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Capítulo 34

Autor: DANI VENCES
last update Data de publicação: 2026-01-21 05:28:57

Dante

A luz da manhã cortava as cortinas do quarto de Emma, afiada como uma lâmina. Sentei-me na beira da cama, o lençol ainda quente com o eco do corpo dela, o perfume doce da sua pele agarrado a mim como uma corrente invisível. A noite passada pulsava em mim como uma ferida — os gemidos dela, o desafio nos olhos castanhos, a entrega que desafiava a Fera dentro de mim. Mas agora, na claridade fria do ama

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Último capítulo

  • ENTREGUE AO CHEFE DA MÁFIA   Epilogo

    EmmaA casa de Vitória ficava no subúrbio cinzento de Nápoles, uma construção modesta de tijolos descascados, cercada por um jardim selvagem que ninguém mais cuidava. Eu estacionara o carro a duas quadras de distância, o capuz do casaco cobrindo meu rosto apesar do sol fraco da tarde. Vitória abriu a porta com um suspiro cansado.— Você vai se meter em problemas, Emma — murmurou ela, olhando para os lados como se as sombras já nos vigiassem.Sorri, um sorriso amargo que não chegava aos olhos.— Preciso falar com ele uma última vez.Vitória hesitou, mas assentiu, abrindo espaço.— Ele está lá dentro.Entrei. O ar cheirava a mofo e café requentado, o mesmo cheiro da infância que eu tentara esquecer. Meu pai estava na sala pequena, sentado em uma poltrona gasta, mais magro do que me lembrava, o rosto marcado por anos de vícios e arrependimentos. Ao me ver, levantou-se devagar, os olhos marejados.— Emma...Ele me abraçou com força, como se eu fosse a âncora que o impedia de afundar. Sent

  • ENTREGUE AO CHEFE DA MÁFIA   Capítulo 52

    DanteO escritório em casa era meu refúgio absoluto, um santuário blindado contra o mundo exterior. As paredes, revestidas de madeira escura de carvalho envelhecido, absorviam a luz fraca do abajur de latão antigo, criando sombras longas e densas que pareciam se mover sozinhas. Estantes altas, quase até o teto, estavam abarrotadas de livros encadernados em couro volumes de direito, história da máfia siciliana, tratados de estratégia militar , a maioria com as páginas ainda intocadas, acumulando uma fina camada de poeira que denunciava minha ausência prolongada da leitura por prazer. O ar carregava aquele cheiro persistente e reconfortante de charuto cubano, com notas terrosas e amadeiradas, misturado ao aroma rico e envelhecido do couro macio da poltrona Chesterfeld onde eu passava tantas noites em claro. Sentado à imponente mesa de mogno polido, cujas veias escuras pareciam mapas de rios subterrâneos, folheava relatórios de carregamentos páginas cheias de números frios, datas de ch

  • ENTREGUE AO CHEFE DA MÁFIA   Capítulo 51

    EmmaA luz branca do hospital filtrava pelas persianas, desenhando listras douradas no lençol. O curativo na orelha latejava, mas a dor era suportável — um lembrete de que eu estava viva, de que sobrevivera ao inferno do galpão. Alguém estava ao pé da cama. Uma mulher jovem e loira, cabelos ondulados, olhos verdes. O rosto... idêntico às fotos antigas de Laura. Meu coração disparou.— Laura...? — A palavra saiu rouca, assustada. Sentei-me rápido. A cabeça girou, dor explodindo na orelha.— Cuidado! — Voz suave, ela sorriu, aproximando-se. — De fato, pareço-me muito com minha irmã mais velha. Mas me chamo Lena. Quero agradecer por cuidar do meu sobrinho. Ele não para de falar sobre você.Pisquei, atordoada com a semelhança, mas olhando bem via a diferença — talvez o sorriso mais afiado, o brilho malicioso nos olhos. Dante entrou naquele momento, camisa branca com mangas dobradas, olhos cansados mas vivos. Veio direto para mim, beijando minha testa. O cheiro dele — madeira, uísque, segu

  • ENTREGUE AO CHEFE DA MÁFIA   Capítulo 50

    DanteO galpão surgiu na escuridão como um túmulo de metal enferrujado, uma lâmpada solitária pendendo do teto, balançando e lançando sombras que dançavam como demônios nas vigas. Deslizei o carro a vinte metros, desliguei o motor — o silêncio engoliu o ronco, deixando apenas o zumbido nos ouvidos e o sangue pulsando nas têmporas. Minha mão checou o peso familiar da pistola, deslizando-a um centímetro para fora do coldre, o metal frio uma promessa de vingança.Saí. Fechei a porta com clique controlado, olhando a escuridão absoluta, esperando o clarão de um tiro. O vento frio da divisa trazia óleo queimado e poeira industrial, grudando na pele como suor de medo. Comecei a caminhar, cada passo no cascalho um ruído ensurdecedor na quietude, a adrenalina queimando na nuca como fogo lento.Entrei. O cheiro me acertou primeiro: ferrugem, mofo, suor velho — o fedor de armadilhas passadas.Salazar no centro, sob a lâmpada oscilante.Emma amarrada numa cadeira de metal, cabeça baixa, o vestido

  • ENTREGUE AO CHEFE DA MÁFIA   Capítulo 49

    DanteO telefone vibrou contra meu peito como um coração de metal enjaulado, cada pulso uma acusação. O ar do escritório estava pesado, impregnado do couro queimado pelo sol da tarde, do uísque derramado na madeira antiga e daquele cheiro metálico de sangue que nunca sai das minhas mãos — um lembrete eterno de que eu era a Fera, não o homem. Caminhei em círculos, os sapatos de couro rangendo no chão como um predador que sabe que a jaula está prestes a se abrir.A voz de Salazar escorreu pelo fone, oleosa e fria como veneno diluído.— Moretti. Tenho algo que você quer.Emma.O nome não foi pronunciado, mas ecoou dentro de mim como um tiro no escuro, rasgando o que restava de controle.— Fala — rosnei, a garganta seca como areia.— Ela está viva. Por enquanto. Não gostei de saber que está com a minha carga — vale muito dinheiro —, mas aceito o acordo. — Pausa, saboreando o silêncio como um predador lambendo ferida. — Galpão na divisa. Meia-noite. Sozinho. Entrego-a, quero minha mercador

  • ENTREGUE AO CHEFE DA MÁFIA   Capítulo 48

    EmmaO quarto era uma prisão disfarçada de luxo decadente. As paredes, pintadas de um vermelho escuro que evocava sangue seco, pareciam se fechar ao meu redor, sufocando o ar já rarefeito e carregado de um silêncio opressivo. Uma cama king size dominava o centro, com lençóis de seda preta amarrotados — vestígios de uma luta recente ou de noites que eu preferia não imaginar. Uma única janela, alta e estreita, exibia grades ornamentadas que fingiam elegância, mas eram barras de ferro forjado, projetadas para impedir qualquer fuga. O chão de madeira rangia a cada passo hesitante que eu dava, ecoando como um aviso implacável: Você está presa, Emma. Presa de verdade.Andei de um lado para o outro por horas — ou assim parecia, pois o tempo se dissolvia naquela penumbra. O relógio na parede marcava os segundos com um tique-taque irritante, como um coração mecânico que se recusava a parar. Meu vestido, o mesmo da boate na noite anterior, estava sujo de poeira das ruas e manchado de suor, o tec

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