não é… normal.

— Eu sei — ela respondeu, sem desviar o olhar.

Esse “eu sei” deixou tudo ainda mais estranho.

Hana respirou fundo.

— Eu vou pensar.

Fernanda assentiu, como se já considerasse aquilo um avanço.

— Tudo bem.

Hana já deu um passo para se afastar.

— Mas o seu filho também quer isso?

— Eu vou falar com ele — Fernanda respondeu com segurança. — Mas ele quer sim.

Hana hesitou por mais um segundo.

— Tá… tudo bem. Agora eu preciso voltar a atender, tá?

Fernanda apenas sorriu.

— Claro, querida.

E Hana voltou para o trabalho com o coração mais pesado do que quando tinha chegado.

Sem saber ainda se aquilo era uma proposta… ou o começo de um problema.

O escritório de Xavier era amplo, silencioso e organizado demais, como tudo na vida dele.

Ele estava sentado atrás da mesa, concentrado em papéis e telas abertas no computador, quando a porta se abriu sem cerimônia.

Ele nem levantou a cabeça de imediato.

— Oi, mãe.

Só depois de alguns segundos ele ergueu o olhar.

— Senhora por aqui?

Fernanda entrou com calma, como se já soubesse que aquela conversa não seria simples.

— Filho… eu encontrei a Hana hoje.

A caneta dele parou no meio da assinatura.

— Onde?

— Numa lanchonete. Eu parei pra lanchar e ela estava lá.

Xavier apoiou o corpo na cadeira, observando a mãe com mais atenção agora.

— Ela estava lá… fazendo o quê?

— Trabalhando.

Ele franziu o cenho.

— Trabalhando?

— Sim. Um dos trabalhos dela.

Aquilo já foi o suficiente para ele ficar em silêncio por alguns segundos.

— E?

Fernanda respirou fundo, como quem já tinha decidido não voltar atrás.

— Eu fiz uma proposta pra ela.

A expressão dele endureceu na hora.

— Que proposta?

— De casamento.

Silêncio.

O ar pareceu pesar dentro da sala.

Xavier soltou uma risada curta, sem humor.

— Você fez o quê?

Fernanda não recuou.

— Pedi a ela um ano de casamento com você.

Ele passou a mão pelo rosto, já claramente irritado.

— Claro que ela aceitou, né?

— Não.

Isso fez ele parar.

Fernanda continuou, mais calma do que ele esperava.

— Eu insisti. Muito. E ela disse que vai pensar.

Xavier se levantou da cadeira devagar, como se precisasse controlar a própria reação.

— Um ano de casamento… — ele repetiu, incrédulo. — Mãe, você está ouvindo o que está dizendo?

— Estou.

— E ainda acha isso normal?

Fernanda deu um pequeno suspiro.

— Eu acho que ela é uma mulher boa.

Ele riu de novo, agora mais frio.

— Isso não responde nada.

Ela deu um passo à frente, encarando o filho com firmeza.

— Ela não te conhece, Xavier. E mesmo assim não foi rude. Não te desrespeitou. Ela só… ficou confusa.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, andando até a janela.

— Você está tentando me empurrar um casamento como se fosse uma negociação.

— Talvez eu esteja, sim — Fernanda respondeu, sem fugir da verdade. — Talvez eu esteja desesperada vendo você sozinho dentro dessa vida que você construiu.

Ele virou o rosto de volta para ela.

— Eu não estou sozinho.

— Está — ela disse simplesmente.

Aquilo acertou mais do que ele demonstrou.

Xavier voltou para a mesa, apoiando as mãos nela com força leve demais para parecer controle.

— Um ano de casamento com uma desconhecida.

Fernanda não desviou o olhar.

— Ela não é uma desconhecida depois de um tempo.

Ele fechou os olhos por um segundo, respirando fundo.

— Mãe… a senhora está maluca.

Ela soltou um riso baixo, triste até.

— Talvez eu esteja mesmo, filho.

E então, mais baixo, quase num pedido:

— Mas por favor… casa com ela. Me dá esse um ano.

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